Colégio do Espírito Santo / Colégio da Companhia de Jesus / Universidade de Évora

IPA.00003839
Portugal, Évora, Évora, União das freguesias de Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão)
 
Arquitectura religiosa educativa, maneirista e barroca. Colégio da Companhia de Jesus, de estrutura rectangular irregular, com igreja no lado esquerdo, seguindo o esquema de implantação típico da primeira fase, com paralelo no Colégio de São Paulo em Braga (v. PT010303070056) e na Casa Professa de São Roque, em Lisboa (v. PT031106150012), com as dependências colegiais e conventuais organizadas em torno de quatro pátios rectangulares. Igreja de planta longitudinal simples, com nave única para onde abrem quatro capelas intercomunicantes, num esquema semelhante ao da casa-mãe, a Igreja do Gesù, em Roma, e os antigos confessionários, implantados nos pilares, com transepto inscrito e capela-mor mais estreita e baixa, pouco profunda, com coberturas diferenciadas em falsas abóbadas de berço, escassamente iluminada pelo óculos da fachada principal e do arco triunfal e, indirectamente, através das tribunas laterais. Possui fachada principal idêntica à composição da fachada da Igreja de São Roque, ritmada por pilastras toscanas colossais e rematada por frontão triangular sobre um óculo, seguindo o esquema da primeira fase construtiva, constituindo a única diferença a solução de galilé, com acesso por arcadas, semelhante à utilizada no Real Colégio de Nossa Senhora da Purificação (v. PT040705210114). Interior com coro-alto e capelas laterais decoradas por azulejo, coberturas pintadas ou em caixotões de talha, integrando retábulos de talha dourada maneirista e do barroco nacional e joanino, surgindo, nos topos do transepto, retábulo e o cenotáfio do fundador. No lado da Epístola, um púlpito de planta circular e guarda vazada, encimado por baldaquino e com acesso pelo corredor lateral, dos confessionários. Arco triunfal de volta perfeita, ladeado por retábulos colaterais de talha dourada. Capela-mor com paredes decoradas por azulejos de produção maneirista, com retábulo-mor maneirista, de planta recta, de dois andares e três eixos, contendo trono expositivo e sacrário em forma de templete, num esquema semelhante ao da Igreja de São Roque. No lado direito, as dependências conventuais e colegiais, com acesso por portaria comum, antecedida por alpendre, num esquema semelhante ao dos Colégios de Elvas (v. PT041207010024) e do Funchal (v. PT062203080006); desenvolve-se em torno de quatro pátios, o frontal correspondente ao colégio e os posteriores às dependências dos padres e ao noviciado, o primeiro com claustro de dois pisos, ambos com arcadas de volta perfeita sobre colunas toscanas, com fonte no meio e, em frente à portaria, a Sala dos Actos, com decoração de aparato; ao redor da quadra, as salas de aula, revestidas a azulejo de produção joanina e com a cátedra. O claustro posterior segue o mesmo esquema, possuindo entablamento assente em colunas no segundo piso, estando adossado a um mais simples, constituindo a zona da botica. Na zona conventual, largos corredores centrais abobadados, onde surgem os antigos cubículos, a capela doméstica e a biblioteca. Constitui um dos maiores colégios do país, a par dos de Coimbra (v. 0603250001) e de Santo Antão-o-Novo (v. 1106240045), em Lisboa, distinguindo-se destes por ter sido elevado pelo seu fundador, o Cardeal D. Henrique, a Universidade, gozando dos mesmos privilégios da de Coimbra. A fachada principal da igreja possui galilé, caso único na arquitectura dos jesuítas em Portugal, sendo alguns autores da opinião que esta solução se filia na igreja de São Francisco de Évora, apesar desta apresentar uma solução goticizante, contrária ao esquema da galilé da Igreja do Espírito Santo, claramente maneirista. Apresenta, ainda, um pano de muro alteado, encimado por pequeno frontão triangular, desproporcionado, ladeado por aletas, aproximando-se, embora que de forma simplificada, da solução da fachada principal da Igreja do Gesù, em Roma. Na zona posterior da igreja, surgem duas torres sineiras ligadas por passadiço, no local onde, normalmente, se implantam os mirantes dos Padres. No interior da igreja, surge um único púlpito no lado da Epístola, circular e utilizando materiais nobres, como o mármore e o bronze. Da decoração do templo, deve-se destacar a das capelas laterais, algumas totalmente revestidas a talha dourada ou a mármore, salientando-se a de Nossa Senhora da Boa Morte, seccionada por um motivo serliano e com retábulo e ilhargas ornadas por talha maneirista e joanina ou a Capela do Senhor da Cana Verde, totalmente revestida a talha joanina, com profusão de atlantes, anjos e decoração fitomórfica, havendo um contraste entre os elementos dourados, os encarnados e estofados; nesta mesma capela, vislumbram-se os antigos confessionários, embutidos nos pilares, com a sua primitiva decoração com embrechados fingidos, pintados sobre tábua. A capela-mor é, a par da de São Roque, a menos profunda das igrejas jesuítas, o que obrigou à instalação do cenotáfio do fundador no topo do transepto, constituindo uma arca com inscrição latina, envolvida por um motivo serliano; tem retábulo-mor de talha dourada maneirista, com estrutura de dois andares e três eixos, contendo os principais santos da Ordem, e remate em tímpano com tondo, num esquema semelhante ao de São Roque. A zona mais relevante do conjunto é, contudo, o espaço colegial e conventual, que mantém a estrutura e parte da decoração primitiva, o que se prenderá com o facto de ter, ao longo de toda a sua existência, uma função educativa. O claustro do Colégio tem acesso a partir de portal decorado, mas de época mais tardia, com ornamentos de inspiração barroca, resultando numa ampla quadra, com duas das alas apresentando dois andares de arcadas, solução única nos colégios da Ordem em Portugal, em que só o primeiro piso possui arcadas; em frente ao portal, situa-se a Sala dos Actos, muito reformulada no interior, mas mantendo a tribuna, o coro-alto da primitiva igreja, que se situava neste local, destacando-se o seu acesso, marcado por estrutura arquitectónica almofadada e por figuras alegóricas. À volta da quadra, as salas de aula, onde ainda se observa a decoração de azulejos figurativos de produção joanina, alusivos às disciplinas que neles decorriam e a cátedra, executada em madeiras exóticas. A zona conventual desenvolve-se em duas amplas alas, sendo o seu cruzamento marcado pelo denominado "Cruzeiro" octogonal, coberto por cúpula com tambor, que permite iluminar os largos corredores, onde surgem a capela doméstica, também ela com cúpula e decoração azulejar, alusiva ao Antigo Testamento, e a Biblioteca, coberta em gamela, que ostenta pinturas murais decorativas e alegóricas. O núcleo conventual desenvolve-se em torno de uma quadra, marcada por arcadas, raro nas restantes casas da Companhia, estando ladeado pelo pátio da Botica, este mais simplificado. Na zona posterior da igreja, desenvolve-se o corpo da Reitoria, o denominado "Coleginho", que constituía o Noviciado dos jesuítas, solução que tem paralelo apenas no Colégio de Coimbra (v. 0603250001), onde o claustro do noviciado surgia no pátio posterior do lado esquerdo; normalmente, o Noviciado encontrava-se em edifício próprio, na periferia das cidades, em locais saudáveis e arejados, que evitassem possíveis contágios de doenças.
Número IPA Antigo: PT040705210023
 
Registo visualizado 4241 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Educativo  Colégio religioso  Colégio religioso  Companhia de Jesus - Jesuítas

