Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Freixo de Espada-à-Cinta

IPA.00000466
Portugal, Bragança, Freixo de Espada à Cinta, União das freguesias de Freixo de Espada à Cinta e Mazouco
 
Arquitectura religiosa, quinhentista, maneirista e barroca. Igreja de Misericórdia de planta longitudinal, composta por nave e capela-mor mais larga, com capela lateral e sacristia adossadas à fachada lateral direita, com coberturas interiores diferenciadas, em travejamento de madeira na nave, e em abóbada estrelada na capela-mor, iluminada unilateralmente por janelas em arco de volta perfeita rasgadas na fachada lateral direita. Fachada principal rematada em empena recta, com pequena sineira ao centro, com os vãos rasgados em eixo composto por portal em arco de volta perfeita e janelão com o mesmo perfil. Fachadas rematadas por cornija, apresentando gárgulas e pináculos na zona da capela-mor, as laterais com postas travessas em arco de volta perfeita, existindo uma, na lateral direita de perfil polilobado, de influência manuelina. Interior com coro-alto e púlpito de madeira no lado do Evangelho. Arco triunfal de volta perfeita, apoiado em pilastras, de acesso à capela-mor com retábulo-mor e colaterais de talha dourada, do séc. 18, do estilo barroco nacional. Adossado e com ligação por pátio, o antigo hospital de dois pisos, com fachadas simples, rasgadas por vãos rectilíneos. Igreja de Misericórdia muito distinta das suas congéneres, possuindo uma nave muito estreita e alta e capela-mor mais larga, talvez de execução mais antiga, rematada por friso, cornija, com várias gárgulas zoomórficas, encimadas por pináculos em forma de fuso; o corpo possui embasamento em talude, e um dos cunhais encontra-se chanfrado parcialmente, com entrecorte. As portas são quinhentistas, apresentando-se em arco de volta perfeita, com as molduras formadas pelas aduelas e as arestas das jambas biseladas, destacando-se a axial, ostentando, na pedra de fecho, nicho de arco canopial, flanqueado por pilastras, já de influência maneirista, bem como o interior de uma lateral com verga polilobada. As janelas são em arco de volta perfeita e bastante amplas, revelando uma execução mais tardia, talvez com reforma do séc. 18. O interior da capela-mor é exuberante, apresentando vários vestígios de pinturas murais, no arco triunfal e nas ilhargas da capela, onde surge uma falsa janela, exactamente semelhante à sua fronteira, real, em cruzeta e com bandeira lobulada. No lado da Epístola, possui capela, bastante alterada, mas que mantém vestígios do primitivo retábulo, em cantaria, de estrutura maneirista e também com apontamentos de pinturas. A capela-mor possui cobertura em abóbada estrelada, mas com várias nervuras curvas, aligeirando e transportando o seu peso, com bocetes decorados por motivos fitomórficos e querubins; nas ilhargas possui pequenas abóbadas de berço, em caixotões, também ornados com elementos vegetalistas. O retábulo-mor encontra-se flanqueado pelos colaterais, como é usual nas igrejas de misericórdia, todos da mesma época, de estrutura do barroco nacional, com colunas torsas que se prolongam em arquivolta, mas com apontamentos que denunciam o despontar do joanino no local, com várias figuras de vulto, atlantes e uma grande exuberância decorativa. Esta estrutura esconde parte do retábulo quinhentista, em cantaria, do qual se reaproveitaram as pinturas maneiristas para o retábulo actual. Possui interessante espaldar de arcaz, maneirista, com apainelados pintados, divididos por colunas do tipo balaústre, rematado por tabela, seguindo o esquema da tratadística de Vignola.
Número IPA Antigo: PT010404020004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Edifício de Confraria / Irmandade  Edifício, igreja e hospital  Misericórdia

