Capela da Ordem Terceira de Nossa Senhora de Jesus / Igreja de Nossa Senhora de Jesus

IPA.00004945
Portugal, Lisboa, Lisboa, Misericórdia
 
Arquitectura religiosa, barroca. Capela. A decoração de estuque da cobertura da nave integra-se no conjunto dos trabalhos técnica e esteticamente afins à obra do italiano Giovanni Grossi (1718 - 1781) *1.
Número IPA Antigo: PT031106220283
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de Confraria / Irmandade  Ordem de São Francisco - Franciscanos Terceiros

Descrição

Planta longitudinal composta organizada dentro de um rectângulo. O INTERIOR, de uma só nave e capela-mor pouco profunda, apresenta cobertura em abóbada profusamente decorada com trabalho de estuque, figurando papas, reis e cardeais que pertenceram à ordem franciscana, bem como representações dos emblemas pontifícios, de símbolos eucarísticos e das armas da ordem. Nos muros laterais da nave reconhece-se um rodapé de azulejos de ornato e neles abrem-se, por meio de arcos de volta inteira, 6 altares (3 de cada lado) com alguma imaginária. Na parede S. rasgam-se 3 janelas iluminantes do espaço interior, enquanto no muro N. a sua correspondência se afigura mera simulação com preocupações de simetria. Nos espaços que medeiam entre as janelas e nas paredes de topo, ladeando o arco triunfal (de volta perfeita), observam-se 8 telas cuja temática é a vida de São Francisco *2. Na capela-mor, rectangular, o altar ostenta uma tela tendo por tema Nossa Senhora da Conceição, ladeada por imagens de São Francisco (lado do Evangelho) e São Domingos (lado da Epístola) colocadas sobre peanhas. Nos muros laterais da capela-mor 4 telas de forma oval figurando São Domingos e Santa Isabel da Hungria (lado da Epístola) e Santo António e Santa Margarida de Cortona (lado do Evangelho).

Acessos

Largo de Jesus

Protecção

Categoria: CIP - Conjunto de Interesse Público, Port. n.º 1176/2010 , DR, 2.ª Série, n.º 248, de 24 Dezembro 2010 / ZEP, Portaria n.º 398/2010, DR, 2.º série, n.º 112, de 11 junho 2010 *1 / Incluído na Zona Especial de Proteção do Liceu de Passos Manuel (v. IPA.00006461)

Enquadramento

Urbano, destacado, flanqueado. A capela apresenta-se integrada na massa arquitectónica do Hospital de Jesus, efectuando-se o acesso por um pequeno corpo adossado ao alçado lateral E. do edifício hospitalar. As frentes urbanas envolventes são constituídas a E. pela Igreja Paroquial das Mercês (v. PT031106220058 ), a NE. pela Academia de Ciências de Lisboa (v. PT031106220314) e pelo Palácio Ratton (v. PT031106220267), e a SE. pelo Liceu Passos Manuel (v. PT031106220346).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: João Antunes (1677); Manuel Nunes (1677). ENTALHADOR: Matias Rodrigues de Carvalho (1677). ESTUCADOR: Giovanni Grossi (séc. 18). PINTOR: Bento Coelho da Silveira (séc. 17, 1708); Luís Gomes Falcato (1680-1681); Manuel Paz e Silva (1708); Marcos da Cruz (1673-1674, 1677).

