Santuário de Endovélico

IPA.00004451
Portugal, Évora, Alandroal, Terena (São Pedro)
 
Santuário romano e paleocristão. A tipologia das estruturas estabelece paralelo com as que se conhecem nos santuários de Panóias (Portugal) e de Ulaca (Espanha-Avila). Trata-se das ruínas de um importante santuário de uma divindade pré latina, conhecida através de mais de 80 inscrições latinas recolhidas no local ao longo de 400 anos *2. D. Teodósio, duque de Bragança efectuou ali, no século 16, a primeira recolha epigráfica. André de Resende, Frei Bernardo de Brito, Leite de Vasconcellos e Scarlat Lambrino, entre outros, estudaram e recolheram materiais deste sítio. Na Igreja da Boa Nova de Terena existem duas epígrafes provenientes deste santuário reutilizadas na parede; no Mosteiro de Santo Agostinho em Vila Viçosa, sete epígrafes reutilizadas na frontaria; no Museu Nacional de Arqueologia e segundo Leite de Vasconcellos existem fragmentos de vasos de cerâmica e vidro e moedas de bronze do século 4. A posterior cristianização levou à mutilação de estátuas e inscrições.
Número IPA Antigo: PT040701050010
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Religioso  Santuário rupestre    

Descrição

Do lado E. do cabeço os socalcos existentes encerram provavelmente restos de estruturas *2. No topo do cabeço existe uma plataforma quadrangular onde deveria assentar o edifício do santuário, hoje inexistente. A superfície são visíveis vestígios de cerâmica, sobretudo romana. No topo da elevação, onde está implantado o marco geodésico, foram identificados elementos arquitectónicos e escultóricos em mármore, cerâmicas de construção e comuns, terra sigilata, ânforas, inscrições em bronze, aras votivas dedicadas a Endovélico e lápides funerárias.

Acessos

Estrada que liga Alandroal ao Redondo, c. de 6 Km depois do Alandroal virar à esquerda para os escritórios da empresa Emporsil, em caminho que termina no outeiro de São Miguel da Mota, onde se encontra o monumento. Acesso difícil, só viável em veículo 4X4.

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 67/97, DR, 1.ª série, n.º 301 de 31 dezembro 1997

Enquadramento

Rural. Situado num outeiro sobranceiro à Ribeira de Lucefecit, com um espectacular enquadramento natural do santuário e domínio visual de toda a paisagem envolvente. Em toda a crista do monte existe um conjunto rural edificado de qualidade, ligado à actividade pastoril, composto por malhadas, monte e eira.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: santuário rupestre

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 01 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Sec. 01 - provável construção do santuário; séc. 05 - possível cristianização do santuário, tendo sido construída uma basílica dedicada a São Miguel Arcanjo; séc. 16 - o Duque de Bragança, D.Teodósio efectua no santuário a primeira recolha epigráfica; 1887 - Depois de vários arranjos o telhado da capela caiu (ALMEIDA, 1962); Sec. 19 (final) - Gabriel Pereira fez no local o levantamento da planta da basílica (ALMEIDA, 1962 e PEREIRA, G., 1889); 1907 - Escavações arqueológicas realizadas por Leite de Vasconcellos; 1996, 29 de Novembro - despacho de classificação como Imóvel de Interesse Público.

Dados Técnicos

Materiais

Xisto, mármore (bases de monumentos escultóricos ou epigráficos).

Bibliografia

PEREIRA, Gabriel, O Santuário de Endovélico, Revista Archeologica, 3, Lisboa, 1889; VASCONCELLOS, J. L., As Religiões da Lusitânia, Lisboa, 1913; LAMBRINO, S., Le Dieu Lusitanien Endovellicus, Bulletin des Études Portugaises, Lisboa, 1952; ALMEIDA, D. F., Arte visigótica em Portugal, O Arqueólogo Português, Lisboa, 4, 1962; ENCARNAÇÃO, J., Inscrições Romanas do Conventus Pacensis. Subsídios para o estudo da Romanização, Coimbra, 1984; ALARCÃO, J., O Domínio Romano em Portugal, Lisboa, 1988; CALADO, M., Carta Arqueológica do Alandroal, Alandroal, 1993; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74089 [consultado em 1 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IPPAR: DRE, Procº 2.01.002

Documentação Fotográfica

IPPAR: DRE, Procº 2.01.002

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMA: 1991 - Carta Arqueológica do Alandroal com autoria do arqueólogo Manuel Calado.

Observações

*1 - a provável existência de restos de estruturas foi interpretada por Leite de Vasconcelos como pertencendo a um hipotético povoado pré - romano. Não foram confirmadas até agora as hipóteses apontadas por Leite de Vasconcellos e veiculadas sistematicamente a partir da sua formulação de que se trataria de um povoado e santuário da Idade do Ferro mais tarde romanizados. As prospecções realizadas até agora não revelaram materiais atribuíveis com segurança à Idade do Ferro e a ideia de se tratar também de um povoado está cada vez mais abandonada pelos especialistas; *2 - D. Teodósio, duque de Bragança efectuou ali, no século 16, a primeira recolha epigráfica. André de Resende, Frei Bernardo de Brito, Leite de Vasconcellos e Scarlat Lambrino, entre outros, estudaram e recolheram materiais deste sítio. Na Igreja da Boa Nova de Terena existem duas epígrafes provenientes deste santuário reutilizadas na parede; no Mosteiro de Santo Agostinho em Vila Viçosa, sete epígrafes reutilizadas na frontaria; no Museu Nacional de Arqueologia e segundo Leite de Vasconcellos existem fragmentos de vasos de cerâmica e vidro e moedas de bronze do Séc. 4; a posterior cristianização levou à mutilação de estátuas e inscrições.

Autor e Data

Paula Amendoeira 1998

Actualização

 
 
 
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