Casa de Nossa Senhora da Aurora

IPA.00004097
Portugal, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arca e Ponte de Lima
 
Arquitectura residencial, barroca. Casa nobre barroca, integrado na tipologia da "casa-comprida", o modelo mais frequente na época, de 2 pisos divididos por friso horizontal, com escadaria desenvolvida no interior e adossando capela a uma das fachadas. JARDIM: caracterização estilística romântica / paisagista (jardim biscoito) ao estilo ingês, murado constituído por vegetação ornamental disposta no sentido de criar ambientes agradáveis e acompanhada de elementos construídos, como bancos, canteiros, estátuas ou peças de água. Caracterização romântica patente na composição naturalizada, no contraste claro-escuro produzido pela vegetação, nos caminhos sinuosos, na utilização de espécies exóticas e na criação de lugares pitorescos ou intimistas com tanques, lagos, coretos. Na mata desenvolve-se uma complexa rede de caminhos curvilineos formando um cenário romântico, paradisíaco, insólito e enigmático reforçado pelo denso tecto vegetal de plantas exóticas e autóctones. É uma das casas mais imponentes e majestosas da vila de Ponte de Lima. Frontespício harmonioso e ritmado pela fenestração do andar nobre e da regularidade esquemática do 1º piso. O facto da capela não ser adossada, mas ter a cornija encostada ao corpo lateral da casa, faz-nos pensar em 2 campanhas de obras distintas, com um possível hiato temporal. A talha do retábulo é do estilo nacional e os azulejos de padrão são barrocos. Os jardins foram igualmente organizados segundo o gosto barroco, como espaço de lazer, com jardins de buxos, bancos, lagos, e diferentes fontes, tendo para lá mata.
Número IPA Antigo: PT011607350017
 
Registo visualizado 359 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta retangular

Descrição

A quinta é murada e constituída por casa com capela e jardim junto à Rua do arrabalde, zonas agrícolas, diversas dependências e mata na zona posterior, em terreno mais acidentado. O jardim, a NE. da casa, é sustentado por muro de suporte que é também o limite da propriedade surgindo no seguimento da fachada principal e onde se insere uma fonte de espaldar com inscrição, de pilastras apoiando cornija encimada por estátua de Neptuno, tem ao centro arco pleno, ornato com pinha e tanque rectangular. Neste muro há dois portões de acesso à quinta, um a SO. da capela e outro a NE. do jardim. CASA: de planta rectangular, composta por vários corpos irregulares na fachada posterior, com alçados de 2 pisos, separados por friso corrido no frontispício, que também integra a capela num dos extremos. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de 2 e 4 águas. Capela, sensivelmente recuada e fechada no alinhamento da casa por muro. Frontispício seccionado por pilastras, formando 3 corpos, com fenestração distinta no 1º piso, ritmado em aba / cbabc / aba, correspondendo o a) a janela pequena, o b) a porta de verga recta e o c) a janela de guilhotina, todas elas emolduradas a cantaria e encimadas por bandeira; 2º piso com janelas de sacada, sobre modilhões em voluta, de verga recta encimada por frontão triangular e varandim de ferro. No cunhal NO. pedra de armas *1. À fachada lateral esquerda com 1 janela no 1º e 2º piso, encosta-se capela, com pilastras nos cunhais, terminando em empena, e portal de verga recta com cornija sobre pilastras ligando-se à janela superior, encimada por frontão interrompido; em baixo, 2 janelas com grades. Fachada posterior de linhas simples, mas com alguns corpos avançados, um deles com aletas marcadas e outro com pilastras e dupla cornija; irregularidade de fenestração, com portas de verga recta e diferentes alturas no 1º. piso e janelas de brinco ou de sacada no 2º. Interior: vestíbulo com escada de acesso ao andar nobre de 1 braço, salas com paredes lisas ou pintadas por motivos florais e tectos de masseira ou organizados em caixotões. Interior da capela com lambril de azulejos, coro-alto e retábulo de talha. Junto à fachada posterior existe um pequeno pátio com chafariz central de taça redonda. Este pátio é limitado pelo muro de suporte da zona de dependências agrícolas e tem na extremidade uma escadaria que a esta acede. O pátio abre para o jardim com canteiros de forma irregular de buxo e onde se distinguem pequeno recanto limitado por murete onde se inserem bancos ladeando a fonte de espaldar, com pilastras apoiando cornija encimada por pináculos e remates curvos, ao centro, ladeada por pilastras e volutões e nicho com imagem de Nossa Senhora da Aurora, brasonado e inferiormente com bica em carranca; uma zona de estadia sob um caramanchão situado junto ao muro de limite e que antecede o lago grande, de forma orgânica, com abrigo para patos. Nesta área existe uma amoreira-do-papel, de grande porte e raridade. A NE. está uma zona de cameleiras de variadas sub-espécies e cultivares que termina num muro de compartimentação com porta de acesso a uma zona agrícola com laranjal . Esta área é dividia por um caminho que liga o portão do muro de vedação à mata e junto ao qual existe uma fonte com tanque rectangular com bica em carranca, também com inscrição. A mata está implantada na zona mais declivosa da quinta, sendo estruturada por caminhos sinuosos entre várias espécies de árvores centenárias e locais de estadia com mesas e bancos de pedra. Na transição entre a mata e a casa estabelece-se um núcleo edificado constituído por palheiro, espigueiro, casa de caseiros e pombal em construção rústica de pedra e madeira.

