Convento de Santa Teresa

IPA.00004248
Portugal, Coimbra, Coimbra, União das freguesias de Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)
 
Arquitectura religiosa, barroca. Mosteiro de carmelitas descalças. Azulejos de fabrico coimbrão de meados do séc. 18.
Número IPA Antigo: PT020603250065
 
Registo visualizado 548 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem das Irmãs Descalças de Nossa Senhora do Monte do Carmo - Carmelitas Descalças

Descrição

Planta composta pela igreja e dependências conventuais ordenadas em redor do claustro; volumetria articulada onde se destaca a capela-mor, desenvolvendo-se até à cerca *1. Igreja: planta longitudinal composta, de nave única precedida por átrio (portaria conventual) e capela-mor; seguindo-se a casa do capelão. Volumes articulados com cobertura diferenciada em 2, 3 e mais águas e zimbório central. Fachada principal a N., dividida em 3 corpos, com o central mais saliente e o da capela-mor, mais baixo a E., com 2 registos, separados por cornija. Vãos rectangulares, sem adornos, exceptuando 2 janelas altas do corpo central, uma encimada de frontão semicircular, a outra com recorte quadrilobado cortado na base. A portaria e acesso à igreja são 2 portas idênticas no corpo O. *2; ombreiras ladeadas por largos ornatos, entablamento dórico de triglifos e métopas, dominado por nichos com esculturas, acompanhado por linhas curvas com enrolamentos superiores a fazerem a ligação com a cornija inferior, e 2 pirâmides. Ao centro do espaço intermédio entre as portas, no início do segundo registo, o brasão da ordem envolvido por ornatos, sob um dossel. Espaço INTERIOR escassamente iluminado por janelas com vitrais: 2 nas paredes laterais da nave, 4 na zona do cruzeiro, onde também incide a luz do zimbório, 2 na capela-mor. Nave com 2 púlpitos em madeira, tendo cada um ao lado, um pequeno nicho. Capela-mor com retábulo de madeira do lado do Evangelho, inserido em arco de volta redonda e do lado da Epístola, arco com grade de ferro separando da capela-mor a sala do comungatório das irmãs; retábulo-mor de madeira com edículas laterais adornadas com esculturas; sacrário em mármore de Estremoz; no pavimento, 2 sepulturas *3 Cruzeiro com 2 altares em madeira inscritos em arco redondo: cobertura interior em abóbada de arestas, de um só tramo, na nave e capela-mor. Pavimentos em madeira e pedra. Coro-alto sobre portaria restrito às irmãs, com largo vão de verga curva enquadrado por ornatos de pedra e grade; apresenta no interior paredes lambril de azulejos, com paisagens; azulejos decorativos na sala do comungatório. Claustro simples composto por cinco arcos de cada lado sustentados por pilares. Em redor, distribuem-se as dependências conventuais; na parte baixa as repartições utilitárias, como o refeitório; na de cima, as celas, com estreitos corredores, de abóbadas abaixadas de tijolo. Dispersas pela cerca encontram-se outras construções.

Acessos

Rua de Santa Teresa

Protecção

Enquadramento

Urbano, isolado, na proximidade do Penedo da Saudade, em zona alta donde se disfrutam boas panorâmicas sobre a cidade, nomeadamente sobre a zona de Solum. A sua cerca, pequena, confina a N. com a R. de Santa Teresa, a S. com quintais e construções adossadas ao muro de vedação, a E. com a Av. Dr. Marnoco e Sousa e a O. com a R. Dr. Aires de Campos. Harmonização com o meio envolvente, constituído na sua maioria por moradias rodeadas de jardins.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Religiosa: mosteiro feminino

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ordem das Carmelitas

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Frei Pedro da Encarnação (carmelita, autor do projecto) / Pascoal Parente (pintor)

