Igreja Paroquial de Cárquere / Igreja de Santa Maria de Cárquere / Santuário de Nossa Senhora de Cárquere

IPA.00003783
Portugal, Viseu, Resende, Cárquere
 
Mosteiro de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, composto por igreja e construções anexas no lado esquerdo, onde surgia a zona regral, desenvolvida em torno de um claustro. É de transição do românico para o gótico e deste para o manuelino, muito adulterado por obras sucessivas e pela reutilização dos espaços, com o desaparecimento do alpendre da fachada principal, púlpito e claustro *4, transformado em cemitério. Acha-se ligado a episódios da formação da nacionalidade portuguesa, a Egas Moniz e à Honra de Resende, cujos tutelares possuíam panteão no mosteiro, com várias arcas tumulares, identificadas por lápides com inscrições. A Igreja é de raiz românica, remodelada no período gótico, composta por nave, capela-mor, sacristia, um panteão e torre sineira, com coberturas interiores diferenciadas, de madeira na nave e anexos e em abóbada de nervuras na capela-mor. Fachada principal rematada em empena, tendo os vãos rasgados em eixo composto por portal de volta perfeita e rosácea, o primeiro modernizado no séc. 16, com o acrescento de arco canopial inserto em alfiz, manuelinos. Existência de siglas de pedreiro nas cantarias e manutenção de vãos românicos e góticos da capela-mor, que permitem uma escassa iluminação interna. Retábulos de talha dourada de estilo barroco nacional, os colaterais prolongando-se e revestindo parcialmente o arco triunfal, ainda arreigados a esquemas maneiristas, com remate em tabela. Sobre o arco, reaproveitamento de frisos de acantos entalhados, rodeiam a imagem do Crucificado, que remata com o símbolo da Companhia de Jesus e o escudo português. No arco triunfal, subsistem vestígios das pinturas murais quinhentistas. Na capela-mor, o atual acesso à sacristia era um arcosólio com túmulo, bastante saliente, em arco apontado e frisos de esferas.
Número IPA Antigo: PT011813030001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho

Descrição

Conjunto arquitetónico composto por igreja, ladeada por dependências do primitivo mosteiro adossados, surgindo, nas imediações, o nicho da Senhora do Encontro, do séc. 17, cruzes da Via Sacra, estátua da Senhora do Bom Caminho e monumento ao Imaculado Coração de Maria, ambos do séc. 20. No lado esquerdo, o nicho da Senhora da Piedade, datado de 1641, escadório com altar de granito e cruzeiro. IGREJA de planta poligonal composta por nave, capela-mor mais estreita, sacristia, capelas, torre e várias dependências do primitivo convento adossadas, de volumes articulados e disposição horizontalista das massas, com coberturas diferenciadas em telhados de duas, três e quatro águas, rematadas em beiradas. Fachadas em cantaria de granito aparente com remates em cornija, as da capela-mor marcadas pela existência de contrafortes e cornijas, assente em cachorradas. A torre sineira remata em ameias decorativas. Fachada principal virada a O., rematada em empena encimada por cruz latina no vértice, de dois registos definidos pelo tipo de aparelho, o primeiro reentrante, rasgado por portal escavado, em arco de volta perfeita com três arquivoltas assentes em finos colunelos com base e capitéis ornados por motivos fitomórficos, a exterior formando arco canopial, e inscrito em alfiz, surgindo, superiormente a marcação do perfil do antigo portal. No segundo registo, com cunhais perpianhos, rasga-se óculo circular. No lado direito, adossa-se corpo com dois pisos, com aparelho irregular com vários silhares saliente, com remate em cornija suportada por cachorrada, rasgado por porta dintelada no primeiro piso, encimada por janela de peitoril, surgindo o vestígio de um antigo vão retilíneo, atualmente entaipado. No mesmo plano, arco a pleno centro que suporta o que resta de um muro de construção já desaparecida, com vários vão retilíneos marcados. Perpendicular a este muro, no lado direito, desenvolve-se a Casa do Caseiro. Fachada lateral esquerda rasgada por portal de arco polilobado com moldura múltipla, formando cogulhos nos remates interiores, ladeado por pia de água benta, surgindo, superiormente, três frestas e várias mísulas, marcando o adossamento de um corpo. Adossados à capela-mor, desenvolvem-se dois corpos de diferentes pés direitos, a atual sacristia e a capela funerária, a primeira rasgada por porta de verga reta, ambas com pequenas fenestrações jacentes, duas na sacristia e uma na capela. A fachada lateral direita está marcada pelo adossamento de vários corpos, o do extremo esquerdo com escada de dois lanços que acede a uma porta de verga reta, de acesso à Sala da Lamosa e ao coro-alto. Segue-se o volume da torre sineira, rasgada por porta de verga reta, fresta e sineiras, as da face S. descentradas; a silharia possui várias siglas, compostas por pequenas cruzes e letras (A, C, D, E, P). Segue-se o corpo da capela, rasgado por fresta e janela com mísulas nos ângulos. Fachada posterior rasgada por duas janelas apontadas, a do topo de dois lumes, com pequeno óculo trilobado. O corpo da sacristia possui fresta e porta de verga reta, surgindo, no corpo da capela, janela de volta perfeita apoiada em colunas. INTERIOR com as paredes em cantaria de granito aparente, com a nave coberta por teto de madeira em masseira e pavimento em lajeado com estrados de madeira. Coro-alto sobre arco em asa de cesto, com guarda de madeira. No lado do Evangelho, no sub-coro, um pequeno vão em arco abatido, com duas arquivoltas assentes em colunelos com capitéis ornados por folhagem, formando, no topo, um pequeno canopo, acede ao batistério. A pia é em cantaria de granito, composta por colunas e taça hemisférica e de bordos boleados, ornada por motivos vegetalistas e cordas em espiral. Junto à porta travessa, um nicho envolvido por talha policroma. No lado oposto, porta em arco de volta perfeita comunicante com divisão incaracterística, a Capela das Confissões *1, que, por sua vez, comunica com a torre e com outro espaço através de arco apontado. Desta, tem-se acesso ao coro-alto e ao exterior. Arco triunfal de volta perfeita com três arquivoltas, assentes em colunelos simples com capitéis decorados por elementos vegetalistas. Está ladeado por capelas retabulares colaterais dedicadas a Santa Maria e ao Sagrado Coração de Jesus, que se prolongam revestido parcialmente o arco e entaipando uma antiga fresta. Capela-mor com cobertura em abóbada de nervuras, assente em colunas nos ângulos e pavimento em lajeado de granito. Na parede testeira, o retábulo-mor de talha dourada, de planta reta e três eixos definidos por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos e assentes em plintos paralelepipédicos e consolas, que se prolongam em duas arquivoltas, também torsas, unidas por aduelas salientes, formando apainelados de acantos e cabeças de querubins, constituindo o remate. Ao centro, tribuna de volta perfeita e boca rendilhada, contendo trono expositivo, com o intradorso ornado por acantos. Os eixos laterais formam apainelados de volta perfeita, assentes em pilastras e envolvidos por acantos, que enquadram duas mísulas com imaginária. Altar paralelepipédico ornado por acantos e encimado por sacrário do tipo templete, facetado e ladeado por pares de colunas torsas, tendo, nas ilhargas imagens relevadas e, na porta, a imagem de Cristo Redentor. Fronteira, a mesa de altar em cantaria, composta por pilares e tampo simples. No lado do Evangelho, um arco apontado, com alfiz e friso de esferas acede à sacristia, de planta quadrangular simples, com teto de madeira e pavimento em lajeado de granito, contendo o túmulo de Ambrósio B. Pereira com jacente, atualmente picada *2. Contígua a esta, capela funerária de planta retangular, com quatro arcas tumulares, duas delas insertas em arcosólios. No interior da Sala da Lamosa, algumas portas e janelas em ogiva e dois nichos e três frestas entaipadas para o lado da igreja. Possui lareira na espessura da parede.