Descrição

Núcleo edificado, composto pela igreja e antigo hospital adossado, ligados por pátio interno, formando planta rectangular irregular. IGREJA de planta longitudinal composta por nave única, capela-mor mais larga e pouco profunda, tendo adossadas, à fachada lateral direita, capela lateral e sacristia, de volumes articulados e escalonados, com disposição verticalista das massas, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas nos corpos adossados, de três na nave e quatro na capela-mor. Fachadas em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, excepto as laterais do corpo da nave, rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento, bastante saliente na capela-mor, exceptuando a fachada principal, e rematadas por cornija e beirada simples, apresentando, no corpo da capela-mor, remate em duplo friso e cornija saliente, ao nível da qual se situam dez gárgulas zoomórficas; sobre estas, desenvolvem-se plintos paralelepipédicos de faces almofadadas, coroados por pináculos fuselados. O corpo correspondente à capela-mor, é percorrido, sensivelmente a meio, por cornija simples e as fenestrações são protegidas por vidro tipo catedral. Fachada principal voltada a E., em empena recta, sobre a qual se encontra uma sineira em arco de volta perfeita, assente em impostas salientes e rematada por cornija sobrepujada por cruz de ferro; tem sino de bronze suportado por cabeção de madeira. É rasgada por portal em arco de volta perfeita, de arestas biseladas, com a moldura formada, superiormente, pelas aduelas do arco, com a pedra de fecho marcada por nicho rematado em arco canopial, sobre o qual se encontra uma coroa aberta, rematado no vértice por pequena cruz, apoiado em pilastras coroadas por pináculos, com bacia assente em mísula; o vão está protegido por duas folhas de madeira pintadas de verde. Sobre o portal, encontra-se uma janela em arco de volta perfeita, com o intradorso da moldura côncavo. No lado direito, um corpo de menores dimensões, que dá acesso ao hospital, rematado por cornija e rasgado por porta em arco de volta perfeita, com as arestas biseladas e com a moldura formada, superiormente, pelas aduelas do arco. O portal está protegido por duas folhas de madeira pintadas de verde e surge sobrepujado por lampião metálico. Fachada lateral esquerda, virada a S., tem, no corpo da nave, porta travessa em arco de volta perfeita, com moldura formada pelas aduelas do arco, tendo o vão protegido por duas folhas de madeira pintadas de verde; tem, ainda duas janelas em arco de volta perfeita, em capialço. O corpo da capela-mor, saliente, tem o cunhal SO. parcialmente chanfrado, criando um entrecorte; é rasgado por janela de cruzeta com bandeira lobulada, com elemento concheado ao centro. A fachada lateral direita, voltada a N., tem, no corpo da nave, duas portas de arco abatido, com molduras de cantaria com parte dos componentes dos vãos visíveis; sucede-se uma capela lateral adossada, que abre para um pátio interior, com acesso por amplo arco de volta perfeita, com vão protegido por gradeamento de ferro aberto ao centro e decorado por florão de enrolamentos. No corpo da capela-mor, é visível o vestígio de um arco apontado, entaipado, que faria parte de uma estrutura desaparecida, tendo, em plano menos elevado, o corpo adossado da sacristia. Fachada posterior rematada em empena recta, cega. No lado esquerdo, desenvolve-se o corpo da sacristia, rasgado por janela rectilínea, em capialço. INTERIOR com as paredes da nave rebocadas e pintadas de branco, cobertura em barrotes de madeira, com guarda-pó à vista, e pavimento em lajeado de granito, formando taburnos. No lado do Evangelho, surge púlpito quadrangular em madeira, assente em mísulas do mesmo material e guarda vazada, formada por balaústres, também de madeira. No lado da Epistola, uma das portas apresenta arestas biseladas e verga lobulada, a que se segue um amplo arco de volta perfeita, de arestas biseladas, que dá acesso a uma capela lateral, que abre para o pátio *1, parcialmente rebocada e em cantaria de granito, de aparelho isódomo, com cobertura de madeira e pavimento em lajeado de granito; o arco de acesso possui orifícios regulares, revelando ter sido protegido por uma grade. Possui um oratório em cantaria, de planta recta e um eixo formado por duas pilastras toscanas, de fustes almofadados e assentes em mísulas, que sustentam o remate, em cornija com vestígios de pinturas murais *2. Possui nicho em arco de volta perfeita, com pedra de fecho saliente, prolongando-se na cornija, com moldura côncava. No local, mantém-se o supedâneo de um degrau do primitivo altar. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras poligonais e almofadadas, com pedra de fecho marcada, no intradorso, por uma cartela, sobrepujada por coroa fechada, encerrando uma esfera armilar e uma cruz da ordem de Cristo, sobre cinco escudetes com as cinco quinas. A separar a nave da capela-mor, existe uma teia de madeira vazada decorada por balaústres. Capela-mor elevada por um degrau, com paredes em cantaria de granito aparente, com vestígios de pinturas murais decorativas *3, no lado da Epístola, com uma janela fingida, semelhante à que lhe fica oposta, com cobertura em abóbada estrelada, com várias nervuras, algumas de perfil curvo, ostentando bocetes ornados por motivos florais, querubins e, ao centro, as cinco chagas de Cristo; assenta em mísulas e destas arrancam abóbadas de berço, que cobrem o espaço junto às fenestrações, divididas em caixotões ornados por motivos vegetalistas. Todo o conjunto apresenta pinturas murais, com motivos vegetalistas. Sobre supedâneo de um degrau, e a preencher toda a parede testeira, ergue-se o retábulo-mor, de talha dourada e planta recta e um eixo definido por uma coluna torsa, ornada por pâmpanos, assentes em consolas com pequenos querubins, sustentadas por plintos, e uma pilastra com os fustes ornados por acantos e assentes em plintos paralelepipédicos; as colunas interiores prolongam-se numa arquivolta torsa, unida no sentido do raio por anjos e adornada por cabeças de querubins. O eixo central tem tribuna de volta perfeita, ornada por lambrequins e flanqueada por pilastras ornadas por acantos e sobre plintos paralelepipédicos; tem o fundo seccionado por pilastras decoradas por motivos vegetalistas e adornado por pinturas, com a cobertura em falsa abóbada de berço com caixotões, ostentando anjos que seguram elementos representativos da Paixão de Cristo; ao centro, trono expositivo de dois degraus, sob o qual se encontra um nicho, em arco canopial, adornado por acantos, putti e cabeças de querubins, com interior apresentando motivos vegetalistas pintados. Embutido na banqueta, situa-se o sacrário envolvido por motivos vegetalistas, coroado por um par de anjos e ostentando na porta um Cristo Redentor. A estrutura remata em friso de acantos, cornija e pequeno tímpano que acompanha a curvatura da cobertura, vazado por nicho central, em arco de volta perfeita, com a pomba do Espírito Santo no fecho, e assente em pilastras ornadas por acantos, envolvido por profusa decoração vegetalista e flanqueado por pinturas, a representar uma "Mater Omnium" e um "Pentecostes"; encontra-se sobrepujado por anjos. Altar em forma de urna, com cartela central assimétrica, rodeada por acantos e com querubins nos ângulos. Adossados ao retábulo-mor e separados por uma coluna torsa, ornada por pâmpanos, assente em consola com atlantes e plintos paralelepipédicos, surgem os retábulos colaterais, de planta recta e um eixo, formado por três andares, com nichos em arco abatido, com o interior pintado, sob os quais se encontram altares laterais paralelepipédicos, com frontal tripartido, decorados por acantos, encimados por pinturas a representar "A Virgem a alimentar Cristo" e "Visitação", e as do lado da Epistola com as representações da "Concepção Imaculada de Maria" e "Nossa Senhora do Leite"; as estruturas rematam em friso e cornija e possuem altares paralelepipédicos, com o frontal ornado por almofadados quadrangulares. No lado da Epistola, uma porta em arco de volta perfeita, com molduras múltiplas, insculpidas nas aduelas que formam o arco, abre para a sacristia, onde se encontra uma estrutura retabular, o antigo espaldar do arcaz da sacristia *4. ANTIGO HOSPITAL de planta recta, evoluindo em dois pisos, com fachadas rebocadas e pintadas de branco, rasgadas por vãos rectilíneos emoldurados, protegidos por duas folhas de alumínio com caixilhos em quadricula pintada de branco. A fachada lateral direita encontra-se voltada para o pátio interior. INTERIOR não observado.

