Casa da Quinta dos Azulejos / Casa da Quinta dos Embrechados / Casa da Quinta do Droguista / Colégio Manuel Bernardes

IPA.00004002
Portugal, Lisboa, Lisboa, Lumiar
 
Casa abastada pombalina, rococó e novecentista, de planta em L bastante alterada por construções sucessivas, tendo um amplo corpo datável do séc. 20, rasgado uniformemente por janelas retilíneas. Apresenta uma arquitetura bastante simples, nomeadamente nas fachadas posterior e laterais, sendo mais exuberante na principal, totalmente revestida a azulejo de padrão monocromo, azul sobre fundo branco. O corpo mais antigo é de planta retangular simples, com os vãos rasgados de forma simétrica, na fachada principal em arco abatido, correspondendo a portas, janelas de sacada e janelas de peitoril. A fachada principal da casa evolui, no corpo central, de forma escalonada, permitindo a criação de terraços laterais. Os vãos apresentam um jogo distinto de janelas de sacada, de varandim ou de peitoril, de efeito dinâmico, sendo a fachada rematada por balaustrada cerâmica, com acrotérios almofadados e encimados por vasos, numa estrutura de influência pombalina. Os panos de fachada são delimitados por cunhais apilastrados, alguns em silharia fendida, vulgarmente utilizada na região, e rematados em friso e cornija. Na fachada posterior, desenvolve-se um pátio e o acesso ao jardim. Interior com acesso por pequeno vestíbulo, que liga, através de escadas de madeira oitocentistas aos andares superiores, onde se destacam os exemplares azulejares, especialmente os existentes nos aposentos reais, com cenas galantes, encimados por paredes com pinturas murais compostas por bustos, painéis e elementos entrelaçados, apontando para uma linguagem neoclássica. A rematar os quatro cantos, destacam-se móveis de madeira pintada de branco, rematados por talha pintada. Possui ainda uma simples capela no interior. Conceção arquitetónica dos jardins sublinhada por uma utilização impar da cerâmica em geral e da azulejaria em particular.
Número IPA Antigo: PT031106180071
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta longitudinal, em L, constituída por dois corpos, de volumetrias distintas, mas ambas paralelepipédicas, de disposição horizontal. A ala virada a nascente, de quatro pisos, apresenta cobertura em telhado homogéneo a quatro águas, e a ala sul, com quatro pisos escalonados, apresenta coberturas diferenciadas a três e a quatro águas, e terraços. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, exceto a principal, orientada a sul, e os primeiros dois pisos da lateral direita, virada a este, integralmente revestidas a azulejo estampilhado industrial, em monocromia, azul sobre fundo branco, com módulo de padrão 2x2 decorado com motivos geométricos, florais e vegetalistas estilizados sobre fundo azul, em que o centro de rotação é constituído por florão sobre fundo branco com núcleo de quatro pétalas recortadas brancas alternadas por bagos azuis, dispostas nas diagonais e de nervura azul a terminar em flores-de-cálice e folhas azuis; o florão está rodeado por tarjas curvilíneas brancas, por vezes dentadas, sublinhadas a azul e que desenham hexágono de fundo azul. As fachadas são flanqueadas por cunhais apilastrados em cantaria de calcário, os da fachada principal em silharia fendida, rematadas por friso, cornija e beirada simples. Fachada principal com tratamento simétrico, a partir de eixo central, percorrida por embasamento em cantaria e dividida em três panos por pilastras de silharia fendida, os laterais com dois andares e o pano central escalonado, evoluindo em quatro registos, todos rematados por balaustrada de terracota, entrecortada por acrotérios, almofadados por losango e encimados por vaso do mesmo material; é rasgada por janelas em arco abatido, com molduras simples, em cantaria de calcário. O pano central possui, no primeiro piso, dois portões protegidos por portas de duas folhas de madeira almofadadas e pintadas de verde, que centram duas