Castelo do Lindoso / Forte do Lindoso

IPA.00000444
Portugal, Viana do Castelo, Ponte da Barca, Lindoso
 
Arquitectura militar, medieval e seiscentista. Castelo medieval de planta pentagonal irregular, integrando na muralha a S. dois cubelos rectangulares flanqueando a porta principal e a N. a torre de menagem quadrada, rematados por parapeito, a da torre ameado, apresentando lateralmente vestígios de balcões simples e sendo interiormente circundados por adarve com acesso por escadas. Portal em arco quebrado, de aduelas assentes em imposta e tendo no fecho as armas de Portugal. Torre de menagem de dois pisos, com acesso sobrelevado por portal de arco quebrado e rasgada no segundo por frestas a abrir para o interior. No pátio de armas conservam-se vários corpos correspondentes aos antigos quartéis e casa do forno, bem como a cisterna quadrada com cobertura em abóbada. Envolve o castelo forte de planta em estrela irregular, composto por cinco baluartes irregulares, com escarpa em talude rematada por parapeito com algumas canhoneiras, tendo nos ângulos flanqueados guaritas cilíndricas com cúpula. A N., rasga-se portal em arco de volta perfeita, encimado por balcão simples com matacão, precedido por ponte levadiça, reforçado por revelim triangular, com porta rectilínea. Castelo construído sobre afloramento rochoso, bastante saliente sob a torre de menagem, para defesa do vale do Lima, da Portela da Serra Amarela, do Vale do Cabril e do porto do Lindoso, desempenhando um papel muito importante nas campanhas da Guerra da Restauração. Segundo Carlos Alberto Ferreira de Almeida (1987), embora a muralha do castelo tenha ainda um aspecto românico, dada a inexistência de torres, o facto de apresentar vestígios de balcões com matacães nas zonas de inflexão da muralha, ser circundado interiormente por adarve e ter a torre de menagem integrada no seu perímetro, leva-o a considerá-la como gótica. O autor explica a ausência de torres ao facto de se tratar de uma solução económica e mais rápida, tanto mais que a função estratégica foi suprida pela solução, gótica, de construir balcões onde a muralha muda de direcção. O portal principal, virado à povoação, possui igualmente o esquema gótico, de arco quebrado, tendo no fecho o brasão nacional, ainda que muito rudimentar, inscrito. O aparelho do castelo revela grandes alterações, visto ter os dois terços inferiores em cantaria e o superior em alvenaria de pedra, resultantes certamente de uma reconstrução posterior, o que explica as escadas junto ao portal S. terem sido interrompidas e terem perdido a sua funcionalidade. A torre de menagem possui porta ao nível do piso térreo, aberta em 1826 para aceder à prisão nova então criada naquele piso, e amplo vão rectilíneo virado a S. resultante do alargamento seiscentista de uma seteira. O acesso ao interior fazia-se por portal sobrelevado, com balcão de madeira até ao adarve. Na pátio, entre outras construções, possuía uma capela. O reforço da defesa no século 17 optou pela solução menos comum no distrito de construir um forte envolvendo completamente o castelo, adaptando-se à sua planimetria e mantendo-o, com baluartes que permitiam o cruzamento de fogo e eliminavam os ângulos mortos. Apesar disso, procederam-se a algumas alterações, como a inversão na entrada da fortificação, entaipando o portal virado à povoação e abrindo um outro no lado oposto, junto à torre de menagem, e, provavelmente, à construção de dois espigões laterais na zona de inflexão da muralha que se sobrepuseram aos baluartes, rasgados por vãos para permitir a circulação, tendo o virado a E. ladroneira com matacães. Os baluartes têm terrapleno normal interligado por adarve, que percorre as cortinas, o que é pouco comum nas fortificações modernas em Portugal, mas que se poderá explicar pela falta de espaço entre as duas estruturas defensivas. As guaritas assentam directamente nos ângulos flanqueados, que são cortados abruptamente. O revelim que cobre a entrada é já do séc. 18.
Número IPA Antigo: PT011606120003
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo / Forte    

