Castelo de Viana do Alentejo

IPA.00004802
Portugal, Évora, Viana do Alentejo, Viana do Alentejo
 
Arquitectura militar medieval manuelina. Castelo de planta pentagonal de pequenas dimensões, apresentando nos vértices torreões cilíndricos com cobertura cónica, incluindo torre sineira de base hexagonal. Desprovida de torre de menagem, integra duas portas em arco quebrado, adarve e merlões de corpo largo. Contemporâneo do Castelo de Alvito (PT040203010001), revela afinidades a nível da dimensão das muralhas, dos torreões circulares com troneiras cruzetadas e do remate com merlões prismáticos intercalados por seteiras. Castelo de planta pentagonal construído em alvenaria de tijolo, integrando no recinto intra-muros duas igrejas manuelinas, mas sem atingir a amplitude e características de uma cerca urbana. A configuração actual do castelo não corresponde à que consta da carta régia de D. Dinis, na qual o rei manda edificar uma cerca, que provavelmente nunca foi construída. Castelo implantado em cota muito baixa, sujeito às elevadas cumeeiras dominantes da Serra de Viana. O torreão SO. destaca-se pela sua maior dimensão, incluindo a torre sineira.
Número IPA Antigo: PT040713020002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Planta pentagonal, ligeiramente irregular, com a base exposta a S., constituído pela articulação horizontal entre cinco cortinas de muralha com adarve, que compõem os lados da figura, e cinco torreões cilíndricos que se erguem nos vértices. Os quatro torreões apresentam-se semelhantes, construídos em alvenaria de tijolo rebocada e exposta, com aberturas rectangulares ao nível do adarve e com cobertura cónica rematada por cogulho. Destaca-se o torreão SO. pela sua maior dimensão, apresentando no remate merlões decorativos e a torre sineira hexagonal com aberturas em arco de volta inteira, também com merlões ornamentais semelhantes aos da igreja matriz, e por sua vez encimada por coruchéu piramidal e cata-vento em ferro. Os panos de muralha possuem merlões de tijolo com esbarro para o exterior e frestas seteiras. Encontram-se também seteiras e bombardeiras cruzetadas em mármore ou calcário, dispersas pelos diversos torreões cilíndricos, tanto a nível térreo como ao nível mais elevado. Apresenta duas portas de acesso público: uma imediatamente a E. da igreja matriz e a outra de acesso directo à igreja da Misericórdia, encontrando-se na zona central do muro NO., ambas com vão moldurado em arco de volta perfeita.

Acessos

EN257, Rua Médico de Sousa. WGS84: 38º19'54.38''N 8º00'07.23''O

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DG, 2.ª série, n.º 150 de 30 junho 1948

Enquadramento

Urbano, situado a 258m de altitude, no cimo do pequeno monte que se ergue a S. da Vila, por sua vez encaixada na vertente N. da Serra de Viana. Está posicionado a 7500m da margem esquerda do rio Xarrama. Adossadas às muralhas pelo lado interior do recinto encontram-se a Igreja Matriz (v. PT040713020001), a S. e a Igreja da Misericórdia (v. PT040713020018) a NO., ambas de arquitectura manuelina. No pátio destaca-se ainda Cruzeiro de Viana do Alentejo (v. PT040713020019), também manuelino.

Descrição Complementar

Encontram-se alinhados sob os merlões orifícios quadrados em tijolo.

