Capela de Nossa Senhora da Conceição / Capela da Praça

IPA.00004139
Portugal, Viana do Castelo, Arcos de Valdevez, União das freguesias de Arcos de Valdevez (Salvador), Vila Fonche e Parada
 
Arquitectura religiosa, românica-gótica. Pequena capela funerária, construída no início do séc. 15, ou ainda durante os últimos anos do 14, estabelecendo estilisticamente a transição do românico para o gótico, de planta longitudinal com nave e capela-mor, sensivelmente inclinada, interiormente com tectos de madeira e iluminada por frestas laterais na capela-mor. Fachada principal terminada com empena, rasgada por portal em arco quebrado, de duas arquivoltas sobre impostas corridas. No interior, o arco triunfal é igualmente quebrado, de duas arquivoltas, com chanfro. Caracteriza-se pela sobriedade e singeleza de linhas, quer exterior, quer interior. Destaque Exteriormente, destaca-se apenas o portal, decorado com boleado numa das arquivoltas. Sobre este, foi rasgado posteriormente janela rectangular, entretanto fechada. Na fachada lateral esquerda possui porta travessa de verga recta, actualmente entaipada, e referência à existência de uma cachorrada sob a cornija antes da antes da construção do edifício adossado. No interior a parede que envolve o arco triunfal e a testeira da capela-mor conservam restos de pinturas murais, possivelmente executados no séc. 15, apresentando ainda em 1966 figuras de santos e cenas religiosas. A sua função funerária manteve-se ao longo de toda a época moderna, o que se pode atestar pela presença de lápides funerárias de membros da nobreza local, como por exemplo das famílias Casson, Abreu, Brito e Araújo que foram administradores da capela.
Número IPA Antigo: PT011601340007
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal de nave única e capela-mor, rectangulares, de volumes horizontalizados com coberturas escalonadas, em telhado de duas águas. Fachadas de cantaria aparente com aparelho isódomo. A fachada principal, orientada, e terminada em empena, coroada por cruz latina de cantaria, é rasgada por portal de arco quebrado, com duas arquivoltas, a interior moldurada e a exterior decorada com bosantes, apoiadas em imposta corrida simples, que se prolonga pela fachada. No cunhal direito surge gárgula de meia-cana. Fachada lateral esquerda cega, terminada em beiral. INTERIOR: com aparelho de cantaria aparente, pavimento de lajes graníticas integrando diversas lápides funerárias com inscrições, duas com brasão, e tecto de masseira com travejamento à vista. À entrada, do lado do Evangelho, surge pia de água benta, aberta em capitel, de perfil facetado e com torsal inferior, assente num plinto cilíndrico. No lado da Epístola, rasga-se portal de verga recta, entaipado, e junto ao qual se dispõe troço de meia coluna. Segue-se-lhe arca tumular, de D. João Domingues, Abade de Sabadim, de tampa trapezoidal, em pedra e sem ornamentação. Arco triunfal quebrado, de duas arquivoltas, assentes nos pés direitos, com chanfro, precedido por dois degraus; a parede envolvente conserva, no lado da Epístola, vestígios de pintura mural. Nas paredes da nave dispõem-se, de ambos os lados, painéis acrílicos com fotografias do património do concelho. A capela-mor possui, lateralmente, frestas com vidros policromos, rasgadas sobre armários rectangulares embutidos, com porta almofadada. Na parede testeira, com vestígios de pintura mural no lado do Evangelho, rasga-se uma outra fresta, com capialço, terminada em arco abatido, albergando actualmente imaginária, possuindo do lado do Evangelho, pequeno nicho de alfaias, rectangular moldurado.

Acessos

Salvador, Rua da Praça. WGS84 (graus decimais): lat.: 41,846185; long.: -8,418607

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 43 073, DG, 1.ª série, n.º 162 de 14 de julho 1960 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 125 de 26 maio 1964

Enquadramento

Urbano, flanqueado, implantação harmónica, na margem direita do rio Vez. Ergue-se no centro histórico da vila, nas imediações da Igreja da Lapa (v. PT011601340012) e tendo adossada à fachada lateral direita e à posterior outras construções, cuja volumetria envolve a capela, datadas de meados do séc. 20.