Acessos

EN 222, ao Km 103,8, para EM, a 5,4 Km, no Lugar do Mosteiro

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Rural, isolado, implantado a meia encosta, confinando com as vias públicas, exceto na fachada principal, acedida por pequeno adro poligonal, pavimentado a calçada, tendo lajeado na área de acesso ao portal axial. Adossado ao lado esquerdo, surge o cemitério, ocupando o primitivo claustro do mosteiro. Encontra-se rodeado por terrenos de cultivo, onde se implanta um antigo moinho, surgindo, nas imediações, algumas escavações puseram a descoberto vestígios da época romana.

Descrição Complementar

Na CAPELA DAS CONFISSÕES, surge um pequeno oratório, em arco apontado e moldura rendilhada, com altar paralelepipédico, contendo imaginária. Os RETÁBULOS COLATERAIS são semelhantes, de talha dourada, com corpo de planta côncava e um eixo definido por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos assentes em consolas e plintos paralelepipédicos com as faces decoradas por acantos. Ao centro, apainelado de volta perfeita assente em pilastras, contendo peanha com imaginária. A estrutura remata em friso e cornija, encimados por tabela retangular flanqueada por quarteirões e aletas de acantos, encimados por friso e frontão semicircular totalmente revestido por acantos. Altares paralelepipédicos ornados por acantos. As colunas junto ao arco triunfal evoluem em arquivolta torsa e ornado por acantos em torno do do arco triunfal, interrompida por painel retangular com múltiplas molduras de acantos, contendo a imagem do Crucificado. No topo um pequeno espaldar com as siglas "IHS" e um escudo português. Atrás dos retábulos, surgem PINTURAS MURAIS, a do lado do Evangelho muito delida, apenas se preservando uma faixa azul, que serviria de fundo, ladeada por anjos esvoaçantes; no lado oposto, a representação de Santo António e Santa Luzia, ladeados por folhagem enrolado. Os TÚMULOS do Panteão dos Resendes têm, nas tampas, escudos oblongos com cabras toscas. Sobre três deles as inscrições: "Aquy. jas. ho virtuoso sõr / Vasco m's de resende. do / cõselho delrey don affon. / so, rejedor da sua justica / na comarqua, dantre / douro e minho"; " Aquy. jas. o sñor. vadco / mis de resende ne / to. de. mar.tin. affons. q. / foy sõr. de. toda. esta terra. de. resende"; "Aquy has / o senor Gil / Vas de / resende".

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial / Religiosa: santuário

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Igreja Católica, afeto ao culto, Concordata entre a Santa Sé e a República Portuguesa, 1940, artigo 6.º

Época Construção

Séc. 12 / 13 / 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: José Marques de Abreu Júnior (1949-1952); Luís Amoroso Lopes (1974). EMPREITEIROS: Anselmo Costa, S.A. (1994); LUSOCOL - Sociedade Lusa de Construções, Lda. (1991); Oliveira, Pereira e Valente, Lda. (1981, 1986). ENTALHADOR: Luís Vieira da Cruz (1705). MESTRES-DE-OBRAS: Francisco Pinto Loureiro (1949-1952, 1955, 1956-1957, 1961, 1970-1971); Manuel Domingos Chaves (1974-1975).