janelas de peitoril, protegidas por grades; a estes vãos, correspondem, no segundo piso, separado por friso de cantaria, quatro janelas de sacada, com bacias de cantaria e guardas em ferro forjado pintado de verde, formando linhas sinuosas. O terceiro registo, mais estreito e separado por friso e cornija, encontra-se flanqueado por duas aletas, também revestidas a azulejo, e rasgado por duas janelas de varandim, com guardas metálicas, semelhantes às anteriores; as ilhargas são cegas e pintadas de branco. O quarto registo, separado por friso e cornija, apresenta perfil poligonal, tendo, na face frontal, duas janelas de peitoril e, nas ilhargas, outras duas janelas de peitoril, aparecendo, no lado direito, chaminé quadrangular. Os panos laterais têm dois pisos, divididos por friso de cantaria, ambos rasgados por uma janela de peitoril, de tamanhos distintos. A fachada prolonga-se, para o lado esquerdo, por muro em alvenaria rebocada. A fachada lateral esquerda, virada a ocidente, é rematada por balaustrada semelhante à da fachada principal, encimada por rede, que protege um pequeno terraço que se forma no piso superior; possui, no piso inferior, painéis de azulejo figurativo, tendo, os dois pisos inferiores divididos em dois panos, seccionados por pilastra de cantaria, surgindo, ao nível do segundo piso, varanda com guarda metálica, para onde abrem duas janelas, a que correspondem duas janelas de peitoril no piso superior; os vãos são em arco abatido. A fachada lateral direita, virada a nascente, forma dois panos em ângulo pronunciado, o do lado esquerdo com embasamento de cantaria e totalmente revestido a azulejo semelhante ao da fachada principal, dividido em dois registos por friso de cantaria, rasgado por janelas retilíneas, com molduras de cantaria, o inferior com três janelas de peitoril, protegidas por grades, a central com a moldura a prolongar-se inferiormente, revelando ter sido uma porta, parcialmente entaipada. No piso superior, duas janelas de peitoril. Sobre o pano, desenvolvem-se, no extremo direito, mais dois pisos, rebocados e pintados de branco, cada um deles com uma janela de peitoril. O pano do lado direito divide-se em dois registos, o inferior revestido a azulejo e o superior pintado de branco, cada um deles com dois pisos. No inferior, duas portas de verga reta e três janelas de peitoril, duas retilíneas e uma em arco de volta perfeita, a que correspondem cinco janelas de peitoril retilíneas em cada um dos pisos superiores. A fachada prolonga-se por muro de cantaria, rasgado por porta de verga reta, rematada por elementos volutados. A fachada posterior forma um ângulo reto, criando um pátio, pavimentado a calçada à portuguesa, formando motivos geométricos rodeado por muro pintado de branco, com embasamento falso e saliente e remate recortado e volutado, de onde abrem várias portas para o jardim; aqui, situa-se um reservatório de água. A face oeste está dividida em quatro pisos, por frisos de cantaria de calcário, formando vários ressaltos, e rasgada por vãos em arco abatido ou retilíneos, com molduras recortadas, em cantaria, formando portas no piso inferior, janelas de varandim no segundo e janelas de peitoril nos superiores. Possui no pano de maiores dimensões, nos extremos, escadas de cantaria revestidas a azulejo de figura avulsa, que levam a patamar alpendrado, com cobertura a três águas, para onde abrem duas portas; nas bases das escadas, situam-se arcos de volta perfeita, com fechos salientes, que dão acesso ao interior do edifício. Sobre as escadas, dois óculos circulares. Ao nível do segundo piso, surgem dois medalhões ovais, em azulejo monocromo (azul sobre fundo branco) rodeados por elementos geométricos e vegetalistas entrelaçados e envoltos por laçarias pendentes, um deles com brasão e inscrição PEDRO PAULO JOSÉ DE MELLO (SANTAR) ADQUIRIU ESTA QUINTA EM 5 DE AGOSTO DE 1912 E A RESTAUROU, surgindo, no segundo, a inscrição: SUAS MAGESTADES FIDELISSIMAS FELIZMENTE REINANTES