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRC Alentejo, Portaria nº 829/2009, DR, 2ª. Série, n.º 163 de 24 de Agosto de 2009

Época Construção

Séc. 14

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 4 a.C. - possibilidade de ocupação pelos Galo-Celtas que deram ao local o nome de Viene (Almeida, 1948); 718 - possível ocupação pelos mouros; 1180, cerca - reedificação do castelo por D. Gil Martins de Riba de Vizela; 1180 - concessão de carta de foral à vila; 1313 - fundação e doação pelo rei D. Dinis de 100 libras para edificação de "uma cerca de muro em que seia a villa de quatrocentas braças em o qual luguar que lhes El Rey mandar e colham demtro a fonte gramde de que se agora serve a vila eo muro deve ser de uma braça em amcho e em alto poder atanger um cavaleiro em cima de um cavalo (...).de fazer tres portas (...) e fazer em cada porta dous cubelos boons huum da huma parte da porta e outro da outra. E o dito Senhor El rey por esto da lhe loguo em ajuda mil libras (...)." (IANTT, Leitura Nova, Livro 3 de Místicos, fls. 53-55 v.), configuração que não corresponde ao castelo actual, sendo presumível que a cerca não tivesse sido feita; 1351 - concessão de carta de foral por D. Dinis; 1352 - doação da vila ao futuro rei D. Afonso IV por seu pai D. Dinis; 1470 - até esta data, provavelmente não existiria castelo nem cerca na vila; 1478 - carta de D. Afonso V dirigida ao concelho de Viana do Alentejo, acerca da posse da alcaidaria, na qual referia um pedido para "fazer huma forteleza na dita villa pera sua defenssam e se temiam de nos darmos a alcaidaria moor della e assy a pequena a algumas pessoas o que seria azo pera virem em sogeiçam e trabalho me pediam que o nam fizesse mas amte quizesse que desto fossem privilegiados E elle dito Comcelho fosse obriguado a guardar e defender a dita forteleza e dariam sua menagem e a guardariam e defenderiam aos comtrairos como a tem e fazem os da nossa villa de freixo d espada cinta" (IANTT, Leitura Nova, Livro 4 de Odiana, fl. 100); 1490, cerca - levantamento e reboco da cortina, merlões chanfrados (Trindade, 2009) e coruchéus; 1517, 25 de Dezembro - concessão de foral novo por D. Manuel, mudando o nome para Viana do Alvito; 1871 - encerramento do cemitério que existia no recinto do castelo; 1992, 01 Junho - afectação do imóvel ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126.

Dados Técnicos

Estrutura autónoma, paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria de pedra, tijolo.

Bibliografia

ALMEIDA, João de - Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses. Lisboa: Edição de Autor, 1948; DGEMN - Castelos Medievais de Portugal. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1949; ESPANCA, Túlio - Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1978; SILVA, A.S., CANDEIAS, A.E., PAIS, A.C., NOGUEIRA, P.M. - Caracterização de Argamassas do Conjunto Monumental do Castelo de Viana do Alentejo. Lisboa: ARP Associação Profissional de Conservadores-Restauradores de Portugal, 2005, v. 1, pp. 21-31; TRINDADE, Luísa - Urbanismo na Composição de Portugal, Dissertação de Doutoramento. Coimbra: Universidade de Coimbra, 2009.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1937 - orçamento para obras de restauro do castelo, aprovado no ano seguinte; 1940 - reparo geral, concerto de paramentos da cortina e ameias; 1942, Maio a Setembro - obras de restauro; 1959 - reparação e limpeza do caminho de ronda e telhados e assentamento de portas; 1971 - obras de reparação de coberturas e de panos de muralha, refechamento de fendas; 1974 - obras na canalização, acabamentos e construção de paredes em alvenaria hidráulica sobre a entrada do castelo; 1976 - reparação das cúpulas dos torreões e execução de rebocos nas mesmas e nos paramentos; 1978 - execução de alvenaria de tijolo em bancos no jardim que foram derrubados; consolidação e reparação de duas torres; execução de betão armado em duas cintas de travação na cúpula de torre que se encontrava fendida; execução de rebocos nas cúpulas das torres e em paredes interiores; 1986 - trabalhos de limpeza gerais e consolidação de troços de muralha; 2002 - obras de conservação e prevenção.

Observações

Autor e Data

Manuel Branco e Castro Nunes 1994

Actualização

Margarida Contreiras 2013
 
 
 
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