Acessos

Praça Jorge Álvares

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 38 491, DG, 1.ª série, n.º 230 de 06 novembro 1951 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 19 de 23 janeiro 1953 (Igreja)

Enquadramento

Urbano, integrado na área urbana, em zona de forte declive, confinando com a via pública, muito estreita, confinando com edifícios de habitação, alguns seus contemporâneos. Na mesma praça situa-se a Igreja Matriz de Freixo de Espada-à-Cinta (v. PT010404020001) e nas proximidades situa-se o Castelo de Freixo de Espada-à-Cinta (v. PT010404020002).

Descrição Complementar

No lado da Epistola, junto à porta de acesso existe um confessionário de madeira, do séc. 19. O retábulo da sacristia é de talha pintada de cinza e com marmoreados fingidos, de planta recta, constituído por três eixos definidos por quatro colunas do tipo balaústre, assente em consolas, rematado por friso e cornija; ao centro, apresenta um painel representando São João Baptista, flanqueado por São Cristóvão (Evangelho) e São Gonçalo (Epístola). Na predela, surgem painéis pintados, mas em muito mau estado, não permitindo definir a temática. A estrutura remata uma tabela horizontal, flanqueada por colunas e aletas, rematando em frontão interrompido por cruz latina; na tabela, surge a representação pictórica de Nossa Senhora da Assunção.

Utilização Inicial

Religiosa: edifício de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade / Assistencial: lar

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

CARPINTEIRO: Antunes (1716). EMPREITEIRO: Manuel Domingues Chaves (1955-58). ENTALHADOR: Frutuoso Lourenço Ferraz (1731-1734); MESTRE DE OBRAS: João Martins (1559); PEDREIRO: Manuel Serra (1716); PINTOR - DOURADOR: Manuel Luís Cordeiro; Luís Inácio Fortuna (1719-1722).

