Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Buarcos

IPA.00003956
Portugal, Coimbra, Figueira da Foz, Buarcos
 
Igreja de Misericórdia maneirista, de planta retangular com nave única, interiormente com tecto curvo e iluminada por janelas axiais e frestas laterais, com sacristia e sala do Despacho adossada à fachada lateral esquerda, aberta para a nave através de tribuna, seguindo a tipologia mais comum das Misericórdias do distrito. Fachada principal terminada em empena, com pilastras nos cunhais, rasgada por portal de verga abatida encimado por friso decorado e cornija, sobrepujada por nicho, com imagem da Virgem, e escudo, ladeada de aletas e duas janelas de verga abatida. Casa do Despacho de dois pisos. Fachada lateral terminada em cornija e beiral, com portal de verga recta sobre pilastras caneladas encimado por friso, cornija e nicho. No interior possui silhar de azulejos, de enxaquetado compósito maneirista, coro-alto de madeira, tribuna de vão rectangular, com arquitrave sustentada por colunas jónicas, assentes em plintos paralelepipédicos decorados com florões no lado do Evangelho e, no oposto, púlpito de cantaria com guarda decorada. Presbitério acedido por escadas laterais e frontalmente rasgado por vão com colunas, albergando grupo escultórico em pedra de Ançã, do renascimento Coimbrão, composto por Cristo deitado no túmulo, rodeado pelas Santas Mulheres, São João, Nicodemos e José da Arimateia. Parede testeira rasgada por três capelas, formando a capela-mor e duas colaterais, em arco de volta perfeita sobre pilastras, com abóbadas de berço de caixotões decorados, e albergando retábulos maneiristas, em talha policroma e dourada, com painéis pintados de temática característica das Misericórdias. Planimetricamente segue uma das variantes tipológicas comuns no distrito, com nave e presbitério, e o segundo mais frequente no país. A sacristia, casa do Despachos e demais anexos formam corpo rectangular paralelo à igreja, com vãos e porta de acesso rasgados na fachada posterior, disposição única nas Misericórdias do distrito. Construída no séc. 16, a sua estrutura e decoração é essencialmente do séc. 17 em estilo maneirista. A fachada principal possuía inicialmente os vãos dispostos num único eixo, composto por portal de verga recta e nicho, tendo sido reformada em finais do séc. 18, transformando-se a modinatura do portal para abatido e abrindo-se as duas janelas de verga abatida e com pequeno avental inferior. Estas modificações, juntamente com a erosão natural da proximidade do mar, conduziram ao desaparecimento da decoração e inscrição com data de execução no portal axial, bem como a decoração no lateral. A sineira surge na fachada principal, cortando o cunhal direito. Interiormente, o coro, de perfil curvo, possivelmente por ser de execução recente, assenta em colunas jónicas que, integram pias de água benta circulares de exterior concheado, e repousam sobre plintos circulares, decorados com motivos fiotomórficos em baixo relevo. Sob a tribuna, junto à qual se colocava o cadeiral dos Mesários, existe uma caixa de esmolas, em cantaria, integrada na parede, actualmente transformada em confessionário embutido, e um portal, inscrito, de acesso ao ossário ou "cemitério" da Irmandade. O púlpito é o único nas Misericórdias do distrito com planta circular e o mais decorado, já que a guarda é ritmada por pequenos nichos, com mísulas e concheados, alternados por pilastras. O vão do presbitério e respectivo grupo escultórico é semelhante ao existente na Misericórdia de Tentúgal, ainda que aquele seja mais rico, à excepção nos nichos dos topos, que em Buarcos são concheados; as figuras surgem quase inteiras e policromadas, junto de Cristo, deitado, com as mãos no baixo-ventre. O programa iconográfico, como é característico no distrito, surge no retábulo-mor e colaterais, limitando-se a cenas da vida de Cristo e da Virgem. Os colaterais, com ático possivelmente reformado no princípio do séc. 20, têm painéis pintados com as Adorações dos Pastores e dos Reis Magos, que, segundo Vitor Serrão, serão atribuíveis a Miguel Pires. O retábulo-mor, com a típica Visitação e Mater Omnium ao centro, possui a particularidade de apresentar lateralmente São Joaquim e Santa Isabel e, superiormente, a Visitação, subdividida em dois painéis; Vitor Serrão acha que estes painéis são de um pintor secundário de Coimbra. A capela lateral da nave, com decoração em estuques foi reformada no início do séc. 20.
Número IPA Antigo: PT020605040016
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja de Confraria / Irmandade  Misericórdia