Descrição Complementar

INSCRIÇÃO: uma das lápides funerárias do pavimento da nave tem a inscrição: "S D GONCALO CERQVEIRA E DSF ISABEL DARAVJO EDCNDAVJO", tendo no escudo as armas dos Araújo, de prata, com aspa de azul ornamentada com cinco bosantes de ouro postos em aspa, e as dos Cerqueira de vermelho, com um leão de ouro e lampassado de azul com coleira do primeiro esmalte guarnecida de ouro *1.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Cultural e recreativa: galeria de exposições

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15 (conjectural) / 16

Arquitecto / Construtor / Autor

EMPRESA: Augusto de Oliveira Ferreira, & C.ª L.ª.

Cronologia

1372 - O Abade de Sabadim, D. João Domingues, mandou erguer a capela *2; 1410, 5 Janeiro - por testamento, D. João Domingues, determina ser enterrado na sua capela, cuja administração estabeleceu ficar a cargo de João Álvares Antunes Casson, morador em Arcos de Valdevez, o qual sucederia ao aio do Infante D. Dinis, João Lourenço Bubal, que construíra em Arcos de Valdevez e no "Moimento" que lá estava; 1420 - era administrador da capela João Álvares Casson; séc. 15 / 16 - execução de pinturas murais; 1502 - segue-se na administração Gonçalo Anes Casson, seu filho; 1523 - era administrador Vicente Álvares Casson, irmão de Gonçalo Casson; 1524 - era administrador Sebastião Casson; 1580 - era administrador Gaspar Casson; 1617 - era administrador Francisco de Sousa; 1620 - era administradora Ana Casson; 1640 - era administradora Isabel de Ferias; 1650 - era administrador António de Caldas; 1662, Agosto - a vila de Arcos de Valdevez foi incendiada por militares espanhóis sob o comando de D. Baltasar Pantoja; 1670 - era administrador Francisco de Sousa Lobato; 1691 - instituição da Confraria de Nossa Senhora da Conceição; 1691, 3 Dezembro - os estudantes da vila de Arcos de Valdevez, Pedro da Rocha Jácome, Diogo de Sousa Menezes, Bento da Rocha, Nuno dos Guimarães de Brito, André da Rocha Ferreira, Gaspar Mendes Aranha, Domingos de Amorim Antas e Manuel Martins Preto, fizeram promessa a Nossa Senhora da Conceição em como fundariam uma confraria dedicada à mesma, o que não se justificaria pelo facto da capela servir como paroquial da freguesia do Salvador, pois decorria a construção da nova Igreja Matriz; 1717, 14 Agosto - ao contrário do que acontecera nas quatro visitas precedentes (1709, 1714, 1715 e 1716), o Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles, visitou a vila de Arcos de Valdevez e apreciou a capela, concluindo que se encontrava num estado vergonhoso, sobretudo tendo em conta os avultados rendimentos que lhe cabiam, ordenando, por isso, que o seu administrador, num prazo de quatro meses, apresentasse: um novo retábulo, já que o existente era pouco digno, uma alva nova, dois sanguinhos, dois manustérgios, uma credencia para o sacerdote e procedese à reparação do lajedo do pavimento, ou cobrisse o mesmo com taburnos; se o administrador não cumprisse estas exigências, o Arcebispo confiscaria os bens e rendimentos da capela; 1718 - o administrador, Francisco de Sousa Lobato Caladas, requer ao visitador Dr. Domingues Goês Mota, abade de Santa Maria de Ferreiros, uma redução do programa de obras definido pelo Arcebispo, contudo foi obrigado a concluir as obras, na totalidade, durante os seis meses seguintes; 1723, 9 Agosto - o visitador, o Arcebispo Primaz, D. Rodrigo de Moura Teles, confirmou as exigências feitas anteriormente e ordenou que, com urgência se mandasse estofar a Imagem de Nossa Senhora da Conceição e "pôr pedra de altar nos seus caixilhos e Sacra, Lavabo e Evangelho de São João"; 1725, 26 Outubro - o abade de São Miguel do Prado, Dr. Manuel Cerqueira de Moura, como visitador, ordena o douramento do retábulo, num prazo de três meses com pena de 2$000 rs; 1727, 4 Fevereiro - o visitador, Dr. Rodrigues Maciel observa que o douramento do retábulo se encontrava