Castelo de Borba / Castelo e cerca urbana de Borba

IPA.00004776
Portugal, Évora, Borba, Borba (Matriz)
 
Arquitectura militar medieval, gótica. Cerca urbana de traçado rectangular, com dois acessos flanqueados por torres circulares e muralha rematada por merlões de secção rectangular, integrando no seu perímetro torre de menagem de planta quadrada. Cerca parcialmente oculta pelo casario adossado pelos lados interior e exterior. Acessos intramuros desprovidos da estrutura da porta, marcados apenas pela existência das torres flanqueantes. A torre de menagem apresenta altura relativamente baixa.
Número IPA Antigo: PT040703010005
 
Registo visualizado 315 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

Cerca muralhada com traçado rectangular, orientada no sentido SO.-NE., em grande parte integrada no espaço edificado da vila ou até mesmo interrompida, restando somente os paramentos O., SO., NE. e uma pequena secção a SE.. Abria-se a O. e a NE. através de duas portas - Porta de Estremoz e Porta do Celeiro -já desprovidas de arco, defendidas por cubelos semi-circulares, com o remate alinhado pelo adarve. No vértice SO. da cerca, ergue-se a torre de menagem. O segmento de muralha a O. é o mais comprido e encontra-se interrompido pela Porta de Estremoz e, mais a N., pela Rua da Misericórdia, perto da Junta de Freguesia da Matriz de Borba. Desde esta última interrupção até perto do cubelo N. da Porta de Estremoz, a muralha é rematada por grade de pedra com losangos. O restante remate é composto por merlões de secção rectangular. A Porta de Estremoz é flanqueada por dois cubelos de planta em U rematados por merlões. No cubelo a N., embeberam-se duas epígrafes: lápide fundadora e lápide de homenagem da época do Estado Novo no mesmo eixo horizontal, ambas em mármore. No vértice OSO. da cerca encontra-se a torre de menagem, de planta quadrada, também rematada por ameias e reforçada por silharia de mármore nos cunhais, apresentando uma fresta rectangular na face OSO. A torre de menagem faz a articulação deste troço com o paramento SO., que se encontram ainda ligados. Junto à torre de menagem, encontra-se ainda um volume cúbico na base do qual se podem discernir vestígios de um arco de volta perfeita entaipado, visível do interior das muralhas. Este volume é encimado por torre sineira caiada, apresentando um relógio circular na parede exterior. A zona mais a S. do paramento SO. possui uma altura menor do que a restante muralha, sendo este desnível marcado no remate em forma de degrau. O paramento NE. delimita a N. o Largo da Misericórdia. É composto por longo troço parcialmente reforçado na área N., apresentando na base um vão jacente gradeado, possivelmente vestígio de uma canhoneira. Articula-se com um pequeno troço orientado a N. que a ele se encontra ligado. Este paramento é interrompido pela Porta do Celeiro, flanqueada por um cubelo de planta quase circular, com ameias no topo. A SE., visível do exterior, existe pequeno troço de muralha com escassos metros, sem ameias.

Acessos

Praça do Povo, Rua Maria de Borba (Porta de Estremoz), Rua Rodrigo da Cunha Ferreira (antiga Rua Direita; Porta do Celeiro), Rua Fernando Penteado, Rua Humberto da Silveira Fernandes (Torre do Relógio).

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 41 191, DG, 1.ª série, n.º 162 de 18 julho 1957

Enquadramento

Urbano, situado em planalto a 400m de altitude, sobre a vertente setentrional da Serra de Borba e a cerca de 5km para SO. da Ribeira de Borba. Encontra-se em grande parte integrado no espaço edificado do núcleo mais antigo da vila (v. IPA.00025382). No espaço urbano delimitado pela cerca, junto ao paramento de muralha N., encontra-se a Igreja e Hospital de Misericórdia de Borba (v. IPA.00017519), orientada a SO.-NE. Em torno da cerca encontram-se vários solares dos séculos 18 e 19, como o Palacete dos Morgados Cardoso (v. IPA.00026221), a Casa Pereira Trindade (v. IPA.00025334) o Palácio Silveira Fernandes (v. IPA.00029533) e os Paços do Concelho (IPA.00017532). De frente para a Torre de Menagem, encontra-se o Passo do Alto da Praça *1. Nas imediações, encontra-se ainda a Fonte das Bicas (v. IPA.00002765).

