Palacete do Conde de Alte / Governo Civil de Faro

IPA.00004529
Portugal, Faro, Faro, União das freguesias de Faro (Sé e São Pedro)
 
Arquitectura político-administrativa, oitocentista. Edifício de planta rectangular de dois pisos, de longa fachada rectilínea e simétrica da qual se destaca o corpo central, marcado pelas pilastras e distinto pela monumentalidade e detalhe ornamental empregue no portal e na janela de sacada que o encima, e pelo remate em triangulo, irrompendo pela platibanda. Os restantes panos apresentam janelas de peitoril e portais no piso inferior e janelas de sacada no superior. O portal central comunica com o átrio que apresenta um lambril de azulejos e um arco de volta perfeita em cantaria no vão da escadaria. O salão nobre ocupa o piso superior do corpo E., apresentando no tecto um trabalho em estuque e um revestimento das paredes em tecido.
Número IPA Antigo: PT050805050075
 
Registo visualizado 865 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Político e administrativo regional e local  Governo civil    

Descrição

Planta rectangular, volume simples, massa disposta na horizontal em dois pisos, com cobertura homogénea em telhado de quatro águas. Fachada principal a N., simétrica, de dois registos, definidos por friso e embasamento de cantaria, e três panos definidos por pilastras e cunhais de cantaria, sendo o pano central mais estreito que os laterais; remate em três cimalhas e platibanda; todos os vãos possuem molduras pétreas; no pano central portal de verga curva com cornija apontada, encimado por janela de sacada com guarda de ferro forjado e balcão em planta ondulante, verga recta encimada por frontão em arco conopial apontado; ornatos de cantaria nas ombreiras dos vãos; neste pano, a platibanda é elevada por remate triangular com o brasão de armas nacional ao centro *1; nos panos laterais portal ladeado por duas janelas de peitoril de verga curva no primeiro registo e três janelas axiais de sacada com guarda em ferro forjado, verga recta rematadas por cornija contracurvada apontada. INTERIOR: paredes rebocadas e pintadas de branco; pavimento em pedra em grande parte do piso térreo e em madeira no piso superior. O portal central comunica com o átrio de planta rectangular, com lambris de azulejos, arco de volta perfeita no vão de acesso à escadaria, e tecto em estuque imitando abóbadas de aresta, dispondo de lustre ao centro; vãos de acesso a outras dependências nos alçados laterais. Os portais laterais comunicam com grandes salas que sofreram uma pequena compartimentação da sua área, em alguns casos recorrendo a divisórias de metal e vidro; também estas apresentam lambris de azulejo; destaca-se a sala E. onde se expõe parte da muralha medieval e o antigo acesso ao núcleo amuralhado islâmico; estes dois corpos extremos comunicam entre si através de salas e corredores situados na parte posterior do piso, espaços esses que são utilizados como arquivos. O acesso ao piso superior faz-se por escadaria que parte do átrio de entrada, acompanhada por lambril de azulejos e sendo composta por um lanço recto seguido de um patamar de onde partem outros dois lanços rectos de escadas em sentido oposto ao primeiro; no referido patamar abre-se um vão com moldura de cantaria e verga curva, sendo encimado por um grande vitral. No piso superior apresentam-se três vãos com portas dotadas de bandeira em vidro, a central de acesso ao gabinete do governador civil, a esquerda a corredor que comunica com várias salas, desembocando num espaço que articula o imóvel com o edifício que se encontra adjacente, permitindo a comunicabilidade entre os edifícios; este mesmo espaço dispõe de umas escadas que dão acesso ao piso térreo. O salão nobre ocupa todo o segundo piso do corpo E. do imóvel, apresentando uma planta rectangular, iluminada por três janelas a N. e outras três a S., pavimento em madeira escura e tecto ornamentado com trabalhos de estuque onde são suspensos dois lustres; as paredes são forradas a tecido. Através deste espaço é possível comunicar, através de pequenos compartimentos, com a Capela de Nossa Senhora do Ó.