parcialmente executado, pelo que ordena a sua conclusão, e em contrapartida, o administrador seria liberto da coima pecuniária; 1728, 19 Abril - continuando por concluir o douramento do retábulo, o visitador adverte que, se o administrador não cumprisse as ordens do Arcebispado, seria concedida autorização aos caseiros para não lhe darem os rendimentos da capela, bem como outros afins que deveriam entregar na Casa do Despacho, para que se procedesse à conclusão do douramento do retábulo; 1731 - era administradora D. Leonor, filha de Francisco de Sousa Lobato Caldas, mulher de Inácio Prostrelha; 1735, 29 Julho - o visitador, Dr. Gonçalo Pinto de Carvalho e Medeiros, Abade de Santa Marinha de Gontinhães, sendo pároco o reverendo António José de Sousa, ordena que sejam reaparelhadas e rebocadas as paredes internas da capela, se procedesse à conservação dos telhados e abrisse uma fresta alta e larga, num prazo de seis meses, advertindo que o incumprimento destas exigências redundaria no confisco dos rendimentos; visto observar que a população usava o espaço como armazém de madeiras e telhas, ordenou ao pároco que obrigasse os mesmos a retirar tudo do seu interior, sob pena de excomunhão, no termo de vinte e quatro dias e proibiu a pessoa encarregue de guardar a chave da capela de permitir o acesso ao sue interior para esses fins; 1746, 12 Setembro - torna a ser visitador o Abade de Santa Maria de Gontinhães, mas a freguesia tinha outro pároco, o Reverendo Miguel de Sousa, que ocupou esse cargo durante trinta e cinco anos; recomendação ao administrador que procedesse ao madeiramento da capela-mor e da nave, fizesse novas portas e pintasse, num período de seis meses, senão seriam confiscados bens suficientes para custear a obra; 1748, 3 Maio - o abade de São Pedro do Souto, o Reverendo Bernardo Marques do Couto, reafirma as ordens proferidas pela visitação anterior, dado o seu incumprimento; 1754, 4 Junho - o visitador Dr. Marcelino Pereira Leto, abade de São Miguel de Entre Ambos os Rios, verificou que as ordens de 1746 continuavam por cumprir, advertindo o pároco com suspensão se, ao fim de dois meses, não tivesse as obras prontas e custeadas pelos rendimentos da capela; 1757, 6 Agosto - a capela era administrada por Inácio Perestrelo Meirinho Pereira, de Ponte de Lima, encontrando-se em mau estado devido ao incumprimento das directrizes das sucessivas visitações; concessão de novo prazo de três meses para que o pároco exigisse ao administrador a encomenda e o pagamento das obras; 1760, 25 Março - o mesmo visitador de 1757, reafirmou a decadência da capela, pelo que determinou o confisco dos bens para custear as obras, bem como a suspensão da capela, passando a missa a ser dita na Igreja da vila; 1761 - o pároco Reverendo Miguel de Sousa, alegou não conhecer os bens do administrador naquela freguesia, pelo que nunca o confrontara com a necessidade de fazer obra; 1763 / 1765 / 1767 - nas visitações as obras continuavam por executar, permanecendo a capela suspensa; 1771, 2 Junho - o visitador, Reverendo Gaspar Durães, abade de São Julião da Silva, constata a concretização das obras, na capela, apresentando condições dignas de celebrar missa, que os instituidores propunham ser realizada duas vezes por semana, ficando o pároco autorizado a pedir a Sua Alteza Real a suspensão da interdição da capela; 1780, 20 Agosto - o abade de São Salvador de Mazedo, Reverendo António Manuel da Costa e Melo informa a necessidade de se fazer algumas reparações: teria dois meses para substituir a pedra de ara, que se encontrava quebrada, sendo que ultrapassando esse prazo a capela seria suspensa, e, seis meses, para "retelhar" com cal e areia o telhado e adquirir duas galhetas, sob pena de 2$000 rs; 1782, 29 Outubro - a suspensão durou até esta visitação, levada a cabo pelo Reverendo António da Costa Melo, Cónego da Colegiada de Santa Maria Maior da Vila de Viana e