Cronologia

Séc. 06 - 07 - provável feitura da imagem de Nossa Senhora de Cárquere, revelando que existe no local um templo; 1099 - provável reconstrução do templo; séc. 12 - possível fundação do Mosteiro por Egas Moniz *3, que fica na dependência do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra; 1128 - instituída a Honra de Resende por D. Afonso Henriques; 1146 - morte de Egas Moniz, deixando legados vários ao mosteiro; séc. 13 - 14 - provável construção da capela-mor e da torre sineira; 1246 - D. Pelágio, bispo de Lamego, ordena, em testamento, que se dê ao altar de Cárquere, 10 libras de cera, 20 moios de centeio da Ponte e 20 de trigo de Vila Maior; 1279 - os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho são confirmados no mosteiro, por Bula do Papa Nicolau III; séc. 14, 1.ª metade - morte de Vasco Martins de Resende, sepultado no panteão local; feitura da imagem de Nossa Senhora-a-Branca; 1374, janeiro - morre Gil Vasques de Resende, sepultado no local; 1477 - morte de Vasco Martins de Resende, sepultado no Panteão; séc. 15 - 16 - arranjo do pórtico, do portal lateral e janelões do lado do Evangelho; o culto entra em declínio; 1511 - por morte de Diogo Coelho, prior do Mosteiro, este é doado a Francisco Suzarte; 1517 - fundação da Capela de Nossa Senhora da Piedade, no Panteão, a cargo de D. Maria de Castro, viúva de Vasco Martins de Resende, com obrigação de duas missas diárias; 1541 - D. João III doa o espaço à Companhia de Jesus, constituindo a sua primeira casa em Portugal; 1550, depois - nave modificada; execução das pinturas murais; 1559, 08 setembro - morre, em Grijó, D. Ambrósio B. Pereira, sepultado no lado esquerdo da capela-mor de Cárquere; 1561 - Jesuítas assumem o mosteiro, instalando nele um hospício para gente pobre, após a morte de D. António Nogueira; 1562, abril - concessão dos bens e benefícios do Mosteiro ao Colégio dos Jesuítas de Coimbra, por Bula de Pio IV; passa a ser padroado da Companhia de Jesus; 1578, março - Bula do Papa Gregório XIII confirma a anterior; séc. 16, final - no dia de Nossa Senhora de março, vêm os clamores de Resende, as de Anreade e Ovadas no dia da Senhora dos Prazeres, e Penude e Magueija na primeira segunda-feira de junho; no quarto domingo de maio, deslocam-se as cruzes de 11 freguesias; 1631 - provável reconstrução da torre; 1646 - prior João de Calvos de Sequeira faz-se sepultar, no lado da Epístola, junto ao púlpito, onde esteve a porta, tirarão a porta e entrará na sacristia onde farão altar; 1675, 16 setembro - como a Igreja é "in solidum" dos jesuítas, que ali têm residência e que habitam dois ou três padres na administração das rendas, toda a despesa que nela se faz em reparos e paramentos, tanto na capela-mor como no corpo da Igreja, é da obrigação dos mesmos, os quais, para este fim, se obrigam a dar anualmente para a fábrica 14$000 por contrato celebrado entre eles e o bispo; séc. 17 - 18 - remodelação da sacristia e execução da talha dourada; 1705, 13 novembro - contrato com Luís Vieira da Cruz, entalhador de Braga, para a execução dos retábulos colaterais; 1711 - segundo Frei Agostinho de Santa Maria, a imagem tem três palmos, de madeira e frequentemente vestida com mantos antigos; na mão direita segura uma maçã que oferece ao Menino, vestido com uma opa antiga; a imagem tem uma coroa imperial, em prata; 1725, 15 maio - Monsenhor João Baptista, Cardeal de Salerno, autêntica uma relíquia do Santo Lenho, vinda de Roma a pedido dos Jesuítas; 1758, 03 maio - nas Memórias Paroquiais, assinadas por Jorge Botelho, é referido que na igreja existe a Capela de Nossa Senhora da Piedade, no claustro, administrada pelo Conde Almirante de Portugal; a igreja tem quatro altares, o mor onde está a Senhora, colocada no trono, ladeada por Santo Inácio e São Francisco Xavier, o altar de São João, administrado pela Casa dos Castro, a de Nossa Senhora, e, no lado esquerdo, a de São Francisco das Chagas; o pároco é reitor, apresentado pelo Reitor do Colégio de Coimbra, e recebe 40$000 anuais; ao lado da igreja, a residência da Companhia, onde assistem três ou quatro padres; 1774, 04 julho - sequestro dos bens do mosteiro, bem como os do Colégio de Lamego e da