Edifício e Capela da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra

IPA.00004669
Portugal, Setúbal, Sesimbra, Sesimbra (Santiago)
 
Arquitectura religiosa, gótica, manuelina, maneirista, barroca, joanina, revivalista. Arco triunfal gótico-manuelino, com pedra de fecho; portal lateral maneirista, pelo que tem de repertório renascentista. Pintura barroca nas telas e o estilo joanino nos lavores do retábulo de talha dourada do altar-mor, assim como o recorte da frontaria da empena, contracurvada. Do Revivalismo neobarroco é o retábulo do lado esquerdo, lavrado com grandes figuras de anjos e volutas. Existe na Sala do Despacho a pintura de Nossa Senhora da Misericórdia que data de cerca de 1553, tendo saído da oficina de Gregório Lopes (SERRÃO, 1997). Imagem em mármore de escultor erudito, representando Nossa Senhora do Rosário, com talhe naturalista de panejamentos, de 1696, conservando ainda policromia antiga, mandada construir por um capitão de mar e guerra. O retábulo de 1741 é do escultor Félix Adauto da Cunha. Deste escultor é, ainda, a imagem do Senhor Jesus da Chagas que está na sacristia.
Número IPA Antigo: PT031511020010
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

Planta longitudinal, composta, regular, coincidência exterior - interior; composto por 2 volumes justapostos, disposição em horizontalidade e cobertura exterior em telhado de 2 águas. Fachada principal de 1 pano e 2 pisos, com empena contracurvada, rematada por cornija e beiral, e encimada por cruz. Portal encimado por janelão de coro e flanqueado por 2 janelas. Vãos de verga de arco abatido, com cornija sobreposta. Fachada posterior de empena angular, com vértice cortado pelo assento do arco de campanário rústico. Fachada lateral com 2 panos, um em cada volume, respectivamente: um correspondente à nave e o outro, à capela-mor. No primeiro, rasga-se 1 portal de acesso a um anexo e 2 janelas e no outro, 1 janela. Janelas gradeadas. A articulação exterior - interior é desnivelada, havendo que descer para aceder ao templo. Interior de espaço único. A iluminação feita através das janelas referenciadas anteriormente. Corpo da igreja com 2 altares fronteiros com retábulos de talha dourada. Lateralmente, 4 capelas com retábulos, 2 púlpitos de pedra, fronteiros um ao outro: capela do lado do Evangelho, moderna, com um retábulo de pedraria lavrada com grandes figuras de anjos alados e jogos de volutas; junto ao seu arco, subsiste, em pedra lavrada e embebida na parede, a primitiva inscrição: ESTA CAPELA MAN / DOV FAZER A NOSA / SENHORA DO ROZAI / RIO O CappAm DE MAR E / GVERRA IOZEPH CAR / VALHO NATVRAL / DESTA VILA ANNO / 1696; capela em pedra lavrada, com retábulo de talha. Paredes cobertas até cerca de um terço do pé-direito, por silhar de azulejos enxequetados (azulejos azuis, verdes e brancos). Capela-mor separada da nave por arco triunfal, abatido, de aduelas aparelhadas e capitéis lavrados *1, assente em pilastras toscanas; altar com retábulo em talha dourada com frontão de rico lavor; coberta por tecto de madeira, decorada, com pintura representando o tema da Visitação da Virgem a Santa Isabel ao centro, envolta nos cantos, entre renques de folhagem e trechos de arquitectura perspectivada, pelos quatro Evangelistas. Tem um nicho lateral (à esquerda) com imagem de Nossa Senhora do Rosário. Tecto da igreja de madeira com perfil trapezoidal; chão em tijoleira. Na sacristia, uma a imagem do Senhor Jesus da Chagas, do escultor Félix Adauto da Cunha (Serrão, Serrão, 1997).

Acessos

Avenida da Liberdade

Protecção

Em estudo

Enquadramento

Urbano, em planície, adossado no flanco esquerdo a edificação moderna de maior porte, fronteiro a um amplo adro, fechado por muro e portão.

Descrição Complementar

Nas paredes laterais da capela-mor há quatro pinturas escurecidas sobre tela dos meados do século 17 com temário Mariano (Esponsais, Anunciação, Adoração dos Pastores, Apresentação), de artista secundário.

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 16 - 17 - construção; séc. 16, 1º quartel - data do arco triunfal; 1525 / 1530, cerca - pintura de uma tábua figurando a Mater Omnium, por Gregório Lopes; séc. 16, finais ou séc. 17, início - porta lateral; séc. 16 - 17 - numerosas lápides do adro do templo, referindo-se algumas a mareantes de Sesimbra, uma ao saboiano Lourenço Gomes, outra a Gomes de Leão e herdeiros (1653); 1696, 18 de Abril - instituição de capela no lado do Evangelho, na capela-mor, por contracto firmado entre a Santa Casa (sendo provedor José de Carvalho Farto) e o procurador do Capitão José Carvalho que se comprometeu, entre outras coisas, a ornar a capela com a imagem da padroeira (Notas do tabelião Jorge Falcão de Oliveira, Lº 1º, fls. 88 vº, 91, Arquivo Distrital de Setúbal, referenciado que ainda hoje aí se encontra, (SERRÃO, 1997); 1702 - data na sepultura onde jaz Frei Inocêncio da Arrábida; 1712 - o Padre Carvalho da Costa refere a existência de Misericórdia e hospital; 1746 - pinturas sobre tela. com temário mariano (Esponsais, Anunciação, Adoração dos Pastores, Apresentação); 1741 - fábrica do retábulo da capela-mor do mestre escultor lisboeta, (1997) que referencia Lº de Termos da Misª, de 1732 - 1790, fls. 84 e 87 vº, 88; séc. 18, meados - pintura do tecto da capela-mor *5 e data da tela que preencheu a boca da tribuna e que se encontra na Sala do Despacho, da autoria de José Dias (Notas do tabelião Jorge Falcão de Oliveira, Lº 1º, fl. 160, Arquivo Distrital de Setúbal (Serrão, Serrão, 1997); séc. 18, 2ª metade - fábrica dos dois altares fronteiros com talha dourada; séc. 19 - fábrica do coro-alto e da tribuna dos mesários; 1907 - reforma da Capela onde se venerava a grande imagem de madeira do Senhor das Chagas, que deu que deu à costa na praia de Sesimbra em 1534; 1924 - José de Figueiredo descobre o quadro que representa Nossa Senhora da Misericórdia; 1926 - o heraldista Afonso d'Ornellas faz um estudo sobre aquela pintura; 1940 - a pintura foi restaurada e sujeita a estudo laboratorial para figurar na exposição de Lisboa, Os Primitivos Portugueses; 1971 - o quadro figurou na Exposição dos Mestres do Sardoal e de Abrantes.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Madeira, talha dourada, alvenaria, cantaria, mármore, pintura sobre madeira, azulejo

Bibliografia

COSTA, P. António Carvalho da, Corografia Portugueza..., 2.ª ed., tomo III, Braga, 1869 [1.ª ed. de 1712]; MATOS SEQUEIRA, Gustavo, Misericórdias in Grande Encicolpédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa, s.d.; SERRÃO, Eduardo da Cunha e SERRÃO, Vítor, Sesimbra Monumental e Artística, Sesimbra, 1997.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID; SCMS (plantas)

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

Arquivo Distrital de Setúbal

Intervenção Realizada

Observações

*1 - Unico vestígio arquitectónico da primitiva capela da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra.

Autor e Data

Albertina Belo 1998

Actualização

 
 
 
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