Igreja Paroquial de Alcochete / Igreja de São João Baptista

IPA.00004093
Portugal, Setúbal, Alcochete, Alcochete
 
Arquitectura religiosa gótica, manuelina, maneirista. Planta e estrutura de alçados das igrejas mendicantes: 3 naves, sendo a central mais elevada e neste caso cega, cobertura em madeira; (a capela-mor gótica foi substituída no Séc. 17); fachada de empena triangular rasgada por portal e enorme rosácea; portal axial S. também gótico. Torre prismática com coruchéu piramidal manuelino revestido de azulejos de padronagem seiscentista; capela lateral N. com abóbada estrelada manuelina com fechos decorados. Capela-mor, sacristia e capelas laterais maneiristas; azulejos da capela-mor setecentistas; altar de Nossa Senhora da Conceição em estilo nacional.
Número IPA Antigo: PT031502010001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, composta pelos rectângulos justapostos da nave e da capela-mor orientada, esta de menores dimensões; à nave adossam-se capelas laterais de planta rectangular, 2 a N., 1 a S., à capela-mor 2 anexos a N., 1 a S.. Volumes articulados com cobertura diferenciada em telhados de 1 e 2 e 3 águas sobre a nave, capela-mor e anexos, em coruchéu com revestimento exterior de azulejos, sobre a torre sineira. Cunhais em cantaria rematados por pináculos. Fachada principal com empena triangular, marcada pelo volume prismático da torre sineira, adossada do lado S.; o portal rasgado em corpo saliente com gablete triangular, com três arquivoltas e dois colunelos com cvapiteis de decoração vegetalista, rematado com a cruz de Santiago relevada e encimado por rosácea rendilhada de grandes dimensões; um portal idêntico mas de menores dimensões, com o vão rematado por rendilhado, rasga a fachada S.. No INTERIOR as 3 naves de 4 tramos, cobertas por tecto em madeira de 3 e 2 planos, são separadas por arcos levemente apontados sobre colunas de bases prismáticas, capitéis fitomórficos e ábaco oitavado; capela adossada a N., com abóbada artesoada, com arco quebrado de comunicação; capela do lado S., com abóbada a berço, com acesso por arco redondo sobre pilastras; capela baptismal no vão da torre sineira; capela lateral N. com abóbada de artesoados, com fechos decorados; capela-mor com abóbada a berço redondo comunicando com a nave por arco triunfal quebrado sobre colunas de capitéis fitomórficos. Coro-alto em madeira com balaustrada assente em guarda-vento envidraçado ocupa a nave principal; púlpito circular em mármore adossado à 1ª coluna da nave do lado do Evangelho. Pia de água benta de cálice assente em 4 colunelos, com cabeças humanas e motivos vegetalistas relevados. Altar-mor e altar da capela lateral S. dedicado a Nossa Senhora da Conceição. Altares colaterais e altar lateral S. revestidos a azulejos hispano-árabes de aresta. Silhar de azulejos em azul e branco, com cercadura de enrolamentos rodeando cenas da vida do orago, São João Baptista e de Jesus, na capela-mor, cenas palacianas no subcoro, albarradas na nave e capela lateral S., com motivos alegóricos na capela N.; azulejos de figura avulsa, em azul e branco, na sacristia e capela baptismal.

Acessos

Largo de São João

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria n.º 47/2013, DR, 2.ª série, n.º 14, de 21 janeiro 2013 *1

Enquadramento

Urbano. Implantada em posição destacada, ao centro de um amplo terreiro, envolvido por zonas ajardinadas e de face para um largo empedrado

