Mosteiro e Igreja de São João de Tarouca

IPA.00004720
Portugal, Viseu, Tarouca, São João de Tarouca
 
Mosteiro masculino cisterciense, gótico, maneirista e barroco, composto por igreja de planta cruciforme, de três naves escalonadas, capela-mor e sacristia e torre sineira adossadas ao lado esquerdo; no mesmo lado, desenvolviam-se as dependências conventuais, com claustro, dormitórios, noviciado, enfermaria, e a cerca, composta por várias capelas e fontes. A igreja, de fundação medieval, como se depreende da persistência de uma rosácea na fachada e a existência de arcos apontados e abóbada da nave em berço quebrado, foi muito alterada, em termos estruturais, no período maneirista, com transformação das naves laterais em capelas intercomunicantes e na reforma da fachada principal, tripartida por pilares salientes, rasgada por portal de verga recta, encimado por nicho e pelas armas portuguesas. Interior com capelas laterais decoradas com azulejo do tipo tapete e retábulos maneiristas e do barroco nacional, tendo, na nave central, o cadeiral da comunidade e um órgão, ambos de produção barroca. Transepto marcado por ampla janela termal, tipicamente maneirista, para onde abrem duas capelas colaterais, sobrevivência dos absidíolos medievais. Capela-mor ampla, decorada com azulejo figurativo azul e branco, de produção joanina e retábulo do estilo barroco nacional. No lado esquerdo, os dormitórios maneiristas e barrocos, amplos e rasgados por janelas de sacada regulares. Na cerca, subsistem três capelas barrocas. Do primitivo núcleo românico que incluía a igreja, um claustro, a sala do capítulo e restantes anexos conventuais, resta apenas a igreja e as estruturas monásticas de encanamento; tradicionalmente, o primitivo convento situar-se-ia no local onde se ergue a Capela de São Gonçalo. O templo é de pequenas dimensões, contrastando com a imponência das ruínas dos dormitórios, mas com profusa decoração escultórica, pictórica e azulejar. No interior, destaca-se a manutenção do cadeiral na zona da nave, como era usal entre os mosteiros cistercienses, o do lado da Epístola, encimado por órgão. Importantes vestígios dos sistemas de canalização hidraúlica, com "levadas". Imediatamente contíguos ao monumento se encontravam, sobre testemunhos arqueológicos românicos, um conjunto de parcelas, em regime de minifúndio, edificações situadas a poente, estruturas góticas em ruínas, dotadas de grande monumentalidade e de função desconhecida.
Número IPA Antigo: PT011820060009
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  