Descrição

Planta retangular de nave única e presbitério, com sacristia, sala de reuniões e outras dependências rectangulares adossadas à fachada lateral esquerda. Volume simples de cobertura diferenciada, em telhados de duas águas na igreja e de uma nas dependências anexas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco. Fachada principal virada a O. terminada em empena, coroada por cruz latina de cantaria, com pilastras nos cunhais até ao terço superior, possuindo a cortar o cunhal direito, pequena sineira de cantaria; esta tem arco de volta perfeita albergando sino, sobre pilastras toscanas que suportam cornija recta coroada por pináculos laterais e pequena peanha central. Portal de verga abatida, com moldura de cantaria tendo ao centro círculo, encimada por friso decorado com almofadas geométricas, sendo as laterais inscritas, a da esquerda com ANNO e a da direita actualmente delida, e cornija recta; sobre esta assenta nicho, em arco de volta perfeita, envidraçado, albergando imagem da Virgem de mãos postas, ladeado por duas pilastras de fuste almofadado, suportando friso e cornija recta, encimada por pináculos laterais e pequenos elementos volutados centrais, os quais enquadram brasão nacional, sobrepujado por cruz; as pilastras são ladeadas por aletas volutadas e por duas janelas de verga abatida, com moldura formando superiormente pequena cornija e inferiormente avental, possuindo caixilharia de guilhotina. Junto ao portal, dispõe-se, do lado direito, lápide de bronze com inscrição. Fachada lateral direita terminada em cornija sobreposta por beiral, rasgada por três frestas, em arco de volta perfeita, molduradas, e portal de verga recta, ladeada por duas pilastras de fuste canelado, de terço inferior marcado, assentes em plintos, suportando alto friso com decoração quase delida, tendo lateralmente falsos plintos, ornados com cravos, e cornija recta; é sobrepujada por nicho, definido por duas pilastras toscanas, sustentando cornija coroada por concha e dois pináculos laterais, encontrando-se actualmente desnudo. Fachada posterior com embasamento pintado a cinzento, a igreja terminada em empena, com cunhal esquerdo possuindo alhetas; o corpo anexo, de dois pisos, é rasgado no primeiro por porta de verga recta e janela de peitoril de molduras geminadas e no segundo por janela de sacada, encimada por cornija e assente em três volutas, com guarda em gradeamento de ferro. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco; nave com embasamento de cantaria encimado por silhar de azulejos de padrão enxaquetado, de caixilho compósito azul, pavimento em lajes de cantaria com bordadura em dentes de serra a preto, e tecto ondulado tipo pladur, formando caixotões, assente em friso e cornija de cantaria, ritmada por mísulas. Coro-alto de madeira, de perfil curvo ao centro, com guarda em balaústres sobre friso decorado com almofadas, suportado por duas mísulas e duas colunas jónicas centrais, assentes em pias de água benta circulares de exterior concheado, sobre plintos circulares decorados com motivos fiotomórficos em baixo relevo. No coro, acedido por escada de madeira em L, disposta no lado da Epístola, existe órgão de armário. No sub-coro, do lado do Evangelho surge pia de água-benta, em mármore, circular, com pé em coluna galbada e tampa de madeira alta, coroada por pináculo; por trás existe na parede cruz latina sobre soco de dois degraus e plinto, formada pelo aproveitamento de azulejos de corda seca; no lado do Evangelho, rasga-se porta de verga recta encimada por friso e cornija. Sensivelmente a meio da nave, neste mesmo lado, rasga-se na parede confecionário rectangular, antiga caixa das esmolas, em cantaria, possuindo inferiormente cornija e superiormente dupla cornija. Sucede-lhe tribuna de comunicação à Sala do Despacho, de vão rectangular, com arquitrave decorada na face interior por elementos geométricos e florões em almofadas rectangulares, sustentada por colunas jónicas, de fuste canelado e terço inferior marcado, as duas laterais semi-embebidas, assentes em plintos paralelepipédicos decorados com florões, com guarda em balaústres de madeira assente em cornija. Sob a tribuna, abre-se porta de acesso ao ossário da Irmandade, de verga recta, com a inscrição 1576 TALE VIVI COMO TI TAL SERÁS COMO MI e tendo ao centro, no interior de cartela circular, um crâneo relevado, assente em pilastras e capitéis de volutas; junto à porta, do lado esquerdo, existe pia de água-benta rectangular, de bordo curvo. Sucede-lhe capela lateral rectangular, acedida por arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas, interiormente decorada com trabalhos de estuque e apresentando retábulo em talha policroma e dourada, de planta recta e um eixo. No lado da Epístola, junto à porta travessa, existe pia de água benta semicircular, decorada exteriormente com folhas sobrepostas e bordo saliente; segue-se púlpito circular, integralmente de