Casa da Tapada

IPA.00000374
Portugal, Braga, Amares, Fiscal
 
Quinta com casa de planta em L, composto por um corpo maneirista, com escadaria de acesso de dois lanços convergentes, com passagem inferior para a fachada posterior da quinta, à semelhança do que aconteçe com a Casa de Infias (v. PT010303490030), em Braga e um corpo construído posteriormente no séc. 19. Interior com tectos do tipo "saia-camisa" e lareiras de pedra. Cozinha com grande lareira e forno de pedra. Capela separada do solar, de planta longitudinal, com nave única e capela-mor. Fachadas simples, de feições maneiristas, sendo a principal em empena, com portal de verga recta com frontão triangular, encimado por janelão. Interior com retábulos barrocos, de estilo nacional. A quinta possui ainda edifícios rústicos e um espigueiro de pedra e madeira. O corpo S., construído no séc. 19, apresenta janelas decoradas por volutas nos lintéis. Os retábulos da capela apresentam excelente trabalho de talha, com decoração fitomórfica, anjos e aves, tendo nos laterais, anjos a montar aves, a suportar o entablamento, como se de colunas se tratassem. No jardim existe um espaldar de uma antiga fonte com representação de Santiago montado a cavalo a espezinhar os mouros.
Número IPA Antigo: PT010301110008
 
Registo visualizado 534 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Residencial unifamiliar  Quinta    

Descrição

Quinta com solar, capela separada, junto ao topo N. do solar, em plataforma mais elevada, e dependências agrícolas, nomeadamente um espigueiro, e outros edifícios rústicos desenvolvidos lateralmente à capela, em plataforma mais elevada. Volumes de dominante horizontal. SOLAR de planta em L, com cobertura em telhado de quatro águas. Fachadas em cantaria de granito, de dois registos, rasgadas por vãos de verga recta. Fachada principal virada a O., correspondendo ao ângulo interior do L, rasgada no primeiro registo por portas e janelas jacentes gradeadas e no segundo janelas de peito e de sacada, rematadas por cornija, possuindo as varandas, guarda de ferro. No pano do corpo N., ao centro, encontra-se escadaria de pedra, frontalmente revestida com planta trepadeira, aberta ao centro por vão, para passagem para a fachada posterior, de verga recta, enquadrado por pilastras, e rematada por cornija de acesso. Apresenta dois lanços rectos convergentes em patamar superior, com guarda plena de cantaria e pilares de secção quadrangular nos arranques. Pano do corpo S. com janelas decoradas por volutas nos lintéis. INTERIOR com primeiro registo correspondente a lojas e segundo piso, o nobre, com salas e quatros com paredes em cantaria e rebocadas e pintadas de branco. Pavimentos em tijoleira e tectos de madeira do tipo "saia-camisa". Algumas das salas apresentam lareiras de pedra, uma delas com pedras de armas gravadas. Na sala de jantar encontra-se um pedra com inscrição, parcialmente cortada, embutida na parede *1. Cozinha localizada na ala S., com forno, lareira e chaminé de pedra, esta última suportada por coluna de ângulos chanfrados. CAPELA de planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor, mais estreita, rectangulares, dispostas em eixo. Coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas em granito, enquadradas por cunhais apilastrados, na fachada principal coroadas por pináculos piramidais. Fachada principal orientada, em empena coroada por cruz, rasgada por portal de verga recta, com inscrição no lintel, encimado por frontão triangular, sobrepujado por janelão de verga recta, gradeado, rematado por cornija. Fachadas laterais rasgadas por janelões, possuindo a S. porta de verga recta. INTERIOR com paredes em granito e pavimento lajeado, com tampa de sepultura com inscrição. Nave coberta por masseira de madeira, com o travejamento à vista. Retábulos laterais de talha policroma a azul, amarelo, vermelho e branco. Arco triunfal pleno, emoldurado, assente em pilastras toscanas. Capela-mor sobrelevada, com cobertura em abóbada de berço de madeira. Retábulo-mor de talha policroma, idêntica à dos laterais, de planta recta, de um só eixo, rematado por duas arquivoltas abatidas, ricamente decoradas com acantos. Tribuna em arco abatido, com o Crucificado, enquadrada por peanhas com imaginária encimadas por modilhão suportando capitél e nos extremos columas pseudosalomónicas, com decoração de anjos e motivos fitomórficos. Banqueta com maquineta. Altar recto, enquadrado por grandes modilhões que suportam as colunas.

Acessos

Fiscal, Quinta da Tapada; Lugar da Carriça

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1ª Série, nº 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Rural, isolada, na encosta da Portela, envolvida por extensos campos de cultivo de vinha, pertencentes à quinta, e mata de pinheiros e eucaliptos. Os vários da edifícios da quinta desenvolvem-se três terraços ascendentes, virados para O., murados, ligados por escadarias, pontuados por fontes de espaldar. Num dos terraços próximo da casa encontra-se um espaldar com um baixo-relevo representando Santiago, montado a cavalo a espezinhar os mouros, proveniente de uma fonte seiscentista.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: Inscrição gravada no lintel do portal principal da capela; granito; leitura: FRANCISCO DE SÁ DE MENEZES 1615; inscrição gravada no túmulo da capela; granito; leitura: SEPULTURA DE FRANCISCO DE SÁ DE MENEZES ANO 1633.

Utilização Inicial

Residencial: quinta

Utilização Actual

Residencial: quinta

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 16, segundo quartel - Francisco de Sá de Miranda *2 compra a antiga Quinta do Bárrio da Fonte, criando a Quinta da Tapada; 1540 - a Casa da Tapada é mandada construir por Francisco de Sá de Miranda, próximo dos seus parentes da Casa da Torre (v. PT010301070022); 1552 - Francisco de Sá de Miranda instala-se definitivamente na casa; 1558 - morre Francisco de Sá de Miranda; o seu filho Jerónimo de Sá Azevedo, 2º Senhor da Casa da Tapada e fidalgo da Casa Real institui o morgado da Tapada; 1589 - início da construção da capela, dedicada a Nossa Senhora da Guia, a mando de Francisco de Sá de Menezes, 3º Senhor da Casa da Tapada; 1590 - dotação da fábrica da capela; 1615 - é concedida a autorização apostólica para o culto na capela; data da inscrição do lintel do portal da capela; 1626 - morre Francisco de Sá de Menezes; 1633 - data inscrita na sepultura de Francisco de Sá de Menezes, existente na capela; 1618 - construção da capela actual, mandada edificar por Francisco Sá de Meneses; séc. 17, segunda metade - reedificação da casa a mando de Rodrigo de Azevedo de Sá coutinho (1646 / 1726), 7º Senhor da Casa da Tapada; séc. 18, início - os edifícios rústicos da quinta, existentes no patamar mais elevado abrigam a irmandade de S. Pedro de Rates; séc. 19, primeiro quartel - D. Luís Manuel de Azevedo de Sá Coutinho (1790 / 1822), 12º Senhor da Casa da Tapada, casa com Maria Lina de Araújo e Azevedo, filha do ministro António de Araújo e Azevedo, 1º Conde da Barca; construção da ala S.; séc. 19, final - a casa deixa de estar na posse da família; 1928 - a casa é comprada por Miguel Carlos Sottomayor; colocação de pedra de armas dos Sottomayor no cunhal N. da casa; 1982 - a casa é adquirida pelo actual proprietário.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura dos edifícios, cunhais, pedras de armas, elementos decorativos, fontes, muros, pavimento da capela, lareiras e forno, em granito; portas, janelas, retábulos e tectos em madeira; grades das sacadas em ferro; coberturas em telha de canudo.

Bibliografia

SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres casas de Portugal, Porto, 1958; AZEVEDO, Carlos, Solares Portugueses, Lisboa, 1969; CRUZ, Valdemar, A Casa do Poeta Lavrador, in Casas com Passado, edição Casa Cláudia, Lisboa, 1998; STOOP, Anne de, Palácios e Casas Senhoriais do Minho, Porto, 2000.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

IPPAR - 78/15-1(2)

Intervenção Realizada

Proprietário: 1983 - Obras de restauro.

Observações

*1 - A pedra foi encontrada no meio da vinha; *2 - Francisco Sá de Miranda, poeta e humanista, nasceu em Coimbra, em 1481 e morreu em 1558. Era filho do cónego Gonçalo Mendes de Sá e de Inês de Melo. Casou em 1529 / 1530 com D. Briolanja de Azevedo, filha de Francisco Machado, Senhor da Casa da Torre e Senhor Donatário de entre Homem e Cávado. Com o seu imenso talento, introduz na cultura portuguesa as novidades da escola italiana que descobriu por ocasião da sua estada em Itália entre 1521 a 1526, nomeadamente o soneto, ode, elegia e até comédia em prosa e tragédia.

Autor e Data

Isabel Sereno / João Santos 1994

Actualização

 
 
 
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