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: 1. Inscrição em caracteres góticos separados por ponteado, acompanhada por brasão de armas e desenho em forma de peixe; leitura: E(RA) M CCC XXXX ANOS / FOI BORVA EXEMTA E / FEZE A O MVI NOBRE / REI DOM DENIS EV / R(ODR(IG)O FERNAM/DIZ / FIZ AS PORTAS DESTE C/ASTELO EV D(IOGO) SALUADORIZ/ FIZ EST (...); 2. Inscrição em lápide de orla ondulante; leitura: A HISTORIA / DESTE CASTELO / FOI RECORDADA / COM GRATIDÃO / PELOS / PORTVGVESES / DE / 1940.

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 14

Arquitecto / Construtor / Autor

MESTRES DE OBRA: Diogo Salvador e Rodrigo Fernandes (portas).

Cronologia

1217 - 1223 - Conquista de Borba, no reinado de D. Afonso II (Anselmo, 1907); 1258 - carta de foral de Estremoz, com Borba incluída no seu termo; 1302 - registo epigráfico da fundação e elevação de Borba a município; 1512, 1 de Junho - foral novo concedido por D. Manuel I; 1645 - batalha entre soldados espanhóis e portugueses junto à ribeira da Alcaraviça, no termo de Borba; 1662, 13 de Maio - invasão da vila de Borba pelos soldados comandados por D. João da Áustria e ataque ao castelo, exigindo a rendição do alcaide Rodrigo da Cunha Ferreira; 1711 - passagem das tropas espanholas do general Ceo, no contexto da Guerra da Sucessão (Anselmo, 1907); séc.18 - ainda estava embebida no torreão O. a epígrafe honorífica; uma das torres foi reconvertida em prisão, sendo os presos assistidos por capela própria, que funcionava no actual Passo do Alto da Praça; 1808, 15 de Junho - estabelecimento de uma Junta de Defesa por parte do sargento-mor António Lobo Infante de Lacerda e do general espanhol Frederico Moretti, no contexto das exigências do general Junot aquando da fuga da família real para o Brasil; 1809 -1811 - permanência em Borba de uma brigada inglesa de general Beresford; 1829 - formação em Borba da terceira companhia de um Batalhão de Voluntários Realistas defensores da causa de D. Miguel; 1956 - a torre do relógio encontrava-se em risco de ruína; 1992, 01 Junho - o imóvel foi afecto ao Instituto Português do Património Arquitectónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2003 - o IPPAR/DRÉvora solicita elementos à CM de Borba para instrução do processo; 2006, 20 de setembro - a CM de Borba envia ao IPPAR documentação Borba para estudo da ZEP; 2009, 10 de dezembro - Proposta da DRCAlentejo para a ZEP dos imóveis classificados e em vias de classificação da Vila de Borba; 2010, 11 de fevereiro - Despacho do Director do IGESPAR de devolução à DRCAlentejo da proposta de ZEP para aplicação do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206 de 23-10-2009; 2010, 12 de novembro - Nova proposta de ZEP pela DRCAlentejo; 2011, 23 de fevereiro - Parecer favorável quanto à ZEP pela SPAA do Conselho Nacional de Cultura; 2016, 17 março - publicado no DR, 2.ª série, n.º 55, o Aviso n.º 3660/2016 relativo à Aprovação da Delimitação da Área de Reabilitação Urbana do Castelo.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria de pedra.

Bibliografia

ANSELMO, António Joaquim - O Concelho de Borba - Topografia e História. Borba: Câmara Municipal, 1907; CASTELO BRANCO, Fernando de - "A Freguesia da Matriz de Borba". Jogos Florais. Lisboa: Emissora Nacional, 1969. ESPANCA, Túlio - Inventário Artístico de Portugal: Distrito de Évora, Concelho de Borba, Lisboa:, SNBA, 1978, XIX; SIMÕES, João Miguel - Borba: património da vila branca. Borba: Câmara Municipal, 1976.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN:1960 - 1974 - demolição de edifícios para desobstrução da muralha; 1961 - aplicação de reboco e pavimentos de tijoleira; 1963 - reconstrução de alvenarias na muralha; 1965 - reconstrução de coberturas e portas, e construção de alvenaria junto ao antigo mercado por demolição do mesmo; 1967 - reparo geral dos paramentos das muralhas: 1973 - demolição de coberturas; reparo geral dos paramentos de muralhas; arranjo na área envolvente; demolição dos edifícios da Rua General Carmona, n.ºs 19 a 25, para desobstrução da muralha; 1975 - reparo das muralhas e gatos nos paramentos; 1980 - reparos nas muralhas e demolição de edifícios para desobstrução.

Observações

Autor e Data

Manuel Branco 1993

Actualização

Margarida Contreiras 2013
 
 
 
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