cantaria, com base decorada com elementos fitomórficos, e a guarda plena ritmada por pilastras jónicas, assentes em volutas intercalndo nichos em arco de volta perfeita, concheados, e com mísulas para sustentação de imagens; possui escada de acesso recente em pedra, com um cordão preso num ferro, servindo de guarda. Presbitério de cantaria acedido por escadas laterais, com guarda em ferrro intercalada por acrotérios de cantaria; frontalmente é rasgado por vão rectangular central, com pilastras e colunelos laterais, de capitéis em voluta, albergando grupo escultórico em pedra de Ançã, policromo; este é composto por Cristo morto deitado num leito, com almofada e mãos sobrepostas no baixo-ventre, rodeado pelas figuras de Nicodemos e José da Arimateia, segurando lençóis e, respectivamente, a coroa de espinhos e os cravos, pela Virgem de cabeça coberta e mãos postas, uma das Marias de mãos abertas, Maria Madalena segurando um vaso de incenso, São João segurando o livro e uma outra Maria com as mãos sobre o peito; as figuras frontais surgem à frente de um arco de volta perfeita simples e as dos topos integradas num nicho concheado. Ladeia o vão, nichos pouco profundos em arco de volta perfeita. A parede testeira da nave é rasgada por três capelas, de arcos em volta perfeita, o central mais alto, sobre pilastras toscanas, de fuste com almofada côncava, correspondendo à capela-mor e capelas colaterais, encimadas pelas armas da Misericórdia em talha. Interiormente, as capelas possuem de ambos os lados, entre pilastras de fuste almofadado, nichos em arco de volta perfeita sobre pilastras assentes em mísulas, interior concheado e mísula central inferior gomeada, nas capelas colaterais actualmente sustentado vasos com flores; a cobertura das capelas é em abóbada de berço formando caixotões rectangulares côncavos, com cartelas de motivos vegetalistas em losango ou com florão circular. A capela-mor alberga retábulo em talha policroma a bege e dourado, de planta recta e três eixos, definidos exteriormente por duas pilastras de fuste decorado com motivos fitomórficos e laçarias, assentes em plintos paralelepipédicos igualmente decorados, e duas colunas de fuste também com motivos vegetalistas, de terço inferior marcado, assentes em consolas com querubins, todas com capitéis coríntios; nos eixos, dispõem-se painéis pintados, o central representando a Visitação da Virgem a Santa Isabel, e os laterais São Joaquim (Evangelho) e Santa Isabel (Epístola); sobre o friso, decorado com querubins e florões alternados, e cornija, desenvolve-se o ático, adaptado ao perfil da cobertura, lateralmente moldurado com duplo friso e tendo no alinhamento das pilastras urnas; ao centro tem tabela enquadrada com colunas de fuste canelado e terço inferior decorado com querubins e laçarias, assentes em mísulas, e coroado por friso com florões encimado por concha; na tabela figura um painel com a Mater Omnium, numa versão Imaculista, e lateralmente a Anunciação, surgindo a Virgem no lado do Evangelho e o Anjo segurando filactera com inscrição no da Epístola; banco decorado com acantos enrolados. Altar tipo urna com frontal ornado com ampla coroa fechada e motivos fitomórficos. Os retábulos colaterais são de planta recta e um eixo definido por colunas de fuste canelado e terço inferior decorado com laçarias, assentes em consolas com querubins, e com capitéis coríntios; ao centro, surge painel pintado, sobre tábua, moldurado a friso fitomórfico, representando, no do lado do Evangelho, a Adoração dos Pastores, tendo a inscrição Glória in Excelsis Deam, e, no lado da Epístola, a Adoração dos Reis Magos; sobre friso decorado com elementos vegetalistas e querubim, desenvolve-se o ático, avançado, adaptado ao perfil da cobertura, tendo inferiormente friso de florões; ao centro tem cartela composta por painel rectangular pintado com o Anúncio aos Pastores (Evangelho), e com o Deus Pai (Epístola), envolvido por moldura recortada, criando uma falsa tabela; banco com apainelado ornado de cartela oval pintada com flores e laçarias laterais. Altar tipo urna, tendo no frontal ampla cartela com elementos vegetalistas. No lado do Evangelho, rasga-se porta de acesso à sacristia, de verga recta, enquadrada por friso de azulejos com registo formando cruz, apresentando a data de 1651 e INRI inscritas; é ladeada por pequena pia de água-benta semicircular. A sacristia apresenta silhar de azulejos recentes, de padrão fitomórfico policromo, tendo num dos lados lavabo de espaldar rectangular vertical, terminado em cornija, com os orifícios de duas bicas numa pequena cartela côncava, encimada por reservatório semicircular fechado; possui bacia rectangular recortada. Pela sacristia acede-se à sala da tribuna, revestida a azulejos de padrão igual, com pavimento cerâmico e tecto de madeira; junto à tribuna, dispõe-se o cadeiral dos Mesários, em madeira pintada, com espaldar formando almofadas rectangulares simples.

