Convento e Igreja de Santa Cruz

IPA.00003734
Portugal, Viseu, Lamego, Lamego (Almacave e Sé)
 
Convento dos Lóios, maneirista e barroco, de planta rectangular irregular, composto por igreja com galilé, torres, nave única com coro-alto, capelas laterais intercomunicantes, transepto inscrito e capela-mor mais estreita e baixa, claustro e dependências conventuais. Fachada principal harmónica, com duas torres, tendo, no corpo central, galilé com acesso por três vãos de volta perfeita, o central proemiente, com janelas amplas e remate em frontão triangular. Alçados laterais, escalonados com vãos de perfil rectilíneo, em capialço, e semicirculares na nave, havendo, no esquerdo, uma porta travessa. Claustro quadrangular, de dois andares, o inferior com arcadas assentes em pilares e, superiormente, janelas de sacada, à volta do qual se mantêm uma capela, a primitiva cozinha e o refeitório. Coberturas da igreja em abóbada de berço com caixotões, na capela-mor e capelas laterais, e em falsa abóbada pintada, na nave. Retábulos de talha dourada dos estilos maneirista, joanino e rococó, surgindo, na decoração, painéis de azulejo azul e branco alusivos aos oragos das capelas que integram. No lado do Evangelho, um órgão com três castelos e, no oposto, um púlpito. Decoração profusa de painéis azulejares historiados de grandes dimensões, retábulos de talha de várias épocas e gramáticas decorativa, um órgão e mantendo pintura mural de grotesco em algumas coberturas das capelas laterais. Estas destacam-se pelo facto de terem a porta de intercomunicação muito próxima da parede fundeira, junto aos respectivos retábulos. A gramática decorativa do pórtico lateral é de maior antiguidade que a construção da Igreja, pelo que deverá ter vindo de outro lado, evidenciando-se que foi encaixado na estrutura murária.
Número IPA Antigo: PT011805210014
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Congregação dos Cónegos Seculares de São João Baptista - Frades Lóios

Descrição

Convento de planta rectangular, irregular, de volumes articulados com disposição horizontalista das massas, e coberturas de telhados diferenciados de uma, duas, três e quatro águas nas torres. Composto por igreja de planta longitudinal, com transepto inscrito e capelas laterais intercomunicantes, com sacristia adossada ao alçado lateral esquerdo e duas torres sineiras, surgidno, ainda, o claustro e dependências conventuais. IGREJA com fachada principal a SO., com corpo central ladeado por duas torres, de planta quadrangular, divididas em três registos escalonados, o superior dividido por cornija. Cegas no nível térreo, com fenestração rematada por arco conopial no piso intermédio e, no último piso, uma sineira por face. Remate em friso e cornija, com gárgulas e coruchéus sobre os ângulos. Na torre NO. existem quatro sinos. No corpo central, três arcos de volta inteira, o central ligeiramente proeminente, dão acesso a galilé. Encontram-se protegidos por grades de ferro, sendo o portal de acesso ao interior em arco abatido. Sobre eles, três janelões rectangulares, encimados por friso e cornija. Em plano superior, duas fenestrações horizontais marcam a base do frontão de recorte triangular, comportando ao meio o brasão heráldico dos Cónegos Seculares de São João Evangelista, tendo remate em cruz. Alçado NO. com os volumes da nave, capelas laterais e transepto a diferentes alturas, rasgadas por fenestrações rectangulares em capialço, e, na nave, semicirculares. Pórtico lateral de acesso à igreja e coro-alto, de arco a pleno centro, ladeado por pilastras jónicas e encimado por entablamento decorado e cornija com friso de óvulos e dardos. No corpo da sacristia, porta, janelão duplo de arco abatido e janela rectangular, e, na capela-mor, de menor volumetria e em plano ligeiramente inferior, dois janelões rectangulares parcialmente encobertos pela sacristia. Remates em cornija e pináculos. Alçado NE. tem, no corpo da sacristia, pequena janela. Remates em cornija e pináculos e cruz no remate da empena. Alçado SE. praticamente encoberto por claustro que permite, sendo possível ver a parte superior da torre, aqui cega, e as janelas de recorte semicircular da nave. À capela-mor, adossa-se uma construção incaracterística, mas que deixa ver dois janelões rectangulares iguais ao do alçado fronteiro. INTERIOR rebocado e pintado de branco, excepto nas estruturas arquitectónicas, em cantaria aparente. Coro-alto sobre a galilé, com cadeiral de madeira encostado às paredes laterais. Nave de três tramos definidos por pilastras, na base das quais se rasgam nichos com cobertura em semicúpula, e cobertura em falsa abóbada de lunetas de madeira, com tirantes de metal, pintada com sanefas fingidas sobre as fenestrações e enorme reserva central, com as letras AM, e mais duas cartelas com simbólica mariana. Aparecem, ainda, as inscrições: "Ab aeterno ordinata sum / antequam terra fierit" e "Sine labe originali concepta". No lado do Evangelho, um órgão com coreto assente em duas mísulas, sobre a primeira capela lateral, a qual se encontra vazia, tendo, apenas, um quadro representando o Santo Condestável. No lado da Epístola, púlpito com bacia de granito e guarda de madeira com balaústres torneados. As capelas laterais possuem abóbada de berço assente em cornija, abrindo para a nave em arco de volta perfeita com lambrequim de talha. São decoradas com retábulos de talha e azulejo, sendo dedicadas, no lado do Evangelho, a Nossa Senhora do Desterro, Nossa Senhora de Lourdes, e, na Epístola, a Nossa Senhora da Conceição, São João Baptista e Nossa Senhora do Vale. No cruzeiro retábulos colaterais de talha dourada, semelhantes, com nicho central ladeado por pilastras e duas colunas com espira e terço inferior decorado sobre altos plintos. Remate em tabela com sanefa com lambrequim, delimitada por quarteirões e aletas volutadas. O do Evangelho é dedicado a Nossa Senhora da Piedade, sendo o oposto tutelado por Santo António. Nos topos do transepto, dois túmulos com jacentes, o do Evangelho, de Manuel Pinto da Fonseca, bailio de Acre e, no topo oposto, do bispo de Angra, João de Brito e Vasconcelos. Várias inscrições atestam a entidade dos sepultados e da instituição das capelas. No lado da Epístola, painéis de azulejo com a vida de Santo António ( Sermão aos peixes; Milagre da mula; Milagre para salvar o pai ). Aqui, existe uma porta entaipada, que ligava ao claustro. No lado oposto, painéis de azulejo com a representação de São Bento ( Recebimento do hábito; penitência na gruta de Subíaco; Tentação; Fundação do Mosteiro de Monte Cassino ). Junto ao arco triunfal, a sepultura do fundador do convento, Lourenço Mourão Homem, com inscrição e brasão. O arco, a pleno centro, acede à capela-mor com cobertura em abóbada de berço, em caixotões e painéis de azulejo monócromos, a azul e branco, com cenas do Apocalipse e, por baixo das janelas, paisagens, surgindo, junto ao retábulo, azulejos padrão. Retábulo-mor em talha dourada, de planta recta, com três eixos, divididos por colunas com o terço inferior do fuste decorado, os laterais em três andares, que ladeiam a enorme tribuna com trono. Nos laterais, surgem, no registo inferior dois nichos com imaginária e, nos superiores, quatro pinturas, as dos Evangelho representando Santa Helena e "Hieráclio a recuperar a Cruz aos Persas"; no oposto, "Cura de um moribundo com a Vera Cruz" e "Hieráclio leva a Cruz ao Calvário". Na zona inferior, duas portas acedem à tribuna e, superiormente, tabela com nicho, com a imagem de Nossa Senhora da Conceição, ostentando lambrequim. Nas paredes laterais, duas telas, representando São João Evangelista. CLAUSTRO de planta quadrangular, com dois andares, tendo, em cada ala, cinco arcos a pleno centro no piso térreo, encimados por janelas de sacada no superior. Remate em friso e cornija *1. No ângulo SO. fonte com espaldar de granito, tendo a imagem de Santo António. No lado N., uma antiga capela, com duas lápides invocativas. A cozinha possui abóbada de granito, sustentada por uma coluna, apoiada numa mesa circular e o refeitório situava-se na ala S.. O acesso ao segundo piso é feito por escada decorada com azulejos de figura avulsa, acedendo a uma capela, actual sala dos troféus do quartel, e aos antigos dormitórios.