Acessos

Ponte de Lima, Rua do Arrabalde de S. João, nº 33 - 43. VWGS84 (graus decimais) lat.: 41,769963; long.: -8,582533

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Urbano, isolado, implantação harmónica. Situada na margem esquerda do rio Lima, no centro histórico de Ponte-de-Lima. A casa e o muro do jardim ficam junto à estrada que limita a NO. a propriedade. A NE. situa-se a Casa da Garrida (Universidade Fernando Pessoa) . A zona em que se insere caracteriza-se por um clima marítimo, fresco durante todo o ano. Para este contribui em muito o relevo com encostas médias e altas e cabeços que sobem entre os 100 e os 800 metros. A abundacia de água traduz-se na verdura permanente dos campos, matas e prados. Geologicamente dominam os granitos calco-alcalinos que originam os solos ricos da quinta. A nível da flora predominam as matas de carvalho-roble e castanheiro. Abunda também o freixo, o arando, o vidoeiro, o azevinho e o eucalipto.

Descrição Complementar

Legenda da fonte do muro: "ESTA AGOA HE DESTA QUI/NTA DE N. S. DA AVRORA/DO DZOR JOAO DE SÃ SO/TOMAIOR Q. SÕQVANDO/LHE SOBRAR DARA /AO POVO".

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Manuel Pinto de Vila Lobos.

Cronologia

Séc. 14 - Época provável da construção da 1ª casa; 1612 - data da fonte do jardim com imagem de Nossa Senhora da Aurora; 1617 - data da fonte adossado exteriormente ao muro; 1714 / 1718 - período em que se procedeu à reconstrução total da casa; 1723, 4 Agosto - escritura de fundação do Desembargador João de Sá Sotomaior; 1730 - conclusão das obras; 1731 - data da capela; 1741 - instituição do vínculo de Nossa Senhora da Aurora pelo Desembargador e esposa, D. Maria Joana de Castro Barreto; a casa conservou-se sempre na posse da mesma família por linha varonil; 1756, 3 Junho - falecimento do Arcebispo de Braga, D. José de Bragança, na Casa da Senhora da Aurora, onde estava então hospedado, mais propriamente, no salão junto à capela; Séc.18 - introdução de camélias no jardim; 1875 - projecto do jardim ao traço romântico. 18 - introdução de camélias no jardim; 1875 - projecto do jardim ao traço romântico.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Material Vegetal: buxo (Buxus sempervirens), cameleiras (Camelia sp.), amoreira-do-papel (morus papyrifera). carvalho-roble (Quercus roble), castanheiro (Aesculus hippocatanus). freixo (Fraxinus angustifolia); Inertes: Granito, talha, madeira, azulejos, embrechados e estuques. Pavimentos de madeira e cobertura de telha

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; AURORA, Conde d', Roteiro da Ribeira Lima, Porto, 1959; AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1988; GIL, Júlio, Os Mais Belos Palácios de Portugal, Lisboa, 1992; LEMOS, Miguel Roque dos Reys, Anais Municipais de Ponte de Lima, Braga, 1977; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Palácios e Solares Portugueses, (col. enciclopédia pela imagem), Porto, 1900; SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres Casas de Portugal, vol. 2, Porto, s.d..

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 - Brasão do cunhal da casa com escudo esquartelado tendo no 1º quartel xadrezado de preto e azul dos Sás; 2º com 3 faixas xadrezadas de prata dos Sotomaior; 3º com 3 faixas de ouro carregadas de flor-de-lis dos Rebelos; e 4º com 5 cotos de asa de águia dos Abreus. Timbre dos Sás e largo paquife.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / Pereira de Lima 2006

Actualização

 
 
 
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