Igreja e Convento de Nossa Senhora do Espinheiro / Hotel Convento do Espinheiro

IPA.00003942
Portugal, Évora, Évora, Canaviais
 
Arquitectura religiosa, gótica, manuelina, mudéjar, renascentista, maneirista, chã. Mosteiro hieronimita de cuja traça quatrocentista e reforma manuelina restam apenas os dois absídiolos do transepto e vestígios da ábside poligonal; o corpo da nave, é sólida edificação do estilo chão eborense da transição do Séc. 16 para o Séc. 17; as capelas laterais do paramento N. da igreja, posteriores à edificação primitiva, modificaram o plano original do corpo da nave, nivelando-as com o cruzeiro; coro-alto renascentista e janelão da fachada principal joanino. O antigo convento constitui uma massa de volumes assimétricos, fruto das várias intervenções que sofreu ao longo dos tempos, destacando-se, pela dimensão, na envolvente. A capela funerária é de tipologia manuelina e mudéjar do aro eborense evidenciando paralelos com outras obras do seu arquitecto Martim Lourenço, como São Braz e os Paços de São Francisco, nas quais alguns elementos se repetem: coruchéus, ameias, alpendres torsados, traçado de arcos; azulejos sevilhanos no pavimento da nave e andaluzes do 1º quartel de quinhentos na capela-mor; o poço apresenta semelhanças com outras obras de engenharia de meados do séc. 16. Apesar do estado geral de abandono e falta de manutenção a que esteve votado durante vários anos, o conjunto mantém as características da construção original que se ligam com a intervenção moderna de adaptação a unidade hoteleira. Aqui se enconta a Capela Funerária do célebre Garcia de Resende, cujo pavimento é de azulejos sevelhanos e andaluzes do séc 16.
Número IPA Antigo: PT040705150031
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  

Descrição

Planta composta pela igreja de planta em cruz latina composta por nave rectangular antecedida por nártex, transepto com dois absídiolos, capelas laterais e restos da ábside poligonal, e pelas antigas dependências conventuais: claustro adossado a N., cisterna, refeitório, cozinha, adega, dependências agrícolas e cerca conventual com a capela funerária de Garcia de Resende, jardins tanques de rega, poço e aqueduto (v. PT040705150131) a O., a S. o pomar da cisterna e um poço; no adro escada e fonte quinhentista de mergulho, com ligação à cisterna; a mole conventual reconvertida em unidade hoteleira possui ainda um pátio que a N. e O. é limitado por construção nova, disposta em L albergando quartos *1 e no piso -1 piscina coberta, auditório e ginásio, e cozinhas e serviços a E.; na refuncionalização dos espaço a cistena funciona como wine bar, a cozinha como bar, a adega dos frades como restaurante e o lagar como espaço destinado a cerimónias (casamentos, baptizados). Volumes escalonados e articulados com cobertura diferenciada em telhados de duas águas e terraço. Fachadas de alvenaria rebocada e caiada. IGREJA: fachada principal a O. com remate em empena, janelão rectangular axial de verga arqueada; é antecedida por nártex de 4 tramos curtos ogivais de aresta, a abrir em templete semicilíndrico de tripla arcaria apilastrada. Fachadas laterais do corpo da nave com os tramos marcados por salientes contrafortes; na fachada S., no primeiro tramo, rasga-se amplo pórtico de cantaria esquadriada, com verga de volta perfeita. INTERIOR: nave com cobertura em abóbada de berço com apainelados de estuque colorido, o primeiro dos sete tramos originais é ocupado pelo coro-alto, alçado por arco abatido e pilastras jónicas, bordado de balaustrada de balaústres torneados em efeitos anelares; aí se conserva equilibrado cadeiral em carvalho. No transepto e nalgumas capelas jazem no pavimento inúmeras sepulturas epigrafadas, entre elas a de D. Violante Henriques e seu marido *2; as outras sepulturas são das famílias dos Figueiredos, Melos, Pereiras, Macedos, Meneses, etc. ( FREIRE, 1901). Existe uma Fonte de Mergulho *3. ANTIGO CONVENTO: claustro de dois pisos, torre campanário, de andares; cisterna de planta rectangular com três naves de cinco tramos; o oratório, a antiga cozinha e outras pequenas dependências conventuais - reaproveitadas - conservam vestígios da edificação original; adega dos frades de planta rectangular de três naves e cinco tramos. A actual entrada localiza-se no piso térreo, pela antiga porta do carro: a partir da recepção o antigo refeitório a partir do qual se acede ao bar (antiga cozinha), ambos os espaços munidos de instalações sanitárias; a N. o foyer do restaurante e a E. a antiga Sala do Capítulo; no piso 1 localizam-se os quartos, salas do convívio, mantendo-se a galeria do calustro como espaço de transição entre interior e exterior; nopiso 2 quartos, a N. Sala e o terraço sobre a cisterna. CAPELA FUNERÁRIA DE GARCIA DE RESENDE: planta longitudinal, composta, por nártex, nave e capela-mor; massas dispostas na vertical, volumes articulados com cobertura diferenciada em telhados de duas águas. Nártex de alvenaria, aberto em três vãos de arco de volta perfeita, um por banda, sendo os laterais de maior largura; o vão direito é parcialmente encoberto por muro corrido de remate em chanfra; largos pilares nos cunhais; no pavimento a campa de Jorge de Resende; bancos de alvenaria revestidos de azulejos de ladrilho esmaltado. Alinhada com as suas cimalhas, tudo coroado de merlões chanfrados, mal se distinguindo nos volumes, segue o corpo da pequena nave, de planta quadrada. capela-mor minúscula, mais baixa e estreita, de planta rectangular, com frestas rasgadas nos paramentos laterais, de arco de volta perfeita e em silharia simples de granito, corridas nas ombreiras por finíssimo colunelo embebido de base e capitel sextavados, quase como elemento de filigrana. Sob o nártex, abre-se o pórtico, com verga de volta perfeita em três arquivoltas, a exterior a sair para fazer requebro discreto de lanceta. INTERIOR: nave, de dois tramos ogivais nervurados, com escudetes e mísulas de bocéis; no pavimento de azulejos polícromos em relevo, o mausoléu de Garcia de Resende. Capela-mor, de um só tramo de abóbada ogival bem nervurada e fechada com botões vegetalistas; pavimento forrado de tapete de azulejaria sevilhana. Na cerca, a S. e sobranceiro à testeira da capela-mor da capela-funerária, poço de blocos de granito aparelhados; pouco profundo e de serventia de contra-mina, possui gargaló circular e planta quadrada de quatro arcos falsos, redondos, apoiados em trompas de cunha.

