Ermida de Santo António do Alto

IPA.00004520
Portugal, Faro, Faro, União das freguesias de Faro (Sé e São Pedro)
 
Atalaia gótica à qual se adossou posteriormente uma ermida manuelina, da qual restam ainda uma abóbada nervurada no interior, ampliada no séc. 18, conferindo-lhe a feição actual. Tipologicamente obedece às ermidas de estilo chão, de interior despojado, de nave única com cobertura em abóbada de lunetas, ritmada por arcos torais descarregando em pilastras clássicas, com fachada exterior sóbria, de portal recto encimado por duas janelas, rematada em frontão e delimitada por cunhais; reformulada decorativamente em estilo barroco (portal principal e retábulo) e rococó (janelões, frontão e nicho da sacristia). A atalaia remonta à época medieval e a ermida constitui um interessante templo sub-urbano com pequeno mas curioso acervo dedicado a Santo António; torre elevatória de água sobre a atalaia; 2019, 13 junho - reabertura da ermida ao público após as obras de recuperação.
Número IPA Antigo: PT050805050068
 
Registo visualizado 233 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave e capela-mor rectangulares, alpendre e sacristia rectangulares a S., torre-atalaia adossada a E., de planta quadrada, casa do ermitão e pátio rectangular murado a N.. Volumes articulados, massas dispostas na horizontal e na vertical ( torre ), com cobertura diferenciada em telhado único de duas águas na nave e capela-mor, quatro águas na sacristia e em açoteia nos restantes anexos. Fachada principal orientada, afrontada por adro lageado de planta em meia laranja recortada; 3 corpos, o central correspondente à nave, o direito ao alpendre e o esquerdo à casa do ermitão e pátio; corpo central de pano único delimitado por cunhais de cantaria munidos de altas bases e mísulas molduradas;embasamento pintado, remate em entablamento com acrotérios angulares coroado por frontão contracurvado; portal axial com molduras de cantaria lavradas de motivos geométricos ( quadrados e rectângulos ) e verga arquitravada com chave lavrada; sobre esta frontão de massa de enrolamentos e folhagens emoldurando cartela central com inscrição pintada; superiormente rasgam-se dois janelões com molduras de cantaria, de vergas contracurvadas alteadas; entre elas pedra de armas coroada, em cantaria; no tímpano do frontão cruz e coroa envolvidas por ornatos vegetalistas, tudo em trabalhos de massa; no vértice cruz de ferro e coroando os recortes centrais do frontão urnas e trabalhos de massa; corpo do alpendre sensívelmente mais baixo, de pano único, delimitado por cunhais e embasamento pintado e remate recto em cornija, rasgado por arcada gradeada, de volta perfeita sobre pilastras munidas de mísulas simples; corpo da esquerda mais baixo que a igreja, mas mais alto que o alpendre, de dois panos definidos por pilastra pintada; embasamento pintado e remate recto em cornija moldurada; o 1º pano, mais estreito, é rasgado por janelão rectangular, gradeado, com molduras de cantaria; sobre ele painel de azulejos recortados, azuis e brancos, figurando "Santo António falando aos peixes"; 2º pano cego, com cunhal NO. em aparelho de bugnato. Fachada S. de dois corpos, correspondentes à nave e capela-mor, este ligeiramente mais estreito, de pano único cego, o da nave rematado por cornija moldurada e da capela-mor com remate em beirado e rasgado superiormente por pequena janela, reentrante; adossado a todo o comprimento da nave, o corpo do alpendre rasgado por 5 arcadas de cantaria, de volta perfeita, munidas de grades, a central mais larga e elevada com acesso por degrau e cancela; as arcadas laterais têm o vão murado em c. de 1/3 da sua altura e descarregam em pilares munidos de mísulas rectas; a arcada central possui pilastras munidas de bases e capitéis moldurados; o interior do alpendre apresenta cobertura em abóbada de aresta e pavimento de tijoleira; no seu alçado N., porta recta de molduras de cantaria, de acesso à nave; segue-se o corpo da sacristia, mais elevado, adossado à nave, capela-mor e torre; é de pano único, com remate recto em beirado, rasgado à direita por janelão rectangular, gradeado, com molduras de cantaria; cunhal SE. com aparelho parcialmente à vista. Fachada N. de dois panos, definidos por pilastra pintada, correspondentes ao muro do quintal e casa do ermitão, com embasamentos pintados e remates rectos em cornija moldurada; cunhal NE. com aparelho parcialmente à vista; pano da esquerda, mais estreito, cego, e o da direita rasgado por portal axial, de acesso ao quintal, com molduras de cantaria e verga arquitravada. Fachada E. de 4 corpos, correspondentes ao muro do quintal e casa do ermitão a N., torre-atalaia adossada à cabeceira e a S. a sacristia tendo adossado o corpo da escada de acesso à torre, 1º corpo de dois panos definidos por vestígios de cunhal apilastrado, de cantaria à vista; remates rectos em cornija; 1ºpano cego e o 2º rasgado por janela rectangular com molduras de cantaria caiadas; corpo da torre ultrapassando o dobro da altura da igreja, com remate em platibanda recortada; todos os alçados são rasgados por 3 sineiras, dispostas duas lado a lado e uma inferiormente ( exepto o alçado O. que possui apenas 2 ), de volta perfeita; no alçado E. rasga-se inferiormente pequena fresta ogival. Todos os alçados se apresentam caiados, bem como as respectivas cornijas de remate; embasamentos e trabalhos de massa pintados a cor cinza. INTERIOR: púlpito quadrangular no lado do evangelho e duas capelas laterais, com arcos plenos pintados, uma com maquineta de talha e outra com tela pintada; abóbada de lunetas com quatro tramos marcados a cor cinzenta e com decoração vegetalista sob a cornija. Arco triunfal pleno sobre pilastras de capitel coríntio, ambos pintados a cinza; retábulo mor em talha dourada; sacristia com arcaz de madeira e nicho de talha; interior da atalaia com acesso abobadado de volta perfeita e portal ogival de cantaria, abóbada de ogivas no piso térreo; casa do ermitão com chaminé rendilhada.