Descrição

Planta rectangular irregular, composta por igreja no extremo esquerdo, de planta longitudinal, com nave, antecedida por galilé, para onde abrem capelas laterais intercomunicantes, transepto inscrito e capela-mor mais estreita, e pelo corpo do Colégio, desenvolvido em torno de um amplo claustro, e por três claustros menores, na zona posterior, que se prolongam em duas alas salientes, que cruzam na parte E. do edifício, rematadas com torre lanterna octogonal, de volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de uma, duas, três e quatro águas. As alas posteriores dão origem a dois pátios amplos, abertos. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria aparente, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas em friso, cornija e beiral. IGREJA com fachada principal virada a SO., composta por galilé apoiada em cinco arcos de granito em arco de volta perfeita, frontais, e mais dois idênticos nas faces laterais, assentes em pilares cruciformes; a galilé remata em friso, cornija e platibanda plena, que protege a cobertura em terraço. A fachada divide-se em três panos definidos por pilastras em granito, o central mais largo, rasgado por três portas de verga recta, encimadas por bandeiras envidraçadas, com molduras simples em mármore; superiormente, rasga-se óculo circular com moldura simples, rematando em frontão triangular, tendo, no tímpano, óculo elíptico entaipado, flanqueado por aletas, que ligam aos panos laterais, mais baixos e cegos. A fachada lateral esquerda, virada a O., apresenta dois registos separados por cornija saliente, o inferior cego e o superior rasgado por cinco janelas rectangulares jacentes, gradeadas e com emolduramento simples. A fachada lateral direita, virada a E., encontra-se parcialmente adossada, sendo visível a parte superior, com dois níveis de vãos, o primeiro com seis janelas semelhantes às da fachada oposta e, no segundo, cinco óculos elípticos, cegos. Sobre as fachadas laterais, é visível a linha da nave, rasgada por cinco janelas rectilíneas, em capialço e molduras simples. Fachada posterior em empena, flanqueada por duas torres sineiras, unidas por terraço aberto, de dois registos visíveis, os inferiores cegos e os superiores com ventanas em arco de volta perfeita. INTERIOR com nave rebocada e pintada de branco, com as paredes divididas em dois registos por friso e cornija, cobertura em abóbada de berço, ornamentada por caixotões geométricos, de estuque e pavimento em lajeado calcário. Tem cinco tramos, o primeiro correspondente ao coro-alto, sustentado por três arcos de volta perfeita assentes sobre colunas toscanas, com guarda em balaústres de mármore e acesso por duas portas de verga recta; ao centro, grande órgão de tubos. No sub-coro, guarda-vento de madeira protege o portal axial, ladeado por duas pias de água benta de mármore branco, sobre colunas, tendo duas portas laterais. Os tramos imediatos correspondem às capelas laterais, intercomunicantes, com acesso por arcos de volta perfeita, em granito, encimadas por tribunas rectilíneas com guardas balaustradas, que iluminam o templo indirectamente, surgindo, nos intervalos, pinturas murais em forma de medalhões, representando os Evangelistas e Doutores da Igreja, bem como telas pintadas com motivos sagrados. As capelas possuem confessionários nos pilares que as dividem, estando protegidas por grades de madeiras exóticas, com balaústres torcidos terminados em fogaréus, com coberturas em falsas abóbadas de berço, algumas revestidas a talha, e azulejo do tipo tapete, tendo retábulos, também de talha. São dedicadas, no lado do Evangelho a Santa Úrsula ou às Onze Mil Virgens, Santo António, Santa Ana, São Bento ou São José e São Sebastião; no lado da Epístola, Nossa Senhora da Boa Morte, Senhor Jesus Crucificado, Senhor Jesus da Cana Verde, Senhor Jesus dos Passos, Santo Inácio de Loyola e Anunciada *1. Transepto com amplos arcos de volta perfeita, tendo, no topo do Evangelho, a capela com o cenotáfio do Cardeal-Rei D. Henrique. Arco triunfal de volta perfeita, ladeado por capela colaterais, em arco de volta perfeita e fechos salientes, contendo retábulos de talha dourada, dedicados a Nossa Senhora da Assunção e Nossa Senhora do Socorro, encimados por enormes telas, surgindo no tímpano do remate, óculo circular. Capela-mor com cobertura e pavimento semelhantes aos da nave, a primeira apresentando pintura decorativa, tendo as paredes laterais cobertas por painéis de azulejo, em dois níveis, o inferior policromo, com figuras grotescas, e o superior monocromo, azul sobre fundo branco, com uma sucessão de grinaldas e albarradas. Retábulo-mor de talha dourada, assente em sotobanco de mármores coloridos, de planta recta, com dois registos divididos por friso e cornija, e três eixos definidos por duas ordens de colunas coríntias, com o terço inferior decorado por elementos vegetalistas; ao centro, pequeno nicho em arco de volta perfeita, assente em pilastras com os fustes ornados por elementos geométricos, contendo sacrário em forma de templete, de dois registos e cobertura em cúpula, apresentando várias colunas e porta ornada por Cristo Redentor; sobre este, a tribuna, em arco de volta perfeita, cm cobertura em falsa abóbada de berço, ornada por grotesco, contendo trono expositivo de três degraus; nos eixos laterais, surgem duas ordens de nichos de volta perfeita e cobertura em semicúpula de caixotões, contendo imaginária e, na base dos inferiores, cartela com inscrição; o conjunto remata em frontão semicircular, interrompido na base pela tribuna, tripartido por pilastras e com profusa decoração vegetalista. COLÉGIO com fachada principal, virada a SO., de dois pisos definidos por friso de cantaria e quatro panos divididos por pilastras, o do extremo esquerdo em cota superior, ao nível da igreja, constituindo a antiga Portaria, rasgada por porta de verga recta, ladeada por duas janelas rectangulares jacentes, gradeadas, encimada por três janelas termais, uma rematada por frontão triangular, com cruz no vértice e pináculos de bola laterais, contendo tabela elíptica com as insígnias da Companhia de Jesus; encontra-se protegido por alpendre sustentado por quatro colunas toscanas, encimadas por fogaréus e por três frontões contracurvados, o frontal com placa de mármore inscrita, e cobertura em cúpula encimada por um quinto fogaréu. Os panos seguintes possuem três janelas jacentes, de arejamento, tendo, descentrado, portal de acesso ao claustro, ligeiramente avançado, de mármore branco, com quatro colunas toscanas adossadas, assentes em plinto paralelepipédico comum e encimadas por pináculos; centram o vão, rectilíneo, encimado por tímpano com decoração fitomórfica, cartela *2 e cornija, protegido por portões de ferro; possui, no primeiro piso, oito janelas rectangulares e, no superior, sete janelas de varandim, com guardas metálicas, encimadas por frontões interrompidos de estuque e duas janelas de peitoril, rectangulares. O pano do extremo direito remata em frontão triangular. Fachada lateral esquerda, virada a O., tendo, no lado esquerdo, o portal do carro, de verga recta, possuindo, ao centro, portal em arco de volta perfeita, com figuras antropomórficas nos seguintes, assente e flanqueado por pilastras toscanas, as exteriores sustentando entablamento, e pequeno tímpano contracurvado, sobre o qual se alteia a cornija do remate da fachada *3; está ladeado por três janelas jacentes, encimada por três de peitoril, com molduras recortadas. Fachada lateral direita, virada a E., forma L invertido, criando um pátio aberto bastante amplo, composta por vários corpos articulados, de 3 e 4 pisos, adaptando-se ao desnível do terreno, rasgados uniformemente por janelas rectilíneas de molduras simples, algumas de varandim, surgindo, no topo de uma das alas, a divisão de dois panos por pilastra colossal e rematada em frontão triangular, com o tímpano decorado por elementos fitomórficos em estuque. Fachada posterior composta por ampla ala, seccionada por corpo perpendicular, de dois e três pisos, adaptando-se ao desnível do terreno, rasgado uniformemente por janelas rectilíneas e possuindo, no cruzamento das alas, remate em cúpula com lanternim. Junto a esta ala, campos de jogos. INTERIOR desenvolvido em torno do CLAUSTRO DOS GERAIS, de planta trapezoidal, de dois pisos, com colunata de volta perfeita no inferior e em duas das alas superiores, surgindo nas duas laterais, janelas rectilíneas, encimadas por bandeira; as colunas são toscanas, em mármore, as superiores assentes em plintos paralelepipédicos, sendo protegidas por guarda metálica; ao centro, fonte de mármore esculpido e forma romboidal. As alas possuem tectos planos e estão revestidas por silhares de azulejo monocromo, azul sobre fundo branco, com albarradas, interrompidos por várias portas de verga recta, de acesso às 14 salas de aula, todas de planta rectangular, divididas entre um a três tramos de arcos de volta perfeita que repousam em colunas do estilo dórico, de mármore branco, e conservam ainda as respectivas cátedras, bancos corridos dos alunos, púlpitos e portas de madeiras exóticas; possuem azulejo figurativo, representando fidalgos, camponeses, cenas militares e de astronomia, da ciência e a indústria, dos Evangelhos, mitologia e história antiga. Erguida no eixo principal do claustro, assinalada por estrutura arquitectónica, encimada por tabela e duas figuras alegóricas em mármore (empunhando a do lado esquerdo o ceptro e o sol e a do lado direito o báculo e a lua, simbolizando as dignidades real e pontifícia outorgadas ao fundador da Universidade de Évora), surge a SALA DOS ACTOS com acesso por 3 portas de verga recta, encimadas por friso, cornija e, a central, por tabela flanqueada por quarteirões e remate em frontão, intercaladas com figuras de convite em azulejo; interior de planta rectangular com cobertura de madeira em masseira, dividida em caixotões, percorrida por silhares de azulejos policromos, do tipo de brutescos e de caçadas, tendo galerias e tribunas. O antigo REFEITÓRIO tem duas naves de nove tramos divididos por arcos de volta perfeita sobre colunas toscanas de mármore branco, com cobertura em abóbada de lunetas, tendo lambris de azulejo enxaquetado verde e branco, banqueta em mármore junto à parede e tribuna de leitura com duas comunicações através de jambas de granito; junto, a antiga COZINHA marcada por dois grandes pilares graníticos e grandes tanques de lavagem em mármore, tendo, à sua frente, um fontanário de taça piramidal em mármore branco, sendo o espaço percorrido por rodapé de azulejo enxaquetado verde e branco. No piso superior, destaca-se a torre cruzeiro, a biblioteca, a Capela de Nossa Senhora da Conceição e a Sala do Senado, bem como os longos corredores abobadados, que abrem para as várias salas, os antigos cubículos, desenvolvidos em torno e a partir de pequeno claustro quadrangular, o Claustro dos Irmãos ou da Cisterna, de dois pisos, com arcadas de volta perfeita no inferior e entablamento no superior, tudo assente em colunas toscanas de granito. Junto a um outro claustro de dois pisos, o da Botica, no lado O., com arcada numa das alas e com fonte central, surge o NOVICIADO, a actual reitoria, de dois pisos; na parede do primeiro lanço subsistem dois painéis de azulejos policromos, com motivos de albarradas, ladeados por mísulas de volutas marmóreas. Os três corredores que se rasgam no piso nobre, desenhados em ângulo recto, são forrados a azulejos decorados a azul e esmalte branco de motivos essencialmente vegetalistas, de caça e pesca.

