|
|
|
Edifício e estrutura Edifício Religioso Convento / Mosteiro Mosteiro masculino Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho
|
Descrição
|
| Planta composta, irregular, constituída pelos diversos edifícios que compõem a parte conventual, que incluem portaria, dormitório, refeitório, cozinha, arrecadações, adega, oficina, articulados entre si por dois pátios e claustro. Massas simples dispostas na horizontal. Coberturas em telhado diferenciadas. Igreja de nave única, capela-mor disposta na transversal, fachadas laterais rasgadas por janelões gradeados; portal de entrada lateral com ombreiras e frontão moldurados, encimado por janelão; torre sineira com quatro ventanas. INTERIOR: capela-mor da igreja apresenta dois altares laterais e um central em talha dourada e polícroma; pintura em tela no altar-mor figurando São Jorge; azulejos recortados azuis e brancos, enquadrando óculos, nas paredes da nave; púlpito de pedra e várias sepulturas; Casa do Capítulo com sanca de azulejos recortados azuis e brancos de motivos geométricos ponta de diamante e vestígios de pintura no tecto; Claustro de dois pisos, de arcadas plenas e pilastras toscanas no inferior, e janelas de sacada no superior; ao centro da quadra um tanque quadrangular com taça e fontanário de carrancas coroado por águia; corredores de acesso às antigas celas apresentam lambris de azulejos figurados azuis e brancos. Num dos pátios uma fonte de pedra distribui água pelos vários tanques do mosteiro *1; refeitório conserva púlpito, mesas de pedra e bancos corridos nas paredes, estas com painéis de azulejos azul e branco e vestígios de pintura e tectos em abóbada. |
Acessos
|
| E. 110 Conraria, na Quinta de São Jorge a 3 - 4 Km de Coimbra. |
Protecção
|
| Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 5/2002, DR, 1ª série, n.º 42 de 19 fevereiro 2002 |
Enquadramento
|
| Rural, isolado, na margem esquerda do Mondego, dando para a planície com extensa exploração agrícola. |
Descrição Complementar
|
| |
Utilização Inicial
|
| Religiosa: mosteiro masculino |
Utilização Actual
|
| Educativa: colégio universitário |
Propriedade
|
| Privada: pessoa colectiva (associação cognitária São Jorge de Milreu T: 239 444444) |
Afectação
|
| Sem afectação |
Época Construção
|
| Séc. 12 / 13 / 16 / 17 / 18 / 19 |
Arquitecto / Construtor / Autor
|
| ARQUITETOS: João de Castilho, Diogo de Castilho (1523) |
Cronologia
|
| 1080 - Alegada fundação do convento por D. Sesnando que nesse ano teria mandado construir, na chamada mata de Milraus ou Milreus, uma ermida de invocação a São Jorge; 1087 - D. Sesnando deixa em testamento ao Mosteiro parte vultuosa dos seus bens; 1088 - já existe notícia no local de vida monástica pertencendo aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho; 1134 - doação do diácono Salvador Guimarães da primitiva ermida de São Jorge e da chamada Torre do Caniardo; 1128 - 1185 - durante o reinado de D. Afonso Henriques passa para a tutela do Mosteiro de Santa Cruz passando os prelados de Coimbra a usufruir a jurisdição civil e criminal de visitação e de colheita; 1159 - Doação de Salvador Viegas na qual inclui a sua herdade de Castelo Viegas e outros bens, em proveito do grande desenvolvimento que então sofreu o mosteiro; 1192 - o mosteiro acolhe 26 frades e 9 freiras; 1496 - D. Manuel I confirma ao mosteiro todas as honras, privilégios, liberdades, graças outorgadas pelos seus antecessores: 1523 - inicio das obras de reconstrução da igreja com indicação de contrato entre D. João III e os dois irmãos Castilho, "A prática colaborativa que se verifica entre os irmãos Castilho no mosteiro de São Jorge, não é nova. Assim aconteceu durante as obras do mosteiro dos Jerónimos, onde, o irmão Diogo assumiu, quer em 1517 quer em janeiro e fevereiro de 1518, o cargo de aparelhador durante a execução da casa do capítulo" (SILVA: 2021, p.157); 1526 - D. Martinho apresenta-se como reitor; o Cardeal-Rei D. Henrique, desejando fundar um Colégio do Espírito Santo em Coimbra, reune as rendas da mesa conventual do Mosteiro com as do mosteiro de Santa Cruz; 1541 - o mosteiro conta apenas 4 cónegos sendo prior D. Cristóvão Barroso, mais tarde destituído por D. Jorge de Almeida por desviar em proveito próprio as rendas que D. Jorge aproveitará para a reparação do mosteiro; 1564 - com as rendas da mesa conventual foi unido à congregação crúzia; 1567 - continuação das obras; 1653-1656 - apogeu do mosteiro correspondendo a várias campanhas de obras sendo edificada a maior parte das construções monásticas; recuperação do ângulo fronteiro ao claustro para utilização de convalescência de doentes; Séc. 18 - era padroado da Companhia de Jesus, do Colégio de Évora, tendo sido vendido, quando da expulsão dos padres, sendo posteriormente readquirido pelos cónegos regrantes (D. Maria I); reconstrução e ampliação da igreja durante o reinado de D. João V; 1751 - telas da capela-mor por André Gonçalves; desavenças entre o Marquês de Pombal e o Mosteiro tendo as suas terras sido confiscadas e acabando o mosteiro por ser vendido; 1770 - os jesuítas já não se encontram no mosteiro tendo regressado à posse dos Agostinhos; pouco depois por Bula Papal o mosteiro é suprimido à Ordem; séc. 18, final - no reinado de D. Maria o mosteiro volta à posse dos cónegos regrantes; séc. 19 - durante as invasões francesas o mosteiro foi abandonado tendo os monges regressado após a saída dos franceses; com a extinção das ordens religiosas foi vendido em hasta pública ao ministro da justiça de D. Pedro IV, José da Silva Carvalho; foram então vendidos vários bens móveis mas permaneceram a livraria e o cartório; posteriormente passou à posse da família Soares de Albergaria; até 1970 - sempre habitado; Fev.1997 - celebrado contrato promessa de compra e venda do convento, entre os herdeiros do Dr. Luís Nunes da Ponte e o Professor Doutor Canha; 1999, 11 Agosto - aprovado o projecto de obras de recuperação e consolidação do convento para instalação da Universidade Vasco da Gama, integrando a estrutura da ermida românica em ruína. |
Dados Técnicos
|
| Estrutura mista |
Materiais
|
| Alvenaria, pedra, madeira, telha, azulejo |
Bibliografia
|
| CASTRO, A. M. Simões de, Guia Histórico do viajante de Coimbra, Coimbra, sd.; SANTA MARIA, Padre Francisco de, O Céu Aberto na Terra. História das Sagradas Congregações dos Cónegos Seculares de S. Jorge da Alga de Veneza a de S. João Evangelista de Portugal, Lisboa, 1697; SANTA MARIA, Frei Nicolau de, Crónica dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, Coimbra, 1699; MÁRTIRES, Timóteo dos, Crónica de Santa Cruz, O Instituto, Vol. CIII e CVI, Coimbra, 1955; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Vol. V, Lisboa, 1875, pp. 230-231; Monarchia Lusitana, Livro 8, Cap.4, fl. 12; PEREIRA, Esteves e RODRIGUES, Guilherme, Portugal Dicionário Histórico, Chorographico, Biografico, Bibliografico, Heraldico, Numismatico e Artistico, Vol. IV, Lisboa, 1909, p.1110; MAMEDE, Eduardo, Diário de Coimbra, 21 de Julho de 1990; NUNES, Mário, Mosteiro de São Jorge exemplo flagrante do desprezo pelo património e Notas históricas sobre o conjunto monástico, Coimbra, 14 e 21 de Julho de 1991; RAPOSO, Francisco Hipólito, Ultimo encontro com um convento de Coimbra, O Independente, 20 de Maio de 1994; CABO, Ana Isabel, Regresso ao Convento, Diário de Notícias, 25 de Fevereiro de 1996; Jornal Diário das Beiras, 1 Setembro 2000, pp.4, 5; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/155635 [consultado em 12 agosto 2016]; SILVA, Ricardo Nunes, O paradigma da Arquitetura em Portugal na -Idade Moderna. Entre o tardo-gótico e o renascimento: João de Castilho “o mestre que amanhece e anoitece na obra”, Associação Portuguesa de Historiadores da Arte, 2021. |
Documentação Gráfica
|
| Escola Universitária Vasco da Gama |
Documentação Fotográfica
|
| IHRU: DGEMN/DSID; Escola Universitária Vasco da Gama |
Documentação Administrativa
|
| IHRU: DGEMN/DREMC |
Intervenção Realizada
|
| Proprietários: 1999 - Início de obras de recuperação. |
Observações
|
| *1 - Possui duas telas dos altares laterais figurando um Santo Agostinho e a Sagrada Família ( vendidas para o Brasil ); a tela do altar-mor figura São Jorge assinada por André Gonçalves. |
Autor e Data
|
| Maria João / Fernando Grilo / Rosário Gordalina 1996 |
Actualização
|
| Margarida Silva 2005 |
| |
| |
|
|
| |