Acessos

Sé, Rua de Berlim

Protecção

Em vias de classificação

Enquadramento

Urbano, isolado, em local elevado a NE. , nos limites da cidade, no topo de amplo parque arborizada e ajardinada em cujo centro se situa a Escola Secundária João de Deus, para a qual abre a fachada principal da ermida; fachadas laterais abertas ao parque e posterior a zona de circulação automóvel; a rodea-la amplo adro calcetado com canteiro circular murado a E.. Nas imediações para NE. fica o Palácio Fialho (v. PT050805050116).

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: na fachada principal, frontão do portal " ANNO / ; à esquerda do portal, lápide de cantaria rectangular, com ângulos em chanfra, com inscrição gravada: "REDUCTO / DECIZAÕ DE FARO / 1836"; sob esta, lápide moderna, de mármore, com escudo central coroado, gravado e a inscrição a carateres gravados e pintados a negro. "1231 ( escudo )1981 / COMEMORAÇÕES / DO 750º ANIVERSÁRIO / DA MORTE DE SANTO ANTONIO / 13-6-81". TORRE-ATALAIA: as sineiras inferiores apresentam parapeito em capialço; a escada exterior, adossada à sacristia, não dá acesso a nenhum espaço; no interior da torre, escada helicoidal em ferro. QUINTAL: nos seus alçados interiores, a E. e S. rasgam-se, respectivamente, 2 portas rectas e porta idêntica e janela à sua esquerda; todos os vãos com molduras idênticas de cantaria; sobre a porta painel de azulejos polícromos com a inscrição "MUSEU ANTONINO / 1933"; espaço ajardinado, com pavimento em calçada portuguesa.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: capela / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 14 / 15 / 16 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADOR: Manuel Martins (1742).

Cronologia

1355 - o rei D. Afonso IV e o Concelho de Faro mandam construir a atalaia; séc. 15 - construção da primitiva ermida anexa à atalaia; 1534 - na Visitação da Ordem de Santiago refere-se " achamos à porta da dita ermida muita pedraria que disseram que era para se fazer uma capela em ela dentro na parede da dita torre da atalaia"; 1742 - contratação de Manuel Martins pelo Senado, para a execução do retábulo; 1754 - remodelação da fachada principal e abertura de vãos na nave da ermida; 1933 - instalação do Museu Antonino nas dependências da ermida; séc. 20 - acrescentamento da torre para estação elevatória de água; 2010, fevereiro - junho - restauro do retábulo-mor; 2011, 21 fevereiro - Câmara Muinicpal de Faro solicita apreciação da categoria de classificação a atribuir ao imóvel; 2011, 09 novembro - requerimento de classificação pela Câmara de Faro; 2011, 17 novembro - proposta de abertura do processo de classificação pela DRCAlgarve; 2011, 24 novembro - despacho de abertura do processo de classificação pelo Diretor do IGESPAR; 2019, 13 junho - bênção da capela pelos padres Rui Guerreiro e Oleg Trushko e reabertura da mesma ao público e assinatura de protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Faro e a Direção Regional de Cultura do Algarve, de modo a dinamizar cultural e turisticamente a ermida e o Museu Antonino.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria calcária, alvenaria, trabalhos de massa, azulejaria, ferragens, madeira e cobertura com telhas de canudo.

Bibliografia

CARREGA, Jorge Manuel Alves, A Ermida de Santo António do Alto no antigo termo de Faro; LAMEIRA, Francisco Ildefonso C., Faro-Edificações Notáveis, Faro, 1995; LAMEIRA, Francisco Ildefonso, O maior entalhador e escultor setecentista algarvio - Manuel MArtins, in Actas do I Congresso Internacional do Barroco, Porto, vol. I, Porto, 1991, pp. 481-495; PAULA, Rui M. e PAULA, Frederico, Faro Evolução Urbana e Património, Faro, 1993; ROSA. J. A. Pinheiro e, Guia do Visitante das Igrejas de Faro, Faro, 1987; Vesytação de vylla de Farão de 1534 in Anais do Município de Faro, vol.24, 1994.

Documentação Gráfica

Câmara Municipal de Faro

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Museu Municipal de Faro: 2010, fevereiro - junho - restauro do retábulo-mor: conservação dos elementos estruturais e das camadas superficiais, restauro e uniformização estética; 2019 - obras de restauro da capela, compreendendo, numa primeira fasen a recuperação das fachadas, pátio interior e torre, as do interior e altar levadas a cabo por uma equipa de restauro do Museu Municipal de Faro.

Observações

Autor e Data

Francisco Lameira 1996 / Rosário Gordalina 2002

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login