Acessos

Largo da Misericórdia, Rua detrás da Misericórdia, Rua do Batoréo

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 95/78, DR, 1ª série, n.º 210, de 12 setembro 1978

Enquadramento

Urbano, adossado, no centro histórico da vila, adaptado ao declive do terreno, mais acentuado junto à fachada principal, onde existe plataforma sobrelevada à estrada fronteira, formando adro, delimitado por gradeamento de ferro, com portão lateral, pavimentado a lajes de cantaria e possuindo a N. banco corrido de cantaria. A fachada lateral esquerda adossa-se a outras construções mais recentes e junto à fachada lateral direita e posterior corre via pública.

Descrição Complementar

Na fachada principal, a lápide possui a inscrição AO BENEMÉRITO CIDADÃO COMENDADOR MÁRIO BARRACA EGREGIO PROVEDOR DA MISERICÓRDIA - OS POBRES DE BUARCOS AGRADECIDOS 27 - VI - 1971. A capela lateral possui interiormente lambril de madeira encimado por apainelados de estuque, os das paredes, maiores, moldurados com motivos fitomórficos, e o tecto, em masseira, também com apainelados, contendo os símbolos da Paixão (cravos, coluna, escada, cruz com escada, sudário de Verónica, azorrague e alicate, coroa de espinhos) em cartelas polilobadas e elementos vegetalistas nos ângulos dos painéis, integrando ao centro lanternim octogonal, também com decoração em estuque. Na parede do lado da Epístola, inserida no lambril, surge armário envidraçado com imagem. Na parede testeira, ladeado por duas portas, com vãos em arco de volta perfeita, dispõe-se o retábulo, em talha policroma a roxo, verde e dourado, possuindo planta recta e um eixo definido por duas colunas coríntias que suportam fragmentos de frontão de volutas; ao centro, abre-se nicho, em arco de volta perfeita, envidraçado e albergando imaginária, envolvido por filete, marcando capitéis e a chave saliente, encimada por elementos fitomórficos; ático em espaldar recortado, ornado de volutas e tendo ao centro folha de acanto sobre motivo curvo. Altar tipo urna, com frontal decorado por motivos fitomórficos em coroa. Sobre o retábulo, surge lápide em mármore com a inscrição MANDOU RECONSTRUIR O PROVEDOR LOURENÇO DA SILVA NETTO C. M. 1905.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Utilização Actual

Religiosa: igreja de confraria / irmandade

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ORGANEIRO: Francisco Correia Lopes (1871). PINTOR: Miguel Paiva (séc. 17 - atrib.).