Descrição

FORTE de planta em estrela irregular, composto por cinco baluartes irregulares, dois a N. e a S. e um a E., unidos por cortinas de traçado recto, com escarpa exterior baixa, em talude, em alvenaria de pedra, disposta a seco, e cunhais de cantaria, não possuindo cordão e sendo rematada em parapeito liso, ocasionalmente com canhoneiras. Em cada um dos ângulos flanqueados dos baluartes, excepto no virado a E., surgem, directamente assentes no terço superior do mesmo, que foi cortado, guaritas cilíndricas, cobertas por cúpula sobre pequeno friso; têm acesso por vão recto e são rasgadas por dois vãos quadrangulares. A N., em frente da cortina e para a reforçar e cobrir a porta, dispõe-se revelim triangular, com escarpa em talude, de alvenaria de pedra, possuindo na face E., porta de verga recta com moldura simples. A cortina N., reforçada sensivelmente a meio por ressalto, de ângulos curvos, é rasgada, num plano recuado, por portal em arco de volta perfeita, encimado pelo resto de um balcão simples sobre duas mísulas escalonadas, com matacão, enquadrado por sulcos verticais para recolher as traves de suporte da ponte levadiça. Interiormente, os baluartes têm o terrapleno normal, coberto por lajes irregulares, sendo interligados por adarves que percorrem as cortinas, acedidos por rampas. A praça interior é quase integralmente ocupada por CASTELO MEDIEVAL, de planta pentagonal irregular, com dois segmentos curvos, possuindo a O. e a E. dois espigões sobrepostos aos baluartes, integrando na muralha a N. torre de menagem quadrada e a S. dois cubelos rectangulares flanqueando porta. A muralha e os cubelos, com aparelho de cantaria nos dois terços inferiores e em alvenaria de pedra no superior, são rematados em parapeito, apresentando a E. e O. vestígios de balcões simples, sendo interiormente circundados por adarve, protegido em alguns troços da face interna por grade de ferro e sendo acedido por escadas, que a NE. são estruturadas na espessura da muralha e mais a S. e a NO. de salta cão. Os espigões são construídos em alvenaria de pedra, sendo o de O. rasgado por vão de passagem de verga recta e o de E. por dois vãos, permitindo a circulação no adarve e possuindo sobre a face do baluarte ladroneira, assente em três mísulas escalonadas e com matacães. Na muralha virada a N., abre-se, ladeando, à direita, a torre de menagem, portal em arco de volta perfeita, de aduelas assentes nos pés direitos e, entre os cubelos virados a S., um outro portal, o principal, em arco quebrado, de aduelas assentes em imposta e tendo na aduela de fecho, as armas de Portugal inscritas de modo muito rudimentar; no ângulo do cubelo SE. insere-se guarita cilíndrica, iguais às do forte, sobre gárgula aberta. Torre de menagem em cantaria de aparelho regular, terminada em parapeito ameado, com, ameias de corpo estreito, piramidal, coberta por telhado de quatro águas. Actualmente possui acesso a O., por portal em arco abatido, interiormente com dois pisos, interligados por escada de madeira, tendo o primeiro pilar rectangular central e o segundo pavimento de soalho e tecto de madeira com estrutura à vista; este piso é rasgado em duas faces por seteiras, a abrir para o interior em amplos nichos em arco de volta perfeita, a S. por amplo vão rectilíneo e a E. por portal em arco de volta perfeita com aduelas compridas, a de fecho com elemento relevado, assente nos pés direitos e com ligação ao adarve por balcão de madeira assente em duas mísulas. No pátio, encostadas ao longo da muralha e das escadas a O. e a S., até ao portal, erguem-se quatro edifícios de planta rectangular, desiguais, com volumes articulados, cobertura em telhados de uma, duas e três águas, e fachadas em alvenaria de pedra, terminados em beirado simples com aba forrada de madeira, rasgados por vãos rectilíneos. Interiormente possuem paredes em alvenaria de pedra aparente, com os vãos moldurados, pavimento cerâmico e tecto de madeira com estrutura à vista assente em friso também de madeira. No edifício S. está instalado actualmente pequeno auditório e no que se lhe segue para O. as instalações sanitárias; os dois seguintes, adossados e intercomunicantes por vão de verga recta, possuem pequeno núcleo museológico alusivo ao castelo e com espólio arqueológico proveniente de várias escavações da região; o do topo N. conserva amplo forno de pedra coberto por domo, composto por uma câmara, de pavimento lajeado, abóbada de pedra e vão quadrangular encimado por silhar sobre duas mísulas. Junto à torre de menagem, a S., e ao longo da muralha a N. e E., subsistem vestígios de antigos quartéis e outras estruturas do antigo castelo; sobre o cunhal duma dessas estruturas, conserva-se pequeno forno. No cunhal NE. conserva-se encostada à muralha a cisterna, quadrangular, e com cobertura em abóbada ligeiramente apontada.