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 14 / 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 14 - construção provável do templo gótico, sob o patrocínio do Infante D. Fernando, que, segundo a tradição, terá substituído uma primitiva mesquita; Séc. 16, inícios - campanha de obras da qual subsiste a torre sineira e a capela lateral N., de abóbada artesoada; 1662 / 1665 - obras realizadas pelo povo de Alcochete, (a seguir ao milagre que terá trazido à costa a imagem de Nossa Senhora da Conceição); datam desta época, provavelmente a nova capela-mor, anexos da mesma, capelas da nave (à excepção da 1ª capela do lado N., da campanha inicial de obras); Séc. 18, 1ª metade - revestimento azulejar; colocação dos altares em talha; 1969 - estragos provocados pelo sismo; 2006, 25 outubro - proposta da DRLisboa para a fixação da Zona Especial de Proteção conjunta da Igreja de São João Baptista, matriz de Alcochete, da Capela de Nossa Senhora da Vida e da Igreja da Misericórdia de Alcochete; 2007, 12 fevereiro - parecer favorável do Conselho Consultivo do IPPAR à fixação da Zona Especial de Proteção conjunta; 2011, 19 setembro - Anúncio n.º 13022/2011, DR, 2.ª série, n.º 180, relativo ao projeto de decisão do IGESPAR fixar uma zona especial de proteção conjunta da Igreja Matriz de Alcochete / Igreja de São João Baptista, Igreja da Misericórdia e capela de Nossa Senhora da Vida; 19 dezembro - parecer da SPAA do Conselho nacional de Cultura a propor a fixação de três Zonas Especiais de Proteção individuais, mas coincidentes; 2013, 5 março - Anúncio n.º 87/2013, DR, 2.ª série, n.º 45, relativo à intenção da Direção-Geral do Património de Estado da Cultura (DGPC) propor ao Secretário de Estado da Cultura a fixação da Zona Especial de Proteção conjunta da Igreja Matriz de Alcochete / Igreja de São João Baptista, Igreja da Misericórdia e capela de Nossa Senhora da Vida; 2014, 21 janeiro - fixada a zona especial de proteção (ZEP) da Igreja de São João Batista, Matriz de Alcochete, classificada como monumento nacional (MN), da Capela de Nossa Senhora da Vida, também denominada "Capela da Senhora da Vida" (antiga Capela do Espírito Santo) e da Igreja da Misericórdia de Alcochete, classificadas como monumentos de interesse público (MIP). Tem em consideração o enquadramento dos imóveis, bem como a proximidade entre estes, a homogeneidade da estrutura urbana envolvente e a sua relação privilegiada com o rio Tejo, a cuja Reserva Natural a parcela de terreno em causa se encontra afeta.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Alvenaria rebocada e pintada, cantaria em cunhais, molduras e colunas, tijoleira, azulejo, telha cerâmica, madeira, vidro.

Bibliografia

Igreja Matriz de Alcochete, Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nº 33, Lisboa, 1943; ESTEVAM, José, Igreja Matriz de Alcochete, Lisboa, 1948; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; ESTÊVÃO, José, Anais de Alcochete, Lisboa, 1956; ALMEIDA, António Ferreira de, Tesouros artísticos de Portugal, Lisboa, 1967; GIL, Júlio, As mais belas igrejas de Portugal, Vol. 2, Lisboa, 1989; PEREIRA, Paulo, Direcção de, História de Arte Portuguesa, vol. 2, Lisboa, 1999; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71170 [consultado em 8 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRML

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRML

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/DSID, DGEMN/DRML

Intervenção Realizada

DGEMN: 1940 / 1943 - demolição de vários anexos e capelas, redução da sacristia; apeamento parcial do coro e de 3 altares; reconstrução dos 3 altares, revestidos com azulejos hispano-árabes reaproveitados; demolição das divisórias das naves; reconstrução dos pavimentos; reconstrução da armação do telhado; execução de novos rebocos interiores e exteriores; demolição do gradeamento de ferro que delimitava o adro e reconstrução do muro de vedação; reconstrução das empenas, de acordo com a fachada principal; apeamento do relógio da torre; entaipamento de 2 lunetas abertas na abóbada da capela-mor.

Observações

*1 - A Zona Especial de Proteção é conjunta à Igreja Matriz de Alcochete / Igreja de São João Baptista, Igreja da Misericórdia e à capela de Nossa Senhora da Vida. *2 - A imagem de Nossa Senhora da Conceição, segundo a tradição, é uma imagem de proa de um barco, de onde caiu durante uma tempestade, a seguir à restauração da independência, em 1640; veio para esta igreja depois de ter sido milagrosamente encontrada por pescadores.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1993

Actualização

 
 
 
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