Teatro Municipal Baltazar Dias

IPA.00000453
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Sé)
 
Arquitectura cultural e recreativa, neoclássica. Teatro neoclássico de planta rectangular, com alçados de 2 pisos, sendo o 1º de ordem dórica e o 2º jónica, rasgados regularmente, e com sala de espectáculos em ferradura, dividida em plateia com frisas laterais e camarotes de 1ª, 2ª e 3ª ordem.
Número IPA Antigo: PT062203100034
 
Registo visualizado 412 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Cultural e recreativo  Casa de espetáculos  Teatro  

Descrição

Planta rectangular com fachadas adaptadas ao pendor do terreno para S., encimadas por corpo rectangular a S. e um semicircular adossado para N.. Volumes escalonados com coberturas em terraço e a 2 e várias águas nos corpos. Fachada principal virada a N., de 2 pisos separados por friso, embasamento em cantaria e remate em platibanda. É ritmada por pilastras, criando corpos laterais com 2 vãos por piso e um central, onde pilastras jónicas intercalam cada vão. Lateralmente abrem-se, no 1º piso, 2 altas portas de verga curva e bandeira gradeada, e no 2º, 2 janelas de verga recta com bandeira superior; no central, portas de arco pleno com bandeira gradeada no 1º e janelas sobre balaustrada cega e com filete na moldura no 2º. Sob a cornija corre pequeno denticulado. A platibanda do corpo central possui molduras rectangulares e ao centro é coroada por pedra de armas coroada. Fachadas laterais com 4 corpos separados por pilastras, rasgando-se no 1º 2 portas iguais às dos corpos laterais da frontaria, seguidas de janelas de peitoril com bandeira e verga curva; no 2º piso, as janela são também iguais aos laterais da fachada principal. A fachada S. possui o mesmo tipo de vão, mas termina em empena com pedra de armas no topo. O corpo semicircular, que interiormente cobre a plateia, é rasgado a toda a volta por portas envidraçadas de arco pleno, dando acesso ao terraço circundado por gradeamento de ferro. No interior, amplo átrio, com pavimento de ladrilho de vários tons colocados em losango, 3 portas conduzindo à sala de espectáculos e 3 outras nos topos, de arco pleno e bandeira; tecto com pinturas nos cantos. A sala de espectáculos tem planta em ferradura, com plateia em declive, possuindo 92 poltronas, 142 lugares na 1ª plateia e 82 na 2ª, circundadas por 18 frisas. A sala possui ainda 2 acessos laterais, entre as frisas. Sobre estas assentam os camarotes da 1ª ordem, onde os centrais são anulados pela montagem da sala de projecção, seguidos pelos da 2ª ordem, estes ao nível do salão nobre. As frisas e camarotes, conforme a sua colocação transversal, comportam 4, 5 ou 6 lugares. Duas escadas laterais ligam as zonas dos camarotes da 1ª e 2ª ordem ao átrio. Uma terceira, partindo do salão nobre junto à parede O., comunica igualmente ao átrio. Os camarotes são forrados por adamascados vermelhos. Sobre os da 2ª ordem, situa-se o geral, com acesso independente pela grande porta do lado O.; está organizado em cadeiras na zona central e bancadas laterais. As várias ordens são divididas por varandas com gradeamento convexo e são ritmadas por pilaretes com motivo singelo aplicado e capitéis dourados. Boca de cena entre colunas estriadas. Sobre denticulado e cornija com motivos dourados, tecto pintado imitando o céu, possuindo 2 medalhões interligados, figurando no grande anjos alados esvoaçando e o pequeno envolvendo grande lustre. Salão nobre com tecto pintado.

Acessos

Funchal (Sé), Avenida Manuel Arriaga

Protecção

Categoria: VCR - Valor Cultural Regional, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 1062/93, JORAM, 1.ª série, n.º 124 de 27 outubro 1993

Enquadramento

Urbano. Implanta-se com 3 frentes: a principal voltada para N. para a Av. Arriaga e Jardim Municipal fronteiro, a O. para a R. Conselheiro José Silvestre Ribeiro e a S. para a Av. do Mar e das Comunidades Madeirenses. A fachada E. está afastada cerca de 3 metros do edifício vizinho e onde funciona actualmente uma esplanada de apoio ao Café do Teatro, inserido no r/c do edifício. As fachadas laterais e posterior são protegidas por gradeamento, tendo a E. portão de acesso à esplanada e zona de serviços do teatro, e a O. um outro que acede a pequeno parque de estacionamento do teatro.

Descrição Complementar

Os anexos da parte O. do edifício são ocupados pelas casas de banho e camarins dos artistas, os da parte E. com serviços administrativos do próprio teatro. A parte de manutenção e arrecadação situa-se sob o palco e teia.

