Castelo de Nisa / Castelo e cerca urbana de Nisa

IPA.00004575
Portugal, Portalegre, Nisa, União das freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão
 
Fortificação terrestre composta por castelo e cerca urbana, medieval, construída na década de 90 do séc. 13, pela Ordem do Templo, com as obras dirigidas pelo mestre da milícia frei Lourenço Martins, para defesa da margem esquerda do Tejo, articulando-se com outros castelos da Beira e do Alto Alentejo, sendo reformada no reinado de D. Afonso IV e no séc. 16, e reforçada no séc. 17, durante a Guerra da Restauração. O castelo, destruído na Guerra da Sucessão de 1704, e de que subsiste apenas um troço de muralha a sul, tinha características góticas, de planta quadrangular regular, com torres quadrangulares nos ângulos, integrando no seu circuito a de menagem, mais alta e com balcão e amplo vão no último piso, e duas portas, a principal virada à vila (nascente) e a da traição na frente oposta, de paramentos aprumados rematados por parapeitos ameados. Interiormente tinha dependências adossadas formando pátio central, as quais foram profundamente remodeladas e ampliadas no início do séc. 16, pelo comendador e alcaide João de Sousa. O poço do castelo, desenhado por Duarte de Armas e descoberto aquando da construção de uma vivenda no local, é escavado na rocha e tem cerca de 14 m. O castelo era envolvido por barbacã, de construção posterior, talvez no séc. 14 / 15, rasgada por troneiras cruzetadas e dois portais, desalinhados com os do castelo. A cerca da vila, desenvolvida para nascente, a partir das torres do castelo, conserva-se quase na sua totalidade, ainda que integrada e absorvida pela malha urbana, a partir do séc. 19, e sem o remate, que era de parapeito ameado, com vários balcões. Tem planta retangular e paramentos aprumados, inicialmente com três portas (a da Vila, a de Montalvão e de João de Évora) e três postigos (o de São Pedro, o do Canto do Adrião e o da Cadeia). Conserva apenas duas portas, em arco apontado sobre os pés direitos, tendo a da Vila as armas de Portugal antigo (anterior à reforma de 1485) no fecho e superiormente, este ladeado por um com a cruz de Cristo; é flanqueada por dois cubelos, bastante remodelados ao longo dos séculos e atualmente com parapeito ameado e vão posterior de acesso à zona superior e terraço. A porta de São João de Évora era igualmente flanqueada por cubelos, conservando-se apenas em deles. No ângulo nordeste da muralha subsiste a torre que defendia a porta de Montalvão, construída sobre afloramento rochoso, com dois pisos e acesso pelo adarve, por porta em arco apontado, biselado. A fortificação medieval tinha, ao todo, onze torres, de que subsistem apenas quatro. Também a cerca da vila era reforçada por uma barbacã, com alambor na frente norte. Durante a guerra da Restauração, Nisa integrava-se na segunda linha de fortificações, constituindo um dos castelos que barrava o acesso a Lisboa e protegia Évora, a cidade mais importante do Alentejo. Procedeu-se à construção de obras à moderna, com uma segunda cintura fortificada, para defesa da vila extramuros, onde colaborou, em 1662, o engenheiro militar Luís Serrão Pimentel, tendo essas estruturas sido demolidas no séc. 19, conservando-se apenas pequenos troços inseridos nos muros de vários quintais. Houve ainda um projeto do engenheiro Nicolau Langres, para envolver todo o sistema fortificado medieval e o Arrabalde, mas não foi concretizado. Entre o castelo de Nisa e o de Montalvão, também da Ordem do Templo, e Póvoa de São Martinho, havia quatro atalaias, com quem mantinha contacto visual: uma no outeiro da Atalaia, a 0,7 km a nordeste da margem direita da Ribeira de Nisa, a atalaia do Fidalgo, no cabeço do mesmo nome, entre o rio Sever e a Ribeira de São João, a de São Miguel, na serra de São Miguel, e a Torre da Atalaia, no cabeço da Atalaia, a 2 km da margem esquerda da Ribeira de São João.
Número IPA Antigo: PT041212060002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