Descrição

Mosteiro bastante arruinado, de que restam a igreja, de planta cruciforme de três naves com cinco tramos, a central mais elevada e as laterais formando capelas intercomunicantes, transepto e capela-mor mais estreita, de volumes articulados a que se adossam a sacristia e uma torre sineira, quadrada, ambas à fachada lateral esquerda; no lado N., sobrevive o corpo dos dormitórios e vestígios da cerca, onse se implantam duas capelas. IGREJA de volumes articulados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, três na sacristia e quatro na torre e fachadas em alvenaria e cantaria de granito aparente. Fachada principal em empena, rematada por cruz latina sobre plinto, seccionado em três panos por dois pilares colossais salientes, que marcam a divisão interna da nave, com cunhais apilastrados, todos firmados por pináculos piramidais com bola. Pano central rasgado por portal de verga recta encimado por friso, cornija, nicho rectilíneo, flanqueado por pilastras, contendo a imagem de São João Baptista, e as armas da Ordem; está flanqueado por duas pilastras toscanas sobre plintos paralelepipédicos; o nicho está ladeados por duas janelas rectilíneas, assentes e rematadas por cornija, a superior encimada por frontão interrompido por elemento fitomórfico. Superiormente, uma rosácea. Os panos laterais são cegos, existindo, no do lado esquerdo, um arcosólio de perfil apontado. No lado esquerdo, a torre sineira, de dois registos divididos por cornija, o interior cego e o superior com sineira de volta perfeita na face S., surgindo, na face O., porta de verga recta de acesso através de escadas de cantaria e guarda metálica. Fachada lateral esquerda, virada a N., com a nave marcada por quatro contrafortes que a seccionam em cinco panos, rasgados por janelas de volta perfeita. O corpo do transepto apresenta uma janela de volta perfeita no topo. O corpo da sacristia tem duas janelas rectilíneas; junto a ela, torre sineira arruinada, rasgada por ventanas de volta perfeita. Fachada lateral direita, virada a S., marcada pelos contrafortes, por janelas de volta perfeita e, no corpo do transepto, por janela semiesférica; no corpo da capela-mor, duas janelas rectilíneas em capialço. Fachada posterior em empena, rasgada por duas janelas rectilíneas e molduras simples. INTERIOR em cantaria de granito aparente, com pavimento em lajeado de granito e cobertura em abóbada de berço abatido, com arcos formeiros sustentados por mísulas, tendo os panos rebocados e pintados de branco; encontra-se seccionada, sendo a zona imediata ao portal axial dedicada aos fiéis e a seguinte, correspondente aos dois últimos tramos, ocupada pelo antigo coro dos monges, com cadeiral de pau santo, composto por 60 assentos, divididos em duas filas e com misericórdias em forma de carranca, marcados por alto espaldar de talha dourada que emoldura oito pinturas de cada lado, representando abades e papas, encimado por órgão no lado da Epístola. As naves laterais formam, de cada lado, cinco capelas intercomunicantes, que abrem para a nave central por arcos apontados bastante estreitos, as três primeiras com oragos e espólio decorativo; possuem coberturas em abóbadas de berço rebocadas e pintadas de branco e revestimento em azulejo policromo, do tipo tapete, sendo protegidas por teia de madeira com portadas centrais em balaustrada; são dedicadas ao Sagrado Coração de Jesus, São João Baptista e São Miguel (Evangelho) e a Nossa Senhora da Glória, Virgem, e São Pedro (Epístola). O transepto tem, no lado do Evangelho, porta de verga recta e remate em friso e cornija, correspondendo ao antigo acesso às dependências conventuais, apresentando quatro painéis de azulejo monocromo, azul sobre fundo branco, figurativo. Junto à porta, o túmulo do conde D. Pedro *2. No topo oposto, iluminado por ampla janela termal, e tendo retábulo de talha dourado, dedicado ao Desterro. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, encimado pelas armas de Portugal e tendo, no lado do Evangelho, uma capela com acesso por arco apontado, assente em impostas salientes, dedicada a São Bento; no lado da Epístola, uma capela colateral, dedicada a São Bernardo, com pavimento em lajeado e cobertura em abóbada de berço, rebocada e pintada de branco, tendo retábulo de talha dourada. Capela-mor elevada por um degrau, com cobertura em abóbada de berço, ornada por grotescos e, painel central, com a representação de um raio. Nas paredes, quatro painéis de azulejo figurativo, monocromo, azul sobre fundo branco, com cenas alusivas à Ordem de Cister. Sobre três degraus, o retábulo-mor de talha dourada e planta côncava, de um eixo definido por seis colunas torsas ornadas por pâmpanos e duas pilastras, assentes em plintos paralelepipédicos e consolas, que se prolongam em quatro arquivoltas, três delas torsas, unidas no sentido do raio, formando o ático; ao centro, tribuna de volta perfeita, contendo trono expositivo; altar em forma de urna, ornado por cartela recortada. No transepto, surge uma porta de verga recta de acesso à sacristia, composta por dois tramos, totalmente revestida a azulejo de figura avulsa, com pavimento em ladrilho e cobertura em falsas abóbadas de arestas, decorada com grotescos e pelo escudo da Ordem de Cister. Possui arcaz de pau-santo, encimado por espaldar pintado e oratório central. No lado N. da igreja, é visível o corpo arruinado dos DORMITÓRIOS, em alvenaria de granito aparente e cunhais apilastrados, revelando a existência de dois pisos, o superio rasgado regularmente por janelas de sacada, rectilíneas, sobre óculos elípticos, com provável função de arejamento. Os topos apresentam empena contracurvada, rematada por cruzes latinas. A CERCA era ampla, implantada em encosta suave, disposta em socalcos, revelando vestígios do antigo sistema hidráulico, composto por galerias abobadadas, a casa da tulha, o moinho, e três capelas, a de Santa Catarina, quase arruinada, a de Santo António e de Santa Umbelina, esta junto à Fonte da Carranca. A Capela de Santa Umbelina é de planta longitudinal simples, com paredes rebocadas, percorridas por embasamento saliente, flanqueadas por cunhais apilastrados, encimados por pináculos e rematadas em cornija. Fachada principal em empena recortada, rasgada por portal de verga recta e moldura recortada, encmado por frontão triangular interrompido, encimado por óculo com moldura simples, de cantaria.