Cronologia

1519, 18 Outubro - Doação da vila de Buarcos por D. Manuel ao Conde de Tentúgal, a qual continuou na posse da família até ao séc. 18; séc. 16 - construção da igreja de Misericórdia pelos moradores da vila de Buarcos e de Redondos, numa rua que dividia as duas freguesias, passando a pertencer a ambas; 1576 - data inscrita na porta de acesso ao ossário, construído sob a tribuna; 1590, 20 dezembro - D. Filipe I atendendo aos rogos dos moradores de Buarcos e Redondos, nomeia um médico para aqueles lugares; 1595, 12 maio - confirmação de D. Filipe da doação da vila de Buarcos ao conde de Tentúgal, então D. Nuno Álvares Pereira de Melo; 1602 - assalto e saque de Buarcos por piratas ingleses, provocando incêndios em vários edifícios, nomeadamente na Câmara e cartório, perdendo-se a sua documentação histórica; 1629 - novo saque de piratas devido à pela riqueza da vila, detentora de grande número de caravelas; 1651 - data inscrita no silhar de azulejos sobre a porta da sacristia; por esta altura, rasgou-se a tribuna para a Casa do Despacho e executaram-se os retábulos, cujas pinturas dos colaterais são atribuídos por Vítor Serrão a Miguel Paiva; 1656 - o seu Compromisso inicial, provavelmente cópia do Compromisso da Misericórdia de Lisboa, ainda estava em vigor; 1721, 29 Maio - segundo as Informações Paroquiais da Diocese de Coimbra, a vila possuía casa da Misericórdia, fundada pelo povo das vilas de Buarcos e Redondos, por "estarem mistas", com hospital *1, onde se recolhiam os pobres peregrinos, confirmada por D. Manuel, mas não tinha recolhimento; possuía uma sepultura de Fernam Miguel de Matos e de seus filhos e herdeiros, datada de 1640; 1754 - assalto de piratas à vila; 1755, 1 Novembro - apesar da Igreja Matriz ter sofrido grande ruína com o terramoto, na igreja da Misericórdia só racharam algumas paredes; 15 Novembro - a documentação refere que a Câmara, o tribunal e a cadeia estavam em tão mau estado que as audiências da edilidade se faziam noutras casas, nomeadamente no pátio da Misericórdia; 1758 - segundo o vigário José de Leia Curado nas Memórias Paroquiais, a Misericórdia tinha de rendimento 37$680 rs e o hospital era administrado pelo Provedor e Mesa da Misericórdia; 1786 - data na inscrição sobre a cruz; séc. 18, finais - desconhecia-se o paradeiro do Compromisso, governando-se por isso pelo da Misericórdia de Coimbra; provável remodelação da fachada principal, com a abertura das duas janelas ladeando o nicho e, provavelmente, transformação da modinatura do portal de verga reta, de que conserva alguns vestígios, para verga abatida; 1794 - a Câmara de Buarcos absorve a de Redondo na sequência da fusão das duas vilas; 1836 - extinção do concelho de Buarcos; 1841 / 1885 - Inventário de bens da Misericórdia; 1860 - a Irmandade tinha 155 membros, que pagavam como joia de inscrição 1$200 rs; 1868 - a Misericórdia detinha a propriedade de duas moradas de casas em Buarcos e de 11 propriedades rústicas; 1869 - segundo o Registo das Irmandades e Confrarias existentes no Distrito, tinha Compromisso com a mesma data do da Misericórdia de Lisboa, possuindo 104 Irmãos; 1871 - execução do órgão por Francisco Correia Lopes da Carapinheira; 1883, 1 março - Mesa propõe novo Compromisso; 19 Novembro - alvará do Governo Civil de Coimbra aprovando o Compromisso próprio; segundo este, a Misericórdia ministrava livros e vestuário aos alunos pobres das escolas de instrução primária da vila; séc. 19 - uma das principais funções da Irmandade era dar assistência aos pobres peregrinos, que eram acolhidos no albergue de pequeníssimas dimensões, que também servia de hospital; séc. 19, finais / séc. 20, inícios - substituição do retábulo-mor por um em pedra de Ançã, atribuído à Escola João de Ruão, da antiga Igreja Matriz de Redondo, entretanto destruída, representando a Lamentação do Cristo Morto; séc. 20, início - provável reforma do remate dos retábulos colaterais; 1905 - reconstrução da capela lateral, durante a Provedoria de Lourenço da Silva Neto; foram alguns membros da Irmandade de Buarcos, constituída apenas por pescadores, que fizeram os estuques da mesma; 1911 - data dos Estatutos; 1912, 19 Junho - aprovação dos Estatutos pelo Governo Civil de Coimbra; 1950, década - segundo fotografia publicada no Inventário Artístico de Portugal, de Vergílio CORREIA e A. Nogueira GONÇALVES, o grupo escultórico do presbitério, com a Lamentação do Cristo Morto, era fechado por portas de madeira pintadas com anjos; segundo os autores, a sacristia ainda conservava alguns azulejos iguais aos da nave; 1971, 27 Junho - colocação de baixo-relevo na frontaria da igreja com o busto do antigo Provedor e benemérito Mário dos Santos Barraca; 1987 / 1988 - transferência do retábulo-mor em pedra, para a Igreja de São Pedro em Buarcos (v. PT020605040062) e recolocação do antigo retábulo-mor da Misericórdia, depositado no Museu Santos Rocha, da Figueira da Foz, desde fevereiro de 1939; 1989 - data dos últimos Estatutos da Misericórdia; 1976, 2 de novembro - proposta de classificação da Câmara Municipal de Figueira da Foz; 1977, 1 de abril - parecer da Junta Nacional de Educação a propor a classificação como IIP da Igreja e do seu conteúdo; 15 de abril - Despacho de Homologação do Secretário de Estado da Investigação Cientifica.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; elementos estruturais, pilastras, cornijas, sineira, molduras dos vãos, púlpito, grupo escultórico, lavabo, pavimento da nave e presbitério e outros em cantaria de calcário; vidros simples e martelados coloridos; portas e caixilharia de madeira; silhares de azulejos; lambril na capela lateral de madeira pintada; coro e teia da nave em madeira envernizada; decoração em estuque na capela lateral; retábulos de talha policroma e dourada e com telas pintadas sobre madeira; tecto da nave tipo pladur; pavimento cerâmico na sacristia e anexos e tectos dos mesmos em madeira; cobertura em telha; gradeamento em ferro.

