Paço da Ajuda / Palácio Nacional da Ajuda

IPA.00004722
Portugal, Lisboa, Lisboa, Ajuda
 
Arquitectura residencial, neoclássica. Palácio real de planta rectangular simples, desenvolvendo-se em quatro alas em torno de pátio rectangular, possuindo, nas alas norte e sul, pequenos pátios internos. Fachadas em cantaria calcária, evoluindo em dois e três pisos, aproveitando o desnível do terreno, divididos por entablamentos e com diferentes ordens arquitetónicas, mas de base toscana, possuindo mezzanino, no último ou no primeiro piso, rematando em entablamento e platibanda balaustrada, ostentando panóplias sobre os corpos torreados que flanqueiam a fachada principal. Esta apresenta o primeiro piso forrado a silharia fendida, dando um aspecto rústico, com arcadas de acesso ao pátio, através de um amplo vestíbulo coberto por abóbadas de aresta e assentes em pilares toscanos; no segundo piso, surge varanda balaustrada, para onde abrem portas-janelas rectilíneas, envolvidas por arcos de volta perfeita, rematando em frontão triangular sem retorno. O pátio é simples, tendo as alas laterais rasgadas por vãos rectilíneos com molduras recortadas, algumas rematadas por cornija. O interior possui, em cada ala, escadaria de aparato, antecedida por amplo vestíbulo, que dá acesso aos vários pisos, marcados por dependências de ambos os lados e corredor central. A zona museológica do palácio real apresenta pisos em parquet, paredes pintadas ou forradas a seda, com lambrins de madeira pintada de branco e dourado, ostentando tectos com pinturas neoclássicas, originais, ou pinturas do final do séc. 19. Palácio bastante amplo, onde decorrem, actualmente, parte das cerimónias oficiais do estado português e recepções aos chefes de estado estrangeiros, que serviu de residência real ao antepenúltimo monarca português, o rei D. Luís I, responsável pela recriação da sua decoração, que removeu parte do esplendor decorativo do final do séc. 18 e início do 19, executado por ordem de D. João VI. O edifício encontra-se inacabado e com a fachada principal e de aparato virada a nascente, estando a original prevista para se encontrar virada a sul, devido a várias vicissitudes políticas, que não permitiram a concretização do projeto de um palácio que seria o dobro do atual, com dois pátios ligados por corpo central. De notar as semelhanças dos desenhos de um dos seus arquitectos, Francisco Fabri, com os executados para o Palácio de Caserta, da autoria de Vanvitelli. A obra de Manuel Caetano de Sousa ainda é visível nas modinaturas dos corpos torreados, com molduras recortadas e amplos frisos, encimados por cornijas angulares ou curvas, de inspiração tardo-barroca. No interior, as alas administrativas estão algo alteradas, destacando-se a manutenção feita numa pequena ala residencial, virada a sul, onde habitou a rainha D. Maria Pia antes da instituição da República, em 1910, com pavimentos ricos em parquet, tectos pintados, alguns neoclássicos, forro a seda e existência de um jardim de Inverno, em cantaria, jaspe e cristal, mandado executar no final do séc. 19. Possui um interessante acervo de pintura, escultura e uma importante colecção de porcelanas, as mais antigas do início do séc. 18, existindo outras mais modernas, de 1905, fabricadas em Fábricas europeias ou orientais, a maior parte reunida por aquisições ou encomendas da rainha D. Maria Pia. No amplo vestíbulo de acesso ao pátio interno, possui importante colecção de escultura do final do séc. 18 e início do séc. 19, reunindo exemplares dos melhores mestres deste período, de Machado de Castro a Francisco de Assis, passando por João José Aguiar e outras oficinas fundamentais da estatuária portuguesa; a maior parte encontra-se assinada e datada e representa Virtudes.
Número IPA Antigo: PT031106010025
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Residencial senhorial  Paço real    

Descrição

Edifício de planta retangular irregular, formando quatro alas, encontrando-se a do lado oeste incompleta, em torno de um amplo pátio quadrangular, pavimentado a calçada à portuguesa, formando desenhos geométricos. As várias alas têm ocupações distintas, sendo parte das alas este e sul ocupadas pela exposição museológica do Palácio Nacional da Ajuda, a que se sucedem as instalações do antigo Instituto de Museus e Conservação, situando-se, na ala norte, as do antigo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, parte da Secretaria-Geral do Ministério da Cultura, a Biblioteca da Ajuda e uma Galeria de exposições temporárias. Atualmente ambos os institutos estão unificados na Direção Geral do Património Cultural que ocupa ambas as alas. De massas simples e articuladas, de disposição horizontal, possui coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. O edifício evolui em dois e três pisos, adaptando-se ao declive do terreno, com mezzanino. Fachadas em cantaria de calcário liós aparente, com remates em entablamento. Fachada principal virada a nascente, de disposição simétrica, com corpo central rematando em frontão triangular sem retorno, em cujo tímpano surgem as figuras de, que centram, a que sucedem dois panos reentrantes e, nos extremos, dois corpos torreados, rematados em platibanda e panóplias. O corpo central possui dois pisos, o inferior rasgado por três arcos de volta perfeita, a que se adossam sete colunas toscanas que sustentam um entablamento em que se apoia a varanda do segundo piso, com guarda balaustrada e para onde abrem três portas-janelas de verga reta, com molduras simples, encimadas por friso de festões e um tímpano de troféus que se liga a pequena abóbada de apainelados, envolvida por arco de volta perfeita, que descarrega em colunas toscano-jónicas, com festões entre as volutas do capitel; as janelas são divididas por seis colunas toscano-jónicas, surgindo, entre as exteriores, duplas, vãos elípticos de arejamento. Cada um dos panos intermédios possui dois pisos e "mezanino", divididos em oito panos por duas ordens de pilastras, as inferiores toscanas e as superiores toscano-jónicas; no piso inferior, oito janelas de peitoril com molduras recortadas, que se prolongam em falsos brincos e rematadas em cornijas, surgindo, no superior, o mesmo número de janelas de varandim, com modinaturas semelhantes e guardas balaustradas, sobrepujadas por oito janelas quadrangulares. Os torreões têm três pisos divididos por entablamento, apresentando as faces tripartidas, divididas por pilastras toscanas e toscano-jónicas, no intermédio; no primeiro piso, surgem três janelas de peitoril no primeiro, com molduras recortadas e remates em cornijas angulares nas exteriores e curvas nas interiores; no piso imediato, três janelas de peitoril, semelhantes às anteriores, encimadas por vãos quadrangulares, surgindo, no quarto piso, três janelas de varandim. Fachada lateral esquerda, virada a sul, com três pisos, em cada um dos quais se rasgam dezanove janelas, numa sucessão semelhante à da fachada principal, surgindo, na base, uma série de nichos, que compensam o desnível do terreno. Fachada posterior inacabada, possuindo vestígios de várias dependências e algumas janelas de peitoril, tendo, ao centro, três arcos de volta perfeita, assentes em pilares toscanos almofadados, de acesso ao pátio central, surgindo, recuada, parede de alvenaria de tijolo, rebocada e com vãos retilíneos rasgados, com molduras simples em cantaria. Ambas as fachadas possuem nichos de arco de volta perfeita rasgados, os do lado oeste vazios e os do lado oposto, inseridos em amplo vestíbulo com abóbadas de aresta apoiadas em pilares toscanos, possuem vinte e cinco estátuas de mármore, algumas assinadas e datadas. No vestíbulo, situam-se os acessos ao palácio, à Biblioteca e à Galeria de Exposições, através de escadas de cantaria e de arcos de volta perfeita. O pátio, bastante amplo e com pavimento em calçada à portuguesa, tem duas alas (norte e sul) regulares, com quatro pisos, o inferior e o mezanino revestido a silharia fendida, surgindo os demais divididos em treze panos por pilastras toscano-jónicas. No piso inferior, rasga-se portal central em arco de volta perfeita, flanqueado por amplas janelas rectilíneas, encimadas por janelas quadrangulares; nos pisos superiores, janelas de varandim com moldura simples e remate em cornija, com guarda balaustrada, encimados por janelas de peitoril com molduras recortadas. A ala sul possui, no lado direito, uma segunda porta de verga reta, de acesso a serviços da direção geral. INTERIOR: composto por alas de salas intercomunicantes, com corredor central, onde se situam as escadas e elevadores. Na zona do PALÁCIO, surge, no piso inferior, uma sucessão de salas museulizadas, iniciando-se por um lanço de escadas ladeadas por dois nichos, onde surgem duas esculturas a reprsentar a Justiça e a Prudência, que ligam à SALA DOS ARCHEIROS, assim denominada pois era onde se situava a guarda da honra, visto esta ser a entrada quer da família real, quer das visitas, iluminada por duas janelas e com três portas retilíneas, todas com escudetes de metal dourado e encimadas por pinturas decorativas, representando troféus militares; a sala é coberta por teto em abóbada de barrete de clérigo, pintado com as armas reais portguesas, tendo pavimento em parquet. Sucede-se a pequena SALA DO PORTEIRO DA CANA, encarregado de anunciar os visitantes, onde se destaca o tratamento do tecto formando uma falsa cúpula de quadraturas, formadas por colunas de fuste liso e capitéis coríntios, que sustentam frontões trinagulares, onde se enquadram atlantes e medalhões em "grisaille", tendo, no centro uma laegoria à Justiça, surgindo, em dois medalhões, as representações de D. João VI e D. Carlota Joaquina, tendo parquet semelhante ao da sala anterior. A SALA DAS TAPEÇARIAS ESPANHOLAS apresenta-se revestida a oito tapeçarias de origem espanhola, de tamanho desigual e representando Dança, Passeio na Andaluzia, Jogo de Cartas, Fonte, Merenda, Partida para a Caça, Regresso da Caça e Caçadores; tem teto am abóbada abatida, onde surge representada uma alegoria à Partida de D. João VI do Brasil. Com várias quadraturas e elementos arquitectónicos, que se prolongam pela sanca, assente em cornija de madeira, tendo pavimento em parquet. As quatro portas possuem sobreportas ovaladas com pintura alegória. A sala é ocupada por ampla mesa, com cadeiras de madeira dourada e forradas a veludo, conse durge uma baixela de crista lapidado, assente em elementos de bronze cinzelado. A ANTECÂMARA DA SALA DO DESPACHO, também denominada Sala do Retrato de D. Carlos ou por Sala de D. Sebastião *2, é de pequenas dimensões, possuindo um tecto pintado com Diana e cenas ligadas à caça, surgindo, nas sobreportas Mercúrio e Vulcano, a Ciência e a Paz. A SALA DO DESPACHO *3 apresenta tecto em abóbada abataida, com painel central a representar as alegorias Felicidade Pública, Abundância, Mentira, a Justiça, e uma Aurora, possuindo, na sanca, troféus militares em "grisaille", tendo, num dos lados um fogão de mármore negro italiano, composto por duas colunas jónicas, que suportam friso ornado por flores e cornija, com guarda-fogo de metal; possui parquet de embutidos, formando elementos geométricos. A SALA DOS CONTADORES, também denominada Sala da Talha de Sèvres ou Sala das Cómodas é uma pequena sala de passagem, com o pavimento em parquet de embutidos. A SALA DE MÚSICA possui tecto rectilíneo pintado em tons de sépia, branco e dourado, com oito medalhões a representar as armas de Portugal, as dos Duques de Bragança e as cruzes das Ordens Militares, tendo as paredes forradas a seda e pavimento em parquet, com enorme fogão de madeira de carvalho, composto por consolas, que sustentam um fisro, cornija e chaminé ampla, ornada por elementos fitomórficos dourados e pelas armas de Portugal. O QUARTO DO REI D. LUÍS é percorrido por lambril de madeira almofadada, pintada de branco e dourado, com as paredes pintadas de rosa e, superiormente, um friso de festões, que separa da cornija, também pintada com esponjados; a cobertura, curva, apresenta quadraturas formadas por quatro arcos de volta perfeita, com caixotões, onde se integram panópilias em "grisaille", aparecendo, nos ângulos, animais fantásticos, encimados por figura híbrida; o centro, onde se inscreve uma figura alegórica, integrada em falsa cúpula, está rodeado por figuras femininas esvoaçantes, que seguram grinaldas de flores; pavimento em parquet. A ANTECÂMARA DO QUARTO REAL apresenta lambril pintado, encimado por friso ornado por elementos fitomórficos enrolados, que centram vaso de flores, elementos que se repetem superiormente, a central um mascarão. As sobreportas estão pintadas com vasos perfumadores e elementos sinuosos enrolados. A SALA AZUL possui lambril de almofadados em marmoreados fingidos, com as paredes forradas a seda azul, encimadas por friso decorado por palmetas estilizadas, possuindo tecto decorado com ornatos em relevo, pintados a dourado *4, surgindo, na parede oeste, rasga-se um vão, tapado com cristal, permitindo visualizar a sala seguinte; possui pavimento em parquet. O GABINETE DE CARVALHO é a a sala anexa, que servia de sala de fumo, encontrando-se forrada a carvalho no tecto e lambris. O JARDIM DE INVERNO encontra-se totalmente revestido a ágata calcedónia, pedra odfercida por um vice-rei do Egito, tendo, ao centro, uma fonte do tipo centralizado, em mármore de Carrara, composto por tanque e pedestal central, onde surgem duas taças, uma de maiores dimensões e a superior concheada, rematando em pináculo torso; está rodeado por três garças em bronze. As janelas encontram-se protegidas por grades metálicas, em cujas quadrículas surgem cachos de uva coloridos em cristal. SALA DE SAXE tem as paredes forradas a seda, com teto de estuque decorado com flores, pássaros e borboletas, cujos modelos foram adaptados da colecção do rei, tendo na sanca e moldura da porta, pequenos medalhões com paisagens portuguesas e italianas. SALA VERDE revestida a seda verde, com tecto pintado de branco, com elementos dourados, assente em cornija, com pavimento em parquet, formando elementos geométricos, tendo, nas sobreportas, pinturas decorativas. Possui fogão de sala em mármore branco, com perfil contracurvo e decoração rococó, protegido por guarda-fogo em metal dourado. SALA COR-DE-ROSA revestida a seda com esta tonalidade, possuindo a divisa da rainha "J'attends mon astre" e a de Bragança "Depois de Vós Nós". QUARTO DA RAINHA com teto pintado em quadraturas, compondo, na sanca, mísulas que enquadram elemetos concheados e fitomórficos, tendo, ao centro, medalhão com motivos alegóricos religiosos, surgindo, nos ângulos, painéis com figuras alegóricas, representando a Fé, a Esperança e a Caridade, surgindo, num dos ângulos, a figura de São João Baptista, com as paredes forradas a seda adamascada azule om fio de prata.O pavimento encontra-se alcatifado, com motivos florais, sobre a qual surge uma enorme pele de urso. A sala anexa constitui o TOUCADOR tendo alcatifa semelhante, possui as paredes com apainelados de talha em branco, decorada com motivos fitomórficos, possuindo as sobreportas pintadas com as figuras de Diana, Juno, Vénus e Minerva, surgindo, anexa, a casa de banho, com sanitários de origem inglesa. A CASA DE JANTAR DA RAINHA encontra-se totalmente revestida a talha em branco, formando apainelados fitomórficos, que enquadram painéis de seda vermelha, com fogão de sala do mesmo materail, assente em colunas jónicas e remate em friso fitomórfico e cornija, sobre o qual surge um enorme espelho; o pavimento é em parquet de embutidos, possuindo lustre de bronze, dcorado com querubins e motivos vegetalistas. SALA DE BILHAR com paredes forradas a madeira pintada com elementos vegetalistas e tecto de madeira apainelado, com pavimento em parquet de embutidos, rodeada de bancos e, ao centro, a mesa de bilhar, possuindo ua lareira de madeira, com pilastras almofadadas laterais, encimafa por cariátides, que ladeiam um espelho e remate em cornija. No segundo piso do Palácio, situa-se o ATELIER DE PINTURA DO REI, antecedido por uma galeria com várias obras do rei D. Carlos I. A sala é forrada a talha em branco, com tecto de apainelados, sustentado por cornija e mísulas equidistantes, tendo as janelas emolduradas por arcos canopiais e platibandas falsas, bem como escada com guarda de madeira vazada por quadrifólios; o pavimento é em parquet com motivos geométricos. A BIBLIOTECA também se encontra revestida a madeira, no teto, com apainelados, nas portas e guarnições das janelas e na lareira, em madeira de carvalho, flanqueada por dois guerreiros atlantes, surgindo, no firos, a representação de um torneio medieval. QUARTO que fazia parte dos aposentos de D. Afonso, onde se destaca o trabalho de parquet em madeiras exóticas de várias tonalidades. SALA DE TRABALHO DO REI tem as paredes pintadas de bege, com lambril e friso ornado por elementos geométricos e folhagem, respetivamente, tendo, ao centro, um painel a representar Saturno; pavimento em parquet de madeiras de várias tonalidades embutidas, tendo lustre em cristal e bronzr cinzelado. A SALA DAS INICIAIS L.M. é de pequenas dimensões, retangular, com tecto plano, ornado por cena alegórica, possuindo as iniciais "L" e "M" - Luís I e Maria Pia -, tendo ampla sanca curva, decorada com estrelas e com troféus nos topos, assente em cornija bastante saliente, sobre friso ornado por meandros. As paredes estão revestidas a tecido igual ao dos reposteiros, com pavimento em parquet de embutidos. SALA CHINESA totalmente forrada a seda natural, compondo um tecto em forma de tenda, com lustre e apliques em metal dourada e porcelna chinesa, reaproveitando um serviço Imari, possuindo as portas lacadas e douradas com motivos orientais, com pavimento em parquet de embutidos. SALA IMPÉRIO com lambril pintado de rosa e paredes forradas a seda, com tecto ornado por motivos em "grisaille", que repousa em friso de meandros; pavimento em parquet de embutidos. SALA DO RETRATO DA RAINHA bastante ampla, com o tecto apresentando um painel com a representação da Vingança e Justiça Divina, enquadrado por elementos geométricos e fitomórficos, com as paredes forradas a seda vermelha e pavimento em parquet.SALA DOS GOBELINS com tecto pintado de fundo azul, com elementos fitomórficos e festões em estuque branco, com pavimento em parquet. SALA DO CORPO DIPLOMÁTICO apresenta o tecto pintado com motivos clássicos, apresentando, na sanca, animais, figuras, quadrigas, assente sobre friso de grega, tendo as paredes pintadas e pavimento em parquet de embutidos. A SALA DO TRONO é de grandes dimensões e ocupa todo o torreão sul do palácio, com tecto pintado com uma alegoria à Virtude Heróica, que exaltava a realeza de D. Miguel I, de onde se dependura um lustre de cristal e bronze, com pareds forradas a seda vermelha, com pavimento em parquer e tapete de Aubusson. A SALA DE BAILE está anexa à anterior, com as paredes forradas a seda vermelha, com o tecto dividido em sete painéis,o central com a representação alegórica do Concílio dos Deuses, de onde se dependuram três lustres de cristal. Sobre a porta de acesso à sala, a Galeria para os músicos, de madeira, assente em quatro pilastras e com guarda balaustrada do mesmo material, tudo dourado, tendo pavimento em parquet, possuindo, sobre as portas interiores janelas rectilíneas, que reflectem as da parede que dá para o exterior. A SALA DA CEIA apresenta uma cena alegórica, que presta tributo a D. João VI, com o Carro do Sol, com Febo, rodeado pelas Horas, meses e estações do ano, onde surge o Tejo, o Douro, Ceres, Zéfiro e Flora, o Tempo e a Verdade, a prestarem-lhe homenagem, com a inscrição "Na História não tem par", rodeado por quadraturas; é iluminada por três lustres de cristal e bronze, tendo uma galeria destinada aos músicos, para tocarem durante as refeições, com o pavimento em parquet protegido por alcatifa. A ala oposta encontra-se alterada devido à adaptação às atuais funções, mantendo um amplo vestíbulo com escadaria que leva ao piso superior, ligando a corredores centrais que abrem para dependências, os gabinetes. No lado oposto, surge a zona administrativa, com um vestíbulo semelhante ao do palácio e com ampla escadaria de acesso aos andares superiores, surgindo outra de menores dimensões, que funciona como escada de serviço.