Cerca urbana de planta retangular irregular, de que se conserva grande parte da muralha, ainda que integrada na malha urbana e em grande parte oculta pelos edifícios que a ela se adossam, duas portas, a principal, denominada porta da Vila, quase a sudoeste, e a Porta de Montalvão, junto ao ângulo nordeste, e um cubelo quase no ângulo noroeste, que ladeava a porta de São João de Évora. As estruturas apresentam paramentos aprumados, em cantaria de granito, já sem o remate ou com remate em parapeito ameado ou liso, e os cubelos e a torre têm cobertura em terraço. A porta da Vila rasga-se num pano de muralha, rematado em parapeito ameado, e tem arco apontado, de aduelas largas assentes nos pés direitos, de bases salientes, tendo na aduela de fecho as armas de Portugal; sobre o portal existe moldura retilínea contendo as armas de Portugal e a cruz da Ordem de Cristo. No intradorso, a porta conserva as caixas das coiceiras e os buracos laterais da antiga tranca. A porta é flanqueada por dois cubelos quadrangulares, bastante avançados, igualmente rematadas por parapeito ameado. Na sua face interna, o pano de muralha apresenta adarve estreito, desenvolvido na espessura do muro, protegido por guarda, em alvenaria de pedra, com escada de acesso, de dois lanços. A partir do adarve acede-se também à zona superior dos cubelos, que têm na face virada a norte porta de verga reta sobre impostas biseladas. A nordeste subsistem dois panos de muralha, parcialmente integrados nas habitações, tendo no ângulo torre quadrangular, sobre afloramento rochoso. Na muralha virada a nascente, interrompida pela abertura de uma estrada, existe pano rematado em parapeito ameado, tendo a ameia central seteira, e rasgado pela denominada porta de Montalvão, em arco apontado, de aduelas regulares sobre os pés direitos; a porta é encimada por vão retilíneo, moldurado. A torre, rematada em parapeito liso, possui dois pisos, o inferior sobrelevado, acedido a poente por porta de arco apontado, biselado, sobre os pés direitos, a partir do adarve da muralha norte; interiormente é iluminada no piso inferior por seteira a nascente e a sul e no superior por uma seteira em cada uma das faces. Uma estrutura metálica, assente em pilares, contorna a torre e permite aceder ao topo do pano de muralha existente a norte, com parapeito liso, e à torre. Quase no ângulo nordeste da cerca da vila, na Rua Canto João de Évora, subsiste, a poente, cubelo quadrangular, sem remate, e pequeno arranque do pano de muralha onde se abria a porta de São João de Évora, disposta no enfiamento da via que se desenvolvia a partir da Igreja Paroquial.# 11=Na porta da Vila, a aduela de fecho tem insculpido escudo clássico com as armas de Portugal, denominadas "de Portugal antigo", com os cinco escudetes em cruz, carregados de besantes, tendo os laterais apontados ao centro. Superiormente, no pano de muralha e inserido em moldura retangular (170 x 199), surgem dois escudos relevados, o da esquerda com as armas "de Portugal antigo", com os cinco escudetes em cruz, carregados de besantes, tendo os laterais apontados ao centro, e o da direita com cruz de Cristo, enquadrada por quatro escudos com as armas "de Portugal antigo". Nesta porta existia inscrição relativa à consagração de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, com 1m x 0,78m: "AETERNIT. SACR: / IMMACVLATISSIMAE / CONCEPTIONI MARIAE / JOAN. IV. PORVGALL REX / UMA CVM GENERAL COMOTIIS / SE ET REGNA SVA / SVB ANNO CENSV TRIBVTARIA / PVBLICE VOVIT / ATQVE DEIPARAM IMPERII TVTELAREM ELECTAM / A LABE ORIGINALI PRAE SERVATUM PERPETVO DEFENSVM IVRAMENTO FIRMAVIT / VIVERET VT PIETAS LVSITAN. / HOC VIVO. LAPIDE MEMORIALE PERENNE / EXARARI IVSST / ANN. CRISTI MDCXLVI / IMPERII SVI VI". A tradução desta inscrição, segundo José D. Murta é: "À Eterna e Sagrada Imaculadíssima Conceição de Maria. João IV, Rei de Portugal, ele próprio em união com toda a comitiva e sua Rainha, no ano tributário do censo votou (agradeceu) publicamente, e eleita tutelar do Império e Mãe de Deus, preservada do pecado original, firmou a defesa (da Conceição e da maternidade divina de Maria) com o juramento perpétuo para que vivesse a piedade Lusitânia. Com esta viva lápide mandou exarar um perene memorial no ano de Cristo de 1846, sexto do seu Império" (1995, p. 142). Sobre a lápide e inserido num nicho, esteve imagem de Nossa Senhora da Conceição, atualmente na Igreja Paroquial.

Acessos

Nossa Senhora da Graça, EN. 18 (Alpalhão - Vila Velha de Ródão); Largo da Porta da Vila, Largo Dr. António Granja (Largo Serpa Pinto) (Porta da Vila); Largo das Portas de Montalvão, Largo da Cadeia Nova, Rua de São Tiago (Porta de Montalvão e torre lateral). WGS84 (graus decimais) lat.: 39,517143; long.: -7,649041

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 8 228, DG, 1.ª série, n.º 133 de 04 julho 1922 *1

Enquadramento

Urbano, adossado. Implanta-se no Alto Alentejo, confrontando com a Beira Baixa integrado na malha urbana, com edifícios adossados à face exterior da muralha, interior ou em ambas as faces ocultando-a parcialmente. Em frente da porta da Vila, com edifícios adossados a ambos os cubelos, desenvolve-se uma das principais praças da vila, onde existe monumento dedicado ao Dr. António Granjo (1897-1964); ao cubelo poente adossa-se ainda a torre do relógio, mais alta, já representada no desenho de Duarte de Armas, atualmente com ventanas rasgadas em cada uma das faces, rematada por ameias decorativas e coroada por plinto com relógio, de quatro mostradores, e catavento. Intramuros ergue-se, nas imediações da Porta da Vila, a Igreja Paroquial de Nisa (v. IPA.00009556). À porta de Montalvão e torre lateral adossa-se, também intramuros, o edifício da antiga cadeia e desenvolve-se pequeno largo.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCAlentejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 13 / 14

Arquitecto / Construtor / Autor

CONSTRUTOR CIVIL: Francisco Torres (1943). EMPREITEIROS: António Domingues Esteves (1942); José Faustino dos Santos (1974). ENGENHEIRO MILITAR: Luís Serrão Pimentel (1662). MESTRE: frei Lourenço Martins (1290, década). RELOJOEIRO: Pereira Cardina (séc. 20)..

