Torre de Vilar

IPA.00004878
Portugal, Porto, Lousada, Vilar do Torno e Alentém
 
Domus fortis medieval, com função simultaneamente militar e residencial. Residência senhorial fortificada de linguagem românica.
Número IPA Antigo: PT011305260005
 
Registo visualizado 709 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo torre

Descrição

Torre de planta quadrangular, com dezoito metros de altura, em aparelho de cantaria granítica, armado em fiadas de cilhares pseudo-isódomos, muitos dos quais ostentam sigla de canteiro. Na cobertura apresenta lanternim com camarinha e guarda a todo o perímetro do adarve. O acesso ao interior é feito através de uma porta rectangular sobrepujada por arco de volta perfeita com tímpano liso, situado na base da fachada sudoeste e um vão de janela rectangular na mesma fachada. Ao longo das fachadas existem numerosas seteiras de feição românica, que abrem em capialço para o interior. Na fachada sudeste apresenta ao nível do 2º piso, varandim metálico e vão de porta rectangular, que parece ter sido aberto em época posterior à construção original, e à qual se acedia pelo exterior através de uma escada de madeira, de que se conservam vestígios de apoio na face da parede e na rocha junto ao embasamento da parede. O INTERIOR é preenchido por uma estrutura de madeira que se expande desde o piso térreo à cobertura, formando 5 plataformas e escada de acesso ao lanternim e adarve da torre, com guardas. Esta estrutura serviu-se dos antigos elementos de apoio ainda existentes, como mísulas e agulheiros, únicos vestígios que testemunham que aqui existiram cinco pavimentos de madeira.

Acessos

EN 15 entre Penafiel / Lixa, desviando para vias municipais em direcção a Vilar de Torno e Alentém - lugar da Torre

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 95/78, DR, 1ª série, n.º 210 de 12 setembro 1978

Enquadramento

Rural, isolado. Implantado no topo de um outeiro envolvido por campos de cultivo, onde a vinha é a cultura que mais se impõe na paisagem, encontra-se junto de duas linhas de água que vão formar um dos dois afluentes do Rio Sousa.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Comunidade Urbana do Vale do Sousa

Época Construção

Séc. 13 / 14 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Miguel Malheiro (2005 / 2006). CONSTRUTORA: Augusto de Oliveira Ferreira (2005 / 2007).

Cronologia

Séc. 13 - 14 - Construção da torre pela família dos Riba Vizela, tendo provavelmente passado para a coroa por falta de descendentes; 1367 - D. Fernando doa Vilar de Torno, Unhão e Meinedo a Aires Gomes da Silva, documentando-se a sua manutenção na família ao longo do séc. XV; 1434 - D. Duarte doa ao sobrinho - neto de Aires Gomes da Silva, que possui o mesmo nome do tio, a Torre de Vilar e outros lugares próximos; 1851 - a Quinta da Fonte de baixo à qual pertencia a Torre, foi doada como dote de casamento à Sra. D. Maria de Jesus de Castro Caldas Pereira, quando casou com José Joaquim da Motta; 1880 - José Joaquim da Motta morre deixando muitas dívidas à viúva que se vê obrigada a vender a referida quinta e torre, para salvar a casa grande de ferreiros que possuíam; 1881 - o Visconde D'Alentem comprou o terreno adjacente e torre, "que possuía apenas as paredes denegridas" e mandou-a restaurar; 1883 - a torre é descrita como tendo "um pequeno pórtico, 5 andares com bonitas salas que recebem luz de seteiras esguias, abertas nas 4 faces, e que termina em um eirado com varanda de pedra e esplêndidas vistas"; 2004 - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2005 - obras de conservação e valorização geral da Torre no âmbito do projecto da Rota do Românico do Vale do Sousa; 2006, 23 Setembro - abertura ao público.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Paramentos de granito, estrutura interior, escadaria, soalhos e portas de madeira, caixilhos das seteiras e janelas de metal e vidro simples, guardas interiores e exteriores, varandim e estrados do adarve metálicos, rufos de zinco, lanternim de madeira revestido a camarinha de zinco.

Bibliografia

LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1873, vol. 11º pag. 1284; LOPES, Flávio, Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, IPPAR, Lisboa, 1993, vol. II, Distrito do Porto, p. 24; OLIVEIRA, Ana Maria da Costa, Duas Torres Senhoriais do Vale do Sousa, Fundação A Lord, Lordelo, 2006; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71817 [consultado em 2 janeiro 2017].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN, Arquivo Divisão Monumentos

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DREMN, Arquivo Divisão Monumentos; DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

AN/TT; IHRU: DGEMN/DREMN, Carta de Risco, Arquivo Divisão Monumentos caixa 3364, 3387, 3388, 3389, DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

1881 - Restauro da Torre e transformação em mirante pelo Visconde de Alentem; DGEMN: 2005 / 2006 - obras de conservação e valorização geral da torre, compreendendo a limpeza e remoção de vegetação nos paramentos exteriores; consolidação de zonas degradadas e tratamento global das juntas; consolidação do tímpano da porta; regularização do pavimento interior; execução de cobertura e pavimentos interiores; arranjo exterior e da envolvente, incluindo acessos; 2007 - conclusão das obras de conservação e valorização geral da Torre, com execução do percurso de acesso ao imóvel e iluminação.

Observações

A Torre de Vilar faz parte da "Rota do Românico do Vale do Sousa" juntamente com os 20 imóveis a seguir descritos: Igreja de São Miguel de Estre-os-Rios (v. PT01131100010), Igreja de Gândara (v. PT011311040009), Igreja de São Gens de Boelhe (v. PT011311020008), Igreja de Abragão (v. PT011311010015), Memorial da Ermida (v. PT011311150005), Capela da Senhora do Vale (v. PT011310080004), Igreja de São Pedro de Ferreira (v. PT011309050001), Ponte de Espindo (v. PT011305130009), Ponte de Vilela (v.PT011305020004), Igreja Velha de São Mamede de Vila Verde (v.PT011303330020), Igreja de Santa Maria de Airães (v. PT011303020007), Igreja Matriz de Unhão (v. PT011303280004), Igreja de São Vicente de Sousa (v. PT011303260008), Igreja de Cête (v. PT011310080001), Igreja Matriz de Meinedo (v. PT011305130002), Mosteiro de Pombeiro (v. PT011303150001) Monumento Funerário do Sobrado (v. PT010106090003) e Restos da Torre de Aguiar de Sousa (v. PT011310010012). *1 - Construída no topo de um pequeno outeiro, parcialmente terraplanado, para acentuar a separação do plano envolvente, a Torre de Vilar recorda uma solução do tipo "Mota", modelo de residência senhorial fortificada que se difundiu pela Europa Ocidental a partir do século XI, modelo que está na origem das "casas torre" que conheceram grande aceitação no noroeste português (Coord. Malheiro, Miguel, Estudo de Valorização e Salvaguarda das Envolventes aos Monumentos da Rota do Românico do Vale do Sousa, 2ª fase, DGEMN/DREMN, 2006).

Autor e Data

Isabel Sereno / Paulo Dórdio 1994 / Ana Filipe 2008

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login