Acessos

Largo de Santa Cruz, junto ao aquartelamento militar

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 47 508, DG, 1.ª série, n.º 20 de 24 janeiro 1967 (igreja)

Enquadramento

Urbano, a meia-encosta, assente em plataforma artificial, adossado lateralmente a instalações militares, separado por terreiro e muro das referidas instalações. No adro, existe um cruzeiro, com águia bicéfala, símbolo dos religiosos que ocuparam o convento.

Descrição Complementar

Capela de Nossa Senhora do Desterro com retábulo de talha pintada de branco e dourada, com tela central, representando a Fuga para o Egipto , ladeada por quarteirões, decorados com acantos e concheados, encimados por urnas. Remate em espaldar recortado, com enrolamentos formando cartela, com as letras "IMI". Lateralmente, composição azulejar com putti e paisagem, surgindo, nas paredes laterais, "Esponsais da Virgem" e "Sonho de São José". Capela de Nossa Senhora de Lourdes era, primitivamente, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, com retábulo de talha, com tribuna em forma de gruta, ladeada por colunas e, na base, duas portas de acesso à mesma, amplamente decorada. Paredes decoradas com pintura murala a azul e branco. Capela do Santíssimo, primitivamente de Nossa Senhora dos Remédios e, sucessivamente, de Nossa Senhora dos Anjos e Nossa Senhora da Conceição tem um retábulo de planta côncava, de três eixos, separados por colunas pseudo-salomónicas, com o terço inferior decorado e assente em duas mísulas e atlantes. Tribuna remate em sanefa, pavilhão e anjos. Altar em forma de urna, tendo, nas faces laterais, duas portas de acesso à tribuna. Nas ilhargas, oito painéis com molduras em talha e cobertura em 10 caixotões pintados. Capela de São João Baptista tem cobertura em grotesco e, ao centro, a representação do Agnus Dei. Nas paredes, azulejo padrão e retábulo de três eixos, de planta recta, com plinto central e duas mísulas, divididos por colunas torsas, decoradas com pâmpanos, que se prolongam em arquivoltas unidas no sentido do raio. Fundos pintados com acantos. Na capela de Nossa Senhora do Vale, uma sepultura com a inscrição "S. DE HIERONI / MO FERNAND / DE ARAUJO BOTI / CARIO QUE FOI / EM ESTA CIDADE / 1733". O retábulo de talha dourada é de planta recta, com três eixos divididos por colunas com espiