Castro de Monte Mozinho / Cidade Morta de Penafiel

IPA.00003884
Portugal, Porto, Penafiel, Oldrões
 
Aglomerado proto-urbano. Povoado proto-histórico com ocupação romana e medieval. Povoado fortificado / castro com planta tipo regular, estruturado por um arruamento principal articulado com outros transversais, circundado por quatro linhas de muralhas. Reduto central de funcionalidade indeterminada; rampas de acesso à porta da segunda muralha; templo e respectivos anexos na plataforma da segunda muralha; alicerce de um mausoléu na plataforma da terceira muralha; necrópole de inumação no exterior da quarta muralha.
Número IPA Antigo: PT011311130011
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Povoado  Povoado proto-histórico  Povoado fortificado   

Descrição

Povoado fortificado, com uma área de 20 ha intramuros, defendido por quatro linhas de muralhas que circundam o povoado. Apresentam uma espessura máxima de c. de 3,5 m junto às portas, sendo estas existentes nas linhas defensivas interiores. O povoado está estruturado por 1 arruamento principal orientado N. - S. articulado com outros arruamentos transversais, em alinhamentos predominantemente ortogonais, que lhe conferem uma planta de tipo regular. As intervenções realizadas permitiram exumar construções de planta circular, com ou sem vestíbulo e de planta quadrangular, sendo as estruturas habitacionais integradas por várias destas construções, enquadradas pelos arruamentos e definidas por um muro, formando um quarteirão. Na plataforma superior do povoado encontra-se um vasto recinto elipsoidal, definido por uma muralha, não apresentando qualquer outro vestígio construtivo, podendo ter servido como espaço público de características indeterminadas. Junto da porta da muralha superior e do arruamento principal, com acesso por este através de uma rampa em cotovelo, encontra-se um possível templo constituído por uma cella quadrangular assente num ligeiro podium com entrada pelo lado maior e apresentando o espaço frontal lajeado e estando ladeado por outras construções de planta rectangular. Na plataforma exterior à terceira muralha encontra-se um possível monumento funerário, muito arruinado, apresentando um alicerce de bom aparelho, havendo no centro uma cavidade rectangular perfeita, conservando ainda algumas pedras com moldura, devendo tratar-se de um mausoléu turriforme com colunas e esculturas, elementos que se encontraram em seu redor. A NO junto à muralha exterior detectou-se uma necrópole constituída por caixas sepulcrais estruturadas com pequenas pedras, cobertas por ardósia, apresentando duas sepulturas, em nível inferior ao da cobertura uma espécie de prateleira onde estava depositado recipientes cerâmicos.

Acessos

Estradão a partir da EM Galegos - Valpedre

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse, Decreto n.º 37 077, DG, 1.ª série, n.º 228, de 29 setembro 1948

Enquadramento

Rural, isolado, outeiro destacado, coberto de pinhal, sobranceiro à Ribeira da Camba. Ergue-se a S. do concelho, abrangendo o termo das freguesias de Santo Estevão de Oldrões e de Galegos.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Pública: Municipal / Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Proto-história

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Proto-história - construção; séc. 1 d.c. - primeira ocupação; Época Medieval - continuação da ocupação; 2004, 8 Novembro - inauguração de um centro de interpretação pela Secretária de Estado das Artes e Espectáculos, Teresa Caeiro.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes; muralhas construídas com silhares assentes em seco, em aparelho poligonal e irregular, constituídas por dois paramentos paralelos preenchidos interiormente com pedra miúda; paredes das construções em dois paramentos com uma largura entre 40 e 60 cm; paramento interior de algumas habitações rebocado e pintado.

Materiais

Muralhas e construções em granito; rampas de acesso às muralhas construídas com blocos de granito; cobertura de construções com tegula e imbrex; pavimentos das construções em terra batida e barro; arruamentos pavimentados com lajes graníticas; caleiros de lajes graníticas.

Bibliografia

ANDRADE, Vieira de, Monte Mosinho, Boletim da Associação dos Arqueólogos Portugueses, 5ª série, 13, Lisboa 1920, p. 275 - 277; MACHADO, F. S. Lacerda, Uma cidade morta no Monte Mozinho ou o castro de Santo Estevão de Oldrões, Coimbra, 1920; PINHO, José de, A necrópole calaico-romana do Mósinho, Pena-Fidelis, 2, Penafiel, 1931; SOUSA, Elísio Ferreira de, Relatório das escavações levadas a efeito no Monte Mósinho, Douro Litoral, 6ª série, Porto, 1954, p. 136 - 149; SOUSA, Elísio Ferreira de, As moedas encontradas na citânia do Mosinho (cidade morta) e as suas possíveis conclusões, Lucerna, 4, Porto, 1965, p. 249 - 269; ALMEIDA, Carlos A. Ferreira de, Escavações no Monte Mozinho (1974), Penafiel, 1974; ALMEIDA, Carlos A. Ferreira de, Escavações no Monte Mozinho. II - 1975 - 1976, Penafiel, 1977; ALMEIDA, Carlos A. Ferreira de, O templo do Mozinho e seu conjunto, Portugalia, Nova Série, 1, Porto, 1980, p. 51 - 56; SOEIRO, Teresa, Monte Mózinho. Apontamentos sobre a ocupação entre Sousa e Tâmega em época romana, Penafiel - Boletim Municipal de Cultura, 3ª Série, 1, Penafiel, 1984, p. 123 - 299; PONTE, Salete da, Fíbulas de sítios a Norte do rio Douro, Lucerna, s/n, Porto, 1984, p. 131, 133 - 134, 135 - 136.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1930 - Escavação arqueológica sob orientação de Abílio Miranda; 1943 - escavação arqueológica sob orientação de Elísio Ferreira de Sousa; 1947 - escavação arqueológica sob orientação de Fernando Russell Cortez; 1974 / 1979 - escavação arqueológica sob orientação de Carlos A. Ferreira de Almeida; 1982 / 1992 - escavação arqueológica sob orientação de Teresa Soeiro.

Observações

O espólio desta estação é constituído por fragmentos de cerâmica comum, da Idade do Ferro e romana, cerâmica de importação, recipientes em vidro, tegula, imbrex, mós manuárias rotativas, abundantes elementos numismáticos, artefactos metálicos (ferramentas artesanais, alfaias agrícolas e armas), fíbulas em bronze tipo Transmontano, tipo Charneira e Arco Triangular, tipo em P e tipo Anular (Fowler B1 e C), objectos de adorno, peças de joalharia em prata, elementos arquitectónicos, elementos de estatuária em granito, 3 aras (uma anepígrafa, outra fragmentada com inscrição em duas faces dedicada a Júpiter e uma última truncada pela zona do foculus). O espólio está depositado no Museu Municipal de Penafiel, no Museu de Etnografia e História do Porto e Museu de Antropologia da Universidade do Porto.

Autor e Data

Isabel Sereno / Paulo Amaral 1994

Actualização

 
 
 
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