Acessos

Largo da Ajuda. WGS84 (graus decimais) lat.: 38.707635; long.: -9.198290

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª Série, n.º 253 de 29 outubro 1959 *1

Enquadramento

Urbano, destacado e isolado, implantado numa plataforma horizontalizada artificialmente, numa zona de forte declive, possuindo uma excelente vista sobre o Tejo e a Barra de Lisboa. A fachada principal encontra-se virada para um amplo largo rectangular, conformado, no topo este por casas de habitação, e no restante por muro e por árvores de grande porte. Fronteiro ao palácio, uma estrada, pavimentada a paralelos de basalto, entre a qual se desenvolvem duas zonas ajardinadas, com relvado e algumas árvores. No topo da via, uma rotunda, no centro da qual se encontra uma escultura de D. Carlos I, em bronze, assente sobre plinto de cantaria e dois níveis de degraus, dispostos em círculo; foi executada por Teixeira Lopes, por ordem do Governo e inaugurada em 28 de Setembro de 1963; o plinto apresenta, na face principal, virada a nascente, a coroa real e a inscrição "D. CARLOS I REI DE PORTUGAL (28-09-1863-01-02-1908)", surgindo nas restantes faces as seguintes inscrições: "CULTIVOU E PROTEGEU AS ARTES E AS CIÊNCIAS. IMPULSIUNOU A AGRICULTURA E AS OBRAS PÚBLICAS"; "RESTAUROU O NOSSO PRESTÍGIO NA EUROPA. ENCETOU O SANEAMENTO DAS FINANÇAS EVALORIZOU A MOEDA"; "CONSOLIDOU O ULTRAMAR PORTUGUÊS. REORGANIZOU O EXÉRCITO E A MARINHA. DESEJOU A GRANDEZA DA NAÇÃO SACRIFICANDO-SE POR ELA". A ala sul confina com uma via pública, pavimentada a alcatrão, separada dela por árvores de grande porte e a ala poente confina com via pública de acentuado declive, pavimentada a calçada de basalto, com carris de ferro para passagem de carros eléctricos.

