Ermida de São Sebastião

IPA.00004499
Portugal, Faro, Faro, União das freguesias de Faro (Sé e São Pedro)
 
Arquitectura religiosa, manuelina, chã e barroca. Ermida de estilo chão com planta longitudinal, de nave única, de certa sobriedade exterior, possuindo já portais de estilo barroco, de cantaria. Mantém uma capela de estilo manuelino, patente no arco trilobado que lhe dá acesso, na janela de moldura em arco polilobado deprimido e na cobertura em abóbada de nervuras simples facetadas, apoiadas em mísulas vegetalistas e fechadas por bocete decorado com um sol antropomórfico. A sobriedade exterior contrasta a exuberância decorativa do interior, com revestimento em azulejos de padrão seiscentistas e setecentistas, abóbada de nervuras e capitéis decorados com boleados e cordames, retábulos de talha barroca. Contraste entre a sobriedade arquitectónica e a exuberância da ornamentação interior. Conserva uma capela manuelina com elementos arquitectónicos de interesse, embora bastante simples, que foi, juntamente com a capela-mor, revestida com azulejos de tipo padrão, de finais do séc. 17. Retábulos de talha do estilo barroco. Sobre a capela de Nossa Senhora de Belém, de finais do Séc. 18, existe uma sineira, ligada a um antigo culto da Virgem da Natividade, servindo o toque dos sinos para pedir orações pelas parturientes.
Número IPA Antigo: PT050805040063
 
Registo visualizado 129 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor rectangulares, escalonadas, duas capelas laterais e Sacristia rectangulares, adossadas transversalmente a N.. Volumes articulados, com massas dispostas na horizontal, da qual se leva um campanário verticalista. Cobertura diferenciada em telhados de duas águas sobre o corpo da igreja, ábside e capelas laterais. Fachada principal orientada, delimitada por contraforte e pilastra e rematada em empena angular com beiral sobre cornija; ao centro é rasfgada por portal de verga recta sobrepujado por almofada decorada e cornija curva, encimada a eixo por janela com remate idêntico ao do portal. A N., um pouco saliente em relação ao plano da frontaria, desenvolve-se o pano da fachada lateral da capela de Nossa Senhora de Belém, delimitado por cunhais de cantaria e centrado por janelão simples de arco rebaixado de capialço profundo, sendo o remate em cornija onde assenta o beiral e, sobre este, à direita, um campanário de sineira única em arco pleno encimado por cornija e rematado por frontão curvilíneo finalizado em fogaréu e ladeado por pequenos pináculos piramidais, decorado por trabalhos de massa: Fachada N.: pano da fachada posterior da capela rematado por empena angular com cornija sob beiral; ao centro um arco pleno cego que alberga composição em relevo de pedra do Calvário; pano da capela lateral e Sacristia aberto por fresta rectangular e por janela de moldura em arco polilobado rebaixado; remate em beiral. Fachada S.: pano do corpo da igreja delimitado por cunhais de cantaria, marcado por uma porta moldurada, e pano da ábside aberto por janela rectangular, ambos rematados por cornija sob beiral. Fachada posterior cega, rematada por empena angular com cornija e beiral. INTERIOR: nave única com cobertura em tecto de madeira forrado a estuque de perfil semicircular, simulando abobada de canhão, sobre sanca moldurada; pavimento de lajedo de cantaria; paredes rebocadas e caiadas com rodapé envolvente de azulejos azuis e brancos com motivo de estrelas de oito pontas com cercadura de enrolamentos de acanto. Na parede O., à direita do portal, emoldurado de azulejos azuis e brancos, pia de água benta de pedra lavrada em concha. Do lado do Evangelho duas capelas, sendo a primeira de invocação de Nossa Senhora de Belém, de planta rectangular, com acesso por degrau capeado a cantaria e por um arco pleno sobre pilastras de molduras facetadas; as paredes são revestidas de azulejos azuis e brancos e a cobertura é em abóbada de canhão sobre sanca moldurada sob a qual se rasga um janelão de moldura pétrea de cada lado, o da direita gradeado e o da esquerda entaipado; pavimento de lajedo cerâmico. Junto ao arco, porta simples de comunicação com a 2ª capela e um altar elevado por plataforma, com pintura a imitar mármore, e um retábulo com aplicações de talha dourada sobre fundo azul claro, com 3 eixos verticais, ático com tabela rectangular ladeada por volutas e coroada por frontão interrompido de aletas e remate em frontão semi-circular suportado por pilastras decoradas por enrolamentos de folhagem de talha; os eixos laterais são incipientes definidos por colunas intercaladas por frisos verticais, os extremos decorados elementos vegetalistas, assim como as 4 colunas que enquadram o nicho central de volta perfeita e suportam o entablamento; sotobanco marcado pelos plintos que sustentam as colunas e painéis decorados por enrolamentos de folhagem. A 2ª capela possui um degrau, forrado a azulejo azul e amarelo e o acesso é feito por um arco trilobado sobre colunas embebidas com bases facetadas e capitéis ornados de esferas; as paredes são integralmente forrados a azulejo de padrão azul, branco e amarelo, excepto a parede fundeira com um silhar, sendo a restante superfície rebocada e caiada, rasgando-se ao centro um janelão de caixilhos, de capialço profundo; na parede da direita um vão simples de comunicação com a Capela de Nossa Senhora de Belém e, do lado oposto, grande nicho de volta perfeita; cobertura em abóbada de nervuras cruzadas facetadas sobre mísulas vegetalistas, com entrançados, esferas e pinhas, unidas no fecho por um bocete decorado com um Sol antropomórfico, sendo os interstícios forrados com azulejos de padrão idênticos ao das paredes; o pavimento é de lajedo cerâmico enxaquetado. Na nave, do lado da Epístola, rasga-se junto ao portal principal, a porta travessa com moldura decorada por fiada de azulejos azuis e brancos. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras facetadas. Capela-mor elevada por degrau capeado a cantaria, com tecto de masseira sobre sanca moldurada e pavimento de lajedo cerâmico; as paredes são revestidas a azulejos de padrão azuis, brancos e amarelos, e rasgadas por janelão com molduras pétreas; do lado S., junto ao arco triunfal, porta de madeira entaipada; do lado oposto porta de acesso à Sacristia; zona do altar, em urna com apontamentos de talha, elevada por plataforma de um degrau capeado a cantaria; retábulo-mor de talha dourada, de planta recta e estrutura tripartida, definida por 4 colunas torsas decoradas por pâmpanos, sustentando entablamento; ático em pirâmide truncada, com tabela rectangular; nicho central de volta perfeita e, nos eixos laterais, edículas de volta perfeita, mais baixas, coroadas por frontões triangulares; sotobanco de consolas decoradas por querubins sustentando as colunas, e painéis rectangulares com enrolamentos de folhgens e ave central; banco decorado por enrolamentos de acantos. Sacristia coberta com tecto e pavimento de lajedo cerâmico; paredes rebocadas e caiadas com rodapé envolvente de azulejo de padrão azul, branco e amarelo; na parede de topo rasga-se janelão, na parede direita porta para o exterior e na parede fronteira, junto à porta de entrada, pia de água benta, pétrea.