Acessos

EN 802, na estrada de Évora para Estremoz, distando cerca de 3km da sede de concelho, acessível por caminho vicinal sinalizado pelo lado esquerdo da estrada principal

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 (Igreja de Nossa Senhora do Espinheiro) / Decreto nº 7.667, DG, 1.ª série, n.º 163 de 11 agosto 1921 (Capela de Nossa Senhora do Espinheiro)

Enquadramento

Rural, no termo da cidade de Évora, destacado em zona de quintas, vinhas e ferragiais, em cota estável da planície plena.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Comercial e turística: hotel

Propriedade

Pública: estatal / Privada: pessoa coletiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 15 / 16 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Martim Lourenço, atr. (capela funerária); João Alvares e Álvaro Anes (adega conventual), João Lucas Dias Arquitectos Lda. (reconversão em unidade hoteleira)

Cronologia

1412 - edificação, por um clérigo da Catedral de Évora, de um pequeno oratório em agradecimento à aparição da Virgem; 1457 - polo de atracção de romeiros dada a fama milagreira da padroeira, o templo primitivo, após lauta doação de um nobre casal eborense, João Afonso e Leonor Rodrigues, é reedificado pelo Bispo Dom Álvaro Perdigão; 1458 - fundação da Igreja e, logo a seguir, do mosteiro entregue aos frades jerónimos; Séc. 15 e 16 - Dom Afonso V e os monarcas seguintes (até Dom Sebastião) habitaram e engrandeceram a Casa religiosa tendo-se tornado num dos mais nobres panteões colectivos da melhor nobreza quinhentista do reino; 1521 - construção da capela funerária destinada a sepultura do cronista e poeta eborense Garcia de Resende e dedicada a Nossa Senhora do Egipto; 1521, 7 Agosto / 1521, 22 Mar. - Relação da despesa e pagamento que se fez a João Álvares, empreiteiro, do ladrilhamento e abóbada sobre a adega e corredor para a horta; 1536 - trasladação das ossadas de Jorge de Resende, irmão de Garcia de Resende, da nave para o nártex; 1566 - cadeiral do coro-alto; 1663 - o convento serviu de pousada ao Estado-maior castelhano, durante o cerco da cidade; 1777 - encontrando-se profanada e abandonada a capela funerária foi ordenada a sua reedificação e reabertura ao culto, pelo administrador dos bens e vínculos de Garcia de Resende; o orago foi então mudado para Nossa Senhora da Conceição; 1834 - o convento é secularizado e transformado em propriedade agrícola; a pedra tumular da campa de Garcia de Resende é vendida, tendo servido de mesa de cozinha, e as ossadas levadas para a Biblioteca Pública de Évora; 1898 - as ossadas de Garcia de Resende são trasladadas para a sua capela funerária; Séc. 20, anos 40, c. de - a capela funerária é adquirida pelo Dr. Marçal; 1997 - o convento encontrava-se em processo de venda pelo proprietário Doutor Luís Marçal; 1998 - aquisição da igreja, convento e capela funerária pela Sociedade de Promoção de Projectos Turísticos e Hoteleiros, Lda.; 2003 - 2005 - obras de reconversão em unidade hoteleira, sob projecto de João Lucas Dias; 2003, 26 março - Proposta de classificação do convento pela CM de Évora; 2003, 03 junho - Proposta de abertura do Processo de classificação do convento pelo IPPAR/DRÉvora; 2003, 10 março - Despacho de abertura do Processo para alargamento da classificação; 2005, Junho - inauguração do Hotel do Espinheiro; 2006 - o Hotel é o vencedor europeu do prémio World travel awards 2006; 2009, 22 junho - Proposta de encerramento da classificação do convento pela DRCAlentejo, por não ter valor nacional; 2009, 15 julho - Parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR ao encerramento da classificação do convento; 2009, 16 julho - Despacho de encerramento da classificação do convento pelo Diretor do IGESPAR.