Prior de Monserrate, que, tendo constatado a colocação da pedra de ara, por sua vez, deliberou também a colocação de uma bolsa de corporais de damasco de quatro cores e umas galhetas; 1784 - o novo pároco da freguesia de Salvador, da Vila de Arcos de Valdevez, era o Reverendo José Geraldes Ferreira Soares, sendo que nas seguintes: 1790 - era administrador Francisco Manuel Prostrelha; 1797, 8 Julho - a capela foi suspensa, por ordem do abade de São Miguel do Couto de Gondufe, o Reverendo Manuel Gomes Rodrigues, devido a não se encontrar nas condições ideais; 1804, 2 Novembro - o visitador Domingos José de Paredes, Reitor de São Miguel de Lavradas, ordena o administrador a vestir, com nova indumentária roxa, aparelhada e um amito, a imagem de Nossa Senhora da Conceição, num prazo de quatro meses, sob pena 1$000 rs que seriam pagos na visitação seguinte; 1808 - o abade de Santa Maria de Adães, José Leite, tornou a aplicar a multa de 1804; 1816, 11 Dezembro - com o novo pároco desde 1810, o Reverendo António Bento Pereira Dias, que se manteve até 1845, a capela foi alvo de maiores cuidados por parte do administrador; um visitador em particular, António José dos Santos, abade de Santo André de Santa Cruz do Lima, nesta data classificou o estado da capela como lastimoso e deplorável, o que muito o admirara tendo em conta o seu rendimento anual de 400$000 rs, assim decretou um prazo de dois meses, para o administrador proceder à reparação dos telhados, com cal e areia, "forrar a capela-mor que se encontrava arruinada nesta parte, dealbala por dentro e por fora, colocar vidraças na fresta, e porão uma toalha do altar, e uma alva de linho", sob pena de 10$000 rs em metal"; 1822, 13 Outubro - na visitação o Abade de São Martinho do Soajo, Domingos Lopes Martins, apontou a necessidade de uma série de pequenos reparos; 1824, 14 Dezembro - Isac Benevuto da Silveira Costa Figueiredo, abade de São Tiago de Sampriz, visitou a capela e verificou que as ordens do seu antecessor não haviam sido cumpridas pelo que fixou uma pena de 4$000 rs ao administrador e a suspensão do pároco, se não cumprissem com o exigido; 1831, 24 Maio - realização da última visita canónica, da responsabilidade do abade de Crespos: José Joaquim Pereira de Carvalho, que considerou os telhados e madeiramentos arruinados, aspectos a serem revistos pelo admininstrador em seis meses, acrescentando a compra de uma banqueta de seis castiçais e um crucifixo para o altar, a colocação de vidraça na fresta da capela-mor e na do frontispício cujas paredes também precisavam ser rebocadas e "dealbadas", no seu interior, aplicação de cal nas juntas das "pedras de esquadria como antigamente" e um frontal de seda branca novo; 1834 - depois da extinção das Ordens Religiosas a capela ficou na posse de particulares e a partir de então foi sucessivamente utilizada como armazém; 1845 - de acordo com os Inquéritos Paroquiais a administração da capela estava a cargo da Casa dos Perestrelos de Ponte de Lima, tinha sido reedificada e possuía paramentos necessários; a freguesia do Divino Salvador tinha 246 fogos e 949 indivíduos; 1854, 8 Dezembro - o Dogma da Imaculada Conceição é definido através da Bula "Inefabilis Deus", de Pio IX, o que foi comemorado em Arcos de Valdevez com Te Deum com Música e Instrumental, Andor e Anjos, evento que custou 29$940; 1901, 27 Julho - escritura de venda da capela pela família dos Perestrelos, na pessoa de Joaquim Perestrelo Marinho Pereira de Araújo e D. Júlia Africana da Rocha Malheiro Perestrelo, moradores na freguesia de Arcozelo, freguesia de Ponte de Lima, à Casa de Tora, na pessoa de Dr. José António Pereira de Sousa, advogado, pela quantia de 50$000 rs, pelo notário Alfredo Augusto de Brito Lima; 1916 - Félix Alves Pereira refere a existência de restos de frescos envolvendo o arco triunfal, podendo ainda ver a cabeça de um Bispo, e legendas minúsculas em caracteres de