Casa da Quinta de Manique / Palácio de Manique / Casa da Quinta do Marquês das Minas

IPA.00004027
Portugal, Lisboa, Cascais, Alcabideche
 
Arquitectura residencial, barroca. Casa senhorial. Casa nobre rural planimetricamente organizada em U, apresentando capela como organismo autónomo.
Número IPA Antigo: PT031105010057
 
Registo visualizado 605 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

De planta composta pelo núcleo primitivo, de planta em U, a E., e por uma ala rectangular, a O., o edifício apresenta volumetria de paralelipípedos articulados, sendo a cobertura efectuada por telhados a 2, 3 e 4 águas. Embora integrada na ala E. da casa, a capela apresenta relativa autonomia, ao virar o seu alçado principal a S. para a via pública, com acesso independente. A fachada, de corpo único lateralmente delimitado por cunhais de cantaria, apresenta superiormente cornija, acima da qual se eleva, na parte central, frontão triangular e, nas extremas, 2 torres sineiras de secção quadrada. O restante alçado organiza-se em 2 níveis, sendo o inferior constituído por galilé, vazada por 3 arcos, a qual suporta, no 2º nível, em balcão guarnecido de balaustrada. Entre a porta axial, ligada ao coro-alto, e 2 nichos laterais, são visíveis 2 painéis de azulejos historiados, de molduras em asa de morcego, figurando cenas da vida de Cristo. No muro E. abre-se portão, ladeado por pilares encimados por bustos pétreos, de acesso ao pátio em torno do qual se distribuem as várias alas da construção. Em parte da ala N., anexa à capela, localiza-se a zona de serviços, caracterizada pela presença destacada da chaminé. Na ala central, correspondente ao núcleo primitivo, reconhece-se a articulação do alçado S. com o pátio através de terraço, ostentando painéis azulejares historiados monócromos, a cuja frente se apõe uma fonte de tanque curvilíneo. Ao longo do piso nobre da ala O., à qual se acede por escada de lanço único perpendicular à fachada E., desenvolvem-se em linha os principais compartimentos de aparato, ostentando lambris de azulejo, tectos de madeira e estuque. Ao longo do extenso alçado O., em plano inferior, reconhece-se a presença de um tanque rectangular, que antecede o jardim, caracterizado pelo conjunto de pórtico e fonte monumental. Enquanto compartimentos excepcionais merecem menção a capela, de planta organizada pela justaposição axial de 2 rectângulos, nave e capela-mor, cobertas por abóbadas de berço, destacando-se o revestimento azulejar de tipo tapete nos muros e o retábulo integralmente de mármore, e a cozinha, de grandes dimensões, animada pelo revestimento azulejar seiscentista de tipo tapete em 2 níveis e marcada pela presença da chaminé, de uma monumental mesa de cantaria e de um lavabo de 3 pias.

Acessos

EN 247-5, Estrada da Quinta, Manique de Baixo. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,733569, long.: -9,366139

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 266/2010, DR, 2.ª Série, n.º 73, de 15 abril 2010

Enquadramento

Rural, destacado, isolado por jardim e terreno murado (v. PT031105010138), na proximidade da ribeira de Manique.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR DE AZULEJO: Bartolomeu Antunes (atr., 1740); Francisco Jorge da Costa (séc. 18).

Cronologia

Séc. 17 - a quinta seria propriedade do marquês das Minas, D. Francisco de Sousa (m. 1674); pintura dos azulejos da capela, da cozinha, dos silhares da entrada, do escirtório, quartos, corredor da copa e salas; séc. 17 - 18 - construção da quinta; a nascente, a casa seiscentista que tem a cozinha e capela, surgindo a poente a ala do séc. 18, com o jardim e pavilhão central; c. 1740 - campanha de enriquecimento decorativo, destacando-se a aplicação de revestimento azulejar em alguns compartimentos; 1740 - pintura dos azulejos com cenas de caçada, talvez de Bartolomeu Antunes (FERNANDES, 2003); séc. 18, final - pintura dos azulejos da copa e sala de jantar; pintura dos painéis historiados da fachada da capela, atribuído a Francisco Jorge da Costa; séc. 20, início - aquisição pela condessa de Azambuja, D. Maria Bernardina Manuel de Mendonça Corte-Real (1865 - 1958); 1935 - venda da propriedade ao marquês de Casteja; 1963 - a quinta permanecia na posse da família do marquês de Casteja; 1981, 09 dezembro - proposta da classificação do edifício pela CMCascais; 2003, 12 julho - proposta de abertura do processo de classificação pela DRLisboa; 2003, 16 Julho - despacho do Vice-Presidente do IPPAR determinando a classificação do imóvel como Imóvel de Interesse Público, com Zona Especial de Protecção; 2007, 17 agosto - proposta de classificaçãod o edifício como Imóvel de Interesse Público pela DRCLVTejo e fixação da respetiva Zona Especial de Proteção; 31 outubro - parecer favorável à classificação pelo Conselho Consultivo do IGESPAR; 2009, 03 março - despacho de homologação pelo Ministro da Cultura.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, mármore, madeira pintada e dourada, azulejos (sécs. 17 e 18), ferro forjado, estuque pintado.

Bibliografia

ALMEIDA, José António de, (dir. de), Tesouros Artísticos de Portugal, 2ª ed., Lisboa, 1980; AZEVEDO, Carlos, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, 2ª ed., Vol. 2, Lisboa, 1990; FERNANDES, Raquel, A azulejaria da Quinta de Manique, Cascais, CMC, 19 a 20 Setembro 2003; SIMÕES, João Miguel dos Santos, Azulejaria em Portugal no Século XVII, Lisboa, 1971; Idem, Azulejaria em Portugal no Século XVIII, Lisboa, 1979; STOOP, Anne De, Quintas e Palácios nos Arredores de Lisboa, Porto, 1986.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IGESPAR; CMCascais

Intervenção Realizada

1985 / 1986 - substituição da cobertura da ala central; 1995 / 1996 - pintura de paramentos da ala central e da ala O. (*1)

Observações

*1: informação bibliográfica e observação directa

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1996

Actualização

 
 
 
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