Acessos

Rua do Colégio; Largo do Colégio; Rua Cardeal Rei

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Urbano, isolado, situado a NE. do Centro Histórico (v. PT040705050070), em terreno muito desnivelado, surgindo em grande destaque na paisagem. As fachadas laterais e posterior confinam com vias públicas, abrindo a principal para pequeno largo desenvolvido em diferentes cotas de terreno, protegido, na zona mais alta, junto à igreja, por amplo muro de suporte de terras, em alvenaria rebocada e pintada de branco. A zona inferior encontra-se ajardinada, possuindo vários canteiros de relva, árvores de pequeno porte e bancos corridos de madeira, assentes em pilares de pedra. O perímetro dos pátios laterais e posteriores encontra-se murado. No lado direito, junto à fachada principal, o edifício do Auditório, de planta rectangular, com os ângulos recortados, criando um perfil cruciforme, com cobertura em telhado de quatro águas, evoluindo em dois pisos marcados por friso de cantaria. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento de cantaria, flanqueadas por pilastras toscanas e rematadas em friso, cornija e beiral, estando rasgada, uniformemente, por janelas e portas rectilíneas, emolduradas e rematadas em cornija. Junto à fachada posterior, ergue-se um segundo Colégio, o da Purificação (v. PT040705210114) e, junto a este, o Palácio dos Condes de Basto (v. PT040705210037), adossados à antiga muralha medieval.