Dados Técnicos

Estrutura autónoma, alvenaria portante

Materiais

Alvenaria mista rebocada e caiada, cantaria de granito; telha de canudo em cobertura, abóbadas em tijolo maciço rebocadas e caiadas, mármore e mármore branco de Estremoz em elementos secundários e decorativos.

Bibliografia

FREIRE, Anselmo Braancamp, As Sepulturas do Espinheiro, Lisboa, 1901; FREIRE, Anselmo Braancamp; O Mosteiro de Nossa Senhora do Espinheiro, Archivo Histórico Portuguez, 1905; GROMICHO, António Bartolomeu, O Testamento de Garcia de Resende, A Cidade de Évora, nºs 13 e 14, 1947; ESPANCA, Túlio, Património Artístico do Concelho de Évora, Évora, 1957; LOPES, Maria Hortense Vieira, O Convento de Nossa Senhora do Espinheiro, Boletim da Junta Distrital de Évora, nº 6, 1965, ESPANCA, Túlio; Inventário Artístico de Portugal - Concelho de Évora, vol. 7, Lisboa, 1966; BAPTISTA, Júlio César, Garcia de Resende, A Cidade de Évora, nºs 53 / 54, 1970 / 1971; HAUPT, Albrecht, A Arquitectura do Renascimento em Portugal, Lisboa, 1986; SILVA, José Custódio Vieira da, O Tardo-Gótico em Portugal - A Arquitectura no Alentejo, Lisboa, 1989; DIAS, Pedro, Arquitectura Mudéjar Portuguesa: Tentativa de sistematização, Mare Liberum, nº 8, Dezembro de 1994.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; B.N.L.: Mss 241, nº 17 (Venda da Herdade do Espinheiro, 1793); IAN/TT: Corpo Cronológico, Parte II, maço 97, doc. 86 (publ. em VITERBO)

Intervenção Realizada

1989 - Restauro geral pelo proprietário, a instâncias do Professor Dr. Martiniano Marrecas; DGEMN: 2000 - capela funerária: obras de recuperação e requalificação: recuperação da cobertura, alvenarias e rebocos, limpeza de cantarias, drenagem dos terrenos circundantes de modo a baixar o nível freático; limpeza da fronte de mergulho; Proprietário: Séc. 21 - reabilitação do aqueduto permitindo a utilização da água do poço para a rega dos jardins do hotel; PROPRIETÁRIO: 2003 - 2005 - obras de reconversão em unidade hoteleira.

Observações

*1 - este corpo novo susbstituiu um corpo de dependências agrícolas aí existente; a capacidade hoteleira corresponde a 57 quartos dos quais 36 localizados no edifício novo e os restantes na mole conventual reconvertida; *2 - o brasão da campa funerária de D. Violante Henriques é igual ao que se encontra pintado na ábside da Igreja de Santa Cruz de Almodôvar (v. PT040202050001); *3 - as águas da Fonte de Mergulho foram em tempos consideradas medicinais; foram igualmente utilizadas com fins agrícolas na propriedade em que se insere o imóvel.

Autor e Data

Manuel Branco 1993 / Paula Amendoeira 1997

Actualização

Rosário Gordalina 2007
 
 
 
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