Cronologia

1169, setembro - estando em Lafões, D. Afonso Henriques (1128-1285) doa à Ordem do Templo a terça parte de todas as terras que os freires viessem a conquistar na região além do rio Tejo, com a condição dos seus rendimentos serem utilizados em serviço de Deus e do rei e dos seus sucessores enquanto persistisse a guerra; 1199, 05 julho - D. Sanco I (1188-1211) doa a Herdade da Açafa (Ródão) à Ordem do Templo, sendo então mestre D. Lopo Fernandes, em troca das igrejas de Mogadouro e Penas Róias; nesse território muito extenso incluía-se a região a sul do Tejo correspondente ao atual concelho de Nisa *2; pouco depois os Templários edificam uma fortificação; 1229 - 1232 - data do primeiro foral de Nisa, outorgado por Frei Estêvão de Belmonte, mestre da Ordem do Templo, a quem pertenciam a terra que incluía a povoação, desenvolvida a nordeste da atual, sobre a elevação onde se ergue a Capela de Nossa Senhora da Graça; 1232 - D. Sancho II (1223-1248), no foral da vila do Crato, refere-se aos foros e costumes de Nisa, provando a existência do concelho desta localidade em data anterior; 1273 - D. Afonso III (1248-1279) doa as vilas de Arronches, Marvão, Portalegre e Vide ao Infante D. Afonso Sanches, irmão do futuro rei D. Dinis; 1279 - após a subida ao trono de D. Dinis, D. Afonso contesta os títulos do monarca e manda cercar a vila aberta de Vide, contrariando a posição real; D. Afonso continua as obras mas, receando represálias, recolhe-se em Portalegre, enviando emissários às povoações vizinhas para o socorrerem com homens e mantimentos, visto recear um cerco prolongado; como Nisa permanece fiel ao rei, o Infante invade a povoação com as suas tropas e incendeia-a; 1281, abril - confronto entre D. Afonso Sanches e o rei D. Dinis, auxiliado pelos cavaleiros da Ordem do Templo, acabando o rei de Aragão por pôr término à contenda; 1290, década - D. Dinis manda re-erguer a povoação no vale do Azambujal, junto ao castelo Templário e da torre de João Vaqueiro, a cerca de 4 km para sudoeste de Nisa-a-Velha; D. Dinis manda cercar a povoação com muralhas, com 40 palmos de altura e 8 de espessura, sendo as obras dirigidas por frei Lourenço Martins, mestre da Ordem do Templo; pouco depois, quando os oficiais da Câmara de Nisa-a-Nova solicitam mais dinheiro para a conclusão da obra, D. Dinis responde estranhar o pedido pois "tende-vos remetido ha pouco seis mil reis para a edificação dos muros me digais na vossa que já se gastou este dinheiro: ai vão, pois, mais dois mil reis. E continuem as obras sem cessar"; 1295, 16 maio - composição entre o bispo da Guarda, D. frei João, e o Mestre da Ordem do Templo, D. João Fernandes, sobre os direitos episcopais das vilas de Nisa, Alpalhão e Montalvão, estabelecendo-se que: a posse das vilas e seus termos é outorgada ao Mestre da Ordem, enquanto o bispo e seus sucessores passam a ter o direito ao quinto de todos os dízimos, mortuárias e falhas recolhidas nas três vilas; cabe aos comendadores a recolha dos impostos e apresentar anualmente capelães idóneos para as igrejas das vilas; 1296 - conclusão das obras do castelo; 1305 - confirmação do acordo anteriormente feito entre o bispo da Guarda e a Ordem do Templo; 05 março - constituição da comenda de Nisa da Ordem do Templo; 1307, 12 agosto - o papa Clemente V, pela bula "Regnans in ecclesis triumphans", dirigida a D. Dinis, convida o rei a acompanhar os prelados de Portugal ao Concílio de Viena, onde se procuraria determinar o que fazer da Ordem do Templo e dos seus bens, por causa dos erros e excessos que os seus cavaleiros e comendadores haviam cometido; pouco depois, pelas letras "Deus ultiorum dominus", dirigidas ao arcebispo de Braga e bispo do Porto, nomeia-os como administradores dos bens templários em Portugal; D. Dinis empreende uma série de medidas, internas e externas, para evitar que os bens dos Templários em Portugal integrassem o património da Ordem do Hospital; assim, ordena que seja tirada inquirição sobre o património da Ordem e, pela via judicial, incorpora-o na Coroa, alegando que as doações haviam sido da responsabilidade régia e que obrigavam à prestação de serviços ao rei e ao reino; 1312, 22 março - extinção da Ordem do Tempo, pela bula "Vox clamantis"; 02 maio - bula "Ad Provirem" concede aos soberanos a posse interina dos bens da Ordem do Templo, até o conselho decidir o que fazer com eles; 1319, 14 março - bula "Ad ea ex quibus" de João XXII institui a Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo, ou a Ordem de Cristo, para quem passam todos os bens e pertenças da Ordem do Templo: "outorgamos e doamos e ajuntamos e encorporamos e anexamos para todo o sempre, à dita Ordem de Jesus Cristo (...), Castelo Branco, Longroiva, Tomar, Almourol e todos os outros castelos, fortalezas e todos os outros bens, móveis e de raiz"; 1321, 11 junho - divisão em 38 comendas da Ordem de Cristo dos antigos bens pertencentes aos Templários e respetiva integração na Ordem de Cristo, nomeadamente da comenda de Nisa; na sua primeira Ordenação, o primeiro mestre da Ordem de Cristo, Fr. Gil Martins, manda reter para moradia do mestre da Ordem, Castelo Branco com todas as coisas que a Ordem tivesse, no termo desta vila bem como nos termos das comendas de Ródão, Nisa e Alpalhão; um dos comendadores devia viver em Nisa, com obrigação de manter cavalos e armas "pera seruiço de deos e de nosso senhor el-Rey"; 1343 - D. Afonso IV ordena que as vilas de Castelo Branco e de Nisa erguessem novas muralhas, com o produto da sisa sobre os cereais, os vinhos, a carne, as sobras dos fundos dos hospitais e gafarias e dos resíduos dos testamentos, tudo da Ordem, até ao montante de 600 libras; o mestre D. Frei Estêvão Gonçalves comunica ao alcaide, juízes e vereadores e concelho de Tomar, que considera serviço de Deus e benefício da Ordem que se cercassem as vilas de Castelo Branco e de Nisa, como tinha sido consentido e achado necessário pelo rei; para que os povos pudessem levar a cabo as obras de fortificação e porque estes se queixaram ao rei de não as poderem efectuar por estarem esgotadas as suas possibilidades económicas, e pedirem por mercê que mandasse que fossem ajudados, no que são atendidos, determina o mestre que os conselhos da Ordem e os freires dessem também ajuda, pelo que mandou lançar uma sisa sobre o cereal, o vinho e a carne; manda arrecadar o que sobejasse dos hospitais, dos albergues e das gafarias que a Ordem mantinha, bem como o que ficasse dos Resíduos dos testamentos, e que tudo se guardasse numa arca de três chaves até perfazer 600 libras; dos dinheiros recolhidos devia-se entregar uma terça parte pela Páscoa próxima, outra pelo São João e a outra pelo Natal; duvidando que a resolução do mestre tivesse o consenso régio, foi-lhes comunicado que perguntassem ao rei; 1383 - 1385 - durante a crise de sucessão, a vila e o seu castelo é uma das primeiras a apoiar o partido do Mestre de Avis, levando mais tarde D. João I a conceder-lhe o título de "Mui Notável"; 1449, 06 agosto - D. Afonso V, a pedido do Infante D. Henrique, administrador da Ordem de Cristo, isenta os moradores de Nisa, Montalvão e Arez de terem cavalos e armas e de comparecerem em alardos, por esta terra estar despovoada; 1459 - nas Cortes de Lisboa, os procuradores de Nisa pedem que lhes seja concedido os mesmos privilégios que já gozavam os de Alpalhão e Montalvão, ou seja, a isenção de contribuir com besteiro para o Conto e de contribuir com armas e cavalos; 1502 - D. Manuel, como administrador e governador da Ordem de Cristo, concede a jurisdição cível e crime da comenda de Nisa a Dr. João de Sousa, como recompensa dos serviços prestados nas guerras do reino e nos sucessos alcançados nas "partes da alem em África"; 1505, 18 dezembro - data do Tombo da Comenda de Nisa, elaborado por frei João Pereira e frei Diogo do Rego, no qual se procede à descrição do castelo e casas da Ordem *3; 1509, cerca - desenho do castelo e da vila de Nisa por Duarte de Armas *4; 1512, 15 novembro - data do Foral novo concedido por D. Manuel; o monarca manda reparar a fortificação da vila, na sequência do qual, o Senado, para homenagear D. Manuel, manda colocar sob um alpendre existente junto à porta da Vila uma lápide, de mármore, com as armas do reino, ladeadas por duas figuras empunhando estandartes com cruzes de Cristo, o brasão de Nisa e uma esfera armilar; 1527 - segundo o Cadastro da População do reino, Nisa tem 295 moradores dentro da vila e 54 casais apartados; 1547, 04 maio - alvará concede a D. Frei Vasco da Gama, pelo falecimento e atenção aos serviços de seu pai o almirante D. Vasco da Gama, e aos do Conde de Castanheiro, com cuja filha ia casar, a alcaidaria-mor da vila de Nisa; séc. 17 - D. Filipe II (1598-1621) confirma o título de "Notável" à vila; 1646 - durante a Guerra da Restauração procede-se à construção de uma segunda cintura defensiva para defesa da vila extramuros, conhecida por Arrabalde; esta muralha construída, com 18 palmos de altura e 4 de espessura, estende-se desde a porta da Vila, atravessa o Rossio, dividindo-o em duas partes (o Rossio de Fora e o Rossio de Dentro), continuando por detrás das igrejas do Calvário e do Espirito Santo, seguindo pela Devesa e Largo do Mártir, e terminando junto do angulo sudeste da antiga muralha; tem quatro portas: a de Santiago, a do Mártir, a de Santiago e uma mais pequena na Rua do Espírito Santo; colocação sobre os primitivos brasões da porta da Vila de uma lápide, em mármore, com inscrição alusiva a D. João IV ter tomado Nossa Senhora da Conceição como padroeira do reino, imagem que se coloca num nicho então aberto sobre a lápide; ligação das torres da porta da Vila por um alpendre com abóbada de berço, prolongando o túnel da entrada; os combates entre os portugueses e castelhanos atingem toda a zona entre Castelo de Vide e Montalvão, sofrendo os castelhanos uma derrota e perdendo o saque que levaram do termo de Portalegre; a situação é tal que as populações da região enviam uma petição às Cortes para que criasse no termo de Nisa uma esquadra de cavalos que patrulhasse as zonas do castelo de Vide, Póvoa e Meadas e Montalvão, para evitar os constantes roubos aí praticados pelos castelhanos; 13 outubro - carta régia de D. João IV eleva Nisa à categoria de Marquesado, título que faz mercê ao 5º Conde da Vidigueira, D. Vasco Luís da Gama; 1662 - novas obras nas muralhas, dirigidas pelo engenheiro militar Luís Serrão Pimentel; 1665 - projeto de fortificação à moderna a envolver o castelo e cerca da vila medieval, bem como o Arrabalde, do engenheiro militar Nicolau de Langres, que nunca foi concretizado; 1704 - durante a Guerra da Sucessão, as tropas franco-espanholas, a caminho de Portalegre, ocupam a cidade de Nisa durante vários dias, causando muitos estragos nas fortificações; as torres do castelo, incluindo a de menagem, na qual se abria a porta da traição, são quase totalmente arrasadas, sendo as suas pedras utilizadas posteriormente nas construções da vila; 30 maio - Nisa e Alpalhão rendem-se aos espanhóis; 1744 - as duas torres que flanqueiam a Porta da Vila já estão unidas por alpendre com abóbada, pois, segundo nota recolhida por Joaquim Cruz Miguéns, o alpendre e torre do relógio são arrematados por 40$000; o conserto da torre do relógio compreende guarnece-la toda por fora e liga-la "com seus quinais fingidos e o sobrado que está por cima do tear do relógio, ladrilhado muito bem e fazer o arco da porta da vila de ladrilho e cal e guarnecer e caiar toda a frontaria do arco até acima da torre"; 1758 - descrição do castelo nas Memórias Paroquiais da freguesia *5; 1798, 15 julho - adjunto dá conhecimento de ter requerido ao rei autorização para se usar na construção da cadeia, açougue e casas de aposentadoria dos ministros da correição "a pedra que se encontra ao redor das muralhas", mas a obra fica sem efeito; séc. 19, 1ª metade - derrube da cintura defensiva seiscentista; transferência da lápide manuelina para o paramento exterior de união entre os dois cubelos da porta da Vila e construção de ameias e outros ornatos; 1815 - demolição da muralha do Arrabalde que dividia o Rossio em duas partes, devido à sua ruína; 1818, 17 maio - ata da sessão da Câmara, em que o general da Província, Visconde de Soure, autoriza a demolição da muralha do Arrabalde e a utilização da respetiva pedra em obras públicas e a venda da que não fosse necessária; 1822, 30 abril - data da resolução pela qual a comenda de Nisa passa para Alexandre Alberto de Serpa Pinto; 1827 - alguns nisenses durante a noite abrem uma enorme brecha junto à Igreja do Espirito Santo, levando o povo a revoltar-se, por não querer que a entrada do Rossio se fizesse pelo adro da igreja, onde então era o cemitério, e a reparar rapidamente o rombo aberto; 10 