Santuário da Peninha / Capela de Nossa Senhora da Penha

IPA.00004045
Portugal, Lisboa, Sintra, Colares
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja de pequenas dimensões com planta longitudinal e capela-mor saliente, do exterior sem interesse, mas com interior de grande qualidade e unidade, pela combinação dos mármores e azulejos azuis e brancos. Contraste entre a simplicidade arquitectónica do edifício, as suas pequenas dimensões e a sua situação isolada num local de difícil acesso, e a pujança do revestimento de azulejos que decora a totalidade das paredes e abóbada, ilustrando numa pintura cerâmica de grande qualidade episódios da vida da Virgem, constituíndo um ciclo mariano muito completo. Preciosidade da capela-mor toda revestida de embutidos.
Número IPA Antigo: PT031111050032
 
Registo visualizado 1599 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de peregrinação  

Descrição

Conjunto fortificado de planta irregular composto por Capela de Nossa Senhora da Penha, um Palácio, Capela de São Saturnino e diversas dependências. CAPELA DE NOSSA SENHORA DA PENHA de planta longitudinal e capela-mor saliente. INTERIOR: nave coberta por abóbada de berço, assente em cornija de cantaria; pavimento em lajes de pedra, com sepultura de Pedro da Conceição, com inscrição. Paredes a abóbada totalmente revestidas de azulejos de composição figurativa organizados em vários registos e representando episódios da vida da Virgem. Na parede, o registo inferior é organizado em oito cenas de cada lado (lado da epístola e lado do Evangelho), constituíndo painéis de azulejo ligados uns aos outros por barras de motivos ornamentais.No registo superior, 12 episódios, em painéis de maiores dimensões, igualmente ligados uns aos outros por barras de motivos ornamentais. Na abóbada, o revestimento representa 12 cenas ilustrando a infância de Jesus, igualmente organizados em painéis, cuja ligação se faz por barras de motivos ornamentais. O tímpano da porta da entrada é totalmente revestido de azulejos de composição figurativa, representando quatro anjos esvoaçando à roda da data 1711. Capela-mor revestida de embutidos em mármores de várias cores, inclusive na abóbada de berço em caixotões. Retábulo-mor com trono, também em mármore, ladeada por colunas salomónicas e dois nichos. Na continuação da capela, a E., e a ela ligado, PALÁCIO constituído por corpos mais ou menos avançados tendo o central janela serliana, terminado em terraço, protegido por parapeito de merlões. Salas interiores com silhar de azulejos, sacristia, casa de banho, num andar inferior, e cisterna. A CAPELA DE SÃO SATURNINO, no lado O. do morro, foi aproveitada para habitação em data desconhecida e depois em estábulo. Fachada principal orientada. Existem ainda outras construções mas estão todas elas muito degradadas.

Acessos

Serra de Sintra , EN 247 - 3 desvio para a Peninha. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,768683, long.: -9,460634

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembto 1977 *1 / Incluído na Área Protegida de Sintra - Cascais (v. PT031111050264)

Enquadramento

Rural, isolado, implanta-se a 486 m. acima do mar, num dos escarpados extremos da Serra de Sintra, situado a Oeste. A capela é precedida por pequeno adro ao qual se acede por escadaria construída entre os penedos. Faz parte integrante do Parque Natural Sintra - Cascais.

Descrição Complementar

AZULEJOS: os revestimentos de azulejo do registo inferior, superior e abóbada diferem nas tonalidades de azul, revelando provavelmente pintores diferentes. As cenas revelam influência nítida de gravuras italianas, nomeadamente a Adoração dos pastores que reproduz rigorosamente uma gravura de Carlo Maratta. INSCRIÇÕES: 1. Inscrição funerária gravada numa tampa de sepultura; Leitura modernizada: SEPULTURA DO EREMITÃO PEDRO DA CONCEIÇÃO PEDE UM PAI NOSSO E UMA AVÉ MARIA PELOS BENFEITORES FALECEU EM 18 DE SETEMBRO DE 1726 ANOS. 2. Inscrição comemorativa de uma obra gravada no arco triunfal; Leitura modernizada: O EREMITÃO PEDRO FEZ ESTA OBRA COM ESMOLAS DOS FIEIS ANO DE 1690.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de peregrinação

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento / Cultural e recreativa: centro interpretativo

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: João Antunes (atr., séc. 18); Júlio Fonseca (1918). CANTEIRO: Pedro da Conceição (1690). PINTOR de AZULEJOS: António de Oliveira Bernardes (1711); PMP (1711).