O SENHOR DOM JOZE PRIMEIRO E A RAINHA NOSSA SENHORA FIZERÃO A ESTA CASA A SUBLIME MERCE DE SE SERVIREM D`ELLA EM 3 DE NOVEMBRO DE 1753 E LHE REPETIRAM A MESMA / HONRA COM TODA A FAMILIA REAL V. R .T. O AGRADECIMENTO DO SEU OBRIGADISSIMO E HUMILISSIMO CRIADO ANTÓNIO COLASSO TORRES PARA SE ESTABELECER NA DURAÇÃO DO MARMORE FEZ AQUI GRAVAR ESTA MEMORIA EM 1760; sobre este, uma pedra de armas. A face norte possui dois panos escalonados e divididos por pilastra toscana, o do lado esquerdo com quatro pisos, o inferior com janela de peitoril retilínea e óculo ovalado, surgindo, no segundo, porta em arco abatido e duas janelas de peitoril com o mesmo perfil, a que se sucedem, nos superiores, duas janelas de peitoril em arco abatido e óculo circular. O pano do lado direito, de três pisos, remata em balaustrada semelhante à da fachada principal e possui amplo portal em arco de volta perfeita, assente em duas pilastras toscanas, encimado por duas janelas de peitoril, uma em cada piso. INTERIOR: acede-se ao interior a partir de um vestíbulo de pequenas dimensões, com paredes rebocadas e pintadas de branco, e pavimento em cantaria de várias tonalidades, formando xadrez. Deste sai uma escadaria de dois lanços em madeira, com guarda e coluna de arranque do mesmo material, tendo, nas paredes, silhares de azulejo azuis e brancos com festões de flores com barra de enrolamentos de acanto; no topo das escadas, silhares de azulejo azuis e brancos com moldura policroma (azul, manganês, ocres e verdes), com a representação de cenas da corte e de galanteio com moldura simétrica que se desenvolve em largos enrolamentos sobre os quais se adossam elementos concheados onde se sobrepõem lateralmente ramos; a rematar, também lateralmente, tarjas com filetes entrelaçados e reservas com elementos concheados e vegetalistas e inferiormente rodapé esponjado intercalado por retângulos, por flor de quatro pétalas e por flor-de-lis, ambas sobre fundo branco e limitadas por volutas e contra-volutas entrelaçadas. A sala dá acesso à CAPELA, de planta retangular simples, com paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por lambril de madeira almofadado, com teto plano, também rebocado e pintado de branco, e pavimentos em taco. No topo, altar de madeira, encimado por sacrário. Comunica com um corredor, por onde se acede a uma escadaria íngreme, de diversos lanços, com guarda com silhares de azulejo de padrão policromo, que termina no torreão onde se localizam os APOSENTOS REAIS com cobertura com a forma da estrutura do torreão e rematada por florão saliente, utilizado atualmente como sala de ballet, que apresenta planta retangular com janelas de peito com guarda de madeira e porta de acesso a terraço privativo e encontra-se coberta, em todo o seu perímetro, por silhares de azulejo com cenas campestres, de galanteio, da vida na corte e da natureza azuis e brancos com moldura policroma idênticas entre si com festões de flores e medalhões com bustos, com moldura simétrica retangular, com ou sem enrolamentos de acanto, sobre a qual se desenvolve outra moldura em largos enrolamentos aos quais se adossam elementos concheados ou ainda a sobreposição de flores e folhas. Inferiormente rodapé esponjado intercalado por retângulos e por elementos concheados. São encimados por pinturas murais policromas, formando amplos apainelados, ornados por bustos de perfil e moldura central retangular com dois anjos segurando uma albarrada florida encimada por medalhão de espigas. A rematar os quatro cantos destacam-se quatro móveis de madeira decorados com vitrais e rematados por talha pintada, que ou são contentores quando apresentam prateleiras, ou escondem vãos de janelas ou dão acesso à entrada na sala. Ao longo do edifício é possível encontrar outros tipos de padrões azulejares e um lavabo no acesso ao torreão que se apresenta integralmente coberto de azulejo monocromo azul e branco, inclusive no óculo, com diversos padrões e elementos decorativos.

