Casa Pita

IPA.00000440
Portugal, Viana do Castelo, Caminha, União das freguesias de Caminha (Matriz) e Vilarelho
 
Casa nobre revivalista e barroca, de planta rectangular, onde estilisticamente se optou por um revivalismo neomanuelino, conjugado ocasionalmente com o barroco, detectável em pormenores das pedras de armas e sobretudo na fachada posterior e tanque do jardim. O retábulo da capela e os ricos estuques interiores são já neoclássicos. Introduz em Caminha, em meados do séc. 17, o neomanuelino, antecipando-se assim a uma moda que só muito mais tarde se desenvolveria em Lisboa.
Número IPA Antigo: PT011602070012
 
Registo visualizado 721 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre    

Descrição

Planta rectangular de volumes simples, e coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas, e de uma na loggia. Fachadas de dois e três pisos adaptados ao declive do terreno. Fachada principal virada a S., de dois pisos, em cantaria aparente de aparelho regular, rematada em ameias decorativas com chanfro sobre cornija interrompida regularmente por gárgulas de meia-cana. O primeiro piso apresenta o seguinte esquema de fenestração: a b a c a b a, correspondendo o a) a portas com colunelo e moldura convexa superior, o b) a janela de peitoril quadrada, de moldura convexa, e o c) a porta sensivelmente maior. No segundo piso rasgam-se janelas com arcos canopiais de diferentes modinaturas, sendo duas de peitoril com caixilharia de guilhotina, e as demais de sacada, com balaustrada de ferro. De cada lado da janela central, surgem pedras de armas. Fachadas laterais e posterior rebocadas e pintadas de branco, terminadas em friso e cornija, sobreposta por beirado simples, e possuindo os cunhais em cantaria aparente. Na fachada posterior, os dois primeiros pisos têm loggias avançadas, de colunas sobre acrotérios e com escadas laterais de acesso ao andar nobre. Este é rasgado por portas de verga recta e uma central, mais larga e de arco de volta perfeita. O terceiro piso é rasgado por janelas de peitoril, molduradas, peitoril saliente sobre falsas mísulas e terminadas em cornija, surgindo individualmente ou em bíforas. Fachadas laterais rasgadas no último piso por janelas semelhantes. A O., formando ângulo recto com a fachada posterior, ergue-se pequena capela, de planta longitudinal, possuindo no interior retábulo de talha, de frontão interrompido e albergando imaginária e com tecto de masseira. Em frente da fachada posterior, organiza-se pátio lajeado, com conduta de água, aberta, fonte tipo obelisco, com tanque lobulado e ainda um tanque rectangular com duas bicas. A O., em frente à antiga casa do caseiro, existe mirante, de planta quadrada e quatro pisos. Esta zona separa-se da quinta por alto muro, o qual delimita igualmente a quinta e o separa da casa dos caseiros. A N., o muro da quinta é coroado por vários pináculos piramidais, almofadados, e, no alinhamento da casa, integra portal; este é em arco de volta perfeita, com chave saliente, ladeado por pilastras jónicas, assentes em plintos paralelepipédicos decorados com elementos curvos, e coroado por duplo friso e cornija rematada por ameias e duas urnas laterais; possui portão de ferro ornado com elementos fitomórficos e com a data de 1898. INTERIOR acedido pelo portal central da fachada principal; vestíbulo, com pavimento de lajes e tecto plano, de madeira, tendo lateralmente portas de verga recta, molduradas, e, em frente, arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, a partir da qual se desenvolve escadaria para o andar nobre; neste sucedem-se salas com tectos e paredes decoradas a trabalhos de estuque. Fronteiro ao palácio, ficam as antigas cavalariças (hoje garagem), de plantar rectangular, fachada rebocada e pintada de branco, de um piso, com pilastras nos cunhais e rematado em platibanda lisa; é rasgada por portal de arco abatido.

Acessos

Caminha (Matriz), Rua da Corredoura, n.º 1 a 13. WGS84 (graus decimais): lat.: 41,875387; long.: -8,838060

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Urbano, flanqueado, implantação harmónica. Ergue-se numa das principais ruas da vila, no exterior da antiga muralha medieval que envolvia o burgo, mas que no séc. 17 foi fechada pelas Portas Novas da Corredoura, da fortaleza abalauartada. É flanqueada por construções e nas suas imediações existe ampla praça com chafariz (v. IPA.00002161) e outros edifícios de interesse arquitetónico, como a Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Caminha (v. IPA.00008912), o edifício da Câmara Municipal de Caminha (v. IPA.00008996), o Edifício da Caixa Geral de Depósitos (v. IPA.00021104), a Torre do Relógio, parte das Fortificações de Caminha (v. IPA.00002169), a Casa dos Torres (v. IPA.00008995), e a Casa Quinhentista da Rua da Corredoura nº 64 (v. IPA.00032346).

