Fortaleza de Juromenha

IPA.00004461
Portugal, Évora, Alandroal, União das freguesias de Alandroal (Nossa Senhora da Conceição), São Brás dos Matos (Mina do Bugalho) e Juromenha (Nossa Senhora do Loreto)
 
Arquitectura militar, medieval e da restauração. Fortaleza de raiz medieval da qual mantém parte da muralha do castelejo com cubelos rectangulares, acrescentada e circundada por baluartes em forma de estrela e por revelins da época da Guerra da Restauração. Praça fronteiriça de grande importância estratégica na centúria de seiscentos, considerada a chave do Guadiana e um dos poucos lugares identificados como azóia ou arrábida na época medieval.
Número IPA Antigo: PT040701020007
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Militar  Castelo / Fortaleza    

Descrição

Compõe-se de duas cinturas de muralhas: uma interior correspondente ao castelejo, de planta poligonal irregular envolvida por outra de tipo abaluartado, de planta estrelada, com os ângulos flanqueados por guaritas com vigias. Extramuros, a NE., existe outro baluarte menor de planta irregular (baluarte de Elvas), e, do lado oposto, revelins. A porta principal do baluarte é em arco pleno encimada por frontão com vigia de sentinela. A fortificação interior é parcialmante constituída por troços da muralha do castelejo (lados NO., N. e NE.) com cubelos rectangulares ameiados e percorrida por caminho de ronda, sendo a restante parte abaluartada em estrela (SO., S. e SE.). No interior do recinto muralhado permanece a antiga cisterna com estrutura de planta rectangular, dividida em três naves de três tramos de arcadas plenas, apoiadas em pilares.

Acessos

Juromenha

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 41 191, DG, 1.ª série, n.º 162 de 18 julho 1957

Enquadramento

Rural, isolado cimo de uma elevação, junto à margem do Guadiana, disfrutando de uma localização privilegiada em termos paisagísticos e no que respeita ao domínio visual dos territórios português e espanhol. No interior do recinto muralhado existem as ruínas de duas igrejas (Matriz e da Misericórdia), da cadeia e dos antigos Paços do Concelho.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo / fortaleza

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

Junta de Freguesia da Juromenha, auto de 11 Agosto 1941

Época Construção

Séc. 12 / 14 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Nicolau de Langres (projecto das fortificações modernas, 1655); Jean Gillot, engenheiro (coordenador da execução do projecto em conjunto com António de Freitas); Luís Serrão Pimentel, cosmógrafo-mor do reino (autor da porta principal da fortificação moderna)

Cronologia

Séc.9, 2ª met. - Primeiras referências a Juromenha e ao seu castelo *1; 874 / 875 - Makhûl ibn Umar, é senhor de Juromenha, constituindo-se como foco principal das chamadas revoltas Muladis; após o desaparecimento de Makhûl os territórios da Juromenha passam a integrar os domínios da dinastia Banu Marwân surgindo a partir daí associada a Badajoz; 930 - Submissão de Badajoz e, consequentemente, da Juromenha a Abd al Rahmân III, 1º califa de Córdova; 948 - Juromenha é referida enquanto guarda-avançada de Badajoz pelo geógrafo Ibn Hawqal na sua obra "Kitâb Sûrat al-Ard"; 1145 - Abû Muhammad Sidray ibn Wazîr, partidário de ibn Qâsî, conquista Badajoz com Juromenha incluída; 1167 - Conquistada por Afonso Henriques; 1191 - Cai novamente no domínio do Califa Almôada Iaçube Almansor; 1242 - Reconquistada definitivamente por D. Paio Peres Correia; enquanto praça fronteiriça torna-se numa azóia ou arrábida, defendida por voluntários que alternam a actividade bélica com a religiosa; 1312 - Foral de D. Dinis e reconstrução total do castelo; 1509 / 1510 - Os desenhos de Duarte de Armas representam o castelo com uma cintura única de muralhas de planta poligonal irregular, percorrida por adarve e coroada de merlões, que o autor não medira "por estarem mui danificados e não se poderem andar", sobretudo a S., N. e O., e reforçada com 14 cubelos quadrangulares e rectangulares e 2 poligonais nos ângulos NO. e SO., ameiados (excepto os arruinados, 2 a N. e 2 a S.) e alguns providos de base em esbarro; a E. salienta-se a Torre de Menagem, rectangular, sobre pódio escalonado no pano exterior à muralha; era iluminada por frestas, com porta de arco pleno na face O., descentrada, e coroamento de merlões sob os quais se abriam bombardeiras, do mesmo lado da porta; no interior era "abobadada e em cima tem um mui bom aposentamento novo"; exteriormente era protegida do lado O. por um "baluarte" semi-circular "de abóbada e joga per fundo duas bombardas e por cima as que parecem" (que são 3 bombardeiras), com acesso por passadiço adossado à muralha S. onde se localizava a porta falsa; do lado NE. abria-se a porta principal em arco pleno, gradeada, protegida exteriormente por um "peitoril" de forma semi-circular; dentro do recinto muralhado erguia-se uma igreja de planta longitudinal simples com cabeceira semi-circular "e debaixo da capela dela está um aljube"; extramuros, a N., estendia-se o aglomerado urbano da vila com casario térreo e duas igrejas uma delas arruinada, que "se derribou no tempo da guerra"; 1512 - Renovação do foral de D. Manuel; 1644 / 1658 - Grandes obras de adaptação do castelo a uma fortaleza para uso da artilharia durante a Guerra da Restauração, alterando significativamente a fortificação medieval; 1659 - Grande explosão do paiol de pólvora que destruiu a maior parte da fortaleza incluindo o antigo paço; 1662 - Tomada da praça pelo exército de D. João de Áustria, com a importante ajuda das informações de Nicolau de Langres, projectista da fortaleza que entretanto estava ao serviço de Espanha como sargento - mor de batalha do Estado - Maior do Exército de Filipe IV; 1668 - regressou à coroa portuguesa na Paz Geral; 1755 - A fortaleza foi muito afectada com o terramoto, principalmente a fortificação moderna; Séc. 18 - A praça sofreu rectificações e benefícios que englobaram a construção do fortim do porto das barcas, de contraguardas e obras mortas do lado do rio; 1801 - Tomada pelo exército de D. Manuel Godoy durante a Guerra Peninsular; 1808 - Foi tomada pelas forças luso - espanholas; Séc. 20, início - A vila foi atingida pela peste bubónica que dizimou fortemente a sua população; 1920 - Completo despovoamento da fortaleza que passou para os arrabaldes de São Lázaro e Santo António; 2017, o2 agosto - publicado no DR, 1.ª série, n.º 148 a Resolução da Assembleia da República n.º 179/2017 na qual se recomenda ao Governo a inclusão da Fortaleza de Juromenha na lista de imóveis do Programa REVIVE; 2018 - colapso de uma das torres do castelo.

Dados Técnicos

Estruturas autoportantes.

Materiais

Alvenarias mistas e de taipa militar (fortificação interior); alvenaria de taipa de enchimento com um pano exterior em alvenaria de pedra, rebocada (fortificação exterior).

Bibliografia

ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora, Lisboa, 1978; LIMA, Miguel, Estudo da Fortaleza de Juromenha, IPPAR, 1989; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/72308 [consultado em 1 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; Livro das Fortalezas de Duarte de Armas

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; IPPAR

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Intervenção Realizada

DGEMN: 1950 - Reconstrução de parte da muralha em alvenaria; consolidação de troços de muralha, da abóbada sobre a entrada do castelo e da porta principal; consolidação da torre de menagem e reconstriução de alguns degraus da escada de acesso; demolição de casebres e muros arruinados para limpeza da praça de armas e aproveitamento de pedra;1951- Levantamento topográfico; 1966 - Consolidação e restauro da entrada: apeamento de alvenarias, restauro do portal de cantaria, alvenaria hidráulica nas paredes laterais e rebocos no interior, reconstrução das abóbadas, isolamento com produto asfáltico e construção de pavimento de tijoleira no terraço; construção e assentamento da porta; consolidação da muralha abaluartada: alvenaria hidáulica em tapamento de rombos, arranque de ervas e arbustos, reparação e reconstrução das guaritas e colocação de mísulas; consolidação da muralha medieval: alvenaria hidráulica em tapamento de rombos, construção de taipa em consolidação de troços da muralha e refechamento de juntas, consolidação da torre de menagem e da escada de acesso à mesma; demolição de restos de estrutura junto à torre e à entrada para desobstrução da zona; 1968 - Execução de cintas de travação em betão, construção de alvenaria hidráulica, reparação de panos de muralha; 1969 - Apeamento de alvenarias desligadas; arranque de árvores e arbustos, restauro do portal de cantaria da entrada com assentamento de cantaria nas ombreiras e arco; alvenaria hidráulica em panos de muralha; reconstrução de abóbada da entrada com alvenaria de tijolo; isolamento do terraço com produto asfáltico e betonilha; 1970 - Construção de alvenaria hidráulica em tapamento de rombos e consolidação de panos da muralha abaluartada; reparação das guaritas e construção de outra junto da entrada; refechamento de fendas e arranque de ervas nos panos de muralha; consolidação e refechamento de grande fenda longitudinal da torre de menagem; consolidação de um cunhal na muralha abaluartada; reconstrução de abóbada de alvenaria de tijolo em dependência junto da entrada; construção de alvenaria de taipa para reparação de panos de muralha e tapamento de rombos; 1971 - Construção de alvenaria hidráulica para tapamento de rombos da muralha; reconstrução de guaritas que ruiram nos cunhais do baluarte; arranque de ervas e arbustos e refechamentoo de juntas; 1973 / 1976 - Tapamento de rombos com alvenaria hidráulica e reparação de panos de muralha; reconstrução de guaritas; arranque de ervas; 1979 - Construção de alvenaria, reparação de panos de muralha, refechamento de fenda; 1980 - Construção de alvenaria hidráulica, reparação de panos de muralha, remoção de ervas, consolidação e colocação de colunas na igreja; 1982 - Construção de alvenarias, construção de betão armado em lintéis, esteira de betão e lagetas cerâmicas, construção de porta; 1983 - Apeamento de alvenarias, construção de panos de tijolo, reconstrução de cimalhas, soleira em vão de porta, rebocos, caiações, construção de porta num vão; 1984 / 1988 - obras de consolidação das muralhas.

Observações

*1 - Anteriormente a esta época, foram descobertos alguns vestígios de elementos arquitectónicos visigóticos, como um pé de altar que estava incorporado na caixa murária de uma das torres, que apontam para a possível pré-existência de um templo.

Autor e Data

Paula Amendoeira 1998 / Lina Oliveira 2005

Actualização

 
 
 
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