Acessos

EN. 304 - 1, lug. do Castelo. VWGS84 (graus decimais) lat.: 41,867167; long.: -8,199279

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23 junho 1910

Enquadramento

Rural, isolado. Implanta-se na serra Amarela, no alto de um pequeno outeiro sobranceiro ao rio Lima, a 468 m de altitude, próximo da povoação, a 4 Km da fronteira com Espanha, abrangendo um vasto panorama sobre os montes e serras ao redor. A torre de menagem ergue-se sobre afloramento rochoso. Nas imediações da fortificação, mas num plano sensivelmente mais baixo, ergue-se o conjunto de espigueiros do Lindoso (v. PT011606120011), o Cruzeiro do largo do Destro (v. PT011606120036) e, um pouco mais afastado, a Igreja Paroquial (v. PT011606120075) e a Escola Primária (v. PT011606120040).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo / forte

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Parque Nacional da Peneda-Gerês, auto de cessão de 08 Junho 1976

Época Construção

Séc. 13 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO MILITAR: Gasparo Squarciáfico (1662).

Cronologia

Séc. 09 - Primeira referência explicita a Lindoso num documento da Igreja bracarense em que se descrevem os limites da diocese; 1114 - data da confirmação desses limites pelo papa Pascal II; séc. 13 - construção do castelo, utilizando o granito existente no local de implantação; Idade Média - integrava-se na Terra da Nóbrega, circunscrição territorial sob a administração e controlo do Castelo de Aboim da Nóbrega; 1258 - referido nas Inquirições que definem que os moradores tinham a obrigação de alimentarem o alcaide do castelo quando este ia prestar "preito" dele, à caça ou recolher o seu pão; 1287 - ampliado e restaurado por D. Dinis; séc. 14 - D. Pedro nomeia João Aires como o 1º alcaide do castelo de que se tem conhecimento; 1365 - data inscrita nos muros em algarismos, evidentemente apócrifa; 1386, 20 Outubro - D. João I doa a Diogo Gil, de Lavradas, a terra do Lindoso com todas as suas pertenças; 1464 - D. Afonso V nomeia como alcaide Lopo de Araújo, fidalgo da Casa Real, Senhor de terras fronteiras em Portugal e na Galiza, perdigueiro-mor de Celanova, alcaide de São Salvador de Sande, Senhor de Campelos e Val de Poldros; D. Lopo sucedeu a seu pai, Paio Rodrigues de Araújo; o castelo encontrava-se então "derribado", ou estar arruinado; 1500 - data da porta antiga da torre; 1514, 5 Outubro - concessão de foral novo por D. Manuel, facultando-lhe a exploração de mais amplos espaços serranos através da extinção da coutada de caça que tinha no Cabril; cedeu a favor do alcaide 650 reais da "pena de sangue" e o gado perdido; posteriormente vieram a pertencer ao alcaide os direitos reais de 100 alqueires de pão terçado: centeio, milho e painço; 1527, 17 Julho - Numeramento ordenado por D. João III, segundo o qual, o castelo estava então ermo, tendo a povoação do Lindoso apenas 41 vizinhos; 1641- logo após a Restauração, o castelo foi atacado por tropas espanholas do comando de Santo Estêvão, as quais foram duas vezes repelidas; no final do ano, as forças nacionais realizaram incursões por terras da Galiza entrando pela fronteira do Lindoso e utilizando o castelo como base de apoio; 1641 / 1643, entre - o alcaide do Lindoso, Baltasar de Sousa Meneses, descendente directo dos Araújo e seu 7º Senhor, reparou e fortificou melhor o castelo a suas expensas; 1656 - data na janela da torre, referente ao alargamento de uma fresta; 1657 - data do relato de uma das batalhas do Lindoso por uma testemunha presencial; 1759 - era alcaide Manuel de Sousa Meneses; 1662 - segundo descrição da época, o castelo tinha a guarnição de 30 Infantes e 20 auxiliares; compunha-se de 46 "baluartes" com sua ponta de pau à raiz do parapeito da primeira muralha, com uma estacada rolante que a cingia toda; o General Baltazar Pantoja, depois de tomar várias terras do Norte e estabelecer o quartel no Paço de Giela, enviou contra o castelo, 1000 soldados de infantaria e 1500 de cavalaria; o arcebispo de Compostela enviou 3000 soldados de infantaria e 12 peças de artilharia, caindo o castelo depois de 5 dias de combates; ocupado por 300 homens das tropas espanholas; notificação ao rei espanhol das acções meritórias prestadas pelo