Acessos

Praça Dom Francisco Gomes, n.º1 - 1 B

Protecção

Incluído na Zona de Proteção da Fortaleza de Faro (v. PT05080505013) e do Arco da Vila (v. PT0805050002)

Enquadramento

Urbano, adossado, planície. No Centro Histórico, adossado às muralhas medievais (v. PT0805050013), ladeando uma das entradas para E, comummente designada de Arco da Vila (v. PT050805050002), onde assenta a Capela de Nossa Senhora do Ó (v. PT050805050057), com a qual comunica. Fachada voltada para ampla praça voltada para a doca, onde se encontram outros edifícios de interesse como a Igreja e Hospital da Misericórdia (v. PT050805050038).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Política e administrativa: governo civil

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1793 - gravura mostra que no local do antigo Palacete do Conde de Alte existiam também as casas do antigo Corpo da Guarda; 1868 - gravura mostra a existência no local das mesmas casas do antigo Corpo da Guarda; 1869, 10 Julho - aquisição do palacete do Conde de Alte *2 pelo Estado, para que aí se instalasse todas as repartições que o Governo Civil de Faro tinha distribuídas por várias casas arrendadas na cidade *3; a propriedade onde o palacete se implantava pertencia à Fábrica da Sé e aos herdeiros do Sargento-mor Diogo de Mascarenhas Figueiredo; 1869, 07 de Agosto -em carta assinada por António Bispo de Viseu, é dado a conhecer a consumação da compra do palacete e que já se poderia efectuar a mudança do Governo Civil para as referidas instalações e que "finalmente quanto às obras que a casa demanda se vai officiar ao respectivo Ministerio para mandar proceder a ellas" *4; à data governador civil de Faro era João d'Azevedo Sovereira Zuzarte; 1869, 16 Dezembro - início das obras; 1901, 8 Julho - apresentadas as medições e orçamento para a construção de um alpendre sobre a varanda junto das repartições do comissariado, administração do concelho e da agência do Banco de Portugal, com um valor estimado de 170 000 réis; o projecto implicou a demolição de alvenaria para a colocação de postes de cantaria, a abertura de furos para assentar vigas, o desmancho do beiral do telhado, e outros trabalhos de cantaria, coberturas, ferragens e madeiras, passando ainda pela caiação e pintura das paredes; 2012, 02 maio - encerramento dos serviços do Governo Civil projectando-se a instalação no imóvel dos Serviços Regionais do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e tendo entretanto sido inventariadas pela DRCAlgarve 103 peças com valor museológico propondo a sua integração no Museu Municipal.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Alvenaria de pedra rebocada e caiada, betão, cantaria calcária no embasamento, cunhais, pilastras, frisos, frontões, cornijas, molduras de vãos, escadarias; pavimento em pedra, madeira e mosaico; caixilharias e portas em madeira, com vidro nas bandeiras; ferragens nas guardas dos balcões e lustres; paredes falsas em metal e vidro; azulejos; estuques; cobertura com telhas de canudo; tecido no revestimento parietal do salão nobre.

Bibliografia

LAMEIRA, Francisco I. C., Faro - Edificações Notáveis, Faro, 1995; PASSOS, José Manuel da Silva, O Bilhete Postal Ilustrado e a História Urbana do Algarve, Lisboa, 1995, pp. 121, 123, 125; PAULA, Rui M. E PAULA, Frederico, Faro - Evolução Urbana e Património, Faro, 1993.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; Câmara Municipal de Faro

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; Governo Civil

Intervenção Realizada

DGEMN: 2000 - Obras de recuperação de instalações eléctricas e remodelação das instalações do secretariado; 2002 - Obras de reparação e conservação da cobertura exterior e de caixilharias; caiações.

Observações

*1 - Nos vértices deste frontão triangular existiriam três estatuetas; *2 - Conde de Alte, João Carlos da Horta Telles Machado da Franca, "do conselho de sua Magestade Gram Cruz da Ordem de Christo e de varias ordens estrangeiras, enviado extraordinário e Ministro Plenipotenciario de sua Magestade Fidellissima na Corte de Madrid"(do Auto de Posse lavrado a 2 de Agosto de 1869); *3 - Repartições que se achavam estabelecidas em casas de aluguer em Faro: Governo Civil; Repartição Distrital de Obras Públicas; Repartição da Fazenda do Distrito e Cofre Central; Administração Central do Correio, Telegraphia Electrica; Administração do Concelho e Repartição da Fazenda; Recebedoria da Comarca; o total das rendas anuais era de 676$800, para além das rendas mensais que ainda teriam de pagar. O Governo Civil estaria entretanto na casa de D. Ephigenia Bitafomes; *4 - coloca-se assim a questão se teriam sido obras de raiz ou de adaptação do antigo palacete às novas funções.

Autor e Data

Francisco Lameira 1996 / Daniel Giebels 2005

Actualização

 
 
 
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