Acessos

Largo Padre Augusto Gomes Pinheiro; Rua Esquerda, n.º 36 - 46; Azinhaga da Fonte Velha.

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 44 675, DG, 1.ª série, n.º 258 de 09 novembro 1962 *1 / Incluído no Paço do Lumiar (v. IPA.00021768)

Enquadramento

Urbano, destacado, integrada em quinta (v. IPA.00003145) de razoáveis dimensões, com duas frentes de jardim murado. A quinta é de planta longitudinal, formando um retângulo irregular, implantando-se a casa a sudoeste e desenvolvendo-se os jardins para oeste, em dois terços do lote. A fachada principal encontra-se voltada para o Largo Padre Augusto Gomes Pinheiro, o antigo Largo do Poço, confinando com a via pública, de que se separa por pequeno passeio pavimentado a calçada à portuguesa, onde surge o edifício da antiga Ermida, Hospital e Albergaria do Espírito Santo do Lumiar (v. IPA.00022303), com vestígios quinhentistas. A sua fachada este está virada para a Rua Esquerda, onde se destaca, no seguimento e no interior de muro, a entrada principal da Casa da Quinta de Santo António (v. IPA.00016801). Insere-se no Núcleo Antigo do Paço do Lumiar, surgindo, nas imediações, para além das já referidas, outras edificações com interesse cultural, decorativo ou arquitetónico, como a Quinta das Hortênsias (v. IPA.00003161).

Descrição Complementar

Espalhados por várias dependências, surgem vários azulejos: no corredor da atual cozinha, um rodapé de azulejos esponjados manganês e superiormente barra de elementos geométricos. No corredor do primeiro piso, com silhar de azulejos com padrão de 2x2 policromo (azul, amarelo e manganês) constituído pela repetição de um só azulejo com flor de quatro pétalas contido em reserva de linhas retas; no canto de cada azulejo, figura um quarto de uma flor que forma o elemento de ligação entre os diferentes azulejos que compõem o padrão; cercadura constituída por tarja ondulante; surgem, ainda, silhares de azulejo monocromos (azul sobre fundo branco) de festão de flores alternadas por flores entrelaçadas que sustentam flor aberta com barra de enrolamentos de acanto. Na escadaria de acesso aos aposentos reais, silhar de azulejos padrão de 2x2 policromo (azul e amarelo) constituído pela repetição de um só azulejo com flor de quatro pétalas (amarela) contido em reserva de linhas retas; no canto de cada azulejo figura um quarto de uma flor (azul) que forma o elemento de ligação entre os diferentes azulejos que compõem o padrão; cercadura constituída por enrolamentos de folhas de acanto em torno de um filete retangular e rodapé de azulejos esponjados. No lavabo do piso dois, azulejos monocromo (azul sobre fundo branco), de padronagem geométrica, de barras de elementos vegetalistas e festões, de figura avulsa, de moldura de enrolamentos rendilhados e de albarradas floridas.

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Educativa: colégio de ensino regular

Propriedade

Privada / Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Artur Bentes (1947-1950).