Utilização Inicial

Cultural e recreativa: teatro

Utilização Actual

Cultural e recreativa: cine-teatro / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: Municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Tomás Augusto Soler; Luigi Manini; carpinteiro João Maria da Costa; EMPREITEIRO: Manuel Andrade; ENGENHEIROS: José de Macedo d'Araujo Júnior; José Bernardo Lopes de Andrade; MESTRE DE OBRAS: Manuel Francisco Pereira; Vicente Júlio Pereira; PINTOR / DECORADOR: Eugénio do Nascimento Cotrim.

Cronologia

1850, 26 Janeiro - Conselheiro e Governador do Funchal José Silvestre Ribeiro escreve à Câmara informando a sua intenção de construir um teatro no Funchal; 7 Fevereiro - o Governador pede aos camaristas para solicitarem à Rainha a concessão do terreno do mercado de São João para a construção do teatro; Março - Câmara solicita ao tenente coronel Vicêncio de Brito Correia as plantas de um teatro que ele em 1843 havia desejado construir; 8 Novembro - através do secretário-geral Dr. Sérvulo Drummond de Meneses, o governador civil informa a Câmara que, por portaria de 11 Outubro do Ministério da Fazenda, a representação da cidade fora indeferida; nesta sequência, o conselheiro José Silvestre Ribeiro pede à Rainha para que converta em lei o projecto-lei com três artigos: 1) é concedido um subsídio de 5 contos, pelo Cofre Central do Distrito do Funchal, em moeda insulana, para se restabelecer na cidade o teatro, feito a expensas de particulares, que fora destruído pelo Governo da usurpação; 2) o subsídio será pago a prestações, reguladas pelo andamento da obra, depois de se obter um fundo igual ao orçamento dela; 3) o Governo expedirá as ordens necessárias para a execução desta lei; 25 Novembro - José Silvestre Ribeiro solicita ao Município o terreno fronteiro ao do mercado e que pertencia à cerca do Convento de São Francisco, o que lhe foi concedido; pouco depois é nomeado uma comissão preparatória para a construção; apesar dos esforços, nada se conseguiu; 1862 - Câmara cede terreno do Convento de São Francisco e materiais ali existentes para construção do teatro, mas diz não ter verbas para financiar a obra; 15 anos depois, o Dr. João da Câmara Leme Homem de Vasconcelos, futuro Conde de Cadaval, inicia a segunda grande tentativa para se construir um teatro no Funchal; 1880, 17 Fevereiro - oficia os membros da comissão para promover a edificação de um teatro; 25 Fevereiro - constituição de sociedade anónima com 110 pessoas sob designação "Companhia Edificadora do Teatro Funchalense"; esta, não conseguindo obter o espaço do convento e rejeitando o do mercado de São João, rogou à Câmara Municipal faixa de terreno na Pç. Académica, no extremo E., para construção do teatro; o pedido é deferido; 20 Maio - a Câmara delibera que o director das obras públicas municipais procedesse ao levantamento da planta do terreno do mercado e suas dependências para ali se levantar um teatro; 1882, 9 Fevereiro - decide-se em sessão camarária a construção definitiva do teatro; devido a isso, dissolveu-se a Companhia Edificadora do Teatro Funchalense; 17 Agosto - Câmara delibera aumento no tabaco para ajudar nas despesas do município;1883, 12 Abril - Câmara solicita ao Visconde de Canavial o projecto que ele possuía do novo teatro da cidade de Hamburgo, para ver se se podia adaptar para o Funchal; 24 Outubro - lançamento da primeira pedra, sendo o projecto do Arq. Tomás Augusto Soler; os alicerces foram abertos pelo empreiteiro local Manuel Andrade; Manuel Francisco Pereira ali trabalhou como mestre de obras até Agosto de 1885, tendo durante esse tempo ganho 2:277$419; após a morte do arquitecto, neste mesmo ano, o Eng. José de Macedo d'Araujo Júnior, do Porto, assumiu a direcção das obras; 1884, 16 Maio - Governo autorizado a conceder à Câmara o domínio directo do terreno onde funcionara o mercado e insenção de direitos, por um ano, de entrada de material para a construção do teatro; 10 Junho - contrato celebrado com a Companhia Aliança, de Massarelos, para fornecimento da cobertura de ferro para o teatro; 1885, 13 Março - acta da Câmara refere o Eng. José de Macedo d'Araujo Júnior, como autor do projecto do teatro; Agosto - Mestre Manuel Francisco Pereira despede-se da condução das obras, mas a estrutura estaria já concluída; 27 Setembro - o Eng. José Bernardo Lopes de Andrade, Director das Obras Públicas do