Descrição Complementar

Pedra de armas da direita: escudo esquartelado, tendo no I e IV quartel quadrante em campo azul, um castelo de ouro; no II e III, em campo vermelho, uma banda de ouro saindo de suas cabeças de serpe, de verde. Timbre, trifólio verde. Pedra de armas da esquerda: escudo esquartelado, tendo no I armas de Távoras (picadas); no II cruz dos Pereiras; no III as 6 arruelas dos Castros; e no IV armas dos Lobatos. Elmo de frente; timbre com o dos Lobatos, mas incompleto.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1637, 03 Janeiro - Gregório Pitta Calheiros e Brás Pitta Ortigueira instituem morgado dos Pitta, sendo este o 1º administrador; documento refere umas casas novas e outras velhas à entrada da R. da Corredoura; nas novas morava Gregório Pitta Calheiros e esposa, D. Isabel Teixeira de Mesquita; as velhas, que lhe ficavam junto, confrontando por N. e com elas comunicando pelo interior, tinham pertencido aos pais de D. Isabel Mesquita; posteriormente existiram umas terceiras casas, do lado N., adquiridas por Sebastião Pitta Soares, filho do instituidor Brás Pitta Ortigueira, a João Gomes; 1649 / 1652, entre - Sebastião P. Soares construiu a actual casa, no espaço ocupado pelas três casas referidas ; 1648, 8 Agosto - autorização para meter no quintal 2 terças partes da água que alimentava o chafariz do Desterro; pouco depois iniciam-se obras no jardim e quintal, fazendo-se paredes de rede com pirâmides nos cantos, onde se gastou mais de 200$000 rs.; fez-se depois à volta latadas com colunas de pedra, cada 1 custando 500$000 rs.; 1649 - execução de cano de pedra para a água vinda do chafariz e que entrava pela porta do meio da fachada, passando por baixo das escadas de pedra em direcção ao chafariz e tanque, feito no jardim em 1652; 1795 - o oratório da casa era então dedicado a Santa Quitéria; 1885 - estando muito danificada, a casa foi restaurada interiormente, por João Filipe de Meneses Moreira Pitta e Castro, que a decorou com estuques; já existia capela na fachada posterior; 1898 - data do portão de ferro no limite posterior da quinta; 1905 - obras no segundo piso na fachada posterior.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura em cantaria e alvenaria de granito; molduras dos vãos e cornijas em cantaria de ganito; trabalhos de estuque; guardas das janelas em ferro; caixilharia e portas de madeira, algumas chapeadas a ferro; retábulo de talha; pavimentos em lajes de cantaria de granito e em madeira; cobertura de telha; algerozes metálicos.

Bibliografia

SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres Casas de Portugal, vol. 1, Porto, s.d.; CORREIA, J., Cidades e Vilas de Portugal. Caminha, vol. 1, Vila do Conde, s.d.; AVILEZ, Manuel Jorge de, A Casa dos Pittas, em Caminha, Arquivo do Alto Minho, vol. 23, fasc. III, Viana do Castelo, s.d., p. 47 - 52; CRUZ, Maria Alfredo, Caminha. Evolução e Estrutura duma antiga vila portuária, sep. FINISTERRA, vol. 2, Lisboa, 1967; ALVES, Lourenço, Caminha e o seu Concelho (Monografia), Caminha, 1985; idem, Do Gótico ao Manuelino no Alto Minho (Monumentos Civis e Militares) in Caminiana, vol. 12, Ano 7, nº 12, Caminha, 1985, p. 37 - 150; MOREIRA, Rafael, Do Rigor Histórico à Urgência prática: a Arquitectura Militar in História da Arte em Portugal, vol. 8, Lisboa, 1986, p. 67 - 85; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, SIPA

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID

Intervenção Realizada

Proprietário: 1992 - obras de conservação dos estuques e construção de instalações sanitárias no primeiro piso.

Observações

*1 - Foi incorrectamente classificada com a designação "Casa das Pitas". Segundo Rafael Moreira, foi o Engº. Manuel Pinto Vila Lobos que introduziu e desenvolveu no séc. 17 e 18 os revivalismos em Viana do Castelo e arredores. Assim, ainda que algumas das suas obras datadas, como Casa da Carreira e a dos Alpuins, sejam posteriores e de um maior barroquismo, é possível relacionarmo-lo à Casa Pita ou a alguém a ele ligado, até porque aquele Engenheiro trabalhará na Matriz de Caminha, entre 1704 - 1721.

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

João Almeida (Contribuinte externo) 2018
 
 
 
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