Descrição Complementar

No vestíbulo, existem vários pilares, onde se rasgam nichos, alguns vazios, contendo estatuária em mármore, constituindo alegrias às pessoas régias, nomeadamente ao rei D. João IV, surgindo as imagens da Afabilidade, Amor da Virtude, Amor da Pátria, Clemência, Preserverança, Humanidade, Piedade, Decoro, Honestidade, Acção virtuosa, Anúncio bom, Inocência, Desejo, Diligência, Providência, Fidelidade, Liberalidade, Intrepidez, Gratidão, Generosidade, Conselho, Consideração, Constância, todas com inscrição identificativa e algumas assinadas.

Utilização Inicial

Residencial: paço real

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento / Política e administrativa: secretaria de Estado / Política e administrativa: direção-geral

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 114/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: António Francisco Rosa (1817-1822); Costa Sequeira (1862); Domingos Parente da Silva (séc. 19); Francisco Xavier Fabri (1801-1817); Giacomo Azzolini (1767-1786); João Carlos Bibiena (séc. 18); Joaquim de Oliveira (1795-1802); Joaquim Possidónio Narciso da Silva (1862-1865); José da Costa e Silva (1801-1812); José Joaquim de Sousa (1818); Manuel Caetano da Silva Gaião (1815); Manuel Caetano de Sousa (1795-1802); Manuel Joaquim de Sousa (1802-1807); Nicolau Pires (1828). CANTEIROS: António Joaquim de Faria (1819-1821); António Moreira Rato & Filhos (1891). João Johnston (1828); Joaquim José Ventura Alves (1832); Sebastião José Alves (séc. 19). CARPINTEIROS: José Joaquim de Sousa (1820). CERAMISTAS: fábrica parisiense do Duque d'Angoulême (séc. 19). DECORADORES: António Inácio Vieira (1827); Giuseppe Viale (1802); Manuel da Costa (1802); Manuel Piolti (1812-1821). DESENHADORES: Marquesa de Alorna (1802). EMPREITEIROS: Francisco de Paula (1818-1819); Leandro Gomes (1819); Severiano Henrique Pereira (1818-1819). ENGENHEIRO: Joaquim de Oliveira (1801). ENTALHADORES: Leandro Braga (1862). ESCULTORES: Anatole Calmels (1867); Benedetto Delisi (1860); Carlo Amatucci (1803); Césare Sighinolfi (1869-1875); Gregório Viegas (1819-1820); Faustino José Rodrigues (séc. 19); Francisco Assis Rodrigues (séc. 19); Giovanni Dupré (1866); João José de Aguiar (1819-1820); Joaquim José de Barros Laborão (1802); Joaquim Machado de Castro (1756-1770 Joaquim Santos (1886); José Pedro de Barros Laborão (séc. 19); Odoardo Fantachiotti (1865); Santo Varni (1863); Simões de Almeida (1881). FERREIROS: João Pedro (1820); Manuel António (1820). OURIVES: Pierre Philippe Thomire (1819-1820). MARCENEIRO: Casa Halffer et Cie., de Paris (1879); Casa Krieger, Suc. Racault de Paris (1862); Focentino Eugenio Azgnani (1863); Mardel Magalhães (1879); Joseph Godefroy (1867-1873); Paul Sormani (séc. 19). PEDREIROS: António Vicente (1794). Francisco António (1796); Joaquim Baptista (1796). PINTORES: A. Jangiovanni (1879); Achilles Rambois (1862); Anacleto José Narciso (séc. 19); André Monteiro da Cruz (1819-1836); António Rodrigues da Silva (1869); Arcângelo Fuschini (1802-1821); Bernardino de Sena Lemos da Rocha (1821); Calisto (1802-1815); Césare Sighinolfi (1875); Cirilo Volkmar Machado (1814-1820); Domingos Sequeira (1802-1805); Ernesto Condeixa (1887); Eugénio Joaquim Álvares (séc. 19); Eusébio de Oliveira (séc. 19); Felisberto António Botelho (1865); Giuseppe Cinatti (1862); João de Deus Moreira (1819); João Pereira (1821); Joaquim Gregório da Silva Rato (1819-1821); Joaquim Rafael (1815-1844); José António Narciso (séc. 19); José da Cunha Taborda (1802-1821); José Joaquim de Sousa (1821); José Malhoa (1890); José Pedro de Carvalho (1821); José Tomás (séc. 19); Joseph Layraud (1870-1874); Manuel Piolti (séc. 19); Máximo dos Reis (1814-1862); Michele Gordigiani (1876); Norberto José Ribeiro (1823); Oliveira Góis (1814-1815); Sebastião José Alves (1821); Vicente Paulo Rocha (1819); Vieira Portuense (1802-1803). TAPECEIROS: Real Fábrica de Santa Bárbara de Madrid (séc. 18); Thomas Bontor & Company (séc. 19). VIDREIROS: Fábrica da Marinha Grande (1904).