engenheiro militar D. Gasparo Squarciáfico, Marquês de Buscayolo, então Mestre de Campo e Superintende das fortificações da Galiza na conquista militar do castelo do Lindoso, encomendando-se-lhe a construção do forte em torno da cerca medieval; o forte viria a ter cinco baluartes; 1663 - data ladeando a porta de entrada, contígua à torre; Outubro - o Conde do Prado mandou o Tenente João Rebelo Leite reconquistar o castelo, para o que lhe deu 300 soldados de infantaria e 4 companhias de cavalaria sob o comando do capitão João Correia Carneiro, e ordem para levar consigo as ordenanças das terras vizinhas; 1664 - reconquista portuguesa do castelo, sendo Governador de Armas do Minho D. Francisco de Sousa, destacando-se a acção do capitão Carlos Malheiro Pereira, Manuel de Sousa Meneses, 8º Senhor do Lindoso, João Velho Barreto, Vasco de Azevedo Coutinho, Pedro Falcão Zuniga, Diogo de Caldas e João Rebelo Leite; 1665 - data inscrita num silhar reaproveitado no muro de umas casernas; construção da barbacã exterior; 1666 - data na verga da janela meridional da torre, assinalando a conclusão das obras que haviam iniciado em 1663; 1668, cerca - alteamento das muralhas medievais, criação de um novo sistema de entradas, estacadas e fosso, instalação de uma guarnição permanente no pátio interior, com casernas, forno de pão, armazéns, moinho e oratório, servindo um corpo militar composto por cerca de 300 homens; assinatura do tratado de paz com Espanha, reconhecendo-se ao castelo um papel decisivo na manutenção do traçado fronteiriço da região; 1684 - descrito como "un pentagone fermé d'une bonne muraille, et qui est defendu par un petit fort irrégulier de cinq bastions"; o Eng. Miguel de Lescole, possivelmente com a colaboração do Eng. Manuel Pinto de Vilalobos, realizou trabalhos no rio Lima a montante da vila de Ponte de Lima, com o objectivo de facilitar a navegação até ao Lindoso; 1713, 29 Outubro - desenho do forte pelo Eng. Manuel Pinto de Vila Lobos; 1720 - data da porta do revelim que cobre a entrada; 1758 - era alcaide-mor Joaquim Leite de Araújo Azevedo, a quem se continuava a pagar o mesmo que no séc. 16; o castelo era guarnecido por um destacamento de infantaria vinda, 2 em 2 meses, da Praça de Valença, e por 3 artilheiros; tinha 5 peças de artilharia, armazém de pólvora e outras munições; a freguesia do Lindoso não fornecia soldados para a guerra porque tinha de defender a raia seca e tinha de fazer à sua custa as guaritas do castelo; 1768, Outubro - documento refere a existência de um quartel dos oficiais, destelhado e sem tarimbas, um dos soldados, nas mesmas condições e sem portas, o edifício do corpo da guarda, destelhado, a casa dos meirinhos, uma casa dos fornos, sem portas, um armazém de pólvora, com as portas podres, 2 tulhas para guardar pão (ambas com 10 palmos de largura e uma com 7 de comprimento e a outra com 8) no mesmo armazém, uma cisterna e duas portas principais do castelo; 1769, Outubro - documento refere a existência de um forno com 8 pés de diâmetro e um outro de 4,5 de diâmetro; 1771 - existiam dois moinhos de bestas no castelo; 1801 - ainda conservava 4 canhões e alguns arcabuzes na muralha; séc. 19 - aqui estavam aquarteladas a 1ª Companhia de Artilharia 4 e a 4ª Companhia de Veteranos da Província do Minho, existindo ainda a Capitania-Mor de Lindoso com duas companhias de ordenanças, num total de 302 homens; 1812, 26 Novembro - memória descritiva do castelo refere que o mesmo era de péssima construção, com os muros de alvenaria miúda, muito desligada, e ameaçando ruína em diferentes partes; os muros tinham 24 palmos de altura, os seus parapeitos e terraplenos não tinham a grossura precisa e a altura e largura dos fossos era também pouca; os flancos tinham apenas lugar para um canhão e 4 ou 6 homens; no recinto do castelo tinha casernas para 50 homens e lugar para 150, se telhasse a torre a dois ou três pavimentos e a casa contígua; por esta e outras razões, considerava-se que o forte podia apenas ser importante como posição momentânea, e para impor respeito ao inimigo quando passasse na Ponte do Cabril; 1826, 6 Dezembro - data do orçamento de despesas para conserto do castelo nos telhados e portas; 1830, 27 Março - inquire-se