Igreja Paroquial de Aveleda / Igreja de São Salvador

IPA.00004877
Portugal, Porto, Lousada, Aveleda
 
Arquitectura religiosa, românica, rococó e neoclássica. Igreja paroquial de um românico muito tardio, de planta longitudinal, com nave, capela-mor, torre sineira e sacristia, rasgada na fachada principal por portal de arco apontado, enquadrado por arquivoltas assentes em colunelos de fuste liso, base e capitel decorados, com motivos vegetalistas, assentes em ampla sapata. Interior reedecorado a Rococó e neoclássico, com tectos em abóbada de volta inteira, forrados a madeira; retábulos em talha pintada com motivos decorativos a dourado. No interior destaca-se pela qualidade artística e programa econográfico, as pinturas do tecto da capela-mor, do tecto da nave e do arco cruzeiro, cuja autoria se desconhece, e que possivelmente foram patrocinadas pelo mecenato régio, pelo facto da igreja integrar o Padroado Real, sendo afecta ao património da Princesa e Duquesa de Bragança. estas obras colocam a Igreja de Aveleda num local de destaque no conjunto dos interiores rococós do Norte de Portugal. Salienta-se ainda o facto das referidas pinturas apresentarem a policromia original, sem repintes ou acrescentos. No alpendre encostada à escada de acesso à torre encontra-se uma pedra de um túmulo. A decoração dos capitéis do portal principal apresenta características da escola românica da bacia do Sousa. Inspira-se em modelos regionais, como Unhão, São Vicente de Sousa e Vila Boa de Quires.
Número IPA Antigo: PT011305020004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Igreja de planta rectangular composta por nave, capela-mor, com sacristia e torre sineira de planta quadrangular, adossadas a N. e ligadas por um pequeno alpendre de madeira, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas no templo e na sacristia e uma no telheiro. Fachadas em cantaria de granito aparente em aparelho isódomo, percorridas por soco saliente e rematadas em cornija de cantaria, sustentada na nave por cachorrada; os cunhais são firmados por pináculos piramidais com bola, assentes em plintos paralelepipédicos. Fachada principal voltada a O., terminada em empena coroada nos vértices laterais por pináculos piramidais terminados em esferas, assentes em plintos paralelepipédicos, e o central por cruz sobre acrotério, com as pontas trilobadas; rasgada por portal composto por três arquivoltas em arco quebrado, lisas, assentes em três colunas de cada lado, com capitéis e bases vegetalistas, fustes e tímpano liso. A encimar o Portal óculo redondo em capialço, protegido por grade de ferro. Fachada lateral direita, orientada a S., rasgada ao nível inferior por portal de arco quebrado, formado por duas arquivoltas assentes sobre impostas salientes, e tímpano, sendo todo o conjunto desprovido de decoração, ladeado por cachorros e sobrepujado por lacrimal alteado sobre o portal, que denunciam a presença de um anterior alpendre adossado à fachada. Sobre a cornija, duas seteiras verticais para entrada de luz. É a fachada rematada por fiada de cachorros simples, friso e cornija. Fachada N., rasgada ao nível da nave por duas portas, a primeira em arco apontado e tímpano liso, a segunda de verga recta, parcialmente percorrida por alpendre em estrutura de madeira e cobertura em telha, com pavimento em lajedo de cantaria. Sobre a cornija do alpendre, seteira vertical em arco pleno. Rematam a fachada friso e cornija corrida sobre cachorros simples como na fachada S.. Encostado á fachada, sob o alpendre, banco corrido de granito. A capela-mor apresenta vão de janela e adossa na perpendicular, sacristia rasgada na fachada O. por porta e fresta rectangular horizontal e na fachada E. por pequena janela engradada. Fachada Posterior cega. Torre de planta quadrada, de dois registos delimitados por cornijas salientes, rasgada no primeiro registo por pequenas frestas de arejamento e porta de verga recta acedida por escadaria de granito e o último rasgado por quatro ventanas de arco pleno, cobertura piramidal, rematada por bola. Nos vértices, sobre a cornija pináculos piramidais e gárgulas. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento com soalho de madeira, tecto de perfil curvo com pinturas decorativas sobre madeira; coro-alto de madeira protegido por balaustrada; do lado do Evangelho, pia baptismal em granito, púlpito com sanefa e guardas de madeira, pintado de branco e decorado com motivos vegetalistas a dourado, assente sobre base de granito e mísula também de granito; e altares colaterais em madeira pintada de branco, creme e dourado, e toda a estrutura envolvente liga organicamente com o arco triunfal. Este apresenta arco pleno, encimado por grande painel de madeira, com pinturas decorativas; capela-mor antecedida por dois degraus, com pavimento em lajes de granito, e tecto curvo com caixotões pintados com temas alusivos à Virgem. Retábulo-mor de planta recta e três eixos verticais, sendo o central em arco de volta plena com nicho profundo, albergando tribuna de cinco degraus, onde é exposto o padroeiro; eixos laterais definidos por duas colunas estriadas com capiteis jónicos, de cada lado, com imagens sobre mísula. No sotobanco, sacrário em forma de templete.