Acessos

Por ramal sinalizado na estrada Lamego - Guarda; situa-se a 15 Km de Lamego

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 40 684, DG, 1.ª série, n.º 146 de 13 julho 1956 (Igreja) / Decreto n.º 95/78, DR, 1.ª série, n.º 210 de 12 setembro 1978 (Mosteiro) / ZEP, Portaria n.º 189/99, DR, 2.ª série, n.º 56 de 08 março 1999 *1

Enquadramento

Rural, isolado, situado na encosta da Serra de Leomil, num grande vale ao fundo do qual corre o Rio Varosa. A fachada principal encontra-se protegida por um adro delimitado por murete e gradeamento, com acesso através de um portão em ferro, assente em dois pilares rematados por pináculos. O interior do adro apresenta vários canteiros de buxo, contendo plantas ornamentais, com caminho central em terra batida.

Descrição Complementar

Junto à porta da entrada, um antigo tímpano com a inscrição "FVNDATA FVIT ISTA / ERA MCLXREDAS IVLII". Órgão de talha pintada com marmoreados fingidos, brancos, vermelhos e azuis, de planta trapezoidal, formando, na face central, três castelos, o central com os tubos em meia cana e proeminente, encimado por cornija e espaldar recortado com as armas de Portugal, tendo na base, os tubos de palheta, em leque; os castelos laterais apresentam-se projectados em losango, rematados por cornija e encimados por anjos músicos, todos com gelosias rendilhadas, em boca de cena. Entre os castelos, surgem quatro nichos sobrepostos, com gelosias em harpa, surgindo outros dois nas ilhargas. Assenta em coreto de planta contracurvada e guarda balaustrada, tendo, ao centro, uma figura animada, que abria a boca e marcava, com os braços, o compasso. Retábulo do Sagrado Coração de Jesus é de planta recta e corpo côncavo, de um eixo formado por quatro pilastras com os fustes ornados por acantos e por quatro colunas torsas decoradas por pâmpanos, assentes em plintos paralelepipédicos, que se prolongam em quatro arquivotas, as duas centrais torsas, formando o ático, unidas no sentido do raio; ao centro, nicho de volta perfeira com o fundo pintado de azul e pontuado por motivos florais; altar em forma de urna, decorado por cartela de acantos e marmoreados fingidos. Capela de São João Baptista é de planta recta e um eixo definido por duas pilastras largas e com os fustes ornados de acantos e por quatro colunas torsas, decoradas por pâmpanos, que centram painel rectilíneo, marcado por falso arco de volta perfeita, assente em pilastras de fustes ornados; remate em friso de acantos e querubins, cornija e segundo friso estriado, que sustenta tabela rectangular vertical, flanqueada por quarteirões e aletas de acantos, sobrepujada por frontão de lanços; altar em forma de urna, com cartela fitomórfica e decoração de marmoreados fingidos. Retábulo de São Miguel de planta recta e um eixo definido por quatro pilastras com os fustes decorados por acantos e por quatro colunas torsas ornadas por pâmpanos, assentes em plintos paralelepipédicos, centrando painel rectilíneo, representando a imagem do orago; remate em friso de acantos e querubins, cornija e quarteirões e aletas de acantos, que ladeiam uma fresta de volta perfeita. Retábulo de Nossa Senhora em Glória é de planta recta e três eixos definidos por quatro colunas torsas com pâmpanos e capitéis coríntios, assentes em consolas; cada um dos eixos possui dois andares de painéis pintados com molduras rectilíneas, os laterais rematados por friso e cornija; o ático é composto por falso tímpano de volta perfeita, vazado por fresta com o mesmo perfil, emoldurado por pilastras de talha ornadas por acantos e com fecho saliente, em forma de acanto, formando duas meias lunetas, decoradas com motivos fitomórficos. Altar em forma de urna com cartela central decorada por acantos e marmoreados fingidos. O segundo retábulo da Epístola é de planta recta e corpo côncavo, com um eixo, ladeado por duas pilastras com os fustes decorados por acantos, e por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos, todas assentes em plintos paralelepipédicos, as quais se prolongam em três arquivoltas interompidas pela fresta emoldurada por duplo friso de acantos, formando o ático; ao centro, apainelado de volta perfeita, rodeado por tripla moldura, a central composta por enrolamentos fitomórficos, que centram mísula; altar em forma de urna com cartela central e decoração de marmoreados fingidos. O túmulo do Conde D. Pedro é composto pelo sarcófago, decorado com cenas de caça ao javali, e pela jacente, com a cabeça reposando em almofadas e tendo aos pés um cão. Tem as dimensões de 3,28 m. de comprimento por 1,22 m. de largura É enquadrado por quatro painéis de azulejo, com molduras recortadas e formadas lateralmente por pilastras e anjos atlantes, representando o "Martírio de São João", a "Fuga para o Egipto", "Desterro" e Santo Amaro. No lado oposto, amplo retábulo de talha dourada, sobre sotobanco de cantaria, de planta recta e três eixos definidos por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos, assentes em plintos paralelepipédicos, representando santos mártires (São Lourenço, São Vicente, São Sebastião, Santo Estêvão), encimadas por motivos florais; ao centro, apainelado rectilíneo, com dupla moldura de acantos, tendo painel pintado com a figura de Cristo redentor; nos eixos laterais, duas ordens de painéis pintados com cenas da vida de Cristo. Remate em friso de acantos e cornija, que sustentam falso tímpano de volta perfeita, integrando janela rodeada de acantos e de dois painéis pintados, com a representação da Virgem com o Menino. Altar em forma de urna, com cartela fitomórfica e pintado de marmoreados fingidos. O banco apresenta painéis pintados e, ao centro, sacrário embutido. Capela de São Bernardo com retábulo de talha, de planta recta e um eixo, composto por duas pilastras com os fustes decorados por acantos e por duas colunas torsas ornadas por pâmpanos, que se prolongam em três arquivoltas, as exteriores torsas, com fecho em acanto; ao centro, apainelado, rasgado por fresta rectilínea; altar em forma de urna, ornado por cartela recortada. A capela de São Bento tem retábulo semelhante, não possuindo qualquer fresta. Na capela-mor, os painéis de azulejo representam a "Lenda da fundação do mosteiro", "Visão de São Bernardo, a pedir-lhe a fundação de mosteiros na Península Ibérica", "São Bernardo a enviar os monges para a Península" e "Lançamento da primeira pedra por D. Afonso Henriques".