Cronologia

Séc. 18, 2.ª metade - António Colaço Torres *2, filho de Luís Colaço da Cruz, ourives em Lisboa estabelecido no Adro de São Julião, que, até ao terramoto, habitara nesta mesma freguesia, na Rua Nova dos Ferros, é aceite pela historiografia como sendo o mais antigo proprietário da Quinta dos Azulejos (J. MECO, R. SANTOS, A. STOOP, H. CARITA); 1753 - a quinta recebe uma primeira visita do casal real, D. José I e Dona Maria Ana Vitória *2, sendo então seu proprietário António Colaço Torres; para comemorar o facto foi mandado colocar um medalhão em azulejo numa das fachadas do edifício; nesta data estava terminada a decoração das alas nascente e sul; 1753, 16 dezembro - António Colaço Torres é nomeado guarda-mor do Soldo de Lisboa (Chancelaria de D. José I, Liv. 66, fl. 7, 7v.º e 8); 1745 - 1755 - primeira campanha de aplicação do revestimento azulejar no interior do palacete e no jardim com produção na Real Fábrica de Faianças do Rato; após o terramoto, o paço e o jardim recebem uma segunda campanha de decoração cerâmica, procedendo-se, designadamente, ao revestimento de alguns muros no interior do palacete, à colocação de silhares no primeiro piso e nos aposentos reais, e, no jardim, ao revestimento do muro sul e, mais tarde, à introdução de uma fonte parietal às bacias existentes; a partir desta campanha, a quinta adota a designação de Quinta dos Azulejos; 1756, 28 janeiro - em atenção aos bons serviços prestados ao rei, é por este nomeado inquiridor e distribuidor da Ouvidoria da Alfândega e Conservatória Inglesa (ANTT, Chancelaria de D. José I, Liv. 84, fl. 248); 1759, 25 setembro - António Colaço Torres, morador no Paço do Lumiar, redige o seu testamento a favor da sua única filha e herdeira, Maria Josefa Joaquina, casada com José Pedro da Silveira, almoxarife dos Paços da Bemposta; 1760 - a família real visita novamente a quinta; colocação de nova placa comemorativa desta visita; 1761, 29 setembro - António Colaço Torres morre com todos os sacramentos, sendo sepultado junto à porta principal, do lado de fora, da ermida de São Sebastião (v. IPA.00022296), cumprindo-se a sua vontade expressa em testamento (ANTT, Registos Paroquiais, Freguesia de São João Baptista do Lumiar em Lisboa, óbitos, cxa. 6, liv. 4, 1754 - 1773); de acordo com o testamento detinha umas casas nobres com quintal e outras curiosidades que lhe haviam custado mais de cinquenta mil cruzados (talvez a decoração azulejar), assim como umas outras casas na Rua Esquerda junto da sua cavalariça e palheiro, que se encontravam arrendadas, por cima outras três e por baixo uma grande com cozinha; 1762 - 1763 - de acordo com os Livros da Décima da Cidade, entre as propriedades de Joaquim de Oliveira e Sebastião Xavier encontravam-se umas casas nobres e quintalão pertença de José Pedro da Silveira; 1764, 30 julho - é aberto e lido o testamento de José Pedro da Silveira, no qual deixava a quinta no Paço do Lumiar à sua mulher, Maria Josefa Joaquina, que aí residia, assim como uma terça parte dos seus bens, sendo a restante dividida pelos seus cinco filhos; 1765 - após a morte de José Pedro da Silveira as suas propriedades no Lumiar, incluindo a quinta, serão alvo de vários arrendamentos; 1784, 30 setembro - é lavrada escritura de venda da então designada Quinta dos Embrechados a Martinho Alonço Correia, boticário da casa real, morador na Junqueira (Cartório Notarial n.º 1, cxa. 132, liv. 625, fls. 41 vº, 42, 42 vº e 43); 1802, 24 dezembro - a quinta é novamente vendida, desta feita é comprada António Colaço da Silva *3, morador e com loja de droguista no Largo do Pelourinho (Cartório Notarial n.