Cronologia

Séc. 12 - fundação da primitiva ermida *1 por D. Pêro Pais, Alferes-Mor de D. Afonso Henriques, filho de D. Paio Soares e D. Chama Gomes; D. Afonso Henriques doa a ermida da Peninha, terras em Colares e na Malveira, a D. Pêro Pais; 1579, c. - a população de Sintra, Colares, Cascais e Milharado iam venerá-la juntando-se a primeira Confraria; com esmolas ergueu-se uma segunda capela maior; nesta altura a Capela de São Saturnino, nas imediações, parece que já estava abandonada; 1638 - data da inscrição dos azulejos que existiam no frontal da altar da Capela de São Saturnino, dizendo que a oficiais da Nossa Senhora Oliveira de Guimarães mandaram fazer obra *2; 1673 - a imagem de Nossa Senhora estava na segunda capela, mas uma tempestade ou tremor de terra arruinaram-na; 1690 - Pedro da Conceição, canteiro, então com 28 anos, construiu a capela que hoje existe, com esmolas e ajuda de D. Pedro II; séc. 18 - feitura do retábulo-mor, segundo desenho de João Nunes Tinoco ou provavelmente por João Antunes; 1711 - datação dos azulejos revestindo a igreja, da autoria de António de Oliveira Bernardes; pintura da abóbada e colocação de silhar da autoria de PMP: 1726, 18 de Setembro - morre o ermitão, Pedro da Conceição, sendo sepultado na nave da capela; sucede-lhe o ermitão João Francisco; 1766 - morre o ermitão João Francisco, sucedendo-lhe Sebastião Nabo; 1779, 19 de Abril - o padre Pedro Rodrigues Pereira é nomeado capelão do santuário; a capela e a quinta estavam a ser administradas abusivamente por Francisco Xavier Stokler, como dá conta o Beneficiado da Igreja de São Martinho (v. PT031111110099), o padre Francisco de Albuquerque; 1892 - a Peninha é adquirida pelo Conde de Almedina; 1918 - o Dr. António Augusto de Carvalho Monteiro, conhecido como "Monteiro Milhões", manda construir um palácio, junto à capela de Nossa Senhora da Penha, projectado por Júlio Fonseca; séc. 20, anos 20 - após a morte do Dr. Carvalho Monteiro, o palácio é vendido ao advogado, Dr. José Maria Ferreira Rangel de Sampaio; o advogado pede a Júlio Fonseca para elaborar um projecto, de modo a finalizar a obra do palácio; após a morte do Dr. José Rangel de Sampaio, o palácio passa para ser propriedade, por disposição testamentária do advogado, da Universidade de Coimbra; 1991 - comprado pelo Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza por 90 mil contos, sendo 70% financiado por programa comunitário ENVIREG; 2017, 12 junho - a gestão da Quinta da Peninha passa a ser feita em conjunto pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, pela Parques de Sintra Monte da Lua e pela Empresa Municipal de Ambiente e Cascais ao abrigo de um protocolo assinado por aquelas instituições.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante

Materiais

Estrutura de alvenaria rebocada, cantaria, azulejos e mármores na decoração, cobertura de telha.

Bibliografia

PEREIRA, A. de Silva, Cintra, Collares e seus arredores, Lisboa, 1888; CORREIA, Vergílio, Azulejos Datados, Lisboa, 1922. CORREIA, Virgílio, Azulejos, vol., Coimbra, Livraria Gonçalves, 1956, IAZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa, 1963; AZEVEDO, José Alfredo da Costa, Velharias de Sintra, vol., Sintra, 1980; MELO, José, O Pintor de Azulejos Manuel dos Santos - definição e análise das obras, Lisboa, 1980; MELO, José, O Azulejo em Portugal, Lisboa, 1989; SOUSA, António de, Peninha - Um Farol in Diário de Notícias Magazine, Lisboa, 13 Outubro 1991; AZEVEDO, José Alfredo da Costa, Obras de José Alfredo da Costa Azevedo, Recantos e Espaços, vol. II, Sintra, 1997; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PNSC: 1994 - obras de reutilização.

Observações

*1 - DOF: Santuário da Peninha, nomeadamente a Capela de Nossa Senhora da Penha e todas as dependências que a servem. *1 - segundo a lenda, próximo daquele monte vivia um casal muito pobre que tinha uma filha muda, que apascentava as ovelhas. Um dia, uma ovelha branca fugiu-lhe e ela correu atrás até àquele monte onde a encontrou sendo afagada por uma criança muito bonita. Esta disse-lhe que levasse a ovelha para casa e lhe desse pão. A menina muda falou então pela 1ª vez e disse-lhe que não havia pão em casa. A criança ordenou-lhe novamente. Chegando a casa, contou à mãe o sucedido e, de facto, encontraram pão na arca. Espantados, os pais da pastora e outras pessoas ocorreram ao monte e encontraram num buraco de pedra, a imagem de Nossa Senhora. Convencidos que a Virgem tinha santificado o local, levaram-na para a capela de São Saturnino, já abandonada pelo culto, no sopé do morro da Peninha. No dia seguinte, a imagem já não estava lá, mas no buraco da pedra. Voltaram a pô-la na capela, mas o fenómeno repetiu-se. Os aldeões percebendo o desejo da Senhora, ergueram-lhe no alto do morro uma pequena ermida de pedra solta; no fundo colocaram laje de sacada para fora, que passou a servir de altar, e ali ficou a imagem, passando a ser conhecida como Senhora da Penha ou da Peninha. (In: COSTA AZEVEDO, José Alfredo da, Velharias de Sintra, vol. I, Sintra, 1980); *2 - da primitiva capela de São Saturnino provêm também uma mitra de prata, ornada de pedras preciosas, datada de 1764, actualmente exposta no Museu Nacional de Arte Antiga.

Autor e Data

Paula Noé 1991 / 1994 / Paula Correia 2006 / Célia Morais (Contribuinte externo) 2018

Actualização

Helena Rodrigues 2006
 
 
 
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