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCNorte, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 12 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADORES: Luís Pereira da Costa, António Cardoso e Manuel Vieira (1729). MESTRE de OBRAS: João Froilaz (atr., séc. 12). ORGANEIRO: Francisco António Solha (1767). PINTORES: António Vieira (1620-1630); Gaspar Vaz (atr., séc. 16); Vasco Fernandes (Grão Vasco) (atr., séc. 16).

Cronologia

Séc. 11 - existia, no local, uma comunidade beneditina *3; Inicialmente um ermitério; 1140 - carta de couto ao convento, referindo que é de observância beneditina; 1141 - 1144 - filiação na ordem de Cister, formalizando-se deste modo a fundação do primeiro mosteiro cisterciense em Portugal, presidida pelo abade Fr. João; 1141, Julho - Froia Cides e a esposa Gontina doaram ao mosteiro a terça parte das suas herdades; 1143, 29 Setembro - Gonçalo Anseriz doou uma vinha em Alvelos; 1144 - D. Afonso Henriques doa ao convento o couto de Santa Eulália, no Porto; 1145, Abril - D. Goiene doou uma vinha ao mosteiro; 1152 - os muros achava-se concluídos, estando a obra a cargo de João Froilaz; 1154, Março - Pedro Viegas deu uma herdade em Mosteirô, em Cambres; 1169, 18 Março - sagração da igreja, na presença dos bispos de Braga, Porto, Lamego e Viseu; 1182 - doação ao mosteiro de uma casa e forjam em Moledo, no concelho de Castro Daire; 1187 - doação de nova casa e forja na mesma localidade; séc. 13 - execução de uma Senhora do Ó, actualmente no Museu de Lamego; 1240 - o bispo D. Paio doou uma herdade de Proviceiros, em Freixo de Numão; 1320 - tinha 3500 libras de rendimento; 1350, 30 Março - testamento de D. Pedro, Conde de Barcelos, que deixou uma herdade em Santarém, com a condição de missas e a manutenção de uma lâmpada de prata sempre acesa; 1354 - morte de D. Pedro, conde de Barcelos, sepultado no mosteiro; 1490 - foi abade Fr. Álvaro de Freitas, que deixou ao mosteiro paramentaria, curzes e turíbulos de prata; feitura do retábulo-mor, com as imagens de São Bento e do Espírito Santo; construção da torre e da casa de São Brás; 1506, 8 Setembro - sagração do altar de São João Baptista, com várias relíquias depsitadas; séc. 16 - construção do Dormitório Novo e da Torre Sineira; pinturas por Vasco Fernandes e Gaspar Vaz; 1517 - a obra do claustro estava adiantada, sendo criticada a existência de galeria superior pelo abade João Claro; 1536, 3 Abril - o visitador informa que o comendador é o bispo de São Tomé, deão da Capela Real, ordenando que digam missa diária na Capela de São Brás, à porta do mosteiro, para que as mulheres não entrem na igreja; proíbe que as hortas em redor do mosteiro sejam exploradas por particulares e manda que se faça um relicário de madeira guarnecido de veludo para guardar as relíquias e um aqueduto de pedra para transportar a água para o mosteiro, como já houvera, e que se fizesse uma fonte no muro da cerca; 1555, 26 Maio - D. João III obtém do Papa Paulo IV autorização para a supressão do convento, tendo os bens e propriedades sido entregues à Ordem Militar de Cristo; 1560, 22 Janeiro - a pedido dos religiosos, a bula anterior foi revogada, tendo sido os bens restituídos ao mosteiro; passagem do governo abacial de perpétuo para trienal; 1567 - Pio V congregou os mosteiros cistercienses, fazendo-os depender da casa-mãe de Alcobaça; 1570 - construção da Capela de São João na cerca, por ordem do abade Fr. Miguel de Albuquerque; 1572 - o mesmo manda construir uma