sobre o destino a dar aos utensílios que outrora fizeram parte de um hospital fixo existente no castelo; 1832, 28 Abril - o tenente comandante Francisco de Vasconcelos Correia Castro Sousa Monteiro obriga-se a comprar telha, madeira e cal para os consertos nos quartéis do castelo, no prazo de ano e meio; 1856, 18 Agosto - "Comissão Mista de Demarcação de Limites entre Portugal e Espanha" ocupa-se pela primeira vez do traçado da fronteira do Lindoso, processo polémico devido às pretensões espanholas do monte da Madalena; 1862, 4 Junho - ordem do Ministério de Guerra para entregar o castelo ao Ministério da Fazenda, por intermédio do Director da Alfândega de Ponte da Barca; 1867, Agosto - planta do castelo de José Bandeira Coelho de Melo; 1869 - data da planta levantada pelo então tenente de engenharia Bandeira de Melo; 1873, 9 Abril - relatório da Inspecção da Direcção Geral de Engenharia descreve o castelo como tendo lanços de muros, ainda que pequenos, em terra, grandes porções da zona superior das muralhas "descosidas" e incompletas, consideráveis faltas de pedra miúda para igualar o forro vertical dos muros e ainda falta de reboco na face superior dos muros de para evitar a sua ruína ou a irregularidade; os edifícios denotavam abandono, assim os sobrados, tarimbas, portas, algumas traves já não existiam e da cobertura e armação dos tectos pouco se podia aproveitar na reconstrução dos tectos; a torre tinha 3 pavimentos, o castelo poderia alojar cerca de 400 homens ou, em caso de necessidade, 600, e o poço de onde se extraía água estava completamente entulhado; 1878, 10 Abril - por ordem do Ministério da Guerra concedeu-se à Direcção da Alfândega de Valença as casernas do castelo para estabelecimento de um posto fiscal; 1885 - os fundos e fossos receberam a última reparação, quando se estabeleceu o cordão sanitário; 1895 - ali estava a Infantaria 5, da Graça, Lisboa; desactivação do forte, passando a ficar sob a vigilância da Guarda Fiscal; 1896, 6 Novembro - solicita-se à Administração Geral das Alfândegas permissão para restituir ao Ministério da Guerra o castelo; 7 Dezembro - determinou-se que fosse enviado à Comissão das Fortificações do Reino uma planta do castelo com as indicações do estado em que se encontravam as muralhas e o valor que possuíam; 1897 - auto de entrega do castelo com descrição do mesmo *1; 2 Dezembro - existia apenas uma peça de ferro, encravada nos fossos; 7 Dezembro - auto de entrega do castelo ao Ministério da Guerra pela Guarda Fiscal; 1898, 15 Janeiro - Inventário dos prédios pertencentes ao Ministério da Guerra existentes na 4ª Divisão militar; num dos quartéis vivia com a família o cabo de veteranos encarregado da guarda do castelo; a porta do castelo estava em completa ruína; na fortificação abaluartada, o espaço O., entre os dois revelins da direita, produzia hortaliça para o cabo que ali vivia, e o resto do recinto produzia alguma erva; 1932, 18 Março - para comemorar a visita pastoral do Arcebispo de Braga ao Lindoso, carregou-se a única peça de artilharia (de calibre 8) que o castelo possuía, mas ela rebentou; 1934 - avaliação do terreno da esplanada em 8.300$000; 1939, 15 Junho - auto de entrega do castelo, com 8.912 m2, ao Ministério das Finanças; 1941, 2 Fevereiro - desabamento de um troço de 10 metros de muralha, do lado nordeste; 12 Fevereiro - o General Director da Arma encarregou o chefe da Repartição de informar que não era oportuno proceder-se à reconstrução do troço de muralhas, visto estar em curso a entrega do imóvel ao Ministério das Finanças; 27 Fevereiro - auto de entrega do castelo ao Ministério das Finanças, o qual incluía a torre quadrada, casas e quartéis no interior, das quais apenas a nº 4 e 5 conservavam cobertura; 1976, 8 Junho - auto cedendo a administração do castelo ao Parque Nacional da Peneda Gerês; 2001 - realização de uma feira medieval; 2002 / 2003 - projecto de candidatura ao INTERREG, RAINBOW, de parceria com uma escola inglesa e com o Instituto Politécnico de Viana do Castelo, para recuperação das estruturas e arranjo envolvente, que não chegou a ser implementado.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante (castelo e forte) e paredes autoportantes (edifícios do interior).