Cronologia

1755, 01 novembro - na sequência do terramoto, a família real refugiou-se numa construção de madeira, junto ao Palácio dos Condes de Óbidos, acondicionados com tapeçarias provenientes da Quinta de Baixo; 1756 - é mandado edificar um paço de madeira no Alto da Ajuda, construído pelos mestres Petrónio Mazzoni e Veríssimo Jorge, com madeira proveniente do Pinhal de Vale de Figueira; séc. 18, final - risco do teatro pelo arquiteto João Carlos Bibiena; 1761, 20 setembro - a obra estava concluída *5, pois realizou-se no oratório, um primeiro batismo; 1767 - 1786 - é responsável pela construção do teatro, Giacomo Azzolini; 1794, novembro - a "Real Barraca" foi destruída por um incêndio, salvando-se, apenas, a biblioteca e a igreja, obrigando à construção de um edifício definitivo; chamado o arquiteto José da Costa e Silva (1747 - 1819) para a feitura dos desenhos do novo edifício; 1795, 17 julho - iniciam-se, no local, os trabalhos de terraplanagem e de desentulho; 27 julho - a obra foi arrematada pelo mestre António Vicente; 09 novembro - no mesmo local onde estava construída a "Real Barraca", foi lançada a primeira pedra do palácio real a construir segundo projeto de Manuel Caetano de Sousa (1738 - 1802), sendo as obras interrompidas pouco depois; existiu outro projeto de Germano António Xavier de Magalhães, preterido; 1796, 19 maio - é definida a proveniência dos materiais, a pedra viria do Monsanto, a areia do Alfeite, com a cal cozida em Alcântara, o tijolo de Alhandra, com pedra calcária de Pêro Pinheiro, Belas, Vila Chã e Monsanto; a obra foi arrematada aos pedreiros Francisco António e Joaquim Baptista; 1801, 09 dezembro - um decreto régio define que só existiriam alterações no projeto se estivessem de acordo Manuel Caetano de Sousa, Joaquim de Oliveira, José da Costa e Silva e Francisco Xavier Fabri (1761 - 1817), pedindo que se economizasse no projeto; 1802, 21 janeiro - devido a dificuldades de entendimento entre os arquitetos, com formações distintas, Manuel Caetano de Sousa é afastado do projeto, sendo José da Costa e Silva e Francisco Xavier Fabri convidados a apresentar um novo traço, no que foram auxiliados por António Francisco Rosa e Manuel Joaquim de Sousa; 26 junho - Costa e Silva e Fabri são nomeados arquitetos das Obras Públicas; 02 julho - o monarca solicita à Marquesa de Alorna (1750 - 1839) que faça um estudo relativo às futuras pinturas do palácio; são contratados para a pintura do imóvel Domingos Sequeira (1768 - 1837) e Vieira Portuense (1765 - 1805), que se fizeram acompanhar de Joaquim Gregório da Silva Rato, Manuel Prieto, Taborda, Fuschini e Calisto; surgem os decoradores Manuel da Costa e Giuseppe Viale, enviado a Itália para aquisição de material; surgem os escultores Machado de Castro (1731 - 1822), que executaria três esculturas, Carlo Amatucci, com apenas umas, João José de Aguiar (1767 - 1823) com o seu ajudante Gregório Viegas, executou dez estátuas, Joaquim José de Barros Laborão e Manuel Joaquim Laborão, executaram seis estátuas, tendo Faustino José Rodrigues e o filho, Francisco Assis Rodrigues, realizado três esculturas; 1803 - Carlos Amatucci realiza a escultura da Liberdade; 1809 - as obras param em definitivo na sequência das invasões francesas e da fuga da família real para o Brasil; 1812 - Francisco Fabri fica à frente do projeto, visto José da Costa e Silva ter partido para o Brasil, idealizando um amplo palácio, virado para o Rio Tejo e com quatro torreões angulares *6; 1813 - as obras são retomadas; 1814-1815 - pintura dos interiores por Taborda Fuschini (1771 - 1834), Calisto, Cyrillo Volkmar Machado (1748 - 1823) e o ajudante Oliveira Góis, Máximo Paulino dos Reis; surge, como decorador, Manuel Piolti; 1814 - Cyrillo pinta a Sala do Dossel com o triunfo de D. João VI; 1815 - entra na obra, como arquiteto ajudante Manuel Caetano da Silva Gaião; abril - é aprovada a pedreira das Lameiras para se extrair a pedra para as colunas do andar nobre; 1817 - falecimento de Francisco Fabri; sendo substituído por um seu discípulo, António Francisco Rosa, o qual reduziu o projeto devido à impotência do Erário Régio; 1818 - Domingos Sequeira volta a dirigir as pinturas da Ajuda; D. João VI interessava-se, no Brasil, pelo projeto e apresentava os desenhos aos seus arquitetos locais Grandjean de Montigny e João da Silva Moniz; modelo para o vigamento do torreão sul da autoria de José Joaquim de Sousa; 26 setembro - primeira fiada da abóbada do vestíbulo estava colocada; 12 novembro - troféus da Sala dos Embaixadores limpos pelos empreiteiros Severiano Henrique Pereira e Francisco de Paula, ambos empreiteiros; 1819, 11 janeiro - execução de dez troféus da Sala dos Embaixadores pelo mestre canteiro António Joaquim de Faria e aos empreiteiros Francisco de Paula, Severiano Henrique Pereira e Leandro Gomes; 15 fevereiro - na Sala dos Archeiros, os pintores Vicente Paulo Rocha e João de Deus Moreira, para pintar rodapés e cimalhas, conforme desenhos de Manuel Piolti, por desistência de José Francisco Ferreira; maio - Cyrillo Volkmar Machado propõe um novo remate da fachada nascente, em frontão triangular e esculturas alegóricas, aludindo à expulsão dos Franceses, segundo projeto de Barros Laboraão; o projeto foi abandonado; 1819- 1820 - execução da escultura da Justiça e da Prudência por João José de Aguiar; pintura dos tetos da Sala dos Archeiros e da Sala do Porteiro da Cana por José da Cunha Taborda (1766-1836), sendo as sobreportas da primeira da autoria de Manuel Piolti (1770-1823); os escudetes metálicos das portas foram fornecidos pelo Arsenal do Exército; pintura do teto da Sala das Tapeçarias Espanholas por Cyrillo Volkmar Machado, com perspetivas de Manuel Piolti, figuras de Joaquim Gregório da Silva Rato e ornatos de André Monteiro da Cruz, sendo o primeiro responsável pelas pinturas das sobreportas; feitura de uma baixela, com as bases executadas por Pierre Philippe Thomire (1751-1843); pintura do teto da antecâmara da Sala do Despacho por André Monteiro da Cruz, com as sobreportas de José da Cunha Taborda; 1820 - feitura de novo projeto para as fachadas sul e este, então aprovados, da autoria de António Francisco Rosa, esta última com um sistema de rampas e escadarias; eram mestres ferreiros João Pereira e Manuel António e carpinteiro José Joaquim de Sousa; 27 julho - reunião entre o inspetor do Palácio Real, Joaquim da Costa e Silva, Cyrillo Volmar Machado, Germano António Xavier de Magalhães, António Francisco Rosa e Manuel Caetano da Silva Gayão para decidirem que seria utilizado o primeiro desenho para a fachada nascente, sendo preterido um novo projeto de Volkmar Machado; foi aprovado o projeto do vestíbulo, da decoração da Sala da Tocha, das rampas de acesso e escadas; feitura dos desenhos das pinturas das salas por Manuel Piolti; foram executadas por Anacleto José Narciso, Eugénio Joaquim Álvares, Eusébio de Oliveira, João de Deus, José António Narciso, José Tomás e Vicente Paulo; 1821 - apresentação de um segundo projeto de António Francisco Rosa, que corresponde a nova redução; trabalhavam os pintores José da Cunha Taborda, Sebastião José Alves, José Joaquim de Sousa, Bernardino de Sena Lemos da Rocha, Arcangelo Fuschini, Máximo Paulino dos Reis, Joaquim Gregório da Silva Rato, Manoel Piolti, João Pereira, José Pedro de Carvalho e o canteiro António Joaquim de Faria; 1823 - decoração da escadaria com pinturas de Norberto José Ribeiro; 1825 - assume a direção da pintura o portuense Joaquim Rafael; 1826 - o palácio é pela 1ª vez usado como residência régia, instalando-se nele a infanta D. Isabel Maria, regente do reino; esta propõe ao arquiteto a redução do projeto, que fica a um terço do projeto inicial, tornando a fachada este a principal e terminando a sul num torreão; 1827 - morre Piolti, deixando, como pintor decorativo, António Inácio Vieira; 1828 - trabalha no local o canteiro João Johnston, responsável pela escada denominada "do Inglês", altura em que foi afastado das obras por razões desconhecidas; trabalha na obra do palácio Nicolau Pires; 1830 - é falecido António Joaquim de Faria, mestre canteiro do paço; 1832 - era