Funchal, aceita a direcção superior das obras da construção do teatro; aliás, ele foi o autor do projecto e orçamento para a conclusão do teatro; na obra trabalharam ainda: Joaquim Francisco Praça, na direcção da montagem das coberturas metálicas do palco e plateia; Joaquim Silva Costa e Manuel Oliveira, na execução dos "fingimentos em cantaria de granito; todas as ferragens foram encomendadas pelo comendador Francisco P. Moreira à Companhia Aliança - Fundição de Massarelos; a telha foi fornecida pela Empresa Cerâmica de Lisboa e os vidros pela Fábrica de Vidros da Marinha Grande; o lustre foi adquirido a Benjamim Barral, em Paris; 1 Outubro - decide-se em sessão camarária que o teatro se chamasse Teatro D. Maria Pia, pedindo para isso autorização à rainha; 1886, 31 Janeiro - o mordomo da rainha, o duque de Loulé, oficia à Câmara a autorização real; 4 Outubro - o Eng. José Bernardo Lopes de Andrade foi exonerado do cargo; 7 Outubro - é aprovado o projecto e orçamento para a conclusão das obras do teatro, atingindo a importância de 27:213$000 rs; 7 Outubro - é aprovado e celebrado contrato para a conclusão das mesmas; 25 Outubro - contrato para execução destes trabalhos com Eugénio do Nascimento Cotrim e Luigi Manini, pelo valor de 27:213$000; 1887, 26 Maio - decisão camarária para realização de um contrato adicional com os mesmos para conclusão das obras; o preço total da construção do teatro foi de 76 a 85 contos; 29 Julho - apresentação pública do teatro com um espectáculo pela Associação Musical 25 de Janeiro; 1888, 22 Dezembro - anúncio publicado no Diário de Notícias informando que o "Calendário da Madeira" para 1888 continha a planta do teatro; 1889, 17 Janeiro - pagamento de 20$000 rs a José A. Pereira Ramalho pela Câmara do Funchal pela impressão de 1000 exemplares da planta do teatro; 1892, 27 Outubro - o vereador Dr. Joaquim de Freitas propõe a substituição do escudo existente no camarote de gala pelo escudo das armas municipais; tal obra foi entregue a Vicente Júlio Pereira, tendo custado 30$000 rs, e a sua pintura e douramento de 20$000 rs; 1897 - início da electrificação do teatro; 26 - Maio - construção de um coreto móvel no salão nobre, pelo carpinteiro João Maria da Costa, por 100$000 rs; 14 Outubro - Luís Zamorano ofereceu à edilidade três exemplares da planta inferior do teatro; 1899, 16 Março - primeira apresentação pública no teatro com luz eléctrica; 1900, 29 Dezembro - decide-se oferecer o lustre da sala de espectáculos à Igreja Paroquial de São Pedro (v. 2203080031); 1903, 19 Fevereiro - o cônsul britânico sugere em sessão camarária a construção de um tablado móvel na plateia, em continuação do palco, formando um salão que poderia ser alugado para bailes e jantares galantes, o que foi aceito, subsistindo ainda esse estrado; 1910, 17 Outubro - com o advento da República, determina-se a mudança de nome do teatro para Teatro Dr. Manuel de Arriaga; 1912, 12 Janeiro - Dr. Manuel de Arriaga, antigo deputado pela Madeira, recusa, através de ofício, a utilização do seu nome para a casa de espectáculos; 1912, 12 Janeiro - a Câmara Municipal atribui o nome de Teatro Funchalense; 1921 - após a morte de Dr. Manuel de Arriaga, a Câmara volta a atribuir ao teatro o seu nome; anos 30 - autarquia atribui o nome do dramaturgo madeirense Baltazar Dias; anos 40 - substituição dos medalhões do Infante D. Henrique e de João Gonçalves Zarco no tecto do átrio, por estarem em mau estado devido à humidade, pelos dísticos relativos às datas de lançamento da 1ª pedra e da inauguração.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria rebocada e cantaria de basalto, azulejos, talha, pinturas e estuques (tecto). Pavimentos de madeira e azulejo e cobertura de telha de aba e canudo.

Bibliografia

SILVA, Padre Fernando Augusto da, e MENEZES, Carlos Azevedo, Elucidário Madeirense, vol. 1, Funchal, 1965; CARITA, Rui, O Teatro Municipal "Baltazar Dias", Funchal, 1990; SANTOS, Rui, A Construção do Teatro D. Maria Pia, Cadernos Madeirenses nº 1, Funchal, 1994.

Documentação Gráfica

DRAC

Documentação Fotográfica

DRAC

Documentação Administrativa

DRAC

Intervenção Realizada

1893 - restauro dos terraços; 1896 - restauro dos terraços; 1908 - restauro dos terraços.

Observações

Autor e Data

Carolina Brederode 1998 / Paula Noé 2003

Actualização

 
 
 
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