Descrição Complementar

CAPELA de Santa Úrsula com cobertura em caixotões, com vestígios de pintura decorativa fitomórfica, tendo retábulo de talha dourada, de planta recta, com corpo côncavo, e um eixo definido por seis pilastras com fustes ornados por acantos, assentes em plintos paralelepipédicos com o mesmo tipo de decoração, e por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos, que se prolongam em cinco arquivoltas, duas torsas, unidas no sentido do raio e decoradas por querubins, tendo cartela central, sustentada por anjos, com alusão ao orago; ao centro, nicho de volta perfeita, com o fundo apresentando anjos em relevo; altar paralelepipédico. CAPELA de Santo António com a cobertura e ilhargas ornadas por pinturas, contendo retábulo de talha dourada semelhante ao anterior. A CAPELA imediata, de Santa Ana, possui cobertura pintada e retábulo semelhante aos anteriores, surgindo, na pilastra intermédia, pequena mísula, encimada por baldaquino, de onde caiem falsos drapeados a abrir em boca de cena. CAPELA de São Bento, com cobertura em caixotões de cantaria, pintados, possuindo retábulo de talha dourada, de planta côncava e um eixo definido por quatro pilastras, as exteriores amplas e ornadas por conchas, plumas, acantos e as interiores interrompidas por mísula, sublinhada por sanefa com cornija contracurvada, assentes em duas ordens de plintos, profusamente ornados, os inferiores a imitar embutidos, e por quatro colunas torsas, decoradas com pâmpanos, assentes em consolas e querubins; ao centro, nicho em arco de volta perfeita, tendo, no fundo, acantos relevados, com boca da tribuna rodeada por friso rendilhado e recortado; remate em fragmentos de frontão, sobre o qual surgem anjos de vulto, encarnados e estofados, pequena arquivolta de rosetões, festões e cartela central, encimada por cornija contracurvada e ladeada por anjos de vulto; altar paralelepipédico. CAPELA de São Sebastião com retábulo semelhante ao anterior. CAPELA de Nossa Senhora da Boa Morte apresenta cobertura em caixotões com pinturas murais, sendo seccionada por motivo serliano, em cantaria, encimado por estrutura em talha dourada, de apainelados divididos por quarteirões com atlantes, encimado por friso e cornija, convexos ao centro, com tabela rectangular vertical, formando pequeno nicho em arco de volta perfeita assente em pilastras, flanqueada por colunas torças e fragmentos de frontão, amplamente decorados por acantos, rematada por frontão interrompido por cartela. Contém retábulo de talha dourada, de planta recta e um eixo definido por quatro colunas torças, ornadas por pâmpanos e assentes em consolas, e por dois quarteirões; ao centro, painel pintado e remate em frontão semicircular, ornado por anjos de vulto e cartela envolvida por acantos; o banco apresenta três painéis, os laterais com acantos sobre fundo azul e o central figurativo; altar em forma de urna, com marmoreados, ornado por concheados, acantos e, ao centro, a representação de um cálice e hóstia. As ilhargas encontram-se revestidas de vários registos de talha, separados por cornija, apresentando cartelas sustentadas por "putti" e acantos, onde se integram painéis pintados. CAPELA do Senhor Jesus Crucificado possui cobertura em caixotões com vestígios de pintura e retábulo de talha dourada, de planta côncava e um eixo definido por quatro pilastras, as exteriores de maiores dimensões, com os fustes decorados por acantos, assentes em plintos paralelepipédicos ornados por motivos vegetalistas, as exteriores sobre duas ordens de plintos, os inferiores com embrechados, e por quatro colunas torças, decoradas por pâmpanos e assentes em consolas, que se prolongam em quatro arquivoltas unidas no sentido do raio por atlantes encarnados e com cartela no fecho ostentando os cravos do martírio, formando o ático; ao centro, nicho em arco de volta perfeita, com a boca apresentando moldura rendilhada, com o fundo ocupado por enorme resplendor relevado e por edifícios, constituindo um fundo de paisagem, alusivo a Jerusalém; altar paralelepipédico. CAPELA do Senhor Jesus da Cana Verde totalmente revestida a talha dourada, com caixotões na cobertura, apresentando cartelas sustentadas por "putti", ornadas por sóis, tendo retábulo com corpo de planta côncava e um eixo definido por quatro pilastras, com os fustes decorados por acantos e "putti", assentes em plintos paralelepipédicos com o mesmo tipo de decoração, e por quatro quarteirões de atlantes, encarnados e estofados, sobre consolas; ao centro, nicho de volta perfeita, com a boca ornada por moldura rendilhada, com o fundo apainelado de acantos dispostos de forma simétrica, contendo plinto; remate composto por três arquivoltas unidas no sentido do raio e por fragmento de frontão, encimado por uma quarta arquivolta; na base do nicho, sacrário semi-embutido, em forma de templete; sotobanco em cantaria de mármore, flanqueada por figuras esculpidas do mesmo material. Os arcos que ligam às capelas imediatas ostentam decoração, o do Evangelho com grotesco e o oposto com azulejo de padrão policromo, formando tapete. Nas ilhargas, possui confessionários revestidos a madeira pintada, a imitar embrechados, decorados com a pomba do Espírito Santo. No pavimento, surgem as sepulturas de D. Maria Alarcão, D. Soeira de Vasconcelos e o cónego Luís de Melo, duas com as inscrições incompletas: "S. DE LUIS DE / MELLO MESTRE / ESCOLA QUE FOI NESTA SEE", "S. D. DONA MA / RIA DE …" e "S. D. SVEIRA / DE VASCON / CELOS…". CAPELA do Senhor dos Passos totalmente revestida a mármores polidos, com retábulo muito simples, de planta côncava e um eixo definido por duas pilastras toscanas, que sustentam o arco de volta perfeita com fecho saliente, flanqueado por quatro colunas torças, assentes no sotobanco, totalmente de embrechados, formando motivos vegetalistas e geométricos; as ilhargas são rasgadas por portas de verga recta, encimadas por frontões de lanços, protegidas por portas de duas folhas almofadadas com ferragens dourados, ladeadas por almofadas de cantaria. Possui a sepultura de D. Isabel de Lorena, Marquesa de Fontes, com a inscrição: "D.O.M. / PLURIMOS SOLO IN NOMINE TITULUS / OMNES UNA IN DOCTRINA VIRTUTES / BREVIS HAEC CLAUSDIT. EPIGRAPHE / ELIZABETH ALOTARINGIA / A. AET. XXVI / PRAEMATURU FATU PIE FORTITER Q. EXCIPIENS / A.S. MDCXCIX / DEU OS TENDIT TIMEDU NON MORTEM / D. RODERIC ANES DE SA ALMEIDA MENESI / M. DE FONTES CONJUGI AMANT / M.H.M.P.". CAPELA de Santo Inácio totalmente revestida a talha, com cobertura em caixotões, decorados por motivos pintados alusivos ao orago; possui retábulo de talha dourada, de planta recta e um eixo definido por seis pilastras ornadas de acantos, assentes em plintos paralelepipédicos e por quatro colunas torças, decoradas por pâmpanos, assentes em consolas, todas com capitéis coríntios, que se prolongam em cinco arquivoltas unidas no sentido do raio e com cartela central, constituindo o ático; ao centro, nicho de volta perfeita com a boca apresentando moldura rendilhada, com o fundo ornado por acantos relevados e dourados, onde se integra o orago; banco em embrechados de mármore, integrando altar paralelepipédico. Possui carneiro, onde se acha sepultado o reitor Bento de Lemos, reformador da Capela. A CAPELA da Anunciada com cobertura em caixotões de estuque e revestimento a azulejo de tapete, tem retábulo de talha dourada, que se prolonga parcialmente pelas ilhargas, revestindo as pilastras laterais e o arco em que se inscreve, com apainelados de acantos e cartelas; é de planta recta e três eixos definidos por quatro colunas torças, percorridas por espira fitomórfica e assentes em plintos paralelepipédicos, vazados por nicho contracurvado, para relíquias; ao centro, nicho em arco de volta perfeita com cobertura em semicúpula, flanqueada por pilastras com o fuste ostentando motivos vegetalistas e seguintes com acantos e querubins; nos eixos laterais, nichos de volta perfeita, encimado por cornija recta e fundo estriado, na base dos quais surgem nichos para relicários, que se repetem no banco; remate em tabela rectangular vertical, flanqueada por quarteirões e apainelados semicirculares, adaptando-se à cobertura, com decoração vegetalista; a tabela possui nicho pouco profundo semelhante aos dos eixos laterais. No topo do transepto do Evangelho, estrutura de cantaria, reproduzindo motivo serliano, contendo o cenotáfio do Fundador, o Cardeal D. Henrique, protegido por guarda balaustrada. Constitui uma arca simples, com tampa semicircular, dividida em quadrados almofadados, tendo, numa das faces, o epitáfio: "HENRIQUE, FILHO DO INVICTISSIMO REI DE PORTUGAL D. MANUEL, E DA PIISSIMA RAINHA D. MARIA: CARDEAL DA SANTA IGREJA ROMANA; PERPETUO LEGADO À LATERE DA SÉ APOSTÓLICA; INQUISIDOR GERAL NESTES REINOS; O QUAL, HE ARCEBISPO DA AUGUSTA BRAGA, POR JUSTAS RAZÕES, FOI ELEITO PRIMEIRO ARCEBISPO DE ÉVORA, COMENDATÁRIO DOS MOSTEIROS