Santuário do Senhor do Socorro

IPA.00004113
Portugal, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Labruja
 
Arquitectura religiosa, rococó. Santuário de montanha rococó com grande dinamismo e movimentação, conseguida de forma directa, por exemplo no alçado ondulante da capela-mor, centralizando o espaço interior, e indirectamente, através da riqueza decorativa aplicada aos alçados planos que, no caso dos muros, se procurou ritmar por pilastras com estátuas e fogaréus. A escadaria aberta em leque realça o carácter teatral da implantação de todo o conjunto. A talha interior dos altares, frontaleiras, púlpito e coro insere-se na última fase do rocaille. Dado a data da planta do Santuário ser de 1864, quase 100 anos posterior à construção da Igreja, e a inversão da implantação das capelas de via sacra, que aqui surjem antes da Igreja, ficamos sem saber se este era, de facto, o esquema do projecto inicial, ou se se tratava de 1 projecto posterior que lançava uma ideia para terminar o conjunto inacabado. Se assim for, não podemos deixar de assinalar 1 nítida inspiração no esquema do Santuário do Bom Jesus, em Braga, construído entre 1784 - 1811. Segundo Carlos Alberto Ferreira de Almeida, a talha interior é um dos mais notáveis conjuntos de talha da última fase do rocaille, grácil e delicada.
Número IPA Antigo: PT011607290023
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de peregrinação  

Descrição

Santuário composto por igreja e escadório. Igreja de planta longitudinal, composta, de nave única, capela-mor quadrada, de alçados exteriores ondulados, e sacristia adossada posteriormente, todos eles de volumes articulados e cobertura diferenciada. Frontespício flanqueado por 2 torres sineiras, com pilastras nos cunhais e seccionada em 3 registos, tendo estas no 1º janela de sacada com frontão, no 2º relógio e sineiras no 3º; coroamento com abóbada bolbosa e fogaréus. Galilé aberta em largo arco abatido encimado por janelão de sacada com ombreiras de cantaria ligando-se ao frontão interrompido, com armas reais, e ladeado por 2 nichos com imagem. Coroamento com balaustrada que corre também sobre o 2º nível das torres. Nave com lambril de granito em hexágono, coro-alto, 2 altares laterais e 2 colaterais, de talha, púlpito com escada no lado do Evangelho também de talha, janelas com frontaleiras e arco triunfal revestido a talha. Abóbada de berço com 3 medalhões pintados. Capela-mor interiormente circular, com cúpula e lanternim, 2 altares de talha, 2 portas e janelas com frontaleiras de talha e retábulo-mor de talha com pintura central de Jerusalém. Na plataforma onde a igreja se implanta existe muro fronteiro ritmado por pilastras ornamentadas por estátuas ou fogaréus, inferiormente com 2 lagos ladeando escadaria central; lateralmente 2 coretos ladeiam escada de 1 braço. Um pouco mais acima, por detrás da igreja, escadaria monumental ondulada, com pano frontal enquadrado por pilastras almofadadas coroadas por urnas e ao centro fonte tipo nicho rematado por estátua sobre peanha. Dava acesso a série de capelas projectadas, mas de que só existe uma, de planta quadrada, com pilastras nos cunhais, vão de arco pleno, janelas laterais, cúpula e pequeno altar no interior.

Acessos

Labruja, estrada Travanca - Paredes de Coura. VWGS84 (graus decimais) lat.: 41,841881; long.: -8,593521

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Rural. Implanta-se na encosta de um monte tendo posteriormente algumas construções pertencentes ao projecto inicial mas sem utilização actual, coretos e fornos onde se assavam os cabritos e frangos na altura da romaria.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de peregrinação

Utilização Actual

Religiosa: santuário

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Viana do Castelo)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTORES: Manuel José Afonso (1777); Manuel Martins da Cunha (1777).

Cronologia

1773 - Início da construção, possivelmente com subsídios régios dada a presença do escudo real no frontespício; 1774 - data de um ex-voto existente no interior; 1777, 15 Dezembro - ajuste da obra dos dois retábulos colaterais da Igreja, aos pintores Manuel José Afonso, da freguesia de Sopo, e Manuel Martins da Cunha, da freguesia de Covas, por 78$200; séc. 19 - renovação do santuário por António Augusto Pereira; 1829 - ex-voto alusivo a um raio que neste ano abateu sobre a igreja repleta de fiéis, que sairam ilesos; 1877 - data de outro ex-voto alusivo a curas milagrosas; 1893 - data inscrita em cartela no escadório monumental; 1981 / 1982 - data de placa alusiva a obras de restauro efectuadas por Manuel Esteves na capela da via sacra.

Dados Técnicos

Sistema estutural de paredes portantes.

Materiais

Granito, talha, pinturas. Pavimento de lajes e cobertura de telha.

Bibliografia

REIS, António P. de Matos dos, Itenerários de Ponte de Lima, Ponte de Lima, 1973; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; Afonso do Paço, Santuário do Senhor do Socorro aguarda enquadramento turístico, Jornal de Notícias, Porto, 9 Abr. 1989; OLIVEIRA, Eduardo Pires, Arte Religiosa e artística em Braga e sua região (1870 - 1920), Braga, 1999; CARDONA, Paula Cristina Machado, A actividade mecenática das confrarias nas Matrizes do Vale do Lima nos séc. XVII a XIX, vol. 3, Porto (Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Departamento de Ciências e Técnicas do Património), 2004.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1989 - reconstrução dos telhados da igreja e consolidação da estrutura de madeira nas coberturas; 1990 - reparação da cobertura e da estrutura do telhado. Muitas outras obras de restauro e conservação têm sido efectuadas por particulares, especialmente emigrantes.

Observações

A planta com projecto do Santuário do Senhor do Socorro, exposto na nave, foi desenhada por António Augusto Pereira de Barcelos, condutor de trabalhos na DGEMN, em 14 Maio de 1864. Este projecto incluia uma série de capelas de via sacra em patamares escalonados ligados por escadaria. Por razões que desconhecemos, o projecto inicial foi abandonado depois da construção do troço inicial da escadaria e uma capela.

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

 
 
 
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