março - sob a presidência do provedor da comarca, o Dr. Domingos Cordeiro Carrilho Saraiva do Amaral, procede-se à feitura de um inquérito acerca dos bens pertencentes à comenda e alcaidaria da vila; nele refere-se à dificuldade na completa identificação e descrição dos bens por se ter perdido, durante a invasão francesa (1810), o livro onde se lançam as instituições e anexações da Ordem de Cristo *6; 1834 - abolição das comendas da Ordem de Cristo; considerando-se as ruínas do castelo como bens nacionais, as mesmas são vendidas a particulares, derrubando-se posteriormente os restos de muros e paredes para aproveitamento da pedra; por iniciativa da Câmara, volta-se a rasgar o boqueirão, que depois dá o nome ao largo adjacente; desde então, o largo do Boqueirão fica a ser o átrio do Rossio; 1836, 06 novembro - é anexado ao concelho de Nisa os de Montalvão e Arêz; 1838 - construção do cemitério; 1840, 08 abril - a Câmara, autorizada pelo Conselho do Distrito, delibera "aforar o terreno contíguo à muralha no sítio dos Postigos para nele se construírem casas e palheiros"; 1850 - demolição da porta de João de Évora e uma das torres que a ladeava, para aproveitamento da sua pedra; 1853, 03 agosto - é anexado ao concelho de Nisa o de Alpalhão e Tolosa; 1856, 11 abril - em ata da Camara, presidida pelo Dr. António Dinis Vieira, depreende-se "que já se estava arrancando a pedra para a cadeia nova", obra realizada perto da porta de Montalvão, encravada a norte, a nascente e a poente entre as muralhas e um prédio particular; 1875 - desanexação das freguesias de Alpalhão e Nisa; 1880, 02 janeiro - deliberação Camarária para se demolir o arco da porta da Vila, o que acaba por não ocorrer; 1890 - o largo do Boqueirão passa a denominar-se de largo do Espirito Santo e o das portas da Vila a designar-se Largo Serpa Pinto; 1895, 26 setembro - transferência das freguesias de Amieira do Tejo para o concelho de Nisa; 1898, 13 janeiro - nova anexação ao concelho de Nisa das freguesias de Alpalhão e Tolosa; séc. 19, finais - requerimento do ministro e irmãos da Ordem Terceira de São Francisco, de Nisa, para que se lhe confirmasse a graça que por esmola lhe mandou sua Majestade fazer das pedras amontoadas e dispersas das ruínas das torres do castelo da vila; 1906, 06 novembro - faísca destrói a cobertura da torre do relógio, tendo-se feito em sua substituição uma construção acastelada; 1911 - o Rossio passa a denominar-se Praça da Republica; 1915 - devido aos moradores terem arrancado pedra da muralha para alargamento das suas casas, após violento temporal, dá-se a derrocada de parte da muralha na Rua do Fundo, soterrando sete moradias; 1926 - instalação de novo relógio na torre do relógio, com mostrador virado para sudeste; 1936 - construção de nova cobertura da torre do relógio, em tronco-piramidal quadrangular, encimado pelo dispositivo com quatro mostradores; a última modificação no relógio é executada pelo relojoeiro da Nazaré, Pereira Cardina, passando os quartos a fazer-se em dois sinos, o primitivo e o pertencente à antiga capela de São Pedro, colocado acima do mostrador; 1939, 06 julho - em sessão da Câmara, determina-se que a muralha que, desde a Rua da Cadeia segue em linha reta até à estrada da circunvalação, seja demolida nesse ponto; 1941 - a Direção-Geral da Fazenda Pública manda organizar um inquérito tendente a esclarecer qual a parte do antigo prédio militar que, efetivamente, está em posse do Estado, conseguindo-se apurar que grande parte havia sido desamortizada em 1882 e 1867, outra encontra-se usurpada, há bastante tempo para a prescrição e ainda uma outra parte, conhecida como porta da Vila, está na posse da Câmara que informa aceitar a sua cessão a título precário; 28 abril - ofício da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais informa não ver inconveniente na cessão a título precário à Câmara de Nisa dos restos das muralhas e das portas de Montalvão e das de Nisa, com a condição de executar os seguintes trabalhos: na porta de Montalvão proceder ao restauro de ameias entre a porta e a torre no ângulo norte, mudança da lâmpada elétrica existente sobre o fecho do arco da porta e tomar as juntas; e na porta da Vila restaurar as ameias, tomar as juntas, retirar o reclame do cinema e a placa de esmalte na parede da torre; 1942 - Município manda cortar uma "pedreira de granito" junto da torre e da porta de Montalvão, sem conhecimento da DGEMN, tendo o arquiteto responsável pela fiscalização das obras mandado parar de imediato, visto que a torre forma conjunto com o afloramento rochoso sobre a qual se ergue; 1945 - pretendendo restituir à porta da Vila a sua traça original, a DGEMN procede ao apeamento do pano de união entre os cubelos formando "alpendre" e túnel inferior, bem como à remoção da lápide seiscentista e da imagem de Nossa Senhora da Conceição, e da lápide manuelina, conservando-se os dois escudos quinhentistas no pano de muralha anexo à porta; 1962 - a torre junto à porta de Montalvão é propriedade de Francisco Gonçalves Nunes; 1965 - em visita ao local, técnicos da DGEMN verificam que o antigo poço da Rua do Fundo, na parte interior do troço de muralha virado a nascente e junto da mesma, está entulhado e o seu rebordo de cantaria quase completamente destruído, achando que deveria ser a Câmara a desentulhá-lo e a reconstruir o rebordo; 1980 - 1990 - colocação de fios da rede de iluminação elétrica e de telefones no arco da porta da Vila; 1981, 09 abril - inauguração do monumento dedicado ao Dr. António Granjo no largo da porta da Vila que recebe o mesmo nome; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 1994, 05 abril - deliberação n.º 196/94 da Câmara de Nisa para se proceder à eliminação dos cabos elétricos na porta da Vila; 02 novembro - desafetação do imóvel ao IPPAR, por Despacho conjunto dos Secretários de Estado da Cultura e das Finanças, DR 253/94; 1995, março - as duas lápides, removidas da porta da Vila, são encontradas no Curral da Adua, um armazém camarário; posteriormente, as lápides permaneceram algum tempo na Biblioteca e Casa da Cultura, passando posteriormente para o vestíbulo da Câmara; depois desta data procede-se também à remoção do silhar com as armas de Cristo inserido sobre a porta de Montalvão.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito; betão armado; caixilharia e portas de madeira; vidros simples.