fonte ao lado do terreiro da bola; 1574 - Fr. Teófilo mandou murar a cerca e construir a Capela de Santa Catarina; o mosteiro pertence ao padroado real; séc. 16, década de 80 - feitura do retábulo-mor e pintura da sacristia; construção da portaria, os muros de um dormitório e conclusão do douramento do retábulo-mor; 1597 - construção do chafariz do claustro; séc. 17 - reforma da fachada principal; 1620-1630 - pintura de dezasseis tábuas para o retábulo de Jesus, Maria, José, por António Vieira; 1648 - reedificação da Capela de Santo António; 1650 - pintura dos painéis do retábulo do transepto; feitura dos retábulos de São Bento e São Bernardo; 1662 - construção dos aposentos dos abades, na torre; 1677 - feitura da torre sineira; 1681 - douramento dos retábulos e execução do novo refeitório; 1692 - douramento de retábulos; 1699 - feitura de um dormitório; séc. 18 - nova campanha de obras no Dormitório Novo; 1702 - início da obra da nova capela-mor; 1710 - reconstrução da sacristia; 1711 - colocação de vidraças nas janelas e colocação do órgão noutro local; 1718 - feitura dos azulejos da capela-mor, conforme data nos mesmos; 1729, 4 Abril - contrato com Luís Pereira da Costa e Ambrósio Coelho para a execução de duas caixas de órgão; 6 Abril - contrato com António Cardoso e Manuel Vieira para a feitura do cadeiral; 1745 - feitura dos azulejos do topo N. do transepto; 1767 - execução do órgão por Francisco António Solha, por ordem de Frei Félix de Castelo Branco; séc. 18, final - o mosteiro tinha 48 celas e existiam 38 religiosos no mosteiro; séc. 19 - última campanha de obras de ampliação do mosteiro; 1938 - solicitado o restauro dos retábulos existentes, nomeadamente o painel de São Pedro, atribuído a Grão Vasco; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 1995 - queda parcial da torre menor erguida na zona posterior durante o Inverno; 1996 - 1999 - investimento estatal global de 208 mil contos; 1998 - Desp. n.º 81 / 98, de 02 de Janeiro, do Ministério da Cultura, autorizando o IPPAR a expropriar 14 prédios rústicos e um urbano, que se encontram na área do convento incluindo a estrutura arquitectónica, por motivo de utilidade pública; 1999 - Desp. n.º 8 285 / 99, de 26 de Abril, autorizando o IPPAR a tomar posse administrativa do prédio n.º 651 descrito na Conservatória do Registo Predial de Tarouca, composto por convento em ruínas, Dormitório Novo, terras de produção, árvores de fruto e subugueiros e atravessado por um rio que vai encanado ao centro, de propriedade inscrita na matriz predial urbana sob o artigo 1.044, com 2 337,09 m2, e valor patrimonial de 48 600$00; elaboração de projecto de reabilitação do Mosteiro visando a restituição da traça original dos elementos arquitectónicos da antiga estrutura monacal; 1999, Julho de - assinatura do contrato de aquisição pelo estado dos terrenos onde se encontram ruínas e paredes dos dormitórios do séc. 18; 2007, 20 dezembro - o imóvel é afeto à Direção Regional da Cultura do Norte, pela Portaria n.º 1130/2007, DR, 2.ª série, n.º 245; 2019, 23 março - reabertura do centro de interpretação do mosteiro, após obras de requalificação.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura em alvenaria e cantaria de granito; em alvenaria de tijolo; pilastras, cornijas, pináculos, cruzes, abóbadas, pavimentos em cantaria de granito; paredes interiores rebocadas; pavimentos, retábulos, portas, assentos de madeira; painéis e revestimentos em azulejo; janelas com vidro simples.