Materiais

Estrutura em alvenaria e cantaria de granito; portas pintadas; pavimento do segundo piso da torre e forro dos tectos em madeira; pavimento cerâmico nas construções do pátio; guarda de ferro; coberturas de telha.

Bibliografia

GUERRA, Luís de Figueiredo da, Castelos do Distrito de Viana, Coimbra, 1926; s.a., Guia de Portugal, vol. 4, Lisboa, 1965; SALDANHA, Luís Stubbs, BANDEIRA, Monteiro, Castelos de Portugal, in MAMASOME, nº 16, Dez. / Jan. 1982; MOREIRA, Bastos Castelo de Lindoso in Jornal do Exército, Lisboa, Setembro 1983; ALVES, Lourenço, Do Gótico ao Manuelino no Alto Minho (Monumentos Civis e Militares), Caminha, 1986; GIL, Júlio, Os Mais Belos Castelos e Fortalezas de Portugal, Lisboa, 1986; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; FONTES, Luís de Oliveira, REGALO, Henrique de Araújo, Lindoso o Castelo e a Região, Braga, 1997; COSTA, Pe. Avelino de Jesus da, Subsídios para a História da Terra da Nóbrega e do Concelho de Ponte da Barca, vol. 1, Ponte da Barca, 1998; REIS, António Matos, Castelos e Torres do Concelho de Ponte da Barca in Subsídios para a História da Terra da Nóbrega e do Concelho de Ponte da Barca, vol. 2, Ponte da Barca, 1998, pp. 225 - 235; JULIÃO, Paulo, Das conquistas até à grande albufeira. O Lindoso e toda a região em que está integrado tem inúmeras atracções, Diário de Notícias, 20 Agosto 2004.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; Arquivo Histórico Militar: 3ª Divisão, 9ª Secção, Cx. 17, 18; DI: 3ª Repartição, Tombo do Prédio militar 1/1 - Castelo do Lindoso

Intervenção Realizada

1812 - obras de conservação do forte: no flanco direito O. da tenalhas e na cortina O. junto à entrada, orçadas em 206$560; 1826 - obras de conservação no valor de 323$045 de jornais e 201.940 em material: reparação dos telhados de 2 quartéis separados, incluindo o do armazém que também servia de paiol, o da torre; colocação de cal nas juntas exteriores; colocação de 3 novas portas em madeira de castanho e conserto de outras 3; colocação de postigos de vidraças no quartel da torre; feitura de passadiço com varanda para ligação à torre; conserto do soalho do armazém; orçaram-se ainda em 379$620 as seguintes obras: restauro das empenas para a guarda principal, casa do forno e a da lenha; janela no 3º piso da torre; feitura de para a arrecadação do 2 piso da torre; canos, cumes, rufes, beirais e bocas; feitura de nova para a prisão nova, com postigo e grade de madeira por dentro; execução de soalho no pátio de entrada do 2º andar da torre *2; 1872 - reparações urgentes nas muralhas do castelo, no valor de 94$000; 1885 - reparação do castelo; DGEMN: 1941 - Início das obras de conservação e restauro: reconstrução completa de panos de muralha derruídos, execução de um novo alicerce, placas encobertas de betão armado; 1942 - obras de restauro; 1943 - continuação: demolição de paredes de alvenaria no pátio de armas; execução completa do remate da torre de menagem; reparação geral do adarve; regularização das caleiras; consolidação do parapeito; execução de ameias novas; reconstrução completa de muralhas com adarve e parapeito; 1944 - continuação das obras de restauro; 1945 - continuação do restauro; limpezas; 1951 - ruína passadiço que atravessava a porta; 1959 - ruína do cunhal da muralha junto da porta interior que dá acesso ao baluarte voltado a S.; 1962 - trabalhos de reconstrução da parede de grossura na entrada do castelo; 1973 - conclusão das obras de beneficiação; construção das 2 portas de vedação de acesso ao terreiro; 1974 - conclusão das obras de beneficiação - 2ª fase; obras de recuperação e conservação; 1975 - construção da ponte levadiça e da porta do terreiro; 1976 - obras de recuperação e conservação; reparação da instalação eléctrica; 1977 - trabalhos de conservação; 1982 - beneficiação de vários troços de muralha; 1984 - beneficiação interior; beneficiação de vários troços; 1985 - reparação da instalação eléctrica; 1991 - trabalhos de arqueologia.