Cronologia

1582 - doação do terreno no sítio dos Cardais, onde existia uma ermida dedicada à Virgem Mãe de Deus aos padres descalços da Ordem Terceira de São Francisco; 1586 - licença para a construção de um convento concedida pelo papa Sisto V; 1595, abril - instalam-se no local de umas casas e cardal oferecido por Luís Rodrigues, iniciando-se a construção do novo complexo; 1598 - 1618 - aquisição de terrenos para a cerca; 1615, julho - lançamento da primeira pedra da igreja por Cristóvão de Almada, Provedor da Casa da Índia; 1623 - sagração da igreja conventual e celebração da primeira missa; 1633 - falecimento do grande benfeitor da comunidade, o bispo D. João Manuel, deixando à Ordem140$000 aplicados no juro do Real de Água da cidade de Lisboa; o prelado doou vários paramentos, alfaias, um missal iluminado e várias relíquias, expostas na capela-mor; na capela-mor, um túmulo dos pais e avós do bispo; 1640 - construção da enfermaria; 1675 - construção do dormitório; séc. 17, finais - construção da livraria; 1707 - conclusão da construção do edifício; 1755, 1 novembro - grandes estragos causados pelo terramoto, na igreja e nas dependências conventuais, ficando completamente destruídos o refeitório e os dormitórios do lado S.; séc. 18, meados - reconstrução do convento por Joaquim de Oliveira; 1777 - construção da biblioteca do convento, paga por Frei Manuel do Cenáculo; 1779 - fundação da Academia das Ciências pelo Duque de Lafões, D. João Carlos de Bragança e Sousa Tavares Mascarenhas da Silva Ligne, com o beneplácito da rainha D. Maria I, com a ajuda do Abade Correia da Serra, naturalista reputado no estrangeiro, tendo sido criada com duas classes, uma de Ciências e outra de Belas Letras; 1779 - D. Maria I aprova os estatutos da Academia de Ciências de Lisboa; 1780 - a Academia reuniu pela primeira vez , no Palácio das Necessidades; 1780 - funciona uma tipografia na zona baixa do convento; 1783 - a Rainha declarou-se protectora da Academia, que desta forma teve o título de Real Academia; séc. 18, finais - reconstrução da enfermaria; pintura do tecto da biblioteca por Pedro Alexandrino de Carvalho; 1804 - os franciscanos acharam a biblioteca demasiado sumptuosa e doaram-na à cidade; 1833 - transferência definitiva para o actual edifício *2; 1834 - saída da comunidade franciscana, em sequência da expulsão das ordens religiosas; 26 e 27 outubro - decretos fizeram a doação do edifício à Academia, para seu perpétuo estabelecimento, incluindo-se na doação a livraria, Museu de História Natural e de Artefactos e a galeria de pinturas; 1836 - o Ministério do Reino incumbiu esta instituição de instalar um jardim botânico na cerca conventual; séc. 19, meados da década de 30 - a Academia empenhou-se na plantação de oliveiras por todo o país; criação de uma aula de Zoologia, criada pelo Padre Mayne; execução dos bustos para a sala da biblioteca, pela Real Fábrica de Faiança do Rato; 1838 - instalação em parte das dependências conventuais do Gabinete de História Natural; 1851 - tinha duas classes autónomas e com a publicação dos seus próprios boletins - Letras e Ciências; 1858 - a pedido de D. Pedro V a Academia cede o segundo andar e algumas dependências do primeiro à Comissão Geológica; 1859 - instalação do Curso Superior de Letras (depois de 1910, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) na ala O. do edifício *3; 1859 - 1891 - novas cedências de espaço para o Curso Superior de Letras (claustro, 2 salas do r/c e compartimentos no 1º andar); 1891, 27 janeiro - decreto onde a Academia aceita a cedência de instalações sob a condição de reverterem de novo ao serviço da Academia logo que possível; 1895 - funcionamento do Parlamento na biblioteca da Academia das Ciências, devido ao incêndio que se registara no palácio de São Bento; 1903 - construção do Liceu Passos Manuel na antiga cerca do convento; 1910 - 1911 - extinção da tipografia da Academia das Ciências, que funcionava na cave do edifício, transitando materiais e pessoal para a Imprensa Nacional; transferência definitiva do Liceu Passos Manuel para as novas instalações; 1950 - Almeida Segurado fez um estudo para obras de beneficiação da Faculdade de Letras, que incluía o arranjo do acesso ao 1.º andar, da Sala dos Professores e da Sala de Actos Grande, tendo estas obras terminado no final de 1951; 1950 - de acordo com um estudo de Luís Benavente, fez-se a decoração e o mobiliário da Sala de Actos Grandes, que incluia um estrado central com dois degraus, dois estrados laterais com um degrau, uma cadeira de braços e de costas altas, quatro cadeiras sem braços, uma mesa para o júri, duas cadeiras de nove lugares para os lentes, duas teias, uma mesa para o arguente, um banco para a mesa e dezasseis bancos para os assistentes; este mobiliário seria de modelo clássico historicista; 1951 - 1952 - a empreitada de construção de mobiliário foi entregue a Arnaldo José da Costa (Fábrica de Móveis Aseta); 1957 - a Faculdade de Letras de Lisboa funciona, até esta data, numa ala do edifício; passou a ser ocupado pela Biblioteca Popular; 1964 - a Faculdade de Letras deixa de estar instalada no imóvel; 1994, maio - proposta de classificação; 2001 - encerramento da Biblioteca Popular, obrigando a uma reestruturação funcional; 2002, Junho - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2005, 29 setembro - proposta de fixação de Zona Especial de Proteção da Igreja pela DRCLVTejo; 2009 - Despacho de homologação da Zona Especial de Proteção pela Ministra da Cultura; 2011, 20 maio - Declaração de retificação ao teor do diploma de fixação de Zona Especial de Proteção, n.º 874/2011, DR, 2.ª Série, n.º 98.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, estuques pintados, azulejos, madeira dourada e pintada, ferro forjado.