Cronologia

Séc. 16, início - instituição da Santa Casa da Misericórdia de Freixo de Espada-à-Cinta; 1505 - 1506 - provável instituição do hospital; 1514 / 1515 - provável início da construção da capela, pois ainda não surge nos desenhos do castelo, efectuados por Duarte de Armas; 1527, 19 Abril - o arcebispo D. Diogo de Sousa autorizou a abertura da capela ao culto, indiciando que se encontrava em vias de conclusão; alguns autores atribuem, sem qualquer fundamentação documenta, a obra a João de Castilho *5; 1554 - acta mais antiga da Mesa, onde se resolve vender bens da Misericórdia para que se concluam as obras da igreja, sendo provedor João de Sá; 1555, 22 Agosto - em reunião de mesa, decide-se a venda de todas as propriedades e foros da Irmandade, para fazer face às despesas; 1555 / 1556 - os autos das eleições decorreram na Matriz, por estar o corpo da Misericórdia em obras; 1558, 28 Agosto - estabelecimento do preço de 1$600 réis por cada sepultura, indiciando que a nave estaria concluída; 2 Outubro - Filipa Fernandes, viúva de António Gonçalves, deixou todos os seus bens à Misericórdia; 1559, 26 Fevereiro - decisão de venda de terras e foros para pagar ao mestre João Martins, que trazia "talhadores" para acabar a obra da igreja; 30 Agosto - referência a que em anos anteriores, se comprara uma casa, onde funcionava um curral particular, para a construção da sacristia; nomeação de Bastião Moniz e a mulher, Isabel Fernandes, para hospitaleiros, com o ordenado anual de 2$400 réis e 8 alqueires de trigo; 24 Setembro - venda de três propriedades, duas no Rodriguinho e uma no Prado da Vinha, para pagar 23$000 réis que se deviam da capela; 1573 - a Casa da Misericórdia encontrava-se derrubada, para se começar a obra iniciada; 1591 - data pintada no altar principal, correspondendo a uma memória de privilégio do mesmo, à semelhança do altar da Caridade, em Roma, o qual permitia, rezando uma missa, retirar a alma dessa pessoa do Purgatório; 1616 - o altar da capela lateral foi adquirido pela Misericórdia, em Lagoaça; séc. 18 - referência à roda dos expostos; 1719 - a Igreja de Poiares ofereceu uma lâmpada de esmola, que foi vendida por 5$000; 1719 - 1722 - douramento do retábulo-mor e molduras de pedra da Capela do Santo Cristo, pavilhão e pintor da capela, pelo dourador Manuel Luís Cordeiro e filho, ambos de Vila Nova de Foz Côa; 1721 - o escrivão da Câmara, Valentim Varejão Pimentel, descreve a Misericórdia como sendo uma igreja "muito capaz e a capela-mor de cantaria e de abobedade de grande arquitectura e tem contigua à casa do Cabido o hospital onde se curam os pobres enfermos"; no retábulo, se entalhou os lados deles, com "16 lâminas antigas de preciosa pintura que estavam no altar velho"; 1722 - 1723 - lajeamento da capela por 4$600; 1723 / 1724 - feitura do caixão da relíquia por $240, que consistia num lenço com que se limpara a figura de Cristo, no dia em que transpirara; 1731 - 1734 - no tempo do provedor Manuel Robalo Pignatelli Belerma, foi retirado o retábulo velho e feito o novo *6, por Frutuoso Lourenço Ferraz, executado por 230$000; 1735, 24 Junho - transferência da imagem do Santo Cristo da capela lateral para o altar-mor, sendo colocada na capela lateral o Senhor dos Passos; 1741 / 1742 - procede-se ao douramento do retábulo, levado a cabo por Luís Inácio Fortuna, de Castelo Branco, Mogadouro, por 300$000 réis, mais uma compensação de 24$000, pelas despesas que tinha efectuado, sendo 150$000 réis pagos pelo capitão-mor Francisco Saraiva do Amaral; a obra implicava pintar o respaldo do camarim com um Monte Calvário, fingindo uma cidade nos lisos, pintura de brutesco no arco, estofar Santo Agostinho e dourar a Capela de São João Baptista; 1742, 12 Outubro - arrematação da pintura e douramento da abóbada e a pedraria em pedra fingida, encarnar crucifixos e pintar as grades do coro e andores, por Luís Inácio Fortuna, pela quantia de 80$000; 1758 - nas Memórias Paroquiais, o vigário Lourenço Feijó Cordeiro diz que o hospital é muito pobre, não sobrando nada para os mais necessitados; 1836 - a feitura do cemitério no recinto do Castelo termina com os sepultamentos no interior da igreja; 1870 - extinta a roda dos expostos, que passou a ser integrada na de Mogadouro; 1929, Abril - arrolamento dos bens da Misericórdia *7; séc. 20, década de 50 - apeamento do coro-alto; 1950 - a igreja ainda possuía na nave um altar lateral *8; 15 Dezembro - o provedor da Misericórdia, Augusto Guerra Junqueiro, solicita apoio do Estado para restaurar o templo; 1956, 30 Setembro - Inauguração do Asilo de Mendicidade no edifício anexo à igreja; 1959 - o altar da capela lateral, adquirido em Lagoaça, ainda se encontrava no local para o qual havia sido comprado; década de 70 - transferência das imagens de Nossa Senhora da Soledade e São João de uma capela lateral; 2007 - inauguração da "Estalagem" no edifício do antigo hospital.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes; estrutura autónoma (capela-mor).

Materiais

Estrutura em cantaria de granito; frisos, cornijas, modinaturas, pavimento, gárgulas, pináculos em cantaria de granito; coberturas exteriores em telha; cobertura da nave, púlpito, guarda, teia, portas, confessionário, painéis, caixotões, retábulo da sacristia, suporte do sino em madeira; sino de bronze; retábulo e altar em talha; janelas com vidro tipo catedral; lampião, cruz, gradeamentos, fechos e lemes das portas em ferro.

