Câmara Municipal e Cadeia de Óbidos / Museu Abílio de Matos e Silva

IPA.00004772
Portugal, Leiria, Óbidos, Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa
 
Arquitectura civil, manuelina, maneirista. Edifício de planta rectangular constituída por três pisos.
Número IPA Antigo: PT031012040029
 
Registo visualizado 296 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Político e administrativo regional e local  Câmara Municipal  Casa da câmara, tribunal e cadeia  

Descrição

Edifício de planta regular, com três pisos e cobertura em telhado de quatro águas. Fachada principal voltada a O. abrindo directamente para a Pç. de Santa Maria. Apresenta três vãos guarnecidos a cantaria, servindo o do meio de portal e os dois outros de janelas de peitoril. As vergas da porta e da janela do lado direito são assentes em socos. Sobrepujando os vãos existem frontões curvos sendo o da porta interrompido, ostentando o escudo de armas de Portugal estilizado e recente, emoldurado e coroado com peças originais (séc. 15 ou 16). Apresenta ainda um rodapé em pedra e, junto ao beiral, um friso e uma sanca em massa. O alçado N. exibe o mesmo rodapé, embora aqui ele sirva para separar o piso superior do intermédio. No piso inferior existe uma porta, no piso que lhe fica acima, duas janelas de guilhotina (a segunda delas alinhada pela mesma porta) e outras duas janelas, ao lado direito, numa cota ligeiramente inferior; no piso superior existem duas janelas de sacada. No alçado E., apelas se observam três janelas de peitoril ao nível do piso superior. Todos os vãos exteriores são guarnecidos a cantaria, bem como os cunhais. O INTERIOR comporta uma portaria, três gabinetes e um lavabo, bem como uma grande sala; o piso intermédio tem um corredor largo que permite a acessibilidade entre os pisos através de escadaria, duas salas (uma delas com uma lareira) e duas outras salas de grandes dimensões, numa cota mais baixa, a primeira das quais serviu de cadeia, apresentando um tecto original de abóbada de tijoleira e, a segunda, construída em 1998, aberta no subsolo fronteiro à entrada do Museu, também este com tecto em abóbada, de arco abatido. O piso inferior comporta duas salas comunicantes por um grande arco, uma sala de reservas e um lavabo.

Acessos

Praça de Santa Maria; Calçada do Arco da Cadeia

Protecção

Incluído no Núcleo urbano da vila de Óbidos (v. PT031012040050)

Enquadramento

Urbano, adossado, flanqueado lateralmente, a S., pela Igreja da Misericórdia de Óbidos (v. PT031012040028) e a N., pela casa do Arco da Cadeia (v. PT031012040046). A fachada principal encontra-se voltada à Praça de Santa Maria, nas proximidades da Igreja de Santa Maria (v. PT031012040003).

Descrição Complementar

A pedra de armas tem como elementos originais a moldura do escudo e a coroa. Esta é aberta e decorada com elementos vegetalistas.

Utilização Inicial

Política e administrativa: câmara municipal

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Felipe Guitter - Possível responsável pelas obras no imóvel em 1665.

Cronologia

Séc. 16 (primeiro quartel) - Construção do edifício actual; 1601 - reparação dos telhados; 1631 - obras de restauro; 1665 - Obras nos Paços do Concelho e instalação da cadeia; 1702 - reparação do edifício, tendo sido utilizado o dinheiro das terças, através de autorização régia; 1718 - reparação do telhado; 1763 - obras de restauro e conservação; 1792 - devido ao estado de degradação do imóvel, a vereação reune em casa do Juiz de Fora e decide solicitar à rainha que conceda a renda das terças para efectuar os concertos necessários; séc. 19 - devido à ruína em que se encontra o edifício, a vereação passa a reunir no solar de Santa Maria, alugado para o efeito; 1838 - o rei concede à Câmara a madeira necessária para a sua reedificação; 1919 - reparação das coberturas; Séc. 20 (início) - Serviu de estábulo e de açougue; 1962 - Deliberação de instalação do Museu Municipal sendo responsável pelo projecto de recuperação do imóvel a Fundação Calouste Gulbenkian; 1970 - Inauguração do Museu Municipal; 2003 - transferência do Museu Municipal para o Solar da Praça de Santa Maria (v. PT031012040034), entrando o imóvel em obras de adaptação para Museu de Abílio Matos e Silva.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Paredes em alvenaria, vãos de portas e janelas em cantaria com caixilhos em madeira, estrutura dos pisos e escadaria interior em betão armado, pavimentos em madeira, tectos do piso de entrada em madeira, tecto da sala da antiga cadeia em abóbada de tijolo, cobertura de quatro águas em telha

Bibliografia

Memórias Históricas, Óbidos, 1985; BETTENCOURT DA CÂMARA, Teresa, Óbidos Arquitectura e Urbanismo Séculos XVI e XVII, Óbidos, 1990; BOTELHO, Joaquim da Silveira, Óbidos Vila Museu, Óbidos, 1996

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN / DRMLisboa; CMO

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSARH, DSID; CMO: Arquivo do Museu Municipal de Óbidos

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN / DSARH / DRMLisboa; CMO

Intervenção Realizada

1953 - obras de beneficiação; 1963 - Início das obras de readaptação do espaço com projecto e programa de instalação dos serviços de museologia da Fundação Calouste Gulbenkian; DGEMN: 1998 - Obras de ampliação com construção de uma sala subterrânea; CMO: 2003 /2006 - obras de adaptação para instalação do Museu Abílio de Matos e Silva: remodelação do telhado, pintura e caiação das fachadas, remodelação da zona de entrada.

Observações

*1 - Da construção manuelina apenas subsiste as vergas laterais de cantaria, outrora de comunicação entre o exterior e o actual piso intermédio que, no séc. 16, correspondia ao nível do piso térreo. Nas obras de construção da nova sala do Museu, foram colocados a descoberto vestígios de uma escada exterior, com cerca de um metro de largo, que subia desde o patim onde se encontra o Cruzeiro da Misericórdia, formando um cotovelo no canto entre a Igreja da Misericórdia e o edifício dos Paços do Concelho, continuando até à porta de acesso ao primeiro andar (actualmente piso térreo), a qual seria a do extremo do lado esquerdo. Sob o patamar que se formava junto a esta porta, existia um arco de volta perfeita em tijoleira, pelo qual se acedia ao antigo r/c. Existia um cunhal em cantaria. A alteração da cota da Praça de Santa Maria junto ao edifício dos Paços do Concelho, deu-se, pelo menos, em dois períodos: com as grandes obras de restruturação urbanística da Praça, levadas a cabo por ordem de D. Catarina de Áustria, nas quais se retiraram terras ao desnível natural para alargamento desta, e para instalação do Chafariz da Vila; e no decurso do séc. 17 (cerca de 1665) com a modernização dos Paços do Concelho, e subsequente encerramento do acesso primitivo. No Solar de Santa Maria, no corredor de comunicação entre o piso inferior e o jardim, encontra-se um gradão de ferro que pertenceu a uma porta de acesso à cadeia.

Autor e Data

Sérgio Gorjão 1998

Actualização

João Machado 2006
 
 
 
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