Acessos

Lugar da Igreja; EM 1153

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 95/78, DR, 1ª série, n.º 210 de 12 setembro 1978 / ZEP, Portaria n.º 784/2014, DR, 2.ª série, n.º 182 de 22 setembro 2014

Enquadramento

Peri-urbano, isolado, implantado numa zona entre dois aglomerados populacionais, num terreno junto à via pública, situada a N. e envolvido por terrenos de cultivo. O perímetro que o envolve forma um pequeno adro, pavimentado a terra batida e fechado por muros em cantaria de granito, pontuado por algumas árvores, sendo envolvido por oliveiras. O adro da igreja confronta a S. com o Cemitério de Aveleda. Fronteira ao templo, uma casa de planta rectangular simples e cobertura a quatro águas, correspondendo à residência paroquial.

Descrição Complementar

O tecto da nave apresenta dois registos separados a meio, o primeiro próximo da entrada representa a Ascensão de Cristo, ladeado, em intervalos regulares, pelas representações dos quatro evangelistas São João, São Lucas, São Mateus e São Marcos, o outro próximo do arco triunfal representa uma Alegoria à Eucaristia, ladeada pelas figurações dos dois pilares da igreja católica, São Pedro e São Paulo. Retábulos colaterais, idênticos, de madeira, pintados a branco, dourado e bege, de planta recta, constituído por duas colunas de fuste liso, que fazem o enquadramento de um nicho central para colocação de imaginária, e sustentam o entablamento, sobre o qual se desenvolve o remate recortado e assimétrico da estrutura. A decoração consiste sobretudo em elementos concheados, dourados, sobre a superfície plana da estrutura retabular. O interior do nicho é pintado a azul com decoração vegetalista em que domina a representação de flores. Num dos degraus que antecedem a capela-mor apresenta motivos escavados, nos extremos surgem rosetas de seis pétalas enquadradas em círculos, e ao centro, um losango*1. A parede do arco triunfal, também revestida a madeira, em jeito de remate arquitectónico, apresenta motivos decorativos concheados e pequenos anjos que se colocam apostos sobre elementos arquitectónicos desenhados em trompe l'oeil, sendo toda a estrutura coroada ao centro, pela representação da Santíssima Trindade, que se insere numa cartela de grandes dimensões, de moldura assimétrica, decorada por motivos rocaille. Tecto da capela-mor em abóbada de volta perfeita, forrada por caixotões com vinte e oito painéis, pintados sobre madeira, com temas marianos. Retábulo-mor pintado a branco e dourado, de planta recta e três eixos verticais, sendo o central em arco de volta perfeita, albergando a tribuna de cinco degraus, que acolhe o trono eucarístico; eixos laterais definidos por duas colunas estriadas com capiteis jónicos, de cada lado, com imagens sobre mísula. No sotobanco, sacrário em forma de templete.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial *2

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR-DOURADOR: João Ribeiro (1695-1697).

Cronologia

1098, 23 Maio - Surge a primeira referência conhecida sobre a vila de Aveleda, dando conta que Guterre Mendes e Onega Gonçalves compram a Pedro Astrufiz e sua mulher, alguns bens que estes herdaram na vila de Aveleda; 1177 - surge uma referência à "ecclesia de Auelaneda"; 1258 - é referido o orago São Salvador nas inquirições; 1284 - nas Inquirições de D. Dinis o abade declara ser do padroado real; séc. 13 - 14 - provável reconstrução, conservando da construção original apenas a nave e a fachada principal; 1670, 17 Junho - o visitador manda fazer o retábulo de Nossa Senhora e uma imagem de Nossa Senhora; 1672, 22 Junho - nova visitação, estando já o retábulo de Nossa Senhora concluído, e tendo o visitador mandado executar o retábulo oposto; 1673, 04 Agosto - o segundo retábulo colateral não está executado; 1674 - estava já concluído o novo retábulo; 1676, 24 janeiro - o visitador manda dourar os retábulos; 1687, 14 julho - o visitador manda fazer o remate do retábulo; 1688, 21 dezembro - o visitador afirma que a Irmandade do Santíssimo tem de decidir-se sobre a feitura da tribuna expositiva do retábulo; 1691, 19 setembro - está a ser feita a obra da tribuna; 1695, 02 março - na visitação é referida a feitura do retábulo; 1697, 09 dezembro - o visitador ordena o douramento do retábulo; 1697 - 1698 - douramento do retábulo-mor e tribuna por João Ribeiro; séc. 18 - construção da torre e redecoração interior; renovação da capela-mor por artistas italianos contratados pela Casa de Santo Ovídio; 1706 - segundo o Padre Carvalho da Costa, a igreja de São Salvador de Aveleda é uma abadia apresentada pela Casa de Bragança, rendendo com a sua anexa, São Miguel de Lousada, 400$000; a povoação tem 50 vizinhos; 1709, 20 junho - o visitador manda fazer uma nova imagem para a Capela de São Bartolomeu e enterrar a antiga; 1722, novembro - o visitador manda fazer para o retábulo, a imagem do Salvador, na cena da Transfiguração, para substituir o Menino Jesus que estava no mor e que era proveniente do retábulo colateral; 1723, 14 outubro - o visitador manda fazer um novo teto para a capela-mor, reiterando a ordem que já fora dada em 1719; 1724, 18 dezembro - o visitador manda forrar a painéis o teto da capela-mor; 1725 - encomenda dos caixotões do teto; 1728, 14 abril - o visitador manda fazer uma credencia; 1758, 22 maio - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Francisco Álvares de Azevedo, é referido que a igreja fica no lado poente da freguesia, isolada das habitações, formando um núcleo com passal, casa de residência para o pároco, celeiro para a recolha da renda e a casa do caseiro; a igreja tem como orago Salvador do Mundo e tem três altares, o mor com o Santíssimo, tendo tribuna dourada e sacrário, onde está a imagem do orago, rodeada por quatro serafins com castiçais para alumiar o Santíssimo, e ladeada por São Brás e Santo António; no colateral direito, o Santíssimo Nome de Jesus, com as imagens de São Sebastião e Santo Amador, do qual existe uma relíquia na igreja, guardada em custódia de prata, e que é alvo de grande devoção, tendo sido trazida de Roma pelo abade Pedro Domingues Leitão; a capela colateral esquerda é dedicada a Nossa Senhora do Amparo; a igreja tem uma Confraria do Santíssimo, sujeira ao ordinário e com juiz e oficiais que organizam duas festas anuais; o abade é apresentado pelo rei, em nome da Casa de Bragança, tendo como anexa a vigararia de São Miguel de Lousada, rendendo ambas 700$000; 1760 - data provável de execução dos retábulos colaterais; 1796 - douramento dos retábulos; séc. 19 - execução de retábulo-mor; 1882 - A paróquia, até então da arquidiocese primacial, passa para a diocese do Porto; 1982-1983 - obras de restauro e conservação; 2007, 20 de março - proposta da DRLisboa para delimitação de ZEP; 16 maio - parecer favorável do Conselho Consultivo do IPPAR; 2008, 28 janeiro - despacho de homologação da Ministra da Cultura.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura exterior e interior, vãos, arcos, cunhais e soco em alvenaria de granito; muros de vedação, escadas e pavimentos da envolvente, cobertura da torre, gárgulas e goteiras, e escadas em granito; pavimento interior em laje de granito; pavimentos da envolvente em saibro; tabiques interiores em madeira e tijolo; reboco de paredes interiores em argamassa com cimento; paredes interiores com pintura plástica; revestimento do pavimento interior da nave e coro-alto em soalho; estrutura da cobertura, rodapé de paredes interiores, abóbada da nave, abóbada, painéis e caixotões da capela-mor, bandeiras das portas em madeira; porta da sacristia em metal; empenas em chumbo; pára-raios / remate da torre, ferragens / fechaduras de portas, gradeamento e corrimão em ferro; rufos / caleiros em zinco; ferragens das janelas em latão; cobertura em telha cerâmica de canudo; beirado e cumeeira em telha cerâmica; revestimento do pavimento interior da sacristia cerâmico; janelas, frestas e óculo com vidro temperado.