Bibliografia

ARMAS, Duarte de - Livro das Fortalezas. Fac-simile do MS. 159 da Casa Forte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Lisboa: Patrocínio da Academia Portuguesa de História; edições Inapa, 1997; BASSO, José Augusto Fraústo - «O concelho de Nisa na doação da Açafa (fins do seculo XII)». In A Cidade. Portalegre: Atelier de Artes Plásticas de Portalegre, n.º 1 (Nova Série), janeiro/junho 1988, pp. 37-53; Castelo de Nisa». In Fortalezas.org (http://fortalezas.org/?ct=fortaleza&id_fortaleza=1904&muda_idioma=PT), [consultado em 17 julho 2016]; COELHO, P. M. Laranjo - «As Ordens de Cavalaria no Alto Alentejo: I - Comendas da Ordem de Cristo». In Archeologo Português. Lisboa: Imprensa Nacional, 1924, vol. XXVI, pp. 186-248; FIGUEIREDO, José Francisco - Monografia de Nisa. S.l.: Imprensa Nacional - Casa da Moeda; Camara Municipal de Nisa, 1989; GONÇALVES, Iria (organização) - Tombos da Ordem de Cristo. Comendas Sul do Tejo. Lisboa: Centro de Estudos Históricos da Universidade Nova de Lisboa, 2002, vol. 1; GONÇALVES, João Gouveia Tello - Construção das muralhas de Castelo Branco e Nisa. Sep. Estudos de Castelo Branco, n.º 17 Castelo Branco: Império, 1965; «”Incredibile Dictu”». In Correio de Nisa. 06 março 1965, pp. 1-2; KEIL, Luís - Inventário Artístico de Portalegre. Lisboa: Academia Nacional de Belas Artes, 1943, Portalegre, vol. 1; LOBO, Francisco Sousa - «A defesa militar do Alentejo». In Monumentos. Lisboa: Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, dezembro 2008, n.º 28, pp. 22-33; MOURA, José Diniz da Graça Motta - Memória Histórica da Notável Vila de Niza. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda; 1982 (fac-simile da edição de 1855); MURTA, José Dinis - «A Porta da Vila». In Ibn Maruan. Revista Cultural do Concelho de Marvão. Marvão: Câmara Municipal de Marvão, 1995, n.º 5, pp. 127-158; «Nisa. História». In Câmara Municipal de Nisa (http://www.cm-nisa.pt/nisa_historia.htm), consultado em 17 julho 2016]; PORTUGAL, Fernando - «Nisa e a campanha de 1704». In Correio de Nisa. 26 junho 1965; SML - «Porta de Montalvão, Porta da Vila e restos da muralha da vila de Nisa» In Património Cultural - Direção-Geral do Património Cultural (http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70113), [consultado em 17 julho 2016]; VITERBO, Sousa - Diccionario Histórico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1904, vol. II.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMSul/DM; BNP: LANGRES, Nicolau - Desenhos e plantas de todas as Praças do Reyno de Portugal pelo tenente general Nicolao de Langres francês que serviu na guerra da Acclamação. Manuscrito, 1665, desenho 11 (cod-7445) (http://purl.pt/15387/1/index.html#/6/html)

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DSID/Galeria, DGEMN:DREMSul/DM

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID (DGEMN:DSID-001/012-1170/1, DGEMN:DSID-001/012-1170/2, DGEMN:DSID-001/012-1170/3), DGEMN:DSARH (DGEMN:DSARH-10/17-0033), DGEMN:DSARH-10/171-0002, DGEMN:DSARH-10/171-0003); ADIE: Prédio militar 1/61, de Nisa; Arquivo Histórico Militar: 3ª Divisão, 9ª Secção, Cx. 53, Processo A1/10; Câmara Municipal de Nisa