mestre canteiro Sebastião José Alves, então falecido, sendo substituído por Joaquim José Ventura Alves; séc. 19, segunda metade - realização de obras significativas e utilização do palácio como residência da família real; execução de vitrines para a antecâmara da Sala do Despacho por Paul Sormani; execução de cortinas de renda para as janelas, na Suíça; o Quarto de D. Luís encontrava-se seccionado, com teto rebaixado, possuindo o quarto propriamente dito, um gabinete de trabalho e instalações sanitárias, voltando ao original, posteriormente; feitura do tapete de Sala de Trabalho do Rei, na casa inglesa Thomas Bontor & Company, que também executou o tapete de estilo persa para a Sala Chinesa; divisão da antiga Sala de Bilhar em duas dependências, a Sala Chinesa e a Sala Império; 1829 - com a mudança da Corte para Queluz, as obras decaem, especialmente pela morte do arquiteto Rosa, tendo, entretanto, ruido a ala norte; 1833 - o Regime Liberal suspende as obras; 1834 - D. Pedro IV tenta acabar o palácio, conforme projeto de Joaquim Possidónio Narciso da Silva (1806 - 1896), mas não se concretiza; 1836 - pintura da antecâmara da Sala do Despacho com cenas de Diana, por André Monteiro da Cruz; 1837 - reparação de algumas pinturas por Joaquim Rafael; 1844 - encomenda dos bustos dos monarcas, em cera, a Joaquim Rafael; 1860 - execução da escultura Inocência, por Benedetto Delisi; 1861, 22 dezembro - D. Luís I foi aclamado rei; 1862, 16 Abril - a instalação do casal real no local leva a obras, dirigidas por Possidónio da Silva e por Costa Sequeira; a antiga Sala do Dossel ou de Audiências passou a chamar-se Sala das Tapeçarias Espanholas, por possuir tapeçarias fabricadas na Real Fábrica de Santa Bárbara de Madrid, com desenhos de Francisco de Goya, tendo constituído uma oferta de Espanha, em 1785, por altura do casamento de D. João VI com D. Carlota Joaquina; aquisição de três lustres de cristal lapidado em Inglaterra, para a Sala das Tapeçarias Espanholas, por ocasião do casamento de D. Luís com D. Maria Pia; um vestíbulo interior foi transformado em Jardim de Inverno, por Possidónio da Silva, desaparecendo o teto com pinturas murais, com um teto pintado com génios, esfinges e quimeras; nele foram aplicadas as pedras de ágata e calcedónia, oferecidas pelo vice-rei do Egito, a par com mármores portugueses; fez-se a Sala do Fumo, de madeira entalhada; a Sala Azul foi ornada para Sala de Receção, arrancando-se o papel de padronagem dourada e substituída a cornija pintada por uma verdadeira; no gabinete contíguo ao Jardim de Inverno foi forrado a veludo cor-de-rosa, onde se reuniu uma coleção de peças de Saxe, e onde os estuques do teto têm representações de pássaros e vistas de Itália e Lisboa, da autoria de Giuseppe Cinatti e Achille Rambois; execução da mobília do quarto pela Casa Krieger, Suc. Racault de Paris; a Sala Verde recebeu um novo teto, pois o anterior era estucado, passando a ter ornatos relevados e dourados; obras na Capela do Paço; feitura do toucador da rainha e da sala de jantar por Leandro Braga, também responsável pelo Atelier de Pintura do Rei e pela Biblioteca; desaparecimento da pintura da "Chegada de D. João VI", da Sala do Baile, que fora pintada por Fuschini; 1863 - execução de um busto de D. Maria Pia por Santo Varni; feitura de uma mesa de embutidos, por Focentino Eugenio Azgnani, oferta da cidade de Faenza a D. Maria Pia, pela ocasião do casamento; 1865 - execução da escultura Musidora por Odoardo Fantachiotti (1809-1877); D. Maria Pia solicita a Possidónio da Silva a substituição da pintura do teto da Sala de Música, que era alegórica e da autoria de José da Cunha Taborda e Arcangelo Fuschini, sendo o atual pintado por Felisberto António Botelho e do teto da Sala Azul, que passou a ser forrado a seda; 1863, 28 setembro - nascimento do rei D. Carlos na Sala Verde do palácio; 1866 - execução da escultura em mármore da Tangedoura do Pandeiro, por Giovanni Dupré (1817-1882); 1867 - execução do parquet da Sala do Despacho e da Sala dos Contadores, segundo desenhos de Joseph Godefroy, marceneiro da Casa Real Belga; execução da escultura Mulher com bilha à cabeça, de Anatole Calmels; execução de um busto de D. Luís I do mesmo autor; 1869 - execução da escultura Leda por Césare Sighinolfi; pintura do retrato de D. Luís I para o Palácio da Ajuda, da autoria de António Rodrigues da Silva; 1870 - pintura de D. Maria Pia mascarada, por Joseph Layraud; 1873 - execução do desenho do parquet da Sala Azul por Joseph Godefroy; 1874 - pintura das telas de D. Carlos e D. Afonso da Sala Rosa, da autoria de Joseph Layraud; séc. 19, final - obras de restauro por Domingos Parente da Silva; 1875 - feitura de uma escultura a representar a rainha Maria Pia, de Césare Sighinolfi; 1876 - pintura de uma miniatura de D. Luís I e D. Maria Pia por Michele Gordigiani; 1879 - colocação do pavimento em parquet na Sala do Archeiros e na Sala do Porteiro da Cana pela firma Mardel Magalhães, segundo desenhor da Casa Halffer et Cie., de Paris; pintura do quadro a representar Humberto I, de A. Jangiovanni; 1881 - execução da escultura O Saltimbanco, por Simões de Almeida (1844 - 1926); 1886 - execução da escultura de Vítor Manuel II, por Joaquim Santos; 1887 - pintura das sobreportas do Toucador da Rainha, por Ernesto Condeixa; 1890 - pintura do retrato de D. Carlos I para a antecâmara da Sala do Despacho por José Malhoa (1855 - 1933); 1891 - execução do pavimento de mármore da Sala dos Embaixadores, da autoria de António Moreira Rato & Filhos; séc. 19, final - D. Carlos I manda executar duas jarras em Berlim e na fábrica parisiense do Duque d'Angoulême, para a Sala do Trono; 1899, 26 setembro - os telhados necessitam de obras urgentes de reparação, a terem de iniciar antes do próximo inverno, sob o risco de, se tal não acontecer, as águas pluviais arruinarem madeiramentos dos tetos e as suas pinturas, sendo disponibilizada a importância de 1:848$000 para o efeito; 1903 - D. Carlos I encomenda as cadeiras da Sala da Ceia, por ocasião da visita do rei Eduardo VII; 1904 - execução dos cachos de uvas em cristal para o Jardim de Inverno, na Fábrica da Marinha Grande; 1910 - cessam os trabalhos, ficando o palácio incompleto; 1925 - inundação da Biblioteca por águas pluviais; 1934 - Duarte Pacheco (1898 - 1943) encarrega Raul Lino (1879 - 1974) de elaborar um projeto para terminar o edifício; 1935 - inicio do estudo, mas foi posto de parte pelas verbas envolvidas; 1944 - novo projeto de Raul Lino; 1956 - Arantes e Oliveira encarrega Raul Lino de elaborar novo projecto; 1956 - estudo de complemento do palácio, pelos Serviços dos Monumentos Nacionais; 1961 - arranjo da zona envolvente, criando-se um espaço ajardinado; 1974 - um incêndio destrói parte significativa da ala norte; 1989 - o presidente do Instituto Português Património Cultural, engenheiro António Garcia Lamas convidou o arquiteto Gonçalo Byrne (1941 - ) a elaborar um projeto de finalização do palácio, para o que fez duas maquetas e vários desenhos, visando terminar a ala do palácio e criar um avançado que permitia uni-lo ao Jardim das Damas; o arquiteto previa a construção de duas zonas residenciais nas imediações, que permitiam custear 75% dos custos da obra; fica em segundo lugar o projeto apresentado por Diogo Lino Pimentel (1934 - ) para o remate do palácio; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2007, 29 março - a zona museológica é afeta ao Instituto dos Museus e Conservação, I.P. pelo Decreto-Lei n.º 97/2007, DR, 1.ª série, n.º 63; 2009, 15 Outubro - assinatura de um protocolo entre o Instituto dos Museus e da Conservação e a Fundação GALP Energia para o restauro da Sala D. João VI.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria mista, de calcário e tijolo, revestida a cantaria de calcário; panóplias, balaustradas, cornijas, frisos, colunas, pilastras, pilares, escadarias, modinaturas, pavimentos em cantaria de calcário; estatuária em mármore; interior com paredes rebocadas, forradas a jaspe, madeira a seda ou a papel; portas, ombreiras, pavimentos, escadas em madeira; estuque decorativo; cobertura exterior em telha.