Alemão; 1910 / 1920, entre - a capela foi arrendada pelos Bombeiros Voluntários, que aí instalaram o seu quartel por 30$000 anuais, a Dr. José António Pereira de Sousa; 1921 / 1925, entre - passou a Oficina de bicicletas explorada por Chico Prim; 1925 / 1974, entre - passou a armazém de arrumos, primeiro da casa e Farmácia de Camilo Pereira Sampaio, depois do estabelecimento comercial "A Regional"; 1930, cerca - venda do retábulo de talha; 1950, década - eram visíveis uma cachorrada na fachada lateral direita e, no terço superior da parede exterior da capela-mor, encontrava-se aposta, do lado direito uma escultura de figura de santo; 1959 - no concelho de Arcos de Valdevez existiam onze freguesias sob o padroado de Nossa Senhora da Conceição, com sessenta e três capelas, cento e trinta e seis altares, duzentas e quarenta e quatro imagens dedicadas à mesma; 1958 - venda da capela a outro particular; 1959, 5 Março - é iniciada a construção de uma urbanização junto do pelourinho e da capela, cujo projecto contemplava a pré-existência destas estruturas, motivo que justificou a demora da aprovação do projecto; 1959, 15 Junho - era seu proprietário José da Cunha Lima; DGEMN informa que deveria ser iniciado o processo de classificação da capela como Imóvel de Interesse Público, com o intuito de evitar danos irreversíveis futuros como acontecera em Igrejas e Capelas de Ribeira de Lima; 14 Julho - construção de arruamento estreito e com uma faixa de rodagem, de ligação entre os largos da Lapa e do Município, procurando o desafrontamento da capela e dotando-a de um pequeno adro lateral; 3 Agosto - elaboração de uma Memória Descritiva, onde se referem os argumentos necessários para a sua classificação, apesar de se concluir que a sua traça já tinha sido adulterada; 1960 - segundo desenhos técnicos e fotografias da DGEMN, a fachada principal possuía, sobre o portal, uma janela, a empena não era coroada por cruz e existia uma fresta na fachada lateral esquerda da nave; 1966 - ruiu o telhado da capela-mor; até este ano, existiam vestígios de pintura mural, sendo visíveis figuras de santos e cenas religiosas de grupo; 1966, Março - a cobertura exterior em telha era bastante irregular, servindo o edifício, adossado à direita, de apoio para as águas; o arco triunfal tinha a servir de capitel dois elementos relevados, o do lado do Evangelho muito desgastado e o do lado da Epístola de figuração zoomórfica; na capela-mor conservavam-se vestígios de pintura mural representando santo e uma cena de conjunto; 1968, 12 Setembro - José da Cunha Lima adquiriu a capela a José da Cunha Oliveira e, sua mulher, D. Emília Gonçalves Dantas Brandão, herdeiros da Casa de Tora, por 20 000$00, com o intuito de a transformar num armazém de arrumos da sua casa; 1973, Setembro - a capela encontrava-se em muito mau estado de conservação, estando o seu interior repleto de detritos; na parede do arco triunfal, existiam vestígios de reboco e pintura; 1974, 13 Fevereiro - escritura de compra da capela, por 40 000$00, pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, na pessoa do então presidente, o Dr. António Gonçalves Pereira, a D. Maria Jesuína Ferreira Margarido, viúva de José da Cunha Lima, e seus herdeiros, perante o notário privativo da Câmara Municipal, Mário Gaspar Leite de Barros Pinto; transacção autorizada através de despacho do Secretário de Estado da Instrução e Cultura; 1980, 1 Dezembro - a Câmara Municipal, tendo como Presidente Dr. Joaquim Carlos da Cunha Cerqueira, reabre a capela ao público depois de restaurada; 8 Dezembro - festa da Imaculada Conceição, com a presença do primeiro Bispo da diocese de Viana do Castelo que abençoou como espaço de devoção a Nossa Senhora a Conceição *4.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de granito aparente; pavimento de lajes em granito; tecto de travejamento de madeira; algerozes metálicos; cobertura de telha.