º 11, cxa. 168, liv. 809, fol. 69 vº, 70 e 70 vº); 1804, 01 setembro - o mesmo António Colaço da Silva compra a D. Vasco Manuel Figueiredo Cabral da Câmara, comendador da Ordem de Cristo e gentil-homem da Câmara de Sua Alteza, porteiro-mor e deputado da Junta dos Três Estados, umas casas arruinadas que confinavam com a Quinta dos Azulejos, agora designada do Droguista (Cartório Notarial 5 B, cxa. 28, liv. 138, fol. 19vº, 20, 20vº e 21); das duas propriedades terá feito uma única; 1805 - o futuro poeta António Feliciano de Castilho (1800 - 1875), então com cinco anos, adoece gravemente após uma queda e, aconselhado pelos médicos a sair de Lisboa, faz a convalescença na Quinta dos Azulejos, que descreveria anos mais tarde *4; até 1809 - de acordo com os Livros da Décima da Cidade de Lisboa, até esta data, António Colaço da Silva adquiriu quatro propriedades na Rua Esquerda, suprindo o espaço existente entre as adquiridas a Martinho Alonço Correia e a D. Vasco Manuel Figueiredo Cabral da Câmara; 1820 - por morte de António Colaço da Silva, as suas propriedades passam para as mãos da viúva, Maria Francisca Salles de Santa Teresa; 1862, 17 outubro - Maria Angelica Melchiades d'Assis e Brito, neta de António Colaço da Silva, vende a quinta a João Augusto Ferreira Rangel de Sampaio, de acordo com o Livro das Descrições Prediais, a Quinta do Droguista, como agora é conhecida, tem dois assentos de casa, o primeiro com três andares, adega cavalariça, cocheiras, casas para despejos, pátio murado e tanque, e o segundo com primeiro andar; detinha, ainda, jardim com parreiras, lago e cascata, horta, pomar com engenho e nora, confrontava a sul com a via pública, a nascente com o prédio da viúva Caldas, e a poente com o Largo do Poço e Azinhaga (Sétima Conservatória do Registo Predial de Lisboa, Livro das Descrições Prediais); 1869, 23 dezembro - João Augusto Ferreira Rangel de Sampaio vende parte da quinta (a que comportava a casa nobre, loja e andar virados ao Largo do Poço, dois andares com seu mirante, horta, pomar, adega, lagar de cantaria, cocheiras e demais oficinas, terreno de jardim com parreiras sobre pilares de pedra, poço com nora e tanque) a Maria Araceli, casada com Miguel de Mena Y Rocio (Cartório Notarial 9 A, cxa. 135, liv. 803, fols. 75, 75vº, 77, 77 vº e 78); 1874, 16 junho - João Augusto Sampaio vende a segunda parte da quinta, com serventia para a Rua Esquerda (parte rústica, que, pela descrição na conservatória, parece ser a adjacente, logo a nascente, do edifício principal) a Manuel Maurício Vieira (Segunda Conservatória do Registo Predial de Lisboa, Inscrição n.º 620, prédio n.º 3864); 1877, 28 abril - Miguel Mena Y Rocio, enquanto procurador da mulher, vende a sua parte da quinta a José Joaquim das Neves; 1877, 09 agosto - o mesmo José Joaquim das Neves adquire a restante parte a Manuel Maurício Vieira; 1881 - o olissipógrafo Júlio de Castilho (1840 - 1919) faz uma descrição do palacete e jardim *4, em muito semelhante à que consta da conservatória predial, a descrição é acompanhada por um desenho da fachada, datado de novembro de 1862, onde esta aparece ainda sem os azulejos que a revestem; 1891, 16 dezembro - o resto do terreno que não fora comprado por José Joaquim das Neves é agora vendido a António Garcia Domingues (Cartório Notarial 8 B, maço 38, cxa. 64, liv. 374, fols. 46, 46vº, 47, 47 vº, 48 e 48 vº; Segunda Conservatória do Registo Predial de Lisboa, Inscrição n.