Bibliografia

IPPC, Igreja do Convento de São João de Tarouca; COCHERIL, Dom Maur, Notes sur l'architecture et le décor dans les Abbayes Cisterciennes du Portugal, FCG, Paris, 1972; FERNANDES, A. de Almeida, "Acção dos Cistercienses de Tarouca ( As Granjas nos séculos XII e XIII ), in Revista de Guimarães, n.º 83, Guimarães, 1974; Routier des Abbayes Cisterciennes du Portugal, FCG, Paris, 1978; COSTA, M. Gonçalves da, História do Bispado e Cidade de Lamego, vols. II, IV e VI, Lamego, 1979-1992; COSTA, M. Gonçalves da, Igreja do Convento de São João de Tarouca, Lisboa, 1982; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; FERNANDES, A. de Almeida, Taroucae Monumenta Historica, I, Livro das doações de Tarouca, 3 vols., Braga, 1991-1992; MATOS, J. da Cunha e MARREIROS, "O Património do Mosteiro Cisterciense de São João de Tarouca no século XII e XII, in Actas del Congresso Internacional sobre San Bernardo e o Cister em Galicia e Portugal, vol. I, Ourense - Oseira, 1992; JORGE, Virgolino Ferreira, "Arquitectura, medida e número na igreja de São João de Tarouca ( Portugal ), in Cistercivm, 208, 1997, pp. 431-456; Mosteiro de São João de Tarouca - Roteiro, Tarouca, 1997; GOMES, Saul António, Visitações a Mosteiros Cistercienses em Portugal nos séculos XV e XVI, Lisboa, 1998; CARDOSO, José Manuel, Primeiro-ministro rendeu-se à recuperação do mosteiro, in Jornal de Notícias, Lisboa, 13.07.1999; Jornal O Público, Lisboa, 13.07.1999; Jornal O Correio da Manhã, Lisboa, 13.07.1999; CASTRO, Ana Sampaio, SEBASTIAN, Luís, RODRIGUES, Miguel e TEIXEIRA, Ricardo, Intervenção arqueológico no Mosteiro de São João de Tarouca, in Cister no Vale do Douro, Porto, 1999, pp. 222-225; IPPAR, Património. Balanço e Perspectivas (2000-2006), s.l., 2000; RODRIGUES, Miguel Areosa, TEIXEIRA, Ricardo Abrantes e TORRE RODRIGUEZ, José Ignacio de la, "Perspectivas para o estudo arqueológico dos estabelecimentos cistercienses do Vale do Varosa ( Tarouca )", in Actas de Cister, Espaços, Territórios, Paisagens, vol. II, Lisboa, 2000, pp. 505-516; ALVES, Alexandre, Artistas e Artífices nas Dioceses de Lamego e Viseu, vols. I e III, Viseu, 2001; DIAS, José Ribeiro [org.], Em louvor do Mosteiro Cisterciense de São João de Tarouca, Vila Verde, 2001; CAETANO, A.V., Vila de São João de Tarouca - Obras no Mosteiro, in Voz de Lamego, 31 Outubro 2006; SERRÃO, Joaquim Veríssimo - Livro das Igrejas e Capelas do Padroado dos Reis de Portugal - 1574. Paris: Fundação Calouste Gulbenkian Centro Cultural Português, 1971; SERRÃO, Vítor, A Arte da Pintura na Diocese de Lamego (séculos XVI-XVIII), in O Compassao da Terra - a arte enquanto caminho para Deus, vol. I, Lamego, Diocese de Lamego, 2006.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC, DGEMN/DSARH