Bibliografia

PIMENTEL, Valentim Varejão, Descrição de Freixo de Espada-à-Cinta, 1721; CORDEIRO, Padre Lourenço Feijó, Descrição de Freixo de Espada-à-Cinta, 1758; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1º Volume, Lisboa, 1960; DGEMN, Igreja da Misericórdia de Freixo de Espada-à-Cinta, Boletim nº 114, Lisboa, 1963; SOUSA, Fernando de e PEREIRA, Gaspar Martins, Alto-Douro - Douro Superior, Novos Guias de Portugal, Lisboa, 1988; AZEVEDO, José Correia de, Inventário Artístico de Portugal - Trás-os-Montes e Alto Douro, Algés, 1991; PINTADO, Francisco António, De Freixo, a Freixo de Espada-à-Cinta, Freixo de Espada-à-Cinta, 1992; PINTADO, Francisco António, A Igreja da Misericórdia de Freixo de Espada-à-Cinta - Notas para o seu estudo, Freixo de Espada-à-Cinta, 2001.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Proprietário: 1716 - arranjo das coberturas, com pagamento de $600 réis pelo retelhamento e de 20$000 para o forro de madeira, ao carpinteiro Antunes de Fornos; pagamento de $248 réis ao dourador e a Manuel Serra, para compor a parede para assentar as soleiras; 1722 - restauro da imagem do Senhor Santo Cristo, por 9$600 e pintura da nova cruz; DGEMN: 1955 - demolição e execução de uma nova escada para o coro-alto; tratamento da teia da capela-mor e consolidação do púlpito; picagem do reboco das paredes; preenchimento das juntas de cantaria, aplicação de novo reboco e caiação; restauro do altar-mor com remoção de elementos de talha deteriorados e colocação e retoque de pinturas e douramento em falta; restauro do arcaz da sacristia; limpeza das pinturas murais; restauro das pinturas do retábulo-mor; colocação de vidro colorido, fixado em aros de chumbo; execução de uma tapeçaria para colocar junto à porta principal; assentamento de um pára-raios; construção e assentamento de portas em madeira de castanho; feitura de uma nova cobertura na nave, em madeira de carvalho e colocação de tirantes de ferro, assente em armação de betão; enceramento das madeiras; arranjo e regularização dos pavimentos; apeamento de paredes de alvenaria em portas e arcos; assentamento de telha do tipo nacional; as obras foram adjudicadas a Manuel Domingues Chaves; 1956 - levantamento dos telhados e respectivas armações da sacristia e capela lateral; execução da cornija da capela do pátio; feitura de novas armações e coberturas, reaproveitando materiais; consolidação do arco da capela do pátio; reboco interior e exterior da capela; desentaipamento e assentamento das portas laterais do lado do pátio; feitura dos passeios do pátio; colocação de soco em cantaria; pintura das portas e das madeiras das coberturas; tratamento de pinturas e rebocos; 1957 - feitura de uma janela para a sacristia e colocação de uma grade para a proteger; caiação das paredes da nave e da sacristia; colocação de taburnos de madeira de castanho na nave e substituição das guias deteriorada, em cantaria, com construção de uma caixa de ar; execução de um sistema de drenagem de águas, em volta da capela-mor; feitura de porta envidraçada para o exterior da capela do pátio; as obras foram adjudicadas ao mesmo empreiteiro; 1958 - restauro do sistema de drenagem de águas do telhado da capela-mor; colocação de telhas na capela-mor; restauro e consolidação do retábulo, com substituição de elementos deteriorados; feitura de uma porta de madeira para a sacristia; reparação da guarda do púlpito e respectivas ferragens; feitura da teia da capela-mor; execução da armação do telhado da capela-mor em betão armado e colocação de telha; substituição da pedra do peitoril da janela da sacristia; substituição de cantaria deterioradas nos degraus da capela-mor e nas paredes da mesma; remoção do pavimento da sacristia e capela-mor e colocação de novo lajeado; a obra foi adjudicada a Manuel Domingues Chaves; 1959 - colocação de grades de zinco a proteger os vitrais das janelas; execução de vidro colorido para os vitrais das janelas da capela-mor; fixação de elementos de talha do retábulo-mor; substituição de portas de madeira deterioradas; recalcamento de alicerces da capela-mor; reconstrução da parede sobre a janela da sacristia; substituição do lajeado em mau estado da capela lateral, com feitura da respectiva caixa de ar; levantamento do madeiramento do vão do altar da capela lateral; 1961 - feitura de uma grade para a capela lateral, em metal; restauro das mesas laterais dos altares da capela-mor; restauro, pintura e douramento do altar-mor; apeamento do púlpito para arranjo dos balaústres e colocação; substituição de cantarias na zona do púlpito e nas da porta travessa da igreja; entaipamento do vão que liga a nave à capela lateral e abertura de uma porta; 1962 - colocação de vidraças nas grades da capela lateral; 1964 - impermeabilização da parede junto à porta de acesso, no lado S.; assentamento de tijolo em parte da parede e reboco da mesma; reparação do rufo do telhado junto à sineira e à capela-mor; restauro das pinturas em Lisboa e colocação no retábulo; construção de um arcaz para a sacristia, em castanho velho; restauro da talha do retábulo para espaldar do mesmo; caiação geral das paredes interiores e exteriores; limpeza das cantarias e refechamento de juntas; pintura da grade da capela lateral e das madeiras do templo; 1978 - limpeza dos telhados e colocação de telhas em falta; reconstrução de rebocos; afinação de portas e fornecimento de ferragens em falta; pintura das portas de madeira; pintura com tinta isolante das paredes exteriores; 2005 / 2006 / 2007 - obras de conservação e restauro no antigo edifício do hospital.