Bibliografia

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, O Românico in História da Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; AZEVEDO, José Correia de, Inventário Artístico Ilustrado de Portugal, Lisboa, 1991; BRANDÃO, Domingos de Pinho, Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na Diocese do Porto - Documentação, vol. I (séculos XV a XVI), Porto, Diocese do Porto, 1984; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza..., Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1706, tomo I; Guia de Portugal, IV, I, vol. 4, Coimbra, 1985; LEAL, Augusto Pinho, Portugal antigo e moderno: Diccionario geographico, estatistico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico, Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia; 1873-1890, 12 volumes; LOPES, Eduardo Teixeira, Lousada e as suas freguesias na Idade Média, Lousada, Câmara Municipal de Lousada, 2004; Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, IPPAR, volume II, Lisboa, 1993; ROSAS, Lúcia Maria Cardoso (coord.), Rota do Românico do Vale do Sousa (monografia),Valsousa-Rota do Românico do Vale do Sousa, 2008.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; DGARQ/TT: Memórias Paroquiais (vol. 5, n.º 50, fl. 847-858)

Intervenção Realizada

Séc. 20, anos 80 - reparação e substituição da cobertura; DGEMN: 2004 - conservação de coberturas, com inclusão de subtelha e consolidação e desinfestação do tardoz do tecto da capela-mor e nave; conservação de paramentos exteriores e de vãos exteriores - portas e vãos de iluminação, estes com substituição de caixilhos por vidro temperado, e conservação de gradeamentos; 2005 - Obras de conservação e salvaguarda do imóvel, compreendendo a reformulação do espaço anexo à capela-mor (refazendo a organização espacial anterior e aproveitando o volume da parede inexistente para criar armários de apoio à sacristia e infra-estruturas) e reformulação da instalação eléctrica (em curso).

Observações

*1 - Trata-se possivelmente de uma peça da fundação da igreja, reaproveitada em intervenção posterior. Segundo alguns autores, a Igreja da Aveleda foi bastante alterada no séc. 17. A separação entre a sacristia e capela-mor foi demolida e arranjado um novo espaço lateral para o coro, tendo ficado o espaço restante separado, a N., e com função de sacristia (a obra ficou incompleta), e é dos anos 90 do séc. 20.*2 - A Rota do Românico do Vale do Sousa inclui 19 imóveis: Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios (v. PT011311100010), Igreja de Gândara (v. PT011311040009), Igreja de São Gens de Boelhe (v. PT011311020008), Igreja de Abragão (v. PT011311010015), Memorial da Ermida (v. PT011311150005), Capela da Senhora do Vale (v. PT011310080004), Igreja de São Pedro de Ferreira (v. PT011309050001), Ponte de Espindo (v. PT011305130009), Ponte de Vilela (v. PT011305020008), Torre de Vilar (v. PT011305260005), Igreja de Santa Maria de Airães (v. PT011303020007), Igreja Matriz de Unhão (v. PT011303280004), Igreja de São Vicente de Sousa (v. PT011303260008), Igreja Velha de São Mamede de Vila Verde (v. PT011303330020), Igreja de Paço de Sousa (v. PT011311220003), Igreja de Cete (v. PT011310080001), Igreja Matriz de Meinedo (v. PT011305130002) e Mosteiro de Pombeiro (v. PT011303150001).

Autor e Data

Isabel Sereno 1994 / Paula Noé 1996 / Ana Filipe 2010

Actualização

Lídia Costa 2005
 
 
 
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