Intervenção Realizada

DGEMN: 1942 - obras de restauro nas portas da Vila e de Montalvão, pelo empreiteiro António Domingues Esteves, constituindo na tomada de juntas e consolidação da muralha nas portas; 1943 / 1944 / 1945 - diversos trabalhos no castelo de Nisa pelo construtor civil Francisco Torres, constituídos pela demolição cuidadosa de cantaria aparelhada, de paredes de alvenaria argamassada e feitura de paramentos de cantaria em muralhas, segundo o existente; 1944 - ofício da Câmara à DGEMN informa não ser possível proceder aos trabalhos previstos na porta da Vila sem que previamente dali seja removido o posto de distribuição de energia elétrica, que indevidamente ali fora colocado em 1928; 16 maio - exposição da DGEMN ao Ministro das Obras Públicas e Comunicações sobre a necessidade de ser o município a proceder à remoção do poste de distribuição de energia elétrica existente na parte superior da abóbada da porta da Vila, para se poderem realizar as obras de restauro da mesma; 12 julho - apesar das diligências do Ministro junto da Câmara de Nisa, não se consegue chegar a um acordo quanto à entidade que pagaria a remoção do posto de transformação elétrica; 1968 - elaboração de projeto de obras de conservação e restauro na porta de Montalvão, devendo contemplar a demolição de alvenaria de tijolo, fornecimento e assentamento de cantaria de granito em cunhais, aparelhada a pico fino, construção de alvenaria hidráulica, em cortinas e merlões, refechamento de juntas em panos de muralha, construção de betão armado em lajes e vigas, construção de massame de betão pobre, fornecimento e assentamento de pavimento de tijoleira prensada, fornecimento e assentamento de pavimento de xisto, construção de tetos, empregando tijoleira da região sobre barrotes e vigas redondas, fornecimento e assentamento de escada de madeira, fornecimento e assentamento de uma portada de castanho, incluindo pintura e ferragens, construção e assentamento de uma porta de madeira exótica, engradada e entaleirada, 1974 - conclusão dos trabalhos na porta de Montalvão, adjudicados ao empreiteiro José Faustino dos Santos, os quais incluem: demolição de muretes em alvenaria de tijolo na parte superior da torre; fornecimento e assentamento de cantaria de granito da região em cunhais, aparelhada a pico fino; construção de alvenaria hidráulica em panos de muralha para tapamento de rombos, em cortinas e merlões, refechamento de juntas em panos de muralha; construção de betão armado em lajes e vigas; construção de massame de betão pobre para o primeiro piso da torre; fornecimento e assentamento de pavimento de tijoleira prensada para os dois pisos da torre e em xisto para o terraço; construção de tetos, empregando tijoleira da região, assente em barrotes redondos e vigas e barrotes redondos; construção e assentamento de uma porta em madeira exótica para a entrada da torre; reparação de panos de muralha compreendendo arranque de ervas e fechamento de juntas; fornecimento e assentamento de uma escada de madeira; fornecimento e assentamento de vidros nas frestas da torre; fornecimento de portas em madeira de casquinha, engradadas e almofadadas; 1976 - elaboração de estudo referente à Zona de Proteção do Castelo de Nisa; CMNISA: 1982 - pavimentação da zona da porta de Montalvão; 1994 / 1995 - remoção dos cabos elétricos da porta da Vila e início da instalação subterrânea das respetivas redes, com o apoio da Câmara Municipal de Nisa 1995, depois - obras de conservação nas estruturas da cerca da vila, com construção de estrutura em ferro e em aço contornando a torre junto à porta de Montalvão para permitir o acesso ao seu interior.