Bibliografia

ALMEIDA, Fialho D' - Barbear, pentear (Jornal d'um vagabundo). 1ª ed., Lisboa, 1910; ANACLETO, Regina - Neoclassicismo e Romantismo. In AA VV - História da Arte em Portugal. Lisboa, 1986, vol. 10; ATAÍDE, M. Maia - Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa - Tomo III. Lisboa, 1988; CARVALHO, A. Ayres de - Os Três Arquitectos da Ajuda. Do Rocaille ao Neoclassicismo. Lisboa, 1966; CARVALHO, A. Ayres de - O Palácio da Ajuda, Lisboa, 1973; Dar Futuro ao Passado, Lisboa, 1993; DIAS, Gabriel Palma - “Os primeiros projectos para o Palácio da Ajuda. O desenho e a realização de Manoel Caetano de Souza e imediatos seguidores”. Encontro dos Alvores do Barroco à Agonia do Rococó. Fundação das Casas de Fronteira, 20 - 23 Junho 1994, texto policopiado; FERREIRA, Rafael Laborde, VIEIRA, Victor Manuel Lopes - Estatuária de Lisboa. Lisboa: Amigos do Livro, Lda., 1985; FREITAS, Jordão de - “A capela real e a Igreja Patriarcal na Ajuda”. Boletim da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses, Lisboa, 1909; GODINHO, Isabel Silveira, FERREIRA, Maria Teresa Gomes - Porcelana Europeia. Reservas do Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1987; GIL, Júlio - Os Mais Belos Palácios de Portugal. Lisboa, 1992; IPPAR, Património. Balanço e Perspectivas (2000-2006). Lisboa, 2000; LOURO, Francisco, GODINHO, Isabel Silveira - O Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa, 1987; Ministério das Obras Públicas. Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1953. Lisboa, 1954; Ministério das Obras Públicas. Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956. Lisboa, 1957; Ministério das Obras Públicas. Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958. Lisboa, 1959, vol. 1; Ministério das Obras Públicas. Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1961. Lisboa, 1962, vol. 1; Ministério das Obras Públicas. Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1962. Lisboa, 1963, vol. 1; SANCHES, José Dias - Belém e Arredores Através dos Tempos. Lisboa: Livraria Universal - Editora, 1940; SEQUEIRA, Gustavo de Matos - O Palácio Nacional da Ajuda (resenha histórica). Lisboa, 1961; SEQUEIRA, Gustavo Matos - O Palácio Nacional da Ajuda. Lisboa, 1961; VITERBO, Sousa - Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1904, 3 vols..; ZAGALLO, Manuel C. de A. Cayolla - Palácio Nacional da Ajuda. Roteiro, Lisboa, 1961.

Documentação Gráfica

IHRU; DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DSPI/CAM, DGEMN/DREL/DEM; AHMOP: Desenhos Nº 103 A, 4 C, 48 C, 162 C; BN: Secção de Iconografia, Desenho Nº D. 28 R

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa.

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID-001/011-1314, DGEMN/DSARH, DGEMN/DRMLisboa / DGLAB/TT: Ministério das Obras Públicas, Caixa 443

