Convento de São Francisco de Estremoz

IPA.00003833
Portugal, Évora, Estremoz, União das freguesias de Estremoz (Santa Maria e Santo André)
 
Arquitectura religiosa, gótica, renascentista, barroca. Convento franciscano. Capela de D. Fradique renascentista; altar-mor de talha barroca e frontaria setecentista. No braço S. do transepto retábulo com árvore de Jessé em talha polícroma, muito semelhante à que se encontra no altar de Nossa Senhora do Rosário na Igreja de Santa Maria da Feira de Beja (v. PT040205110010) e ao que se encontrava na capela do transepto da Igreja de Santa Cruz de Viana do Castelo, actualmente desmembrado (v. PT011609190002). Capela tumular de D. Fradique de Portugal, aparatosa, com pórtico plateresco, de nítida influência do protorenascimento castelhano - flamengo; os pináculos, as janelas maineladas e a estrutura interior aparentam obra notável do ciclo quatrocentista da Batalha; tem algum paralelo com a Capela do Esporão da Catedral de Évora (v. PT040705210016); a estrutura arquitectónica e os elementos de decoração interior parecem do Séc. 15 pleno ou inicial; pórtico interior renascentista do ciclo flamengo - plateresco, provavelmente execução tosca e mal interpretada de desenho enviado de Espanha por Dom Fradique, com trabalho de lavor medíocre nos pormenores escultóricos.Túmulo de Esteves da Gata característico do ciclo tumular trecentista da Catedral de Évora, que tem por protótipo o do Bispo Dom Pedro IV, no Claustro Catedral. É um dos mais antigos da Ordem em Portugal, fundador de um estilo chão do gótico português de inspiração monástica, que tanto influenciou a nossa arquitectura religiosa.
Número IPA Antigo: PT040704060011
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos (Província de Portugal)

Descrição

Planta rectangular alongada, com o transepto a desenhar a cruz latina; da cabeceira *1 resta apenas o absidíolo poligonal da banda S.. Abre-se à praça a frontaria dividida em dois lanços e rematada por frontão triangular de cornija ondulante nas ilhargas; abaixo da arquitrave três largas pilastras dividem-na em três tramos, com janelas rectangulares de cornija trianguar no lanço cimeiro e similares pórticos no térreo, os laterais cerrados de alvenaria; decora o tímpano efeito de laçaria em alvenaria; ilhargas fortemente contrafortadas em cinco tramos, entre as quais se rasgam as frestas maineladas de arco perfeito. A S., encosta-se o claustro, para o interior do qual ainda se rasga o amplo vão triplo da Porta do Sol, com três arcos apontados embebidos em edícula de beirado triangular, com colunelos simples de formas esquadriadas e geométricas. Ao paramento da ilharga N. e ao correspondente braço do transepto encosta, no primeiro tramo, a Capela de Dom Fradique de Portugal, edificada contra o paramento O. da nave, rasgando amplo vão para o terceiro tramo da lateral da Epístola: planta central, simples, massa cúbica, cunhais, divisão dos dois tramos marcados em cantaria de granito rematando em pináculos e cimalha coroada de merlões; quatro janelas de três arquivoltas e maineladas rasgam os paramentos laterais, uma em cada tramo de cada ilharga. O braço S. do transepto trunca o claustro adjacente. INTERIOR: nave de cinco tramos, coberta de tecto de vigamento de madeira, separada das galerias por sólidos paramentos de silharia, rasgados por altos vãos de arco apontado de duas arquivoltas, pendentes sobre pilares de secção rectangular, rematados nos topos por sólidas colunas embebidas e ladeadas de colunelos finíssimos, tudo rematado de capitéis de crochet fitomórfico; entre os arcos, rasgam-se ainda no paramento, mesmo no topo, frestas ogivais. Numa das naves laterais capela com a parede fundeira ocupada por Árvore de Jessé. No paramento lateral da naveta ou galeria S., abre-se o pórtico da Capela de Dom Fradique e, no segundo tramo, do lado da Epístola o túmulo de Esteves da Gata. Abre-se o cruzeiro às quatro bandas por arcos em tudo semelhantes ao da nave e a capela-mor, por abóbada de meio canhão de caixotões em alvenaria e arco triunfal a condizer; retábulo de talha. Tanto o braço restante do transepto, como os absidíolos, de cobertura ogival de dois tramos nervurados, com botões em mármore negro, deixam filtrar a luz por frestas maineladas. No altar fundeiro do braço S. do transepto, uma árvore de Jessé em talha dourada.