residência de Nossa Senhora da Lapa (v. IPA.00003799), e doação régia dos mesmos à Universidade de Coimbra; 1775, 05 maio - a Universidade de Coimbra toma posse destes, sendo mencionadas propriedades nas comarcas de Lamego, Guarda, Pinhel e Viseu, nos concelhos de Paiva, Cinfães, Penafiel, Barcelos, Baião e Mesão Frio, Aregos, São Martinho de Mouros, Resende e nas freguesias de São Miguel de Oliveira, Caria, Santa Cruz de Lumiares, Godim, São Tiago de Piães, São João de Cinfães, Santa Maria de Fregil, São Salvador de Resende, São João de Felgueiras, São Miguel de Anreade, São Pedro de Gosende, São Romão de Aregos, São Paio de Ovadas, São João de Miomães, Santa Cristina de Ramires, São Pedro de Paus, São Lourenço de Panchorra, Moimenta e Queimadela; nesta data, é descrito pelo visitador como sendo um edifício antiquíssimo todo de cantaria e ainda durável, sem cal, nem por dentro, nem por fora; tem quatro altares, o maior, e ao lado esquerdo da mesma capela-mor, outro, e os dois colaterais no corpo da igreja; o primeiro tem um retábulo muito antigo, mas bem conservado e dourado, e, tal como os demais altares, são antigos, mas ainda decentes; o teto da capela-mor é de abóbada bem segura e o do corpo da igreja de madeira; o pavimento da capela-mor e o da Igreja é de cantaria, mas tão arruinado que, à exceção da parte no sub-coro, todo ele necessita ser feito de novo, porque está muito indecente; a sacristia é grande e da mesma obra que a da Igreja, porém extremamente escura e sem forro senão o sobrado de uma casa que lhe fica por cima com bastante indecência, necessitando de ser forrada para estarem os paramentos em asseio; necessita também de ser sobradada, visto estar perdido o pavimento antigo; ao lado esquerdo da Igreja, o claustro, espaçoso, sem forro algum senão a telha sobre o madeiramento, com pavimento de terra e nele se costuma enterrar a gente ordinária da freguesia, porque dentro da igreja só se dá sepultura aos mais distintos; todas as obras que são necessárias na Igreja constam dos apontamentos que se mandaram fazer e se puseram a lanços, mas por pareceram de valor exorbitante, ficaram por arrematar; a Universidade apresenta o vigário e cobra os dízimas da freguesia; para a Fábrica se recebe de cada sepultura dentro da Igreja $480, pela mão do pároco que o coloca no cofre da mesma fábrica; a Universidade tem a obrigação de manter o altar que está ao lado esquerdo, pois dentro da capela-mor não tem obrigação alguma, por pertencer a Jacinto de Magalhães da cidade de Braga; há também obrigação de se dar cera para o sepulcro da Semana Santa, a qual se não deu alguns anos depois da doação e o vigário mostrou rol de 4 despesas que tinha feito e pareciam pertencer à Universidade, importando em 66$275; também tem obrigação de mandar pregar alguns sermões na mesma Igreja e, finalmente, devia a Universidade dar côngrua suficiente ao pároco, então de 40$000, e mandar dar 40 alqueires de pão de esmola pela Semana Santa; séc. 19 - execução da imagem do Sagrado Coração de Jesus e dos sinos; 1835, 05 maio - Decreto incorporando nos Bens Próprios Nacionais os bens pertencentes à Universidade de Coimbra, que continuava, no entanto, a usufruir dos seus rendimentos; 1848, 21 novembro - Decreto delimitando como bens da Universidade de Coimbra apenas os edifícios estritamente necessários para o seu funcionamento, situados em Coimbra; 1920 - 1921 - ampliação do cemitério; 1959 - pedido da Santa Casa da Misericórdia de Resende para a deslocação de um técnico à Igreja de Cárquere, onde são proprietários de uma casa anexa, a qual ameaça ruína (TXT.00798094); 1977 - o cruzeiro seiscentista é arruinado por um acidente rodoviário, verificando-se a necessidade da sua reconstrução; a talha do arco triunfal está desmontada, deixando visíveis as pinturas murais, entretanto restauradas; séc. 21 - montagem da talha do arco triunfal.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito; modinaturas, cruzes, colunelos, colunas, pavimentos, cobertura da capela-mor, túmulos, frisos em cantaria de granito; cobertura da nave, portas, caixilharias, pavimentos de madeira; retábulos de talha dourada; pinturas murais; cobertura exterior em telha cerâmica.

Bibliografia

ALMEIDA, João de - Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses. Lisboa: Edição do Autor, 1945; ALVES, Alexandre - «O sequestro dos bens da Companhia de Jesus na Comarca de Lamego». Beira Alta. Viseu: 1997, vol. LVII, fasc. 3 e 4, pp. 459-465; CORREIA, Vergílio - Monumentos e Esculturas - séculos III - XVI. Lisboa: Libanio da Silva, 1924; DIAS, Augusto - Santa Maria de Cárquere. Porto: Edições «Beira e Douro», 1976; DUARTE, Joaquim Correia - Resende e a sua História. Resende: Câmara Municipal de Resende, 1994 LAMEIRA, Francisco - O Retábulo da Companhia de Jesus em Portugal: 1619 - 1759. Faro: Departamento de História, Arquelogia e Património do Algarve, 2006; MARIA, Frei Agostinho de Santa - Santuário Mariano... Lisboa: Officina de António Pedrozo Galram, 1711, tomo 3; PINTO, Joaquim Caetano - Monografia do Seu Concelho Resende. Braga: s.n., 1982; Santa Maria de Cárquere - visita guiada ao Mosteiro. carquere.com.sapo.pt/principal.htm [consultado em 24-01-2002]; VASCONCELOS, João - Romarias 1 - Inventários dos Santuários de Portugal. Lisboa: Olhapim Editoras, 1996, vol. I; VASCONCELOS, Joaquim de - A Arte Românica em Portugal. Lisboa: 1992; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70582 [consultado em 28 dezembro 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA; Associação de Reitores dos Santuários de Portugal / Paulinas

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH-010/220-0007, DGEMN/DSARH-010/220-0020, DGEMN/DSID-001/018-2341/1, DGEMN/DSID-001/018-2341/2/1, DGEMN/DSID-001/018-2341/2/2, DGEMN/DSID-001/018-2341/3/1, DGEMN/DSID-001/018-2341/3/2, DGEMN/DSID-001/018-2341/3/3, DGEMN/DSID-001/018-2341/3/4, DGEMN/DSID-001/018-2341/3/5; DGLAB/TT: Memórias paroquiais, vol. 9, n.º 142, fls. 925 a 936; AUC: Igrejas da Universidade de Coimbra, Tomo II, Depósito 14, Secção 8. E, Estante 5, Tabela 9, n.º 560