Observações

*1 - A descrição do castelo refere a existência de um contraforte (A), que interrompe o segundo recinto até à aresta exterior do parapeito, tendo duas aberturas para facilitar a comunicação do mesmo recinto entre si; o castelo encontrava-se em bom estado de conservação e era composto por: a "atalaia"; uma casa com uma escada exterior dando acesso a um andar superior com janelas, mas que tinha apenas as paredes; uma casa térrea em frente da "atalaia" com forma de armazém; uns quartéis abarracados com uma tarimba em mau estado; uma casa térrea; uma outra só com paredes e um forno no interior e ainda uma outra no recinto exterior. Todas as paredes estavam em estado regular, mas os telhados estavam bastante deteriorados, tal como as portas. Para além da área do castelo, limitada pela crista da esplanada, existiam os terrenos da mesma, em cujos limites existiam marcos, mas que os habitantes da aldeia ocupavam na metade direita até ao revelim posterior no tempo das colheitas, para a debulha dos cereais e depósito ou medas de palha. O terreno a E. era fechado por um muro e tinha pouca cultura. *2 - Uma planta datada de 1826 representa as construções no interior do castelo medieval: no primeiro piso da torre de menagem ficava a prisão, com entrada directa a partir do exterior, no segundo uma arrecadação, um páteo de madeira e o paiol, e no terceiro um terraço; tinha adossado a S. um edifício que servia de quartel de malta; a muralha a E. tinha, para um lado, escadas de acesso ao adarve e para o outro à torre, a que se encostava, no cunhal NE. edifício para arrecadação de ferramentas; depois, seguiam-se, até ao cubelo da porta, três corpos, actualmente inexistentes, dois servindo de quartéis e o último de quartel dos oficiais; a antiga porta principal estava entaipada; encostada à muralha S. surgia corpo, correspondendo à cozinha e três quartéis; a O. dispunha-se corpo com telheiro frontal, da guarda principal e, mais para N., casa da lenha e a casa do forno; a casa do governador da praça ficava fora do castelo. *3 - Conta a lenda que D. Dinis, em viagem pelo N., achou o local propício à construção de um castelo que servisse de apoio na defesa da fronteira, frequentemente devassada pelos castelhanos. Terminadas as obras, o rei, impressionado com a sua beleza e inebriado com a natureza envolvente apelidou o local de "Lindoso". Não existe, contudo, qualquer fundamento histórico nesta lenda, não só porque já em documentos do séc. 09 o topónimo Lindoso é mencionado, como também devido à sua própria etimologia, cuja origem se encontra na palavra latina "Limitosum", que significa limites, fronteira. O primeiro alcaide do castelo foi Paio Rodrigues de Araújo e o seu senhorio pertenceu sempre até tempos modernos à família Araújo, sendo por vezes concedido honorificamente a pessoas importantes. O castelo terá tido uma ocupação descontínua, revelando grande utilidade apenas em períodos de conflito regional e / ou nacional. Esta descontinuidade é perceptível na precaridade da sua tenência e evidenciada pelos dados das escavações arqueológicas no seu interior. *4 - Uma provisão de D. José, datada de 3 Fevereiro de 1752, isentava de certo tributo as freguesias de Santa Asias, Britelo, Germil, Entre-os-Rios e Vila Chã (Santiago e São João), do concelho de Ponte da Barca, e o lugar de Bergaço, do concelho de Terras de Bouro, devido à obrigação a que estavam sujeitos de defender o castelo do Lindoso. Esta provisão mantinha-se ainda em vigor em 1852.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / 2007

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