Acessos

Largo de São Sebastião

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 202/2013, DR, 2.ª série, n.º 71 de 11 abril 2013

Enquadramento

Urbano, isolado, nas imediações do Convento dos Capuchos (v. PT050805040034), antecedido por adro com calçada à portuguesa.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: ermida

Utilização Actual

Religiosa: igreja ortodoxa

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1516 - fixam-se nesta ermida alguns religiosos franciscanos com a intenção de construir em Faro um convento; 1534 - os Visitadores da Ordem Militar de Santiago referem que encontraram mais uma capela no corpo da ermida; séc. 17, finais / séc. 18 - revestimento azulejar da capela lateral, da nave e da capela-mor; 1720 - conclusão do retábulo da capela-mor; 1789 - construção da capela lateral da invocação de Nossa Senhora de Belém; 1998, 24 novembro - Proposta de classificação pela FAARON; 1999, 16 novembro - Proposta de abertura do processo de classificação pelo IPPAR/DRFaro; 2000, 17 maio - Despacho de abertura do processo de classificação pelo Vice-Presidente do IPPAR; 2007, 05 dezembro - Proposta da DRCAlgarve para a classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público e de ZEP; 2008, 11 junho - Parecer do Conselho Consultivo do IGESPAR favorável à classificação e propondo a revisão da delimitação de ZEP; 2008, 27 agosto - Nova proposta de ZEP pela DRCAlgarve; 2008, 12 novembro - Parecer favorável à ZEP pelo Conselho Consultivo do IGESPAR; 2011, 20 de Outubro - publicado no DR, nº 202, 2ª série, o Anúncio nº 15101/2011 de Projecto de Decisão relativo à fixação da ZEP; 2012, 16 outubro - Anúncio n.º 13575/2012 publicado no DR, 2.ª série, n.º 200, de projeto de decisão de classificação como MIP.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Alvenaria mista rebocada, cantarias de calcário branco, amarelo e rosa, madeira, tijoleira de fabrico artesanal, talha, azulejos, ferragens e telhas de canudo.

Bibliografia

LAMEIRA, Francisco I. C., Faro Edificações Notáveis, Faro, 1995; IDEM, Inventário Artístico do Algarve A Talha e a Imaginária, Faro, vol. 12, 1ª Parte, 1994; PAULA, Rui M. e PAULA, Frederico, Faro Evolução Urbana e Património, Faro, 1993; ROSA, J. A. Pinheiro e, Guia do Visitante das Igrejas de Faro, Faro, 1987; IDEM, Monumentos e Edifícios Notáveis do Concelho de Faro, Faro, 1984; Visitação de Igrejas Algarvias da Ordem Militar de São Tiago de 1554, Faro, 1988; Vesytação da Vylla de Farão de 1534, Anais do Município de Faro, Faro, 1994.

Documentação Gráfica

CMF

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Câmara Municipal de Faro: 1943 - renovação da cantaria do arco triunfal; 1964 - obras na capela manuelina, tendo-se subsituido algumas cantarias.

Observações

Neste templo estiveram sediadas a Confraria de São Sebastião, administrada pela Câmara Municipal e temporariamente a de São Roque, a cargo dos militares.

Autor e Data

Francisco Lameira 1996 / Rosário Gordalina e Lina Oliveira 2006

Actualização

Rosário Gordalina 2006
 
 
 
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