Palácio da Quinta Nova / Quinta de Santo António / Quinta dos Ingleses

IPA.00004001
Portugal, Lisboa, Cascais, União das freguesias de Carcavelos e Parede
 
Arquitectura residencial, rococó e pombalina. Casa senhorial. Bom exemplar de arquitectura civil rococó, ostentando notáveis emolduramentos de cantaria e apontamentos de estuque nos tectos de alguns compartimentos.
Número IPA Antigo: PT031105020063
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

O edifício principal apresenta planta composta em E, com volumetria escalonada e cobertura efectuada por telhados a 1, 3 e 4 águas, em trapeira (virada a E.) e em coruchéu. O corpo principal do edifício, de planta rectangular, em reboco pintado com soco de cantaria, apresenta alçado principal (a N.) no seu sentido longitudinal e orientado para pátio rectangular. A fachada desenvolve-se em 2 níveis - um deles parcialmente enterrado e definido por óculos circulares de emolduramento simples em cantaria - e 3 corpos, dos quais se destaca o axial - delimitado por cunhais em cantaria superiormente rematados por pináculos sobre plintos - sobrelevado relativamente aos que o ladeiam, e em galilé com abertura em arco em asa de cesto em cantaria. Servida por escadaria monumental animada ao centro por compartimento revestido a azulejo monócromo, com conversadeiras em cantaria a ladearem fonte. A galilé exibe muro de topo aberto a eixo por porta de verga recta encimada por pedra de armas, flanqueada por janelas de peito com emolduramento simples em cantaria e remate relevado em estuque. Nos panos laterais, regista-se a presença de 2 nichos animados no remate por composição ornamental em estuque de gramática vegetalista e tratamento rococó. Os corpos laterais, idênticos, apresentam abertura de vãos a ritmo regular com emolduramento simples em cantaria, reconhecendo-se a presença, de cada lado, de 5 janelas de peito a encimarem os óculos iluminantes do piso parcialmente enterrado. No alçado posterior (a S.), observam-se 3 corpos adossados ao edifício principal a igual distância, definindo uma fachada composta por 5 corpos organizados em simetria a partir do módulo central. Do conjunto destacam-se os corpos extremos, definidos por cunhais em cantaria e cobertura em coruchéu piramidal em telha. Este alçado é servido por terraço delimitado por muro, contiguamente ao qual se desenvolve um jardim formal.No muro abre-se, no alinhamento do módulo central, porta de verga ligeiramente curva, pela qual se acede a compartimento de planta rectangular e cobertura em abóbada de aresta *2. O edifício possui um átrio central, a partir do qual desenvolve para cada ala um corredor disposto no sentido longitudinal que articula com compartimentos orientados para as 2 fachadas (N. e S.), geralmente com tectos diferentemente ornados com estuques. Na ala O., destaca-se (orientada a S.), a actual sala de refeições - espaço rectangular interrompido por arco pleno em cantaria - com lareira em cantaria de tratamento escultórico erudito e lambril azulejar monócromo de temática vegetalista, presente na maioria dos espaços - zonas de circulação e compartimentos (com cenas historiadas ou com temática vegetalista). Merece atenção o piso parcialmente enterrado, definido por muros espessos (correspondentes às fundações e zona primitiva da construção), coberta por abóbada de aresta e onde se observa 1 poço. Definindo o ângulo SO., do pátio e flanqueada entre o edifício principal e outra construção posterior, reconhece-se a fachada da antiga capela: separada a N., por pilastra de cantaria, apresenta a eixo, porta de verga recta destacada encimada por óculo oval inscrito em moldura recortada de cantaria. O seu interior com cobertura em abóbada de berço, encontra-se completamente alterado já não sendo possível identificar qualquer estrutura original.

Acessos

Avenida General Eduardo Galhardo; Avenida Jorge V

Protecção

Categoria: CIM - Conjunto de Interesse Municipal, Aviso da Câmara Municipal de Cascais, Boletim Municipal de 29 abril 2013 *1

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado por recinto murado. O acesso efectua-se por alameda definida por estrada de empedrado delimitada por árvores e muros, com orientação N. / S..

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Educativa: colégio

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 18, década de 60 - aquisição de alguns terrenos para edificação de uma residência de veraneio, por José Francisco da Cruz (tesoureiro do rei D. José I), ao Morgado de Alagoa, constituído uma ampla propriedade conhecida como Quinta Nova de Santo António; 1870 - aquisição da propriedade pela firma inglesa Falmouth, Malta & Gibraltar (posteriormente designada Eastern Telegraph Co. e ainda mais tarde Cable and Wireless Co.), a qual procede a obras no palácio, com vista à sua adaptação às novas funções; 1877 - um incêndio destrói parcialmente a ala E. do palácio; 1888 - são cedidos terrenos da propriedade, destinados à construção da linha feroviária que ligaria Lisboa a Cascais; 1902 - uma pequena faixa de terreno é oferecida pela firma inglesa à rainha D. Amélia, para que se pudesse proceder ao alargamento da estrada que ligava a vila ao sanatório; 1923 - construção de um edifício anexo (situado a E. do palácio), destinado a funcionar como hospital para os funcionários da firma inglesa instalada na propriedade; 1936 - nova cedência de terrenos da propriedade, desta vez com vista ao alargamento da que se designou Av. Jorge V (em honra do jubileu de prata deste monarca britânico); 1939 - cedência do acesso à praia de que a propriedade dispunha para a construção da Av. Marginal; 1939 - a St. Julian's School (escola criada em ligação com o Consulado Britânico) ocupa o espaço disponível no palácio, uma vez que o pessoal da firma, então já designada Cable and Wireless, se encontrava reduzido a 9 funcionários; 1963 - venda da propriedade por parte da firma Cable and Wireless, adquirindo a St. Julian's School a maior parte da mesma, sendo a restante comprada pela companhia Savelos; 1998, 11 fevereiro - Despacho de homologação da classificação do edifício pelo Ministro da Cultura.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, estuque, ferro forjado, madeira

Bibliografia

BULL, Andrew, The History of the QuintaNova de Santo António, Carcavelos - 1730 to the Present, in British History Society. 14th Annual Report, 1987

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 - DOF: Palácio da Quinta Nova / Quinta de Santo António / Quinta dos Ingleses e alameda de acesso N. / S.. *2 - correspondente a uma antiga Casa de Fresco (actualmente oficina).

Autor e Data

Teresa Vale e Maria Ferreira 1998

Actualização

 
 
 
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