Observações

=*1 - DOF..."A porta de Montalvão e a porta da Vila (restos da muralha da vila, século XIV), de Nisa...". *2 - A vasta herdade da Açafa abrangia grande parta da antiga Beira Baixa, com a atual Vila Velha de Ródão e os atualmente chamados campos do Açafal, bem como uma extensa zona do Alto Alentejo, gradualmente povoada, e na qual se incluem os territórios das atuais povoações de Montalvão, Nisa, Póvoa e Meadas e Marvão (BASSO: 1988, p. 39). Contudo, nem todos os autores são concordantes quanto aos limites da Açafa na margem sul do Tejo. *3 - No Tombo da Comenda de Nisa, elaborado por frei João Pereira e frei Diogo do Rego, em 1505, procede-se à seguinte descrição do castelo e respetivas casas da Ordem: "tem hi mais huu castello dentro da dicta villa e a huu canto dela. que tem primeiramente huua barbacãa de pedra e barro bem corregida e huua barreira pequena e huu muro forte de cantaria todo bem guarneçido e ameado. e estaa na dicta barreira huu portal de pedraria com suas portas nouas. e no dicto muro outro portal boom de pedraria com suas portas nouas. fortes e forradas de coiro de boy bem fechadas. e sobre ha dicta porta huua torre forte de dous sobrados telhada de telha uãa e debaixo della huua logea abouedada que ho dicto dom joham de sousa comendador e alcaide moor e senhor da dicta villa mandou fazer. e tem ao leuante huua chaminee e huua janella com suas. portas bõoas. da outra parte contra ho sul tem duas torres cada huua em seu canto do dito muro. e ao norte tem huua torre de menagem forte e de bõoa altura que tem huua janella ao leuante com suas portas e tem dous sobrados. e he oliuellada de oliuel uelho de castanho. todas estas torres som bem ameadas: debaixo da dita torre de menagem estaa huua porta que se chama da treiçam com suas portas nouas forradas de ferro. e na barbãa da parte de fora outro portal com suas portas bõoas. dentro do dicto castelllo estaa ora começada huua parede com dous arcos. em que ho dicto ioham começa de fazer huu apousentamento. aalem da dicta parede estaa huu apousentamento do dito alcaide moor nesta maneira. primeiramente huua sala terrea pegada no dito muro bem madeirada e cuberta de telha uãa que leua de longo onze uaras de medir e seis de largo. e ante ha porta da dita sala huu alpendere grande e bem madeirado cuberto de telha uãa com seus poyaaes d arredor. aalem da dicta sala estaa huua câmera sobradada madeirada de nouo telhada de telha vãa e tem ao norte huua chaminee e huua freesta junto com ella e ao leuante huua janela d asentos com suas portas bõoas. e per baixo huua logea do seu tamanho ha qual ho dito dom ioham mandou correger de nouo. e leua sete uaras de longo e çinquo de largo. e sobem della pera ha dita camera per huuua escaada de madeira com sua porta d alcapooe. junto desta camera contra ho leuante tem outra casa que serue de guarda roupa bem madeirada e cuberta de telha uãa sobrada e com outra logea debaixo do tamanho della. leua de longo çinquo uaras e duas e meya de largo. Esta casa de guarda roupa mandou fazer de nouo ho dicto dom ioham. aalem da dicta vay hua varanda bem madeirada e cuberta de telha uãa que leua noue uaras de longo e três de largo. Aalem desta casa estam huuas varandas que uam sobre huu patio e huu poço que estaa antre ho dicto muro e ho dicto apousentamento has quaes ho dicto dom ioham mandou fazer quasi de nouo. junto das ditas varandas vay huua camera pequena sobradada bem madeirada. forrada d oliuel de cortiça que leua çinquo uaras de longo e duas e meya de largo. todas estas casas som cafeladas de cal de dentro e de fora. junto da dita sala contra ho norte estaa huu retrete pequeno de despejos da casa. no cabo do sobredicto alpendere contra ho norte estaa huua casa pequena térrea bem madeirada telhada de telha uãa que leua quatro varas de longo e três de largo. junto do dicto apousentamento estas huua casa terrea que serue de despensa. que leua seis uaras de longo e quatro de largo. ha qual casa ho dito ioham mandou fazer de nouo.e junto della huu corredor terreo coberto de telha per onde vam a huua casa que serue de cozinha bem madeirada e telhada. que leua quatro uaras de largos quatro de longo.e tem huua chamjnee contra ho ponente. com sua cantareira. ho qual corredor ho dito dom ioham mandou fazer. junto da dicta cozinha estas huua estrebaria com suas manjadoirad bem telhada e bem madeira da em que datam has azemelas.leua quatro haras de longo e quatro de largo.esta casa mandou fazer o dito dom ioham. junto da dicta cozinha estaa huua estrebaria com suas manjadoiras bem telhada e bem madeirada em que estam has azemelas. leua quatro uaras de longo e quatro de largo. esta casa mandou fazer ho dito dom ioham. junto desta estrebaria estaa logo outra em que estam caualos. e tem suas manjadoiras. parte della forrada de cortiça cuberta de telha. leua seis uaras de longo e quatro de largo. esta casa mandou outrosi fazer o dito dom ioham. aalem desta casa estaa outra estrebaria grande com suas manjadoiras que leua de longo dez uaras e çinquo de largo. e junto della huua casa de palheiro que se nom pode medir. Antre este apousentamento e ho que ora ho dito dom ioham começa de fazer estaa huu terreiro de bõoa grandura em que estaa huua moreira grande com seu poyal de pedra e cal d arredor: todolos portaaes destas casas tem booas portas". *4 - Segundo os desenhos de Duarte de Armas, Nisa possuía um castelo, envolvido por barbacã, a partir do qual se desenvolvia, para nascente a cerca da vila. O castelo tinha planta quadrangular, com os ângulos reforçados por torres quadrangulares; a de sudoeste tinha 3 x 3 varas de largura e 14 varas de altura; a de sudeste tinha 3,5 x 5 de largura e 13,5 de altura; a de noroeste, correspondendo à torre de menagem, tinha 6 x 7 varas de largura e 17 de altura, interiormente com dois sobrados; e a de nordeste tinha 6 x 6 varas e 14 de altura e era sobradada. Quer as muralhas quer as torres terminavam em parapeito ameado, sendo as torres rasgadas por seteiras e, na torre nordeste e no pano de muralha poente, amplo vão. Interiormente, desenvolviam-se dependências adossadas às faces poente, onde se abria, perto da torre de menagem, a porta da traição, sul e nascente, onde ficava a porta principal, com salas térreas ou sobradadas; a ala poente possuía parcialmente uma arcada e a nascente uma dependência começada de novo. No ângulo sudoeste existia ainda um poço profundo. A barbacã, com alguns troços arruinados, era rasgada por troneiras, a maioria cruzetadas, e por portas na frente nascente e na poente. A partir das torres viradas a oriente desenvolvia-se a cerca da vila, com várias torres, duas flanqueando a porta da Vila, que, tal como as muralhas rematavam em parapeito ameado, possuindo os panos de muralha vários balcões sobre mísulas. A cerca era igualmente protegida por barbacã que, na frente sul, possuía alambor. À torre poente da porta da vila adossava-se a torre do relógio do município. *5 - Segundo as Memórias Paroquiais, de 1758, a vila é murada com muros de cantaria, obra do rei D. Dinis, que mandara re-edificar no sítio chamado Vale do Zambujal, junto a uma torre antiga existente no local, denominada "Torre de João Vaqueiro, e que ainda hoje existe, sem ruína, contigua com os muros, de cuja fundação não há notícia. Esta torre "he muito alta e tem por dentro algumas casas". A vila tem de circuito onze torres e três portas principais, além de três mais pequenas, chamadas postigos; no cimo das portas principais está um escudo com a cruz da Ordem de Cristo e outro com as quinas de Portugal, com os escudetes dos lados virados e apontados para o meio. Os ditos muros têm, em certas partes, quarenta palmos de alto e, em outras, menos, e, de largura, têm dez palmos. Toda a pedra de cantaria de que são construídas é grossa, exceto a das torres que é fina. Tem um soberbo castelo, a esta data também muito arruinado, depois que o inimigo deitou abaixo com minas, em 1704, as suas quatro torres, que tinha nos quatro cantos, as quais eram muito altas, especialmente a torre da Cinta, que dizem que tinha mais de setenta côvados de altura. Dentro do castelo estão umas paredes muito altas de um palácio onde moravam os Gamas, alcaide-mor da vila, condes da Vidigueira e nesta data marqueses de Nisa. *6 - Pelo inquérito realizado em 1827, os bens pertencentes à alcaidaria de Nisa são compostos pelo direito de portagem, e "uns casarões chamados de Castellos", totalmente arruinados, que havia sido antiga morada dos Templários, e dois pequenos bocados de terreno, um correspondente ao pátio dos ditos casarões e que se achava cercado de muralha igual à que cercava a vila, e outro que era imediato a este da parte exterior da dita muralha ou paredão do lado sul, ambos conhecidos como "Chões dos Castellos". Nestes casarões existiam à data várias escadarias e janelas sobre arcos, e outros vestígios.

Autor e Data

Paula Noé 2016

Actualização

 
 
 
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