Cronologia

1739, 20 de Janeiro - concedida licença régia para a fundação do mosteiro; 1740, 9 de Abril - lançada a primeira pedra do edifício; 1744, 23 de Junho - entrada das religiosas para o mosteiro; 1879, 25 de Março - instala-se também no mosteiro a Congregação Mariana, movimento religioso que teve no bispo de Coimbra, D. Manuel Correia de Basto Pina, um dos grandes dinamizadores; 1910 - com a implantação da república, as religiosas e a Congregação Mariana são expulsas do espaço e instalam-se no edifício os serviços do Ministério da Guerra; 1944 - saída dos serviços militares; 1946, 7 de Março - mosteiro devolvido à mesma Ordem Carmelita, sem perda dos direitos de propriedade por parte do Estado e assinado o auto de entrega do edifício, com a cerca, igreja e residência do capelão (14 de Junho); 1947 - feitas as obras de reparação e limpeza, as carmelitas regressam ao edifício, bem como o seu capelão, o cónego Manuel dos Santos Rocha, mais tarde bispo de Beja.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Telha cerâmica escura (cobertura), alvenaria rebocada e caiada (paredes), pedra (cantarias), madeira, mármore de Estremoz.

Bibliografia

BORGES, Nelson Correia, Coimbra e Região, Lisboa, 1987; CASTRO, A. Simões de; Guia Histórico do Viajante em Coimbra e Arredores, Coimbra, 1867; CORREIA, Vergílio e GONÇALVES, A. Nogueira, Inventário Artístico de Portugal. Cidade de Coimbra, Lisboa, 1947; DIAS, Pedro, Coimbra. Arte e História, Porto, 1983; NUNES, Mário, Nos Caminhos do Património II, Coimbra, 1995.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, IHRU/REMC

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Intervenção Realizada

DGEMN:1910 - obras de adaptação, no exterior e interior, mantendo o carácter monacal do edifício (DIAS, 1983); 1949 - início dos estudos preliminares do mosteiro, que à data da entrega à Ordem se encontrava em ruína (as religiosas fizeram no início a recuperação possível a expensas suas); 1950 - elaborado pelos serviços dos Monumentos do Centro um plano geral de beneficiação, alterado e ajustado a várias condicionantes; obras de conservação e restauro (grande parte das quais custeadas pela Ordem Carmelita) dada a grande pobreza da ordem e o facto de não dispor de recursos materiais); construção do sacrário em mármore de Estremoz; 1952 - reparação e beneficiação da cerca, edifício conventual e igreja; construção de muro de vedação, com sebes, para obstar às vistas dos vizinhos, adaptação de ala do mosteiro a celas; demolição de paredes e tectos da igreja e construção de paredes em alvenaria de tijolo e tectos em estuque sobre estafe; rasgamento dos vãos das janelas e outros arranjos; 1958 - ampliação das instalações: construção de pequena casa adossada à igreja, ao lado da R. Aires de Campos, obras meramente utilitárias; 1960 - valorização da igreja, nomeadamente construção, assentamento e douramento de altares e nichos, e muros da vedação; 1967 - reparação dos telhados e caixilharias das janelas; 1972 - remodelação da instalação eléctrica na igreja e parte conventual, sem afectar a parte arquitectónica do imóvel.

Observações

*1 - Em virtude da clausura rigorosa a que estão sujeitas as irmãs carmelitas, nao é possível visitar o mosteiro para lá das paredes da igreja. Assim, a descrição feita das restantes divisões baseia-se nas descrições bibliográficas feitas antes da secularização e na análise das plantas existentes na DREMC. *2 - A da portaria tem inscrito a data de 1741, a da igreja a de 1743. *3 - Uma é do pintor Pascoal Parente, que segundo Simões de Castro pintou uma tela para o retábulo-mor (1768). *4 - Esta congregação era composta, sobretudo, por alunos de Direito e Teologia; prestou relevantes serviços à Igreja e nela terá sido preparada a fundação do CADC;

Autor e Data

Francisco Jesus 1998

Actualização

 
 
 
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