DE ALCOBAÇA E DE SANTA CRUZ DE COIMBRA; PRINCIPE EXCELENTE E DIGNO DE UNIVERSAL MEMORIA; VIVENDO AINDA, ESCOLHERA ESTE LOGAR PARA SUA SEPULTURA, PORQUE ONDE, POR FAVOR DO CEU,, PROCUROU A SALVAÇÃO DAS ALMAS ALHEIAS, CRIA E ESPERA ELLE, COM RAZÃO, TER PROPICIO AO ETERNO DEUS PARA A SUA ALMA, COM OS CONTINUOS SACRIFICIOS E ORAÇÕES DAQUELES QUE EM TODO O TEMPO SE LHE MOSTRARÃO AGRADECIDOS. ELLE MESMO, POREM, SENDO DEPOIS REI, FOI OBRIGADO A MANDAR-SE SEPULTAR JUNTO DE SEUS PAES E IRMÃOS". Junto a este, a cripta de D. Duarte, Duque de Guimarães, com a seguinte inscrição: "AQUI JAZ O SNOR. DOM DUARTE FILHO DO / IFF.TE DOM DUARTE E DA IFF.TE DONA IZABEL. FAL. A 28 DE 9.BRO DE 1576". Os retábulos colaterais integram-se em nichos de arco de volta perfeita, assentes em pilastras toscanas e com pedra de fecho saliente, contendo retábulo de talha dourada de planta recta, o do Evangelho de três eixos definidos por quatro colunas de fuste liso ornados por pâmpanos, assentes em consolas, que se prolongam em duas arquivoltas unidas no sentido do raio e formando apainelados, com fecho em forma de cartela, sustentada por anjos; ao centro, nicho de volta perfeita, com o fundo ornado por resplendor, na base do qual surge um Sol; nos eixos laterais, mísulas encimadas por cartelas sustentadas por anjos, contendo coração inflamado no lado do Evangelho e açucena no oposto. O retábulo de Nossa Senhora do Socorro é de planta recta e um eixo definido por quatro colunas de fuste liso ornados por pâmpanos, assentes em consolas, e duas pilastras integrando mísulas, que se prolongam em três arquivoltas unidas no sentido do raio e fecho com cartela ladeada por "putti"; na base, sacrário embutido em forma de templete; ambos os altares são em forma de urna. A ante-sacristia, a SACRISTIA primitiva, encontra-se ligada à Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, tendo cobertura em abóbada de berço e rodapé de azulejos, contendo sepultura de Frei Manuel do Cenáculo, com a seguinte inscrição: "AETERNEA. MEMORIAE, SACRUM. / D. D. FR. EMMANUELLIS. A COE / NACULO VILLAS BOAS, TER / TII ORDINIS D. FRANCISCI / ALUMNI, PRIMUM EPISCOPI / JULIO PACENSIS, POSTREMO / ARCHISPISCOPI EBORENSIS / QUI OB SEDULAM AC DIUTUR/ NAM OPERAM, SIVE IN SERENIS / SIMO BRASILIAE PRINCIPE / D. JOSEPHO INSTITUENDO; SI / VE IN RE LITTERARIA APUD SO / DALES ET CONCIVES AD NOVAM / QUASI VITAM REVOCANDO; SI / VE UN ALIIS MAGNISQUE REI / PUBLICAE ET ECLESIAE UM / NERIBUS INTEGERRIME OBE / UNDIS; PIETATE DUCE AC DOC / TRINA RELIGIONEM ET PA / TRIAM SIBI PERENNITER DE / VINXIT. OBIIT VII. KAL. FEBR. CICDCCCXIV AETATIS SUAE / ANNO CX. PONTIFICATUS XLIX. DESIDERATISSIMO PRAESU / LI SUO BENE MERENTI POSUIT / ANTONIUS JOSEPHUS OLIVE / RIUS.". A sacristia nova possui pinturas murais, com cenas da vida de Santo Inácio e, nos tímpanos, as pinturas a representar "D. João II a receber as cartas de instituição da Ordem das mãos de São Francisco Xavier e Simão Rodrigues de Azevedo", "Cardeal D. Henrique a receber os primeiros jesuítas em Évora", sendo revestida a azulejo de ponta de diamante. Inscrição na antiga PORTARIA possui placa de mármore com a inscrição: "CAZA PIA / 11 / D'AGOSTO / DE / 1836". O interior é de planta rectangular, com cobertura em abóbada de lunetas, com os topos iluminados por amplas janelas rectilíneas, decorado por cartela central, ostentando as siglas inacianas, rodeado por falsa balaustrada pintada, encimada por vasos floridos; possui silhar de azulejos de albarradas, com rodapé do tipo padrão, divididos por bancos corridos de madeira, assentes em consolas de cantaria. Sobre a porta do claustro, a representação do Espírito Santo e a legenda: "ILIE VOS DOCEBIT". A SALA dos Actos possui tribuna, o coro-alto da primitiva igreja, iluminada por três janelas de sacada com balaustrada de andares, de base quadrada, ladeadas por guarnições geométricas, almofadadas e apaineladas, tendo nos extremos pilastras lisas da ordem jónica e, entre mísulas axiais, no friso superior, três tabelas emolduradas, de secção ovóide. A central tem lápide de homenagem ao fundador onde se lê: "HENRICUS I LUSITANIAE REX S. R. E. CARDINALIS PATRIAE PATER RELIGIONE, ET BONIS ARTIBUS". As SALAS de Aula possuem púlpitos assentes em bases de mármore guarnecido de modilhões esculpidos, com guardas entalhadas e apilastradas e espaldares compostos de volutas cornijas e empenas que atingem as sancas das coberturas. Os azulejos têm a seguinte temática: sala 103 - cenas de pesca, caça e campestres; a sala 104 tem cenas de pesca e caça e a 105 apenas cenas de caça; sala 106 com a representação dos Meses do Ano; sala 107 - episódios literários; sala 110, antiga aula de latim, com cenas bucólicas; sala 114 - antiga aula de geometria e astronomia, com elementos alusivos a estas disciplinas; sala 115 - antiga aula da sagrada escritura, com cenas religiosas; sala 118 apresenta cenas da Eneida; sala 119 - cenas de filósofos gregos; sala 120 - antiga aula de física, com cenas alusivas à disciplina; sala 121 - aula de filosofia metafísica, com cenas a ela alusivas; sala 122 - antiga aula de geografia, actual secretaria, com a representação dos Continentes, Estações do ano e os Quatro Elementos; sala 124 - sala do conselho universitário. A BIBLIOTECA tem acesso por porta de verga recta, rematada por friso, cornija e frontão interrompido por cartela com a inscrição "BELLAS / ARTES"; é de planta rectangular e possui tecto de estuque ornamentado com pinturas murais, a representar anjos e, ao centro, apainelado com figura alegórica entronizada, coroada, segurando um ceptro na mão direita e esfera armilar na oposta, encimada por inscrição: "M.A SS.A DOMVS SAPI / ENTIAE . D. HIER . IN SAIAM"; surgem, ainda, vários painéis com cenas religiosas, encimados por legendas. A TORRE cruzeiro, que intercepta as duas alas dos antigos dormitórios, é de planta octogonal com cobertura em cúpula com lanternim também octogonal, sendo as janelas rectilíneas alternadas por quatro nichos de volta perfeita, assentes em pilastras e encimados por frontões interrompidos, albergando anjos de terracota policroma, ostentando os armoriais de Portugal, do Cardeal-Rei D. Henrique, da cidade de Évora e da Sociedade de Jesus; o pavimento é revestido a ardósia e possui silhares de azulejo monocromo, azul sobre fundo branco, representando os Quatro Elementos. CAPELA de Nossa Senhora da Conceição com acesso por porta de verga recta, flanqueada por duas pilastras e duas colunas, todas da ordem toscana, encimadas por friso de triglifos e métopas e por fragmentos de frontão concheados, que enquadram cartela com as insígnias da Companhia de Jesus encimado por vieira. O interior é de planta longitudinal composta por nave e capela-mor ligeiramente mais estreita, a primeira com cobertura em falsa abóbada de berço, ornada por enormes rosetões de estuque e com tirantes metálicos, tendo as paredes divididas em apainelados por quarteirões e revestidas a silhares de azulejo azul e branco. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras de embutidos marmóreos acede à capela-mor, com cobertura em cúpula e lanternim de secção octogonal, revestidos a estuque policromo, com motivos geométricos, surgindo, nos espaços intermédios, os quatro Evangelistas, de madeira; as paredes laterais possuem dois painéis de azulejos, encimados por estuque decorativo policromo; os azulejos representam "Ester a falar com o marido", tendo, ao fundo, "Ester a falar com Mordecai, vendo Hamã enforcado"; ambos os painéis possuem várias inscrições. Inserido num nicho fundo de volta perfeita, com decoração semelhante ao arco triunfal, surge o retábulo, de talha dourada, de planta recta e um eixo definido por duas colunas salomónicas, que se prolongam numa arquivolta, constituindo o ático; ao centro, nicho em arco abatido, envolvido por dupla moldura fitomórfica, que também se prolonga pelo remate; sotobanco revestido a azulejo de padrão policromo. Na SALA DO SENADO, destaca-se a cobertura em abóbada de lunetas, decorada com pinturas murais, apresentando motivos vegetalistas e geométricos, interrompidos por medalhões com figuras humanas. NOVICIADO tem o piso térreo a abrir para espaçoso pátio, com alas de dois pisos, rasgadas irregularmente por vãos rectilíneos, correspondentes a portas e janelas de peitoril no primeiro e janelas de varandim com guardas metálicas, no segundo, contendo várias árvores de grande porte; no primeiro piso tem três corredores, com cubículos muito bem iluminados e abobadados, com forro de azulejo monocromo, azul sobre fundo branco, apresentando motivos vegetalistas. Destaque para um dos cubículos, de planta rectangular com janela para a quadra, onde posteriormente se colocou, sobre a padieira da entrada, a seguinte legenda: "S. FRANCISCO BORGIA IN HOC CUBICULO QUANDAM HOSPES", revelando que albergou, em 1571, São Francisco de Borja, então Geral da Companhia de Jesus

Utilização Inicial

Educativa: colégio religioso

Utilização Actual

Educativa: universidade / Religiosa: igreja

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Instituto Universitário de Évora

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Manuel Pires (1564); Diogo de Torralva (1566); Silvestre Jorge (1595-97); António do Couto Abreu (1931). DESENHADOR: José Rodrigues (séc. 20). ENTALHADORES: Francisco Machado (1684-1703); João de Almeida Negrão (1753); Sebastião Vaz (séc. 17, atr.). MESTRE de OBRAS: António Álvares (1559); Jerónimo de Torres (1570-76); Brás Fernandes (1587-1608); Padre Manuel Rodrigues (1711). PEDREIRO: Baltazar Fernandes (1569); João Gonçalves (1678). PINTORES: Francisco Lopes (1678-81); Teixeira Barreto (1780); António Costa (1959); Albino Lopes e João Galopim (1964). PINTOR de AZULEJO: Leopoldo Battistini (séc. 20).

Cronologia

1520 - D. Manuel compra terrenos extramuros, a Francisco da Silveira, para fundação dos Estudos Gerais; séc. 16 - fundação de um Colégio pelo Cardeal Infante D. Henrique e o príncipe D. Luís, então arcebispo de Évora; para o efeito D. João III mandou adquirir vasta propriedade suburbana, em ermo excluído da área amuralhada pela cerca medieval, por ficar no fundo da grande escarpa que caía sobre a planície a partir dos troços mais sólidos da muralha romana a E. da alcáçova; a escolha do local terá contado com a opinião de Bartolomé de Bustamante; 1550 - compra de algumas terras e início da edificação do corpo principal da Universidade; 1551 - os padres instalam-se, inicialmente, no Convento das Maltesas; 1553 - abertura das Escolas em casas particulares; 2 Agosto - passou para o Paço Real, tendo o cardeal D. Henrique doado a renda de 1000 cruzados para o seu funcionamento; 1554, Dezembro - mudança para o novo edifício, então em construção; doação da Livraria do Cardeal D. Henrique e aquisição de livros na Flandres; 1556 - edificação da Igreja do Espírito Santo pelo Arquitecto-Mor Manuel Pires; Outubro - inauguração do Curso das Artes; 31 Dezembro - referência à fonte de mármore no centro do Claustro; uma das salas de aula estava concluída; 1557, 30 Abril - construção de 3 fontes na cerca, uma para receber a água do pátio central, outra para rega e outra para uso doméstico; 1558, 19 Fevereiro - D. Henrique escreveu ao embaixador em Roma a pedir a elevação do Colégio a Universidade; Outubro - bula autorizando a criação da Universidade; 1559, 21 Julho - obras dirigidas por António Álvares; 1559, 2 Outubro - início do ano lectivo universitário; 1 Novembro - inauguração oficial da Universidade; 31 Dezembro - estavam concluídas 3 salas de aula e iniciou-se a construção da Sala de Actos; 1561, 25 Setembro - conclusão do pátio com 12 salas, biblioteca e sala do porteiro; 30 Novembro - conclusão do altar do coro; feitura das portas das latrinas e da porta do arco da sacristia; 1564 - feitura do Claustro dos Irmãos, atribuído a Manuel Pires; 1566, 4 Fevereiro - alusão à feitura da nova igreja, com 1 nave e 10 capelas, para a qual se dava a dotação de 250$000 mensais; feita segundo a traça do arquitecto régio Diogo de Torralva; 23 Fevereiro - ordem para se fazer o 2.º piso do claustro e feitura de elementos para a Quinta do Louredo, casa de repouso, comparada em 1565 por 600$000 doados pelos Cardeal; 1567, 4 Outubro - lançamento da primeira pedra da igreja, com compra de casas no local e transferência do Convento do Salvador para outro local; 1568, 25 Fevereiro - relato de obras na zona de conventual, em redor de uma quadra com fonte em construção, surgindo, no segundo piso, capela e 20 cubículos; 28 Maio - a jurisdição da Universidade e a respectiva visitação foram atribuídas à Companhia de Jesus, pelo Papa Pio V; 1569, 14 Fevereiro - contrato com o mestre pedreiro Baltazar Fernandes; 10 Maio - cardeal D. Henrique altera a traça da igreja; 1570, 9 Outubro - Jerónimo de Torres assume as obras da igreja, em substituição do defunto Baltazar Fernandes; 1574, 11 Abril - inauguração da igreja; 1575 - feitura das escadas das torres; 1576, 24 Julho - quitação ao mestre Jerónimo de Torres, pela obra da igreja, por 416$031; 1579, 29 Janeiro - as rendas verificam-se insuficientes, havendo um défice de 650 ducados; 9 Abril - conclusão do refeitório e cozinha; 1582 - pela Carta Ânua sabe-se que se fizeram novos aposentos e uma enfermaria; 7 Julho - visitador ordena que se preserve a água dos telhados, que se façam relicários e conserto dos arcazes e vidraças da sacristia; 1587 - 1608 - as obras são dirigidas pelo mestre Brás Fernandes; 1587, 9 Janeiro - o reitor Padre Francisco Gouveia pede autorização para fazer mais aposentos; 1591 - ordens do visitador para acabar o dormitório para o lado da horta, fazer a Sala dos Actos na primitiva igreja, transformando-se a antiga em sala de aula; a portaria estava concluída; 1592, 20 Outubro - proposta da construção do Noviciado fora da cidade; 1593 - D. Maria Alarcão deixou 3 mil ducados para fazer 4 castiçais de prata iguais aos da capela-mor e um púlpito em bronze sobre colunas de jaspe; 1595, 4 Janeiro - a obra da enfermaria estava parada por falta de dinheiro; 1595 - 1597 - Silvestre Jorge dirige as obras do corredor e dormitório; 1596, 24 Agosto - D. Lopo Soares de Albergaria, bispo de Portalegre, paga a nova casa do lavatório e respectiva fonte; 1597, 15 Julho - visitador ordena a feitura do sacrário, pôr vidraças nas janelas, conserto das grades das capelas, pôr porta na Capela das 11 Mil Virgens, conserto da inscrição da sepultura do cardeal; colocação de guardas nas tribunas; 1599, Outubro - feitura da sacristia nova com os rendimentos da fábrica da igreja, deixados por D. Maria de Alarcão, sendo a antiga transformada em ante-sacristia; estucadas as 4 casas da Portaria; Séc. 17, 1.ª metade - provável execução do retábulo-mor por Sebastião Vaz; 1620 - pintura do azulejo da Sala dos Actos; 1627 - colocação do retrato do Fundador na Sala de Visitas junto aos quatro Santos da Ordem; 1630, 10 Agosto - feitura de 3 lâmpada de prata, semelhantes às primitivas; 1631 - feitura dos azulejos policromos da capela-mor; 1641 - início da construção da Capela doméstica de Nossa Senhora da Conceição; 1644 - abertura de um nicho no retábulo-mor para exposição do Santíssimo; douramento da abóbada da capela-mor; 1649 - feitura de painéis para a Capela doméstica de Nossa Senhora da Conceição; feitura de arco de embrechados na Capela de Santa Catarina; Provincial pede que se honrem as obrigações da Capela de São Bernardo; 13 Junho - colocação da primeira pedra na obra da enfermaria; 1660 - 1689 - fundação da Confraria de Santo Inácio, com nobres e eclesiastas locais, bem como alguns estudantes; notícia da fundação da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, pelo Padre Manuel Pereira, entretanto falecido; notícia das Confraria de Nossa Senhora da Assunção, para a população e de Nossa Senhora da Anunciação, dos estudantes, na antiga Capela de Santa Catarina; 1664 - fundação da Confraria de São Francisco Xavier; feitura do alpendre da Portaria com coruchéu piramidal revestido a azulejo branco e verde; 1667 - feitura das galerias do topo SO. das dependências; 1670 - 1684 - relatório de obras, referindo intervenções no Noviciado, capela do colégio, com a colocação de quadros, alfaias e grade de pau-preto, feitura de coroas de prata para as imagens da capela-mor e um braço para as relíquias de São Francisco Xavier; 1677 - feitura da abóbada do corredor das Visitas; 1678 - renovação do passeio do Colégio e feitura da pintura da Sala dos Actos, atribuída a Francisco Lopes, o Coxo; colocação de árvores no perímetro da cerca; fundação da Capela de Nossa Senhora dos Mártires no Noviciado, pelo Padre Agostinho Lourenço; 17 Agosto - contrato com o pedreiro João Gonçalves para a feitura do corredor abobadado que liga o corredor da porta do recolhimento à galeria, por 300$000; feitura do aqueduto para a rega do pomar e horta; 1681 - conclusão da pintura da Sala dos Actos; 1683 - consagração do altar de Nossa Senhora da Boa Morte; 1684 - execução de um desenho para o retábulo de São Francisco Xavier por Francisco Machado; 18 Novembro - ajuste entre os Padres e o entalhador Francisco Machado para a execução do retábulo de São Francisco Xavier; 1700 - feitura do guarda-vento por 300$000 e das grades das capelas, por 500$000; execução dos azulejos azuis e brancos da capela-mor; 2 Fevereiro - fundação da Capela de Nossa Senhora da Modéstia no Noviciado, pelo Padre Miguel Nunes; 1700 - 1709 - feitura de uma estátua do Cardeal para a sacristia do Noviciado; 1702 - feitura do retábulo de Nossa Senhora da Assunção; 1703, 13 Novembro - contrato com Francisco Machado para a feitura do retábulo da Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, por 200$000, sendo provável que tenha executado os outros retábulos da igreja; 1704 - a Capela de Nossa Senhora do Socorro pertencia à do Senhor Crucificado; feitura do retábulo, custeado por António Vaz Machoca; 1704 - 1708 - feitura das grades da comunhão; lajeamento da sacristia com pedra da Suécia; feitura do retábulo do Senhor Cristo; abertura da tribuna do transepto; douramento do retábulo de Nossa Senhora do Socorro; feitura do telhado da Livraria, com tecto de estuque, portal com mármore de Estremoz, estantes em pau-preto e bufetes, por 61$300; retábulo por 92$000 e pintura do tecto por 84$430; conserto do relógio por 480$000; execução de 10 quadros em pano para a Sala de Actos, por 380$650; forro de madeira no cubículo do reitor, pavimento da botica e roda da mesma; 1707 - 1708 - feitura do retábulo da Capela do Senhor Crucificado; 1709 - o visitador ordena a feitura de um novo frontispício da Sala de Actos; 1711 - existência de 2 desenhos para o mesmo; as obras começaram segundo a primeira traça, dirigidas pelo Padre Manuel Rodrigues; 1712 - o Geral pede que parem as obras e sigam a segunda traça; 1712 - um incêndio provoca o abatimento do estuque do refeitório; 1715 - feitura do retábulo da Capela de Santo António; 1718 - fim do novo frontispício da Sala de Actos e feitura da fonte do claustro; 1721 - consagração do altar de Santa Ana; 1723 - 1725 - neste período, fez-se paramentaria para a igreja, as imagens de São José e São Sebastião, por 76$700, douramento do retábulo de São Francisco Xavier, por 460$000; obras nas capelas do colégio e dos enfermos, por 228$240; execução das abóbadas dos corredores dos Mestres de Latim, da Galeria e dos Mestres do Curso, bem como as abóbadas da barbearia e cartório; execução do portal em mármore na Capela do Colégio; colocação de azulejo na botica e um painel sobre a porta; reboco da Casa das Disputas e início da Casa Oitavada, no meio do Colégio, que importava em 500$000; feitura do retábulo da Capela do Senhor da Cana Verde; 1726 - douramento do retábulo de São Bento; 1731 - pintura de algumas telas; 1734 - 1737 - execução das portas das salas de aula em pau-brasil e execução de novas cátedras sobre pedestais de mármore; colocação de lambris de azulejo na capela dos enfermos, dedicada à Imaculada; feitura da casa da adega; dissolução da Confraria de Nossa Senhora da Assunção; 1740 - conclusão da adega; 1744 - feitura de azulejos das salas de aula; 1746 - execução dos azulejos do Noviciado; 3 Fevereiro - obras no triénio do Padre Vicente Lopes, com feitura do pavimento em pedra da Capela de Nossa Senhora da Conceição, zimbório e azulejo, para o que contribuiu António Metello de Távora; conclusão do retábulo da capela da comunidade, com novo sacrário; colocação de azulejo proveniente de Lisboa, na sala de aula de Teologia; feitura da pedraria do fogão da cozinha; feitura da varanda da botica com abóbada e ligada por grades de ferro e acrotérios de pedra de Estremoz, por 150$860; levantamento do tecto da nora da horta, por 240$000; 1749 - feitura de azulejos com a representação da vida de José do Egipto; 1753, 22 Julho - contrato com João de Almeida Negrão para a feitura de 10 molduras para os painéis da Capela doméstica; 1759 - a congregação possuía um presépio, arrecadado na Capela da Quinta do Barrocal; 23 Junho - alvará extinguindo as classes e as escolas jesuíticas; 3 Setembro - decreto a expulsar a Companhia de Jesus, passando os bens para o Erário Régio *4; 1776, 29 Julho - o edifício foi entregue à Ordem Terceira de São Francisco, que efectuaram algumas remodelações decorativas, nomeadamente a introdução das telas da nave; 1780 - pintura da tela da tribuna, por Teixeira Barreto; 1783 - data no sino grande; séc. 19 - feitura da abóbada do refeitório; 1829 - o reitor Padre António de Sousa mandou executar telas para a Sala dos Actos, reproduzindo as deterioradas pinturas murais; 1834 - saída daquela Ordem; os soldados de D. Miguel estiveram aquartelados no local e partiram a escultura de Minerva da fonte do Claustro, além de outros estragos; 1836 - instalação da Casa Pia Masculina; 1836 - várias telas da Sala dos Actos *5 e da Portaria seguem para Lisboa; colocação da tela da Ceia de Cristo na Capela de Nossa Senhora da Boa Morte, proveniente de um recolhimento da Casa Pia, atribuível a Gregório Lopes; 1841, 18 Novembro - o Liceu Nacional ocupa o corpo do claustro da Universidade; 1844 - transferência do altar da Confraria do Senhor dos Passos da Igreja da Graça, para a Igreja do Colégio; 1869 - amputação da balaustrada da tribuna do refeitório; 1886, Novembro - desabamento da cobertura da Sala dos Actos; 1895 - reconstrução da cobertura da Sala dos Actos; séc. 20, início - feitura do portão de ferro de acesso ao claustro, desenhado pelo artista eborense José Rodrigues; 1905 - a Sala dos Actos desaba; 1911 - o Governo Civil abandona o edifício; 1913 - destruição da escadaria e portaria do Noviciado; o edifício, alegando um decreto de D. Maria II, passa para a posse da Casa Pia, passando o Liceu a pagar 50$00 de renda; no local deixado vago pelo Governo Civil, instala-se a Escola Industrial e Comercial; 1931- projecto de restauro da Sala dos Actos pelo arquitecto António do Couto Abreu; 13 Junho - é devolvida a posse do edifício ao Estado; 1939 - 1940 - abandonam o edifício a Direcção de Finanças, e os armazéns da Direcção de Estradas do Distrito de Évora; o Liceu ocupa parte destas dependências; 1940 - demolição da Capela de Nossa Senhora da Conceição para construção do ginásio do Liceu; 1945 - 1946 - surgem as primeiras turmas masculinas e femininas; 1951 - a Escola Industrial e Comercial abandona o edifício; 1957 - a Casa Pia abandona o edifício; O Liceu ocupa as suas instalações; 1958 - o Noviciado foi entregue ao Seminário Diocesano, optando-se por algumas obras de remodelação; 1959 - o Liceu Nacional ocupava ainda o edifício; o Noviciado e a Igreja são doados ao Seminário Arquidiocesano; 1960 - pondera-se a transferência do túmulo do bispo D. Augusto Eduardo Nunes da Capela do Fundador para a Sé de Évora; 1961 - Memória Descritiva da DSMN - 3.ª secção, Évora (DGEMN/CAM, 0297/01) refere a transferência do Arquivo Distrital de Évora, para as dependências do antigo Colégio e a adaptação a Arquivo e Serviços do MOP; fornecimento des estantes metálicas e mobiliário para o Gabinete do Director, Secretaria e Sala de Leitura, sendo a empreitada foi entregue à firma Lusodex (DGEMN/CAM, 0178/04);1962 - o Duque de Palmela ofereceu um órgão para colocar no coro-alto; fornecimento de água canalizada e energia eléctrica ao edifício, pela Câmara Municipal; 1963 - instalação da Direcção de Edifícios e Monumentos do Sul, na ala N., o Arquivo Distrital e Biblioteca Pública, na ala N., a Direcção de Urbanização de Évora, na ala O.; 1969, 28 Fevereiro - um sismo danifica levemente a estrutura do edifício, sobretudo da galilé.

Dados Técnicos

Estruturas mistas

Materiais

Estrutura em alvenaria de tijolo e calcário, rebocada; pilares, modinaturas, pavimentos, lavabos, fontes, colunas, pilastras, guardas das tribunas e coro-alto, base do púlpito, bancos das salas de aula, refeitório e Sala de actos, em cantaria de granito, calcário ou mármore; pavimentos, cobertura do terraço e estrutura da cobertura em tijoleira; retábulos, tampos dos bancos, portas, caixilharias e pavimentos de madeira; painéis e silhares de azulejo; coberturas com telha; janelas com vidro simples; sinos e guarda do púlpito de bronze.

Bibliografia

GROMICHO, António Bartolomeu, A Sala dos Actos da Antiga Universidade de Évora, Évora, 1950; ESPANCA, Túlio, Notícias dos Edifícios da Universidade e Colégio do Espírito Santo, Cadernos de História de Arte Eborense, vol. XX, Évora, 1959; SMITH, Robert, A Talha em Portugal, Lisboa, 1963; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora, vol. VI, Lisboa, 1966; COSTA, Padre Avelino de Jesus da, Estatutos do Colégio da Purificação, de Évora, IV Centenário da Universidade de Évora (1559-1959), Coimbra, 1967, pp. 3-74; HAUPT, Albrecht, A Arquitectura do Renascimento em Portugal, Lisboa, 1986; KLUBER, George, A Arquitectura Portuguesa Chã - Entre as Especiarias e os Diamantes - 1521-1706, Lisboa, 1988; MARTINS, Fausto Sanches, A Arquitectura dos primeiros Colégios Jesuítas de Portugal: 1542 - 1759 - Cronologia, Artistas, Espaços, 2 vols., Porto, Faculdade de Letras do Porto, 1994; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do séc. XVIII em Terracota, Dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1998; NÓVOA, António e SANTA-CLARA, Ana Teresa, Liceus de Portugal - Histórias, Arquivos, Memórias, Porto, 2003; LAMEIRA, Francico, O Retábulo da Companhia de Jesus em Portugal: 1619 - 1759, Faro, Departamento de História, Arquelogia e Património do Algarve, 2006.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMS

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMS, DGEMN/CAM 0297/01, 0178/04

Intervenção Realizada

DGEMN: 1931 - Leopoldo Battistini repõe os azulejos em falta na Sala dos Actos; 1934 - restauro das pinturas da Sala dos Actos; 1939 / 1940 / 1941 - restauro da Sala dos Actos, com demolição de cantaria; 1942 - obras de reparação dos estragos provocados pelo ciclone, na zona da Casa Pia; 1943 - prolongamento da escada do Liceu, para a ligar ao ginásio; 1952 - conserto na galilé e limpeza dos algerozes; 1954 - consertos da Sala dos Actos 1955 - obras na sacristia e Igreja, com reconstrução dos telhados arruinados; reparação e pintura dos caixilhos de portas e janelas; construção de novas portas em falta; feitura de caleiras novas; 1958 - obras nas dependências para instalações de serviços, compreendendo: demolição de alvenarias, de telhados em anexos e pavimentos; abertura de um corredor que liga o Seminário ao Conventinho (Noviciado); fundações e construção de paredes em alvenaria de tijolo; aplicação de pavimentos em tijoleira, lajeado, soalho, mosaico hidráulico e de betonilha; colocação de cantaria em degraus e soleiras; regularização de vãos; assentamento de silhares de azulejo branco e de cor e conclusão dos painéis existentes; conclusão de nervuras de abóbadas; restauro dos frescos da antiga Biblioteca; assentamento de portas, caixilhos e grades de ferro; construção de redes de esgoto e de abastecimento de água; assentamento de loiças nas instalações sanitárias; instalação eléctrica; obras no antigo refeitório, achando-se o antigo púlpito de leitura, desobstruindo-se 3 arcos, os laterais constituindo as escadas de acesso; remoção de azulejos verde e branco na base do púlpito; reconstituição da pintura ornamental das paredes da Sala dos Actos; 1959 - desobstrução dos confessionários da nave; limpeza dos telhados; tratamento e feitura de rebocos; arranque de azulejos sobre os pilares de cantaria; reparação da cimalha da nave; assentamento de cantaria no arco triunfal e na capela-mor; construção de pavimento em tijoleira nas capelas laterais, tribunas e dependências; reparação das talhas e grades das capelas laterais; reparação das teias; colocação de vitrais na rosácea; construção de pavimento em xisto junto à sacristia e colocação de soalho no coro, onde se repararam as balaustradas; 1959 / 1960 - continuam as obras para instalação dos serviços, com: construção de pavimentos em tijomel na área da Direcção de Urbanização de Évora; pavimentos de tijoleira e xisto; colocação de silhares em azulejo branco; colocação de grades de ferro nas comunicações com o Liceu; construção de redes de esgotos; feitura de paredes em alvenaria e regularização dos vãos existentes; pavimentos em tijoleira e cantaria; 2ª fase do restauro de pinturas a fresco na sala da Biblioteca e reconstituição de pinturas artísticas, por António Costa; colocação de estantes em madeira de mogno na biblioteca; 1960 - adaptação do Conventinho, antigo Noviciado, a Seminário, com demolição de anexos incaracterísticos; deslocação do portal proveniente da Capela dos Condes do Prado, do demolido Convento de São Domingos, para enquadrar o acesso; feitura de camaratas e quartos no piso superior; 1960 / 1961 - conclusão da obra da Biblioteca, com pintura das paredes e arranjo da porta e respectiva fechadura e colocação de pavimento em soalho no gabinete do bibliotecário; instalação eléctrica nas capelas laterais, capela-mor e sacristia; consolidação das talhas e restauros dos frescos da igreja; 1961 - construção de estantes metálicas para o Arquivo, para cuja instalação se processaram as seguintes obras: comunicação interior entre o corpo N. e E.; colocação de portadas interiores nas janelas; entaipamento de alguns vãos, em alvenaria de tijolo; modificação da actual instalação sanitária e feitura de uma segunda; colocação de pavimento em soalho, em substituição do de betonilha, nas salas de leitura, directoria e secretaria; colocação de fechaduras; 1961 / 1962 - obra na zona da biblioteca, com assentamento de pavimento de tijoleira, de xisto e do tipo tijomel, tratamento de rebocos, fornecimento de portadas de madeira, reparação de caixilhos, fornecimento de vidros do tipo catedral, fornecimento de painéis de azulejo decorativo, semelhantes aos existentes e instalação de iluminação eléctrica; adaptação da talha existente na capela; 1962 - reforço do pavimento no coro da igreja, para instalação do órgão, com construção de estrutura em pré-esforçado, coberta a tijoleira; colocação de lambril de mármore na capela; construção dos muros de vedação dos logradouros do Seminário, em alvenaria de tijolo, separando o espaço dos serviços administrativos do Estado; aquisição de mobiliário para o Arquivo; 1962 / 1963 / 1964 - obras para instalação do Arquivo, com desmontagem de uma escada em cantaria e feitura de outra em betão, construção de paredes, janelas e aplicação de grades e vidros nas mesmas; feitura de cobertura em vidro com armação de ferro; pavimento em tijolo prensado; desmontagem de uma escada de cantaria e feitura de escadas de madeira, com guardas do mesmo material; tratamento dos caixilhos, montagem das estantes; assentamento de grelhagens em betão e persianas; colocação de calçada à portuguesa na zona envolvente; instalação de ventiladores em ferro fundido; colocação de desumidificadores no Arquivo; 1965 - restauro da capela do Liceu, com feitura de um altar, adaptando talhas e seu douramento; feitura de portas e colocação de vidro do tipo catedral; reconstituição do púlpito do refeitório; 1969 - consolidação da estrutura da galilé, com substituição de lintéis, substituição da cantaria dos arcos danificados, apeamento e recolocação de um cunhal da galilé; reconstrução do pavimento em tijoleira da cobertura da galilé; refechamento de fendas em paredes e abóbadas; tratamento de rebocos; arranjo dos caixilhos do óculo da fachada principal; 1977 - restauro dos ornatos da Sala dos Actos; 1979 - restauro da abóbada e telhados da nave da capela; limpeza de caleiras e gárgulas; reparação do terraço da galilé; feitura de novos rebocos e pinturas; 1984 - limpezas dos telhados, substituindo telhas partidas; tratamento de rebocos; limpeza das cimalhas; caiação das fachadas e abóbadas do nártex; tratamento das caixilharias; 1986 - obras na sacristia, sendo removido o pavimento em tijoleira e dos estrados de madeira junto aos arcazes; substituição das canalizações dos esgotos das águas pluviais; fixação de socos de madeira e construção de estrados do mesmo material junto aos arcazes; colocação de novo pavimento em tijoleira; construção de um tecto em pré-esforçado e caiação de paredes numa dependência do 2.º piso; 1990 - demolição da abobadilha do acesso às tribunas; abertura de um alçapão para acesso à estrutura do telhado; reconstrução das abobadilhas; reforço da estrutura do telhado; limpeza dos telhados e substituição de telhas partidas; limpeza e desentupimento de caleiras; rectificação dos remates dos telhados; correcção das asnas de madeira dos entreforros; World Monuments Fund Portugal: 1999 - restauro do órgão; 2005 - intervenção no Biblioteca para recuperação de estuques e intervenção na torre cruzeiro para recuperação e pintura; Universidade de Évora: 2009 - reabilitação térmica e energética de vãos envidraçados, incluindo substituição da maioria dos vãos envidraçados e sua substituição por vãos de caixilharia em madeira de Kambala com acabamento a tinta de esmalte; os vãos foram equipados com ferrangens específicas, juntas de vedação e de batente; foi aplicado vidro exterior do tipo Planitherm temperado, de 6mm, e no interior vidro duplo Stadipn (BEL, Engenharia e Reabilitação de Estruturas, S.A); climatização por geotermia das salas de aulas e da Sala dos Actos (Peixeiro Ramos, Lda.); instalação de energia solar térmica nas Residencias Sociais António Gedeão e Manuel Álvares, sendo desenvolvida solução de instalação sem fixação, recorrendo a um sistema de lastro (Assis - Soluções de conforto).

Observações

*1 - a Capela de Nossa Senhora da Boa Morte era o antigo retábulo das relíquias; a do Senhor Jesus Crucificado era dedicada, primitivamente, a São Vicente, sendo a do Senhor da Cana Verde, sucessivamente dedicada a São Bernardo e a São Francisco Xavier; o altar do Senhor dos Passos foi, sucessivamente, dedicado a São Domingos, São Francisco Xavier e São Francisco de Borja; o altar de Santo Inácio era o primitivo de São Brás e o da Anunciada era de Santa Catarina; *2 - proveniente da primitiva fachada da Sala dos Actos; *3 - trata-se de um portal, esculpido c. de 1540, que pertenceu à capela tumular do Doutor Gaspar Vaz Rebelo, conselheiro de D. João III e seu Desembargador do Paço, proveniente da destruída Igreja do Convento de São Domingos (v.IPA.00004438); *4 - os bens eram vastos, consistindo nas Quintas do Barrocal, com capela, Herdades de Castelo Ventoso, Montes Claros e Pego do Lobo, Quinta do Monte da Barca, com capela, Quinta de Valbom, com capela, bem como nos padroados das igrejas de São Miguel do Mato, São Pedro do Paraíso, Igreja de Pedorido, de São Pedro de Ossela, São Justo do Ameal, Mosteiro de São Jorge de Milreus, parte do rendimento da diocese de Évora, Igreja do Senhor Jesus do Calvário, em Montemor-o-Novo, Igreja de São Quintino, em Sobral de Monte Agraço, Santa Maria de Lodares, Nossa Senhora da Assunção de Penha Longa, São Salvador de Castelões de Cepeda; São Cristóvão de Louredo, São Miguel de Pacinhos, São Miguel de Canelas, Santa Marinha de Figueira, São Salvador de Galegos, São Vicente de Irivo, Mosteiro de São Salvador de Paço de Sousa, São Martinho de Penafiel, São Tomé de Rans, São Martinho de Rio de Moinhos, Santiago de Subarrifana, Santiago de Valpedre, São Romão de Vila Cova, São Romão de Coronado, São Miguel de Entre Ambos os Rios, São Tiago de Carvalhais; *5 - conforme relatório existente no Arquivo da DGEMN, as telas representavam, no lado esquerdo, o Cardeal D. Henrique, os reis D. João III e D. João IV, D. Afonso Mendes, Patriarca da Etiópia, D. Apolinário de Almeida, bispo de Niceia, e o Padre Luís de Molina; no lado oposto, o Papa Paulo IV, D. Sebastião, Infante D. Luís, Dr. Pedro Martins e D. Luís de Cerqueira, vispos do Japão, Padre Leão Henriques e o Dr. Francisco de Mendonça; o mesmo relatório refere o desaparecimento, em data não especificada, da antiga cátedra, executada em madeiras exóticas brasileiras, sustentadas por dois leões, bem como vários móveis do séc. 17.

Autor e Data

Manuel Branco 1993 / João Santos CME 2005 (no âmbito da parceria IHRU/CMÉvora) / Paula Figueiredo 2005

Actualização

João Santos 2005
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login