Acessos

Largo dos Combatentes da Grande Guerra (Largo Dragões de Olivença)

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 8 228, DG, 1.ª série, n.º 133 de 4 de julho 1922 (Túmulo de Esteves da Gata e Capela de D. Fradique de Portugal) / Decreto n.º 9.842, DG, 1.ª série, n.º 137 de 20 de junho 1924 (Igreja de São Francisco) / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 83 de 07 abril 1962

Enquadramento

Urbano. Em vasta praça da cidade, outrora em ermo no sopé da escarpa, fora do casco urbano do burgo medieval, afrontando o Cruzeiro de São Francisco (v. PT040704060021).

Descrição Complementar

CAPELA DE D. FRADIQUE DE PORTUGAL: pórtico de lavores escultóricos em arco de volta perfeita, emoldurado por duas arquivoltas de toro de meia-cana, ornado de entrelaços vegetais, descarregando sobre finos colunelos de base sextavada, de duas ordens, sobre plintos circulares, e com pequenos capitéis vegetalistas; o mainel a lembrar vara ou tronco vegetal, com capitéis sextavados de ornamentação estriada, faz corpo com a arquivolta interior, de igual feição, e com os colunelos das ombreiras; a unir o mainel com as ombreiras, a meia altura, complexo rendilhado de varas ou troncos vegetais entrelaçados; cobertura de abóbada ogival nervurada de dois tramos, em silharia de mármore, carregada sobre finíssimos pilares de triplo colunelo, com bases sextavadas de três ordens marcadas por bocéis anelares e capitéis de crochet vegetalista; botões com ornamentação vegetal, fecham a abóbada e no fecho botão manuelino com heráldica dos Noronha; embebida nos colunelos do arco toral, do lado do Evangelho, uma cartela pergaminácea, carregada por cabeça de anjo, com a inscrição: ESTA CAPELA MANDOV FAZER / O MVI ILVSTRE E REVERENDISSIMO / SEÑOR DOM FRADIQVE DE POR / TVGAL ARCEBISPO QVE FOI DE / ZARAGOÇA E VISV REI DE CATA / LVNHA A QVAL HE DO ILVSTRE SE / HOR DOM FRÃCISCO DE FARO SEV / SOBRINHO E HERDEIRO SEÑOR DA / VILA DO VIMEIRO //. TÚMULO DE ESTEVES DA GATA: a arca tumular, um paralelepípedo de aspecto atarracado, que repousa sobre dois leões rompentes, de aspecto agressivo, tem o paramento lateral exposto retabular, lavrado com empresa heráldica dominada por assunto venatório; o cavaleiro montado, precedido de batedor, exibe o falcão na mão esquerda e traz um lanceiro ao estribo; em redor três agitados lebréus e em pano de fundo, entre a vegetação, espreita uma ave de rapina; às ilhargas dois escudos de armas, iguais e simétricos, trazem por campo dois gatos e na bordadura oito crescentes; sobre a tampa jaz o cavaleiro, de grandes barbas em caneletes, de cabeça alteada por três almofadas, segurando a espada entre as duas mãos, com grande manto pregueado, assistido por anjo orante, de longa veste e ajoelhado, e guardado por dois lebréus, aos pés *2; sobre o sarcófago lápide em mármore branco, com inscrição em caracteres romanos: ESTA S(EPULTUR)A E DE VASCO ESTEVES DE GATUS MARIDO Q(UE)/ FOI DE MARG(ARID)A VIC(ENT)E QVIA S(EPULTUR)A ESTA AO PE DESTA O/ QVAL INSTITVIV CAPELA NESTE CO(N)VENTO CO(M) OBRIGA/ ÇÃO D(E) DOVS ANAIS DE MISSAS P(ER)A SE(M)PRE POR S ALMA. A/ NO DE 1401 ERA PIÇVIDOR DOS BE(N)S D(E) ESTA CAPELA DO(M)/ ANT(ONI)O DE MELO COMO IA O FOI DO(M) IORGE D(E) MELO S(EV) PAI P(ER) LA/ COROA. ESTA PEDRA POS NO ANO D(E) 1624 POR M(AN)DO D(E) P(EDRO) GARCIA / PONALVO IVIS DE FORA DESTA VILA AQVEM S(VA) M(AGESTA)DE CO/ METEO FAZER TOMBO DOS BE(N)S DA DITA CAPELA.

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Militar: quartel / Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 14 / 15 / 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ORGANEIROS: Manuel Francisco Coelho Guimarães (1790); Pedro Guimarães (1999).