º 6486, prédio n.º 3864); 1898, 21 novembro - a Quinta dos Azulejos é vendida pelos herdeiros José Joaquim das Neves a Júlio Alves Ribeiro da Silva (Segunda Conservatória do Registo Predial de Lisboa, Inscrição n.º 9811 e 9822, prédio n.º 470); 1903, 26 maio - Henry Scholtz, cidadão norte-americano, residente em Alcântara, adquire a propriedade a Júlio Alves Ribeiro da Silva (Cartório Notarial n.º 4, cxa. 37, livº 357, fol. 25vº a 26 vº); 1909 - o negociante americano Henrique Sholtz, recebe nesta sua propriedade a visita de Juliette Adam, acompanhada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros dos Estados Unidos da América; 1912, 05 agosto - a quinta é adquirida por Pedro Paulo Melo Figueiredo Pais Amaral (1886 - 1941), segundo conde de Santar, que a restaura conforme consta em inscrição na fachada ocidental; 1919, abril - John Peter Hornung compra a propriedade; novembro - encontrando-se a fachada a ser rebocada e pintada (por esta época o revestimento azulejar da fachada cingia-se um painel evocativo da visita real de 1753 colocado entre as duas janelas centrais do andar nobre), quando deflagra um incêndio que causa significativos danos na casa; 1920 - 1921 - início das obras de reconstrução e ampliação, deslocação do painel comemorativo da visita real para o alçado posterior e revestimento da fachada principal a azulejo; 1926 - atribuição dos números de polícia 40, 42, 44 e 46 às quatro portas sem número da Rua Esquerda, que anteriormente se situava na Azinhaga da Fonte Velha; séc. 20, inícios - a quinta diminuiu consideravelmente de tamanho, restando apenas os jardins; 1932, março - a propriedade é de novo vendida, desta feita a Artur Ribeiro Lopes; 1934 - alargamento da porta número 40 e alteração da escada; 1935 - o padre Augusto Gomes Pinheiro (1893 - 1976) funda e instala o Colégio Manuel Bernardes na propriedade, conhecido então como Escola Manuel Bernardes; 1943 - realizam-se obras gerais de beneficiação; 1947, maio - o padre Augusto Gomes Pinheiro adquire a propriedade onde já funciona o colégio; a Câmara Municipal de Lisboa aprova a elevação de um andar sobre uma parte do edifício existente; 1947 - 1948 - obras de ampliação do segundo andar da ala sul a cargo do arquiteto Artur Bentes; 1949 - 1950 - construção de um ginásio a norte da casa; 1957 - 1958 - construção de um terceiro andar na ala sul a cargo do arquiteto Artur Bentes; 1961 - edificação de um anexo junto do ginásio; 1970 - obras gerais de beneficiação; 1962, 09 novembro - é classificada como Imóvel de Interesse Público a parte da quinta em que existem espécies cerâmicas do séc. 18 (Decreto número 44.675, DG 1.ª série, n.º 258); 1994 - a quinta é abrangida pelo Plano Diretor Municipal; 1997, 31 dezembro - é incluída na classificação como Conjunto de Interesse Público do Paço do Lumiar (Decreto n.º 67/97, DR, 1.ª série B, n.º 301); séc. 20, finais - o terreno na Azinhaga da Fonte Velha, traseiras da Quinta dos Azulejos e da Quinta de Santo António, com uma área de 12 400 m2, é cedido a título precário ao Colégio Manuel Bernardes para funcionamento do colégio.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria mista, rebocada e pintada; pilastras, escadas, acrotérios, modinaturas, sacadas, pavimento em cantaria de calcário; pavimentos em madeira e ladrilho cerâmico; escadas do vestíbulo em madeira; guardas e grades em ferro forjado e fundido; silhares de azulejo tradicional e industrial; janelas com caixilharias de madeira e vidro simples.

