Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça do Divor / Igreja de Nossa Senhora da Graça

IPA.00004384
Portugal, Évora, Évora, Nossa Senhora da Graça do Divor
 
Igreja paroquial tardo-renascença, maneirista, barroca e rococó, de nave única, antecedida por alpendre maneirista, notoriamente erudito e de clara influência serliana, com risco atribuível a Diogo de Torralva, totalmente executado em mármore de duas cores, de grande efeito monumental, singular num edifício algo periférico em relação aos grandes centros artísticos.No interior, nartex, coberturas em abóbada de berço na nave e capela-mor e dois altares laterais na zona do cruzeiro. Destaque para o conjunto azulejar barroco, que reveste quase integralmente os alçados, datável do 2.º quartel do séc. 17, de fatura lisboeta, de tapete, com padrões de grande intensidade decorativa e cromática; no arco de triunfo, composições de brutescos mais individualizadas e na sanca da nave cercadura figurando sereias aladas sustentando coroas de louro com emblemas em louvor à Virgem, feito certamente de encomenda para esta igreja. O programa azulejar integra-se perfeitamente com o conjunto de talha dourada dos altares, incluindo o retábulo rococó do altar -mor, e com os estuques das abóbadas e as pinturas murais de temática hagiológica.
Número IPA Antigo: PT040705020117
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Edifício de planta rectangular com nártex e dois campanários, formando uma massa composta por volumes articulados dispostos horizontalmente e suportados por contrafortes laterais. Cobertura em telhado de duas águas. Fachada orientada a O, salientando-se o nártex em mármores azuis e brancos, assente em três arcos de volta perfeita que alternam com duas portas de lintéis rectos a que se sobrepõem duas janelas de alisares também direitos; é rematado por um pequeno nicho central (com imagem da padroeira) encimado por um frontão triangular e ladeado por quatro pináculos. Lateralmente dispõem-se dois campanários de alvenaria rebocados e caiados. A empena da nave é rematada por pináculos nos acrotérios, uma pequena platibanda e um vão encimado por frontão triangular. Nas paredes laterais permanecem os vestígios de um registo de uma via sacra em azulejo e uma lápide estipulando as obrigações do fundador. INTERIOR: nave com cobertura em abóbada de caixotões; capela-mor de planta sensivelmente quadrangular, com cobertura em abóbada de berço também em caixotões com decoração em estuque e altar-mor em talha dourada. As paredes da nave encontram-se totalmente revestidas a azulejo, e a ousia do arco triunfal, de acesso ao altar-mor, apresenta pinturas murais.

Acessos

EN 370, Évora-Arraiolos, a c. de 12 kms de Évora

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 508/2014, DR, 2.ª série, n.º 123, de 30 junho 2014

Enquadramento

Rural, numa pequena elevação do terreno, relativamente destacado, na Herdade da Água da Prata (que desde a Idade Média pertenceu ao cabido da Sé de Évora), em terrenos próximos da homónima zona de captação de água, que no Séc. 16 passou a abastecer a cidade de Évora. O templo, inserido na aldeia da Graça do Divor, é antecedido por um adro com um cruzeiro em mármore.

Descrição Complementar

As paredes da nave apresentam azulejos de padronagem rematados por friso representando sereias que seguram coroas de folhagens com atributos marianos; a capela baptismal é decorada com um painel de azulejos onde é figurada uma cartela oval, representando uma Senhora com o Menino, segura por dois anjos, entre rosas e motivos de enrolamentos. Outros motivos caracteristicamente maneiristas, como brutescos, querubins, cartelas ovais, pássaros exóticos, grinaldas e até um macaco, ornamentam os frisos de azulejo.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Évora)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Diogo Torralva (séc. 16) (atrib.); ENTALHADOR: João Luís Botelho (retábulo-mor)

Cronologia

Séc. 16 - a captação de água da Prata, na Herdade Homónima, passa a abastecer a cidade de Évora; 1536 - primeiras notícias da existência da igreja; 1537 - inauguração do Aqueduto da Prata (v. IPA.00002755); Séc. 16 - construção do alpendre atribuível a Diogo Torralva; Séc. 17, primeira metade - principais obras de remodelação; Séc.18, 2.ª metade - execução do retábulo de tlaha do altar-mor; 2005, 09 maio - Proposta de abertura do Processo de classificação pelo IPPAR/DRÉvora; 2005, 29 setembro - Despacho de abertura do Processo de classificação pelo Presidente do IPPAR; 2008, 13 novembro - Proposta da DRCAlentejo, a propor a classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público e de ZEP; 2009, 30 abril - Parecer favorável à classificação e à ZEP pelo Conselho Consultivo do IGESPAR; 2010, 03 dezembro - Despacho de homologação da classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público e da ZEP pelo Secretário de Estado da Cultura; 2013, 15 fevereiro - publicado no DR, 2.ª série, n.º 33, o Anúncio n.º 64/2013 de Projeto de decisão relativo à fixação de ZEP.

Dados Técnicos

Estrutura mista; galilé assente em arcos, travada por abóbada e cobertura em terraço.

Materiais

Mármore no nártex; alisares de vãos em granito; alvenaria mista rebocada e caiada nas paredes exteriores; coberturas em telha de canudo; pavimento interior em soalho; azulejos nos alçados interiores; retábulos de talha dourada.

Bibliografia

ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal-Distrito de Évora, vol. 8, Lisboa, 1966; TAVARES, Deolinda, Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Graça do Divor - Revestimentos de azulejaria do séc. 17, relatório de estágio final do 2º ano, (texto policopiado, Escola Superior de Tecnologia de Tomar), 1994; SIMÕES, J.M. Santos, Azulejaria em Portugal no séc.17, Lisboa, 1971.

Documentação Gráfica

IPPAR: DRE

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IPPAR: DRE; CME

Intervenção Realizada

Junta de Freguesia da Graça do Divor: realização periódica de pequenos trabalhos de manutenção e limpeza.

Observações

Autor e Data

Paula Amendoeira 1998

Actualização

 
 
 
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