Bibliografia

BANDEIRA, Ana Maria (Coord.), Recenseamento dos Arquivos Locais. Câmaras Municipais e Misericórdias, vol. 7 - Distrito de Coimbra, s.l., 1997; BORGES, Nelson Correia, João de Ruão, escultor da renascença Coimbrã, Coimbra, 1980; IDEM, Coimbra e Região, Lisboa, 1987; CARDOSO, João José Ferreira da Silva, Santas e Casas. As Misericórdias do Baixo-Mondego e as suas igrejas nos séculos XVI e XVII (Dissertação de Mestrado em História da Arte do Renascimento e do Maneirismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), Coimbra, 1993 / 1995; CARDOSO, Padre Luiz, Buarcos in Dicionario Geográfico, Tomo 2, Lisboa, 1953, p. 297; CASCÃO, Rui de Ascensão Ferreira, Figueira da Foz e Buarcos 1861 - 1910. Permanência e Mudança em duas comunidades do litoral, Figueira da Foz, 1998; CORREIA, Vergílio, GONÇALVES, A. Nogueira, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Coimbra, Lisboa, 1952; COSTA, P. António Carvalho da, Corografia Portugueza..., tomo II, Braga, 1868 [1.ª ed. de 1712]; GUERRA, António Victor, As Freguesias do Concelho da Figueira através das Memórias Paroquiais de 1758 in Terras do Mondego, s.d.; IDEM, Ibidem, Coimbra, 1950; PAIVA, José Pedro, Portugaliae Monumenta Misericordiarum, vol. 2, Lisboa, 2002; TOJAL, Alexandre, PINTO, Paulo Campos, Bandeiras das Misericórdias, Lisboa, 2002; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73662 [consultado em 14 outubro 2016].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/ DREMC, DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC; Arquivo da Santa Casa da Misericórdia de Buarcos (datas extremas: 1808 - 1950); IAN/TT: Dicionário Geográfico de Portugal, tomo 7, B2, pp. 293 - 1298

Intervenção Realizada

Proprietário: 1987 / 1988 - restauro e assentamento de silhares de azulejos na nave, substituição do coro-alto, destruição do antigo cadeiral dos mesários e alteração do acesso ao mesmo; restauro dos altares colaterais; montagem de uma cruz no sub coro aproveitando azulejos hispano-mouriscos de proveniência incerta; 1990 - obras de beneficiação da capela lateral do Evangelho e nas dependências contíguas; 2005 / 2006 - conservação exterior compreendendo limpeza de cantarias e reposição de volumes no portal principal, incluindo no nicho (previstas).

Observações

*1 - Nas traseiras da Igreja ficava o albergue para acolher os peregrinos, fazendo por vezes também de hospital, o qual possui na fachada um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Visitação. Costa Goodolphim não refere a existência do hospital, mas a de um pequeno albergue.

Autor e Data

João Cravo e Horácio Bonifácio 1992 / Paula Noé 2006

Actualização

Margarida Silva 2005
 
 
 
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