Bibliografia

PEREIRA, F. Alves, Pinturas Parietais em Capelas Medievais. I - A Capela de São João Domingues, nos Arcos de Valdevez in O Archeologo Português, vol. 21, Lisboa, 1916, p. 244 - 252; Pe. BARREIROS, Manuel de Aguiar, Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima, Porto, 1926; AURORA, Conde d', Roteiro da Ribeira Lima, Porto, 1959; ZÚQUETE, Afonso Eduardo Martins (coord.), Armorial Lusitano, Genealogia e Heráldica, Lisboa, 1961; GOMES, Padre João Baptista da Silva, A Capela de Nossa Senhora da Conceição da Praça (RESTAURADA), Separata de Terra de Valdevez, nº 2, primeiro semestre de 1981; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira, de, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALVES, Lourenço, Arquitectura Religiosa do Alto Minho, Viana do Castelo, 1987; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; s.a., CALDAS, Eugénio de Castro, Terra de Valdevez e Montaria do Soajo, Memória Monográfica do Concelho de Arcos de Valdevez, Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, 1994; Breve Inventário Artístico do Concelho de Arcos de Valdevez, CMAV, s.d.; CM Arcos de Valdevez, www.cm-arcos-valdevez.pt , 17 Maio 2006.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN, DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DREMN, DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMN, DGEMN/DSID; CMVA: Livro de Compras e Vendas, folhas 94 e seguintes; Arquivo Paroquial de Valdevez (Salvador): Livro de Visitações (1717, fl. 13; 1723, fl. 24; 1727, fl. 28; 1730, fl. 30; 1735, fl. 35; 1746, fl. 45; 1757, fl. 59; 1760, fl. 62, 69; 1771, fl. 4; 1780; 1782; 1797, fl. 22; 1804, fl. 25; 1816, fl. 36; 1831, fl. 68)

Intervenção Realizada

Proprietário: 1786 / 1788 / 1791 / 1792 / 1793 / 1795 - trabalhos de manutenção; 1838 - obras na cobertura, de acordo com o Tombo da Casa de Frutuoso Rodrigues da Silva, citadas pelo Padre João Baptista da Silva Gomes *3; 1961 - obras de reabilitação; 1968 - obras de reabilitação; CMAVD: 1979, 28 Maio - escritura do projecto para o estudo e obra de restauro na capela, sendo a obra adjudicada, pelo Presidente da Câmara Municipal, Fernando de Freitas, à empresa bracarense de Augusto de Oliveira Ferreira, & C.ª L.ª; 1980 - obras de restauro.

Observações

*1 - O escudo da lápide, não apresenta timbre, no entanto, ambas as armas das famílias representadas tinham timbre: o dos Araújo era um meio mouro sem braços, vestidos de azul e ouro ou a aspa do escudo; no timbre dos Cerqueira repetia-se o leão do escudo. *2 - O Abade João Domingues fundador da capela, destinou-lhe para a sua manutenção casais, herdades, uma quinta, devesas, soutos, chousas, vinhas e bacelos, distribuídos por Arcos de Valdevez e Ponte de Lima, podendo assegurar ainda a manutenção de três capelães, que tinham como função cantar três missas, duas dedicadas às almas do instituidor e uma ao rei. Em testamento expressou o seu desejo de ser sepultado nesta capela, sendo-lhe atribuída a arca tumular existente no seu interior, embora já não possua ossadas. *3"(...) esta casa foi deitada ao chão em Junho de 1838, e feita de novo toda e dividida em duas moradas, cada uma com a sua entrada, e cada uma deve reparar o telhado da Capela correspondente aos limites de cada uma e paragem o foro supra ao meio, isto no caso de divisão e suposto a obrigação dos reparos do telhado da Capela fosse para obter a licença da janela que está na cozinha da meação, da Casa do Terreiro, também foi para virar as águas da Capela todas à rua e tirar o cano que vertia as águas da Capela e da Casa que ia pelo meio da parede, e arruinavam a casa e por isso tem a mesma obrigação de reparar, a sua parte isto tudo no caso de divisão das mesmas para isso faço estas clarezas para constarem as obrigações que as mesmas tem sem contradição algumas de partes"", in João Baptista da Silva Gomes, A Capela de Nossa Senhora da Conceição da Praça (RESTUARADA), Sep. Terra de Valdevez, 2, Braga, 1981, p. 41. *4 - Assim se continuou o disposto por D. João IV, a 11 de Setembro de 1646, segundo o qual, as câmaras deviam reconhecer Nossa Senhora da Conceição como Padroeira do Reino, ao que acresceu a directiva de 30 de Julho de 1654, determinando que se colocassem pedras com inscrições comemorativas em todas as entradas das cidades, vilas e lugares do reino.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / Marta Ferreira 2006

Actualização

 
 
 
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