Bibliografia

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Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGPC/SIPA: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

AHTT: Livros da Décima da Cidade de Lisboa; DGARQ: ANTT; DGPC/SIPA: DGEMN/DSID; CML: Arquivo de Obras (Pº Nº 47.121)

Intervenção Realizada

Proprietário: 1919 - reboco e pintura da fachada; 1938 - reparação de estuques dos tectos; 1940 - reparação de telhados, chaminés, rebocos e pinturas; 1963 - reparação do muro virado à Azinhaga da Fonte Velha; 1970 - obras gerais de beneficiação.

Observações

*1 - DOF:... Quinta dos Azulejos, no Paço do Lumiar, na parte em que existem espécies cerâmicas do século XVIII. *2 - António Colaço Torres era, desde 12 de março de 1732, reposteiro da Câmara do Número, tendo, pela mesma altura, sido nomeado por D. João V, comprador do guarda-roupa das princesas do Brasil, da Beira e das infantas (em 1750 revelava-se honrado por exercer estas funções há mais de vinte anos - Chancelaria de D. João V, liv. 130, fol. 318 vº, Habilitações da Ordem de Cristo, Letra A, maço 1, n.º 15), desde 1753 era, igualmente, guarda-mor do Soldo e cavaleiro da Ordem de Cristo; teve uma única filha e herdeira D. Maria Josefa casada com João Pedro da Silveira seu sucessor no cargo de Guarda-Mor do Soldo em 1762 e que, em 1766, passou para o seu filho José Maria Boaventura Silveira; *2 Guy Weelen faz a reconstituição da visita régia: "Hoje, 3 de Novembro de 1753, António Colaço Torres, grã-cruz da Ordem de Cristo, recebe a visita do rei D. José I e da rainha D. Maria Ana. Ao cair da noite, sob um céu constelado de estrelas, os lustres do jardim desenham novas constelações multicolores e geométricas. Uma brisa húmida vinda do amplo estuário do Tejo agita as chamas das velas, alonga e desfigura as sombras. / Longas padiolas em forma de barcas, com damas cor de cereja seguidas de lacaios africanos e indianos, portadores de archotes, vogam através dos grupos. António Colaço Torres oferece agora ao príncipe sorvetes de limão da Tunísia, de groselha à moda italiana, pérolas de melão geladas e regadas com vinho do Porto muito velho, uvas passas caramelizadas e maceradas num vinagre raro perfumado com grãos de cravinho. / 3 de Novembro de 1753: já nos paióis se preparava, insidioso, o tremor de terra que dentro de alguns meses devastaria Lisboa... palácios, igrejas, quartéis, conventos, quarteirões inteiros, tudo ou quase ia desmoronar-se. Os incêndios, as vagas chegadas do alto mar, como esquadrões violentos, porão a cidade a saque e liquidarão a população. / O jardim de faiança do Paço do Lumiar, esse, por protecção divina, será poupado" (G. WEELEN, 1992); *3 António Colaço da Silveira, filho legítimo de João Bernardes e de Maria Ignácia de Jesus, ambos falecidos antes de 1820, era natural de São João da Ribeira, no termo de Santarém (Registo Geral dos Testamentos, liv. 373, fol. 15, 15vº, 16 e 16 vº). Segundo Júlio Castilho, este mesmo António Colaço da Silveira seria filho de António Colaço Torres, no entanto segundo informação constante no Registo Geral dos Testamentos, este teve apenas uma filha Maria Josefa Joaquina, como já referido; *4 São dessa época estas recordações: "Estou vendo (...) no aristocratico páteo, a um lado o grande tanque esverdeado e doirado (...) / Estou vendo as duas escadas de pedra, subindo uma para a capella, a outra para as salas. Ao fundo o portão de ferro do jardim; nelle os alegretes de porcelana e marmore, os vasos da China, os azulejos historiados. Na primeira rua as duas cascatas, correspondendo-se de extremidade para extremidade; a da esquerda com o seu Baccho a cavallo numa pipa; a da direita com uma sereia; outras duas de um brutesco magnifico aos dois tôpos da rua de arcaria chamada do Principe D. José, que ali costumava espairecer-se. Na meia-laranja da direita, entre estas duas ruas, a opulenta cascata, com o collosso do Tejo reclinado com a sua urna sôbre penedias bravas, e sôbre um florido pórtico de conchas; aos lados, dois cisnes; as aguas repuxam de todas as partes. Defronte, um tanque redondo repuxa tambem uma arcaria líquida e prismática, até á abóbada de verdura, que alastra sombras movediças, e em cujo vertice pompeia, de trombeta em punho, uma estátua da Fama. / Quasi ao fundo do jardim, uma sala vegetal, com assentos e meza de mármore, guarda tantas sombras e frescura, contém tanto silencio e mysterio, no meio de tão profusos ruidos de aguas e folhagem, que um poeta ali se fartaria de inspiração, e dois noivos de ventura. Eu e as outras crianças só espreitavamos tudo aquillo de longe, porque uma criada velha (que não podia mentir) nos tinha dito que morava lá uma princeza moira. (...) / Ao sahir do jardim a horta, o pomar com a sua nora, as searas com a sua eira. (...) / Uma tarde... foram todos os da casa ao convento de Odivellas; fiquei eu só com a criada velha. Estamos á janella da casa de jantar; avistamos, lá por um oiteiro, o nosso rancho em burrinhos de albardas verdes e encarnadas; um sol magnifico envolve tudo aquillo; que invejas para mim! / N`um recanto da casa arrulham as rolas n`um viveiro de arame, alto como uma torre (...)" (CASTILHO, 1926). *5 "Cai sobre o largo do Poço, no logarejo do Paço do Lumiar, a frontaria principal do palacete, obra sem duvida do seculo XVIII. No primeiro andar quatro sacadas, de volta levemente curva; no segundo andar, retrahido dos lados, duas janelas de peito; e sobre este ainda outro andar, quasi mirante, com outras duas janellas. Os telhados, que se avistam a grande distancia por aquelles contornos, são agudos, oitavados em corocheu, com uma certa feição distinta. Os dois portões da entrada, e as duas janelas gradeadas da loja, são também no citado largo, para onde dá mais uma especie de fresta, desgarrada do desenho geral da frontaria n`um amuo architectonico difficil de justificar. / A fachada enfeitava-se ainda não ha muitos annos, com alguns modestos primores, como cornijas historiadas, columnellos de argamassa, á maneira dos pedestaes de hermes, e ornatos arrebicados, que bem denotavam a moda reinante no tempo da edificação. O maior adôrno porém era um grande azulejo entre as duas janellas centraes do andar nobre; no meio de uma moldura de folhagens e palmas (...). Salas altas, bons azulejos, páteo com todos os pertences, jardim á Luiz XV, com grandes buxos, estatuetas mythologicas, etc. Boa vista de campo; optimos ares". (CASTILHO, 1926).

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1996 / Sara Andrade 2004

Actualização

Luísa Estadão 2005 / Paula Tereno 2017 / Pedro Rocha 2017 (contribuidor externo)
 
 
 
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