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1862 - forro das paredes da Sala D. João VI com seda vermelha; DEMNS: 1926 / 1928 - reparações urgentes de telhados, platibandas, algerozes, paredes, caixilharias exteriores e colocação de vidros; entaipamento dos vãos e portão dos torreões inacabados; 1928 - pintura da casa de entrada do corredor da capela, restauro de um tecto e de um corredor na ala N.; 1929 - pintura das portas; 1930 - arranjo do lanternim do atelier de pintura; reparação do forro das paredes da Sala do Trono e Sala de Banquetes; reparações das paredes junto às instalações sanitárias da ala S.; limpeza de cantarias e caixilharias exteriores, na fachada principal e no pátio; construção do pavimento pétreo do vestíbulo dos Aposentos da Rainha; substituição da clarabóia do Atelier da Rainha; reconstrução do pavimento pétreo do Pátio da Honra; arranque das árvores existentes nos quatro cantos do pátio; DGEMN: 1947 / 1948 - remodelação da instalação eléctrica (Biblioteca, Sala do Trono, Aposentos da Rainha) e reparação dos lustres; 1947 / 1948 / 1949 / 1950 - reparação dos telhados; remodelação da instalação eléctrica da Casa-forte, montagem de guarda-vento envidraçado, colocação de vitrinas fixas e forro das paredes em seda adamascada; aquisição de vitrinas em cristal, forradas a veludo preto, e de um tapete para a Casa-forte; 1948 - reparação das casas anexas à casa-forte; colocação de balcões amovíveis e cabides nos corredores; ligação da rede interna à rede da Companhia das Águas; 1949 - reparação dos pára-raios; pintura de paredes e portas; restauro do lambrim e cimalha da Sala do Trono; conserto dos estuques no corredor D. Luís; afinação das torneiras das instalações sanitárias; colocação de vitrais no elevador; 1950 - remodelação da Sala de Toucador da Rainha, com pintura e douramento; restauro das pinturas dos tectos das Salas de D. João IV e do Trono; reparações nas instalações sanitárias e canalizações; 1950 / 1951 - reparação dos telhados; adaptação da casa do guarda a instalações sanitárias; 1952 - reparação das instalações sanitárias da Biblioteca; reparação de caixilharias e telhados do torreão N.; arranjo, ajardinamento e colocação de sistema de rega na zona envolvente, projectado pelo engenheiro André Navarro; arranjo da Casa Forte e dependências anexas; arranjo da capela; 1953 - pintura de caixilhos e portas; arranjo dos tectos e vitrinas das dependências anexas à Casa Forte; 1954 - forrar a seda a Sala de D. José e tratamento de portas e frisos; reparação das instalações sanitárias no piso térreo; reparação dos pára-raios; reparação da instalação eléctrica da sala de refeições; 1955 - obras diversas de reparação nos telhados; remodelação da instalação eléctrica; reparação da Sala de Mármore; obras de adaptação de antigas frasqueiras a depósito de espécies da Biblioteca; 1956 - obras diversas de reparação de caixilharias, do ascensor e instalação eléctrica; restauro do tecto da Sala de Jantar, restauro de móveis da Sala de Baile; 1957 / 1958 - diversas obras urgentes, trabalhos de douragem na Sala D. José, Sala do Trono e Capela; restauro do tecto da Sala de Baile; restauro de pinturas murais e de tectos de várias dependências da ala S.; reconstrução de coberturas, diversas reparações interiores, beneficiação da instalação eléctrica, novas portas para a Biblioteca; 1958 - demolição do arco sobre a Calçada da Ajuda; reparações de ascensores e da instalação eléctrica; 1958 / 1959 / 1960 - obras na fachada N., com desaterro parcial e substituição de cantarias; 1959 - elevação dos paramentos exteriores da fachada O. do pátio; reparação do tecto da Sala da Ceia; forro das paredes da Sala do Trono e Sala Chinesa a seda; reparação da instalação eléctrica na Casa-forte; diversas obras de conservação; 1960 - reconstrução da abóbada do átrio O., reconstrução das instalações sanitárias da Biblioteca; substituição de caixilharias no torreão SO.; revestimento da Sala de Saxe a Seda e término da Sala do Trono; beneficiação da instalação eléctrica; reparações diversas no interior e exterior; 1961 - reparações na Sala da Física - Biblioteca, com restauro da pintura decorativa; execução de instalações sanitárias e remodelação da instalação eléctrica; reparações de telhados na ala O.; 1962 - obras de conservação e remodelação da instalação eléctrica da Capela; reparações da Casa dos Guardas e anexos; 1962 / 1963 / 1964 / 1965 - continuação das obras da fachada O.; 1963 - reparação da pintura do tecto da Sala da Física, beneficiação da instalação eléctrica, obras de conservação interiores e exteriores; 1964 - obras de conservação e beneficiação da Biblioteca; 1965 - obras de conservação interiores e exteriores, beneficiação da instalação eléctrica; 1966 - reparação dos telhados da ala S.; beneficiação da instalação eléctrica; reconstrução das instalações sanitárias da zona do público; 1967 - restauro da pintura artística, arranjo do telhado e diversos trabalhos na Sala da Física, reparações e pinturas de caixilharias, obras de reconstrução no ângulo NO., obras interiores e exteriores e remodelação da instalação eléctrica na ala N., reparações na Capela, obras de conservação e restauro; 1967 / 1968 / 1969 / 1970 / 1971 / 1972 - obras de conservação, com instalação de pavilhões pré-fabricados; 1968 - continuação das obras nas cantarias da ala N.; obras de conservação das alvenarias e cantarias; reparações interiores; reparação e pintura de caixilharias; beneficiação da instalação eléctrica; 1970 - reparação de coberturas da ala S. e zona central; impermeabilização de platibandas; 1971 - posto de transformação; 1971 / 1972 - obras complementares de adaptação e beneficiação de pavimentos, revestimentos, coberturas e caixilharias interiores da ala N.; 1973 - obras de conservação de interiores, exteriores e beneficiação da instalação eléctrica na ala S. para instalação dos serviços da Presidência do Conselho de Ministros; continuação dos trabalhos na ala N., com tratamento de alvenarias, revestimentos interiores e estrutura dos telhados; remodelação do equipamento de cozinha e copa; 1974 - obras de conservação geral; 1974 / 1975 / 1976 - remoção dos escombros do incêndio na ala N.; remodelação de esteiras e coberturas das alas S. e E.; 1975 - obras de conservação no 4º piso da ala S., instalação do sistema automático de detecção de incêndios; 1976 - trabalhos de demolição e reconstrução da ala N.; demolições e construções diversas na ala O.; obras nas dependências afectas à GNR; substituição de caixilharias e instalação de alarmes na Casa das Pratas; 1977 - reparação de bocas de incêndio e canalizações; beneficiação da instalação eléctrica; instalação de ascensores; revestimento de paredes e tectos da ala N., reparação do vestíbulo da fachada N. do pátio; 1977 / 1978 / 1979 / 1980 - continuação das obras nas fachadas N. e O.; 1978 - obras de remodelação da ala N. para instalação dos serviços da Secretaria de Estado da Administração Pública; pintura e douradura das portas da Sala do Trono; reparação e pintura das paredes e portas da Sala dos Archeiros; beneficiações diversas nas coberturas; reparações da rede eléctrica e da rede de águas; construções e reparações diversas; 1979 - remodelação do sistema de alarme; trabalhos na Sala da Ceia; reparação e substituição de caixilharias e estores; obras diversas de conservação; 1980 - beneficiações no piso térreo; remodelação de parte do 2º piso da ala N., beneficiação das instalações eléctricas, alarmes e rede telefónica; 1981 - instalação de sistema automático de detecção de incêndios na Sala dos Serenins (Laboratório); 1981 / 1982 / 1983 / 1984 / 1985 - continuação das obras da ala N.; 1982 - obras nas coberturas; reparação do gabinete da Conservadora; 1983 - reparação e consolidação das panóplias do torreão NE.; beneficiações diversas; 1985 / 1986 - beneficiações na ala S.; beneficiação da instalação eléctrica da ala N.; 1986 - obras no 4º piso da ala N.; 1987 - reparação e beneficiação de caixilharias do Museu. IPPAR: 1994 / 1995 / 1996 / 1997 / 1998 / 1999 - recuperação do jardim das Damas; obras diversas de beneficiação do Museu e Palácio; consolidação das panóplias dos torreões Norte e Sul; conclusão da recuperação das coberturas e das fachadas; intervenções de pintura mural; recuperação e restauro da Sala de Saxe; restauro e reconstituições na Sala do "Jardim de Inverno"; recuperações diversas; restauro de algum património integrado; 2010 / 2011 - restauro da Sla D. João VI, com a remoção do tecido de seda vermelha, pondo a descoberto as pinturas primitivas.

Observações

*1 - DOF: "Zona circundante do Palácio Nacional da Ajuda a saber: 1) o Jardim das Damas, com o seu mirante e outras obras arquitectónicas, único recinto ao ar livre que terá acesso directo do andar nobre do Palácio; 2) Sala de Física, pavilhão independente, do séc. 18, com obra de pintura, estuques, talha, etc.; 3) torre sineira, do séc. 18; 4) o chamado Paço Velho, ao norte do Jardim Botânico e com a frontaria para a Calçada da Ajuda. Contém quatro interessantes tectos, ricamente decorados, com pinturas e dourados que precisam de restauro; 5) o Jardim Botânico da Ajuda, com casas anexas ao sul (onde morou Brotero) e outra no ângulo sudeste. *2 - durante o reinado de D. Luís I, existia na sala uma escultura a representar D. Sebastião, que dava nome à sala. *3 - na época de Natal, D. Maria Pia organizava festas no local para os príncipes D. Carlos I e D. Afonso e respectivos convidados. *4 - esta decoração veio substituir a original, que se encontrava dividida em quatro painéis, com figuras alegóricas. *5 - constava de um corpo rectangular, com 80 metros de comprimento e 50 de largura, com um pátio interno, com 500 m2, com acesso por um átrio virado a este, junto à qual ficava o oratóro, ligado por um passadiço e a casa da guarda; evoluía em dois pisos; no lado norte, a denominada Portaria das Damas, onde ficaria a Biblioteca e a sala de estudos dos príncipes. A biblioteca era formada com as obras dos Távora, da Mesa da Consciência e Ordens, da Imprensa Régia, dos Meninos de Palhavã, dos Cónegos de São Vicente, da Casa do Infantado, dos Jesuítas e do Desembargo do Paço, a que se acrescentaram várias com Alexandre Herculano; por questões de segurança, as cozinhas foram localizadas num ponto afastado do palácio, fazendo ligação com o mesmo através de um pátio, o denominado Pátio das Cozinhas. *6 - o projeto previa a existência de duas praças viradas a este e oeste, com arcos triunfais que lhes davam acesso, com estradas novas, tendo, a este, a Patriarcal e, a oeste, o Museu, Livraria e Teatro, tudo com grandiosos jardins.

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1994 / Paula Figueiredo 2008

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