Observações

*1 - este vão se bem que marcado na parede, encontrava-se parcialmente entaipado na primeira metade do séc. 20, sendo o acesso à capela feito por porta de verga recta e, centralizada, fresta em capialço. *2 - o altar, no início do séc. 20, possuía moldura em talha dourada, talvez do início do séc. 18, com pilastras compostas por entrelaçados, com o terço inferior marcado e rematada por friso de acantos e elementos recortado, contendo uma cartela com as cinco chagas de Cristo e aletas volutadas. *3 as pinturas que aqui se encontravam, representavam, no lado do Evangelho "A Última Ceia" e, no da Epistola, um "Lava Pés". *4 - segundo Francisco António Pintado, este retábulo terá pertencido, possivelmente, a uma capela situada fora da vila, em local próximo do rio, que deveria ser dedicada a São João, ou pelo menos ter um altar dedicado ao santo, visto ser ele a figura central da composição. *5 - este pressuposto tem por base o facto de João de Castilho ter vindo trabalhar para Portugal em 1517, e ter casado em Freixo de Espada-à-Cinta com a filha de Garcia de Quintanilha, que era casado com uma nobre da terra, da família Varejão, ligada à fundação da Misericórdia de Freixo de Espada-à-Cinta. *6 - é possível que a reforma da estrutura se prenda com o milagre sucedido em 12 de Maio de 1723, que estando muito calor, a imagem de Cristo começou a transpirar, a que se seguiu um enorme trovoada. *7 - no arrolamento refere-se que a capela tem cerca de 20x12 m., confrontando, a N., com o hospital; possui um altar de talha com a imagem de Cristo Crucificado; no lado direito localiza-se a sacristia, com outra imagem de Cristo Crucificado, um armário velho de madeira de castanho, mal conservado, tendo paramentaria, maioritariamente em mau estado; no corpo da igreja, um lustre em vidro e três lâmpadas de metal amarelo; numa das paredes laterais, um quadro de São Bartolomeu com moldura e, num armário do lado esquerdo do altar-mor, um pálio de seda roxa e quatro lanternas em folha da Flandres; no corpo da igreja, acesso para um compartimento com as imagens de Nosso Senhor dos Passos, Virgem da Soledade e dois crucifixos de madeira; existe, ainda, uma bandeira de seda roxa com as iniciais "SPQR" em seda amarela. *8 - No lado do Evangelho, tinha uma altar paralelepipédico, com as iniciais "IHS" no frontal, encimado por banqueta de madeira, que sustentava uma maquineta composta por quatro colunas de fuste torso, rematado por capitéis em bolbo vazado, plintos cúbicos e pináculos piramidais, com as quatro faces a rematar em empena, surgindo, no topo, pequeno elemento com bola e cruz latina. Continha a imagem do Sagrado Coração de Jesus.

Autor e Data

Ernesto Jana 1994 / Rute Antunes 2007

Actualização

Paula Noé 1997
 
 
 
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