Bibliografia

AAVV, Dicionário da História de Lisboa, Lisboa, 1994; AIRES, Cristóvão, Para a História da Academia das Ciências de Lisboa, Coimbra, 1927; Academia das Ciências de Lisboa - Saber, pó e penúria, in Jornal de Letras Artes e Ideias, 05 Março 2003; ANDRADE, Manuel Ferreira de, Do Convento de Nossa senhora de Jesus, Lisboa, 1946; ALMEIDA, D. Fernando de, (coord. de), Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa - Tomo 2, Lisboa, 1975; ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro 5, Lisboa, s.d.; ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, Vol. 1, Fasc. 11, Lisboa, 1956; BERGER, Francisco José Gentil, Lisboa e os Arquitectos de D. João V, Lisboa, 1994; CAEIRO, Baltasar Matos, Os Conventos de Lisboa, Lisboa, 1989; CARVALHO, Ana Patrícia de, A Academia das Ciências de Lisboa: plano director, in Monumentos nº 18, DGEMN, Lisboa, Março 2003, pp 139 - 141; LIMA, Durval Pires de, História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, Lisboa, 1972; MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa de Lés a Lés, Lisboa, 1943; MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa de Lés-a-Lés, 3ª ed., Vol. I, Lisboa, 1981 (1ª ed. 1939); Monumentos, n.º 5 a n.º 6, n.º 10 a n.º 13, n.º 15-23, Lisboa, DGEMN, 1996-1997, 1999-2005; Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1972, vol. II; OLIVEIRA, E. Freire de, Elementos para a História do Município de Lisboa, Lisboa, 1942; PEREIRA, Esteves, RODRIGUES, Guilherme, Portugal Dicionário, Vol. III, Lisboa, 1905-1911; PEREIRA, Luis Gonzaga, Monumentos Sacros de Lisboa em 1833, Lisboa, 1927; PORTUGAL, Fernando e MATOS, Alfredo de, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, 1974; PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, Lisboa, 1927; SANTANA, Francisco, A Freguesia de Nossa Senhora das Mercês no Tempo de Pombal, in Revista Municipal, nº 120 / 121, Lisboa, 1º e 2º trimestres 1969; SANTOS, Reynaldo dos, A Pintura de Tectos no séc. XVIII em Portugal, Lisboa, 1962; SILVA, A. Vieira da, As Freguesias de Lisboa, Lisboa, 1943; SILVA, A. Vieira da, Plantas Topográficas de Lisboa, Lisboa, 1950; SOUSA, Francisco L. Pereira de, Effeitos do Terramoto de 1755, Lisboa, 1909.

Documentação Gráfica

AHMOP: Desenho nº 79 B

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa; BNP: Secção de Reservados, Fundo Geral, Cod. 145; BACL, Col. Vermelha, Ms. Nº 222

Intervenção Realizada

2000 - conservação e restauro do tecto da nave; 2000 / 2001 - reparação do telhado e algerozes; limpeza e conservação das superfícies estucadas; 2002 - concluída empreitada de limpeza e conservação dea superfície estucada; 2003 - restauro das telas da capela.

Observações

*1 - classificado como um conjunto de que fazem parte: o Antigo Convento de Nossa Senhora de Jesus e restos da cerca conventual, incluindo a Igreja de Nosso Senhor de Jesus, a Academia das Ciências, o Museu Geológico, a Capela da Ordem Terceira de Nosso Senhor de Jesus e o Hospital de Jesus. Zona Especial de Proteção Conjunta do Bairro Alto e Imóveis Classificados na sua Área Envolvente. *2 - desenvolveu a sua actividade de estucador na região de Lisboa a partir de meados do séc. 18, sob a protecção do Marquês de Pombal; porém a atribuição linear dos estuques da capela dos Terceiros a Grossi não é pacífica, considerando alguns autores serem eles obra de Toscanelli, seu primo.

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1995

Actualização

Luisa Cortesão 2002
 
 
 
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