Intervenção Realizada

DGEMN: 1936 - obras de beneficiação e restauro: construção de escada junto ao cunhal SO., lavagem de silharia interior, rebaixamento da armação do telhado; 1937 - Desaterro em volta da capela-mor, construção de muro, desentaipamento de portais, restauro do absidíolo direito com a abóbada de berço, lajeamento do pavimento da igreja, beneficiação da cobertura, construção de portas, restauro do arcaz; 1938 / 1939 - Obras diversas de drenagem para escoamento de águas, substituição das coberturas, reconstrução da armação do telhado; 1941 - obras diversas de restauro; 1942 - substituição de rebocos de argamassa hidráulica, isolamento de paredes com material hidrófugi, execução de valetas para escoamento de águas; 1956 - Obras de protecção do quadro de São Pedro: reparação das coberturas, substituição e montagem de vitrais e portas, valas de escoamento, recalçamento de alicerces, refechamento de juntas; 1957 - Obras diversas de reparação e restauro: abóbada, rebocos e consolidação de paredes interiores, arranjo parcial do pavimento, arranjo de portas, reparação de azulejos, remodelação geral do sistema de abastecimento de água à sacristia e esgoto da mesma, reparação geral de pinturas em portas e janelas; 1968 - reparação das coberturas; 1972 - obras na Zona de protecção; 1976 - reparação das coberturas; 1978 - trabalhos de conservação; 1983 - obras gerais de consolidação; 1985 - obras gerais de beneficiação; IPPAR: 1996 - trabalhos de recuperação, conservação e restauro, a aquisição de terrenos e de elementos arquitectónicos associados e a realização de estudos no âmbito da salvaguarda; salientam-se: a expropriação dos terrenos do claustro antigo; a exploração da grande ruína conventual; a aquisição de parcela dos terrenos adjacentes; a aquisição do edifício da Casa da Tulha; a redefinição de uma zona especial de protecção alargada; conclusão do levantamento aéreo integral dos coutos de Salzedas; 1996 - obras de recuperação na torre, para amarração e eliminação de vegetação, levando à desmontagem e apeamento parcial da mesma; 1998 / 1999 / 2000 - escavações na zona de provável implantação dos claustros, onde recentemente foram postas a descoberto estruturas pré-existentes dos séc. 13 e 14 com acrescentamentos dos séc. 16 e 17; reconstrução de torre sineira; restauro da sacristia e de obras de arte religiosa (altares laterais); drenagens; limpeza da ribeira; 2006 - recuperação da casa da cadeia junto ao mosteiro; DRCNorte: 2019 - encerramento parcial do mosteiro para obras e requalificação do centro interpretativo, ao abrigo do Projeto Vale do Varosa 2.

Observações

*1 - DOF: Compreendendo o Túmulo do Conde de Barcelos e o quadro de São Pedro e o Convento com todos os elementos que ainda possui. *2 - junto a este túmulo, existia o da Condessa, actualmente no Museu de Lamego. *3 - este dado coloca por terra a fundação do mosteiro cisterciense por Frei João Cirita, dado revelado pela crónica de Frei Bernardo de Brito, lenda questionada pela historiografia desde o séc. 19.

Autor e Data

Madeira Portugal 1992 / Paula Figueiredo 2006

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