Intervenção Realizada

DGEMN: 1949 / 1950 / 1951 / 1952 - apeamento das coberturas, remates em ameias, paredes e consolidação e reconstrução da torre por Francisco Pinto Loureiro, sendo fiscalizadas pelo arquiteto José Marques de Abreu Júnior; 1951 - consolidação do alpendre do cruzeiro com a reconstrução da cúpula por Francisco Pinto Loureiro; 1952 - escoramento e consolidação de um teto na sala anexa à sineira por Francisco Pinto Loureiro; 1955 - recuperação geral do telhado da igreja por Francisco Pinto Loureiro; 1956 / 1957 - obras de conclusão da torre, com a conclusão da zona superior, colocação dos merlões, construção do pavimento da sineira em betão e do telhado com vigamento e forro de castanho, revestidos a telha nacional; obra de Francisco Pinto Loureiro; 1957 - montagem dos sinos; SCMR: 1960 - obras no edifício anexo, a denominada Casa do Caseiro, com demolição do telhado e de paredes, para a sua reconstrução e respetivo reboco; colocação de novos soalhos, caixilhos, ferragens e vidros; colocação de portas exteriores em madeira de castanho; DGEMN: 1961 - consolidação das paredes e revisão da cobertura da nave por Francisco Pinto Loureiro; remoção dos objetos arrecadados no alpendre da igreja; 1970 / 1971 - apeamento do telhado da sacristia e da nave para reparação da armação e substituição de ripados; colocação de nova telha e reaproveitamento da que se encontra em bom estado; rebaixamento da cobertura da sacristia; obras de Francisco Pinto Loureiro; 1971 - reparação da porta da sacristia e abertura da mesma, por Francisco Pinto Loureiro; 1974 - revisão dos telhados do Panteão dos Senhores de Resende e limpeza das cantarias da nave; obras acompanhadas pelo arquiteto Luís Amoroso Lopes e executadas por Manuel Domingues Chaves; 1975 - remoção da cal das molduras, cobertura da capela-mor, arco triunfal; limpeza da talha dourada e do pavimento do templo; obras de Manuel Domingues Chaves; 1981 - desenhos para a feitura dos vitrais das janelas da nave, capela-mor e rosácea; projeto para as portas de madeira; remodelação da cobertura da capela-mor; obras de Oliveira, Pereira e Valente, Lda.; 1986 - revisão da cobertura da nave, com infiltrações várias; execução de um forro de madeira na sacristia e instalação elétrica para a iluminação do interior; obras de Oliveira, Pereira e Valente, Lda.; 1988 - beneficiação da instalação elétrica; 1989 - revisão da cobertura da nave, com substituição de barrotes, colocação de forro e substituição da telha; consolidação de uma fenda junto a uma janela; limpeza das cantarias; revisão das coberturas dos anexos; feitura das beiradas; 1991 - abertura de um janelão para o lado do cemitério e construção de nova cobertura do Panteão dos Resende, semelhante à da sacristia; obras da LUSOCOL - Sociedade Lusa de Construções, Lda.; 1994 - beneficiação do coro, com consolidação de elementos estruturais e revisão do teto do sub-coro e da guarda; conservação e consolidação do teto da nave; beneficiação dos madeiramentos da pia batismal; execução de novas portas para o templo e beneficiação da porta de acesso ao coro; obras por Anselmo Costa, S.A.; 1997 - escavação arqueológica na área envolvente do imóvel; 1998 - beneficiação do interior da torre, com a reconstrução da escada de madeira, revestimento com soalho de madeira e com tijoleira no piso de acesso aos sinos; execução de tetos em madeira, instalação elétrica, refechamento de juntas nas paredes interiores, aplicação de vidros nos vãos das frestas; 2004 - reparação da cobertura da nave; substituição das telhas nas coberturas da capela-mor, sacristia e panteão.

Observações

*1 - era, provavelmente, a primitiva sacristia. *2 - o túmulo foi colocado, inicialmente, no vão que liga a capela-mor à sacristia, constituindo um arcosólio fechado. *3 - segundo a tradição e crónicas dos primeiros reis de Portugal, o mosteiro terá nascido de um milagre de Nossa Senhora de Cárquere, que curou o problema nos membros inferiores com que D. Afonso Henriques nascera; em agradecimento, o seu aio Egas Moniz mandou edificar o mosteiro. *4 - o púlpito que se erguia no lado da Epístola, foi desativado e a sua pedra encontra-se no centro do escadório do Carvalhal, em frente ao altar; uma das colunas do alpendre encontra-se nos muros do cemitério.

Autor e Data

João Carvalho 1997 / Marisa Costa 2001

Actualização

 
 
 
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