Cronologia

1255 - fundação do Convento Real de Estremoz; Nuno Martins, nobre cavaleiro eborense, faz-se sepultar no cruzeiro; primeiro da Ordem Claustral, desde cedo gozou do favor e protecção real, como foi quase canónico com os seus similares, nele pousando amiúde reis e rainhas; Séc. 14, finais / Séc. 15, início - edificação do túmulo de Esteves da Gata *2; Séc. 15 - provável edificação da Capela de D. Fradique de Portugal; 1425 - passa à Província dos Algarves; 1509, 19 maio - Mandado de D. Pedro de castro, vedor da fazenda, para se levar em conta ao recebedor das obras do Convento a importância de 30 "pedras brancas" de Estremoz; 1520, 6 Maio - Bula de Leão X dando licença a D. Manuel para edificar um convento de São Francisco na vila de Estremoz; 1535, 3 de Março - data inscrita no pórtico da Capela de D. Fradique de Portugal; 1541 - por ordem do reformador, o Arcebispo Infante Dom Henrique, é entregue à Província dos Algarves da Observância; 1624 - lápide que está cravada na parede, por cima do sarcófago, que foi colocada em 1624 e porventura reproduz parte da epígrafe de outra que já acompanhava antes o monumento sepulcral, tem a data de 1401; Séc. 18, meados - D. Josefa Maria da Silveira, mulher de Barnabé Henriques (v. IPA.00021896) manda erguer a Capela do Menino Jesus; 1760 - o túmulo de Esteves da Gata que se encontrava integrado em pequena edícula tumular no cruzeiro da Igreja, junto a um dos absidíolos, é tranferido para a entrada da nave, junto ao paramento do lado da Epístola, e é colocada a lápide sobre o mesmo; 1771 - remodelação do templo; 1790 - feitura do órgão por Manuel Francisco Coelho Guimarães; séc. 19 - destruição parcial do órgão.

Dados Técnicos

Materiais

Silharia de mármore de Estremoz; alvenaria, madeira; mármore branco de Estremoz (túmulo de Esteves da Gata e Capela de D. Fradique de Portugal)

Bibliografia

CHAVES, Luís, O Túmulo de Vasco Esteves de Gatuz, Arqueologia Artística, 1917; CHAVES, Luís, Arqueologia Artística III - Siglas nos edifícios Medievais de Estremoz, Estremoz, 1917; CHICÓ, Mário Tavares, A Arquitectura Gótica em Portugal, Lisboa, 1981; COSTA, Mário Alberto Nunes, Estremoz e o seu Concelho nas «Memórias Paroquiais de 1735, Lisboa, Universidade, Coimbra, 1961; IDEM, Vasco Estevez de Gatuz e o seu Túmulo em Estremoz, Lisboa, 1993; CRESPO, José Lourenço Marques, Estremoz e o seu Termo Regional, Estremoz, 1950; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora, Concelho de Évora, vol. VI, SNBA, 1966; ESPANCA, Túlio, Inventário artístico de Portugal-Distrito de Évora, Lisboa, 1975; ESPANCA, Túlio, Real Convento de São Francisco de Estremoz, A Cidade de Évora nº 57; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; PROENÇA, Raul e SANTOS, Reynaldo e Notícia sobre a reparação da Igreja de São Francisco na Villa de Estremoz, Lisboa, 1883; SANTOS, Reynaldo, A Escultura em Portugal, I volume, Lisboa, 1950; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; DGARQ/TT: Corpo Cronológico, Parte II, maço 17, doc. 89; Colecção de Bulas, maço 22, doc. 33.

Intervenção Realizada

1876 - consertos e revisão do telhado da Capela de D. Fradique de Portugal; DGEMN: 1944 - obras de restauro geral; 1947 - reparo de telhados; 1955 / 1957 - reparo de coberturas, cintas em betão e tectos em casquinha; 1958 - tectos e vigamentos; 1963 - Sondagens preparatórias para o restauro geral da Capela de D. Fradique de Portugal; 1968 - telhados e consolidação da cruz da frontaria e restuaro geral da Capela de D. Fradique de Portuga; 1970 - reparos de elementos secundários; 1975 - reparo da abóbada do cruzeiro e telhados; 1980 - reparo da capela contígua à sacristia; limpeza de telhados; consertos e revisão do telhado da Capela de D. Fradique de Portuga; 1984 - reparo dos telhados da nave, cruzeiro e capela-mor; 1999 - restauro do órgão por Pedro Guimarães (Opus n.º 26).

Observações

EM ESTUDO; 1* - a cabeceira da igreja era primitivamente quadrada de absídiolos poligonais; *2 - nem a ilharga posterior da arca, nem os topos são lavrados, dando a impressão de ter estado embebida em arcossólio; *3 - tem-se datado o sarcófago de 1363, descontando trinta e oito anos à data da lápide, sem discussão do assunto, nem provar que a actual reproduz uma mais antiga, com a data expressa na Era de César; a precipitada interpretação da leitura da lápide tem levado os estudiosos a atribuir, sem discussão, o sarcófogo a 1363, descontando trinta e oito anos à data, presumindo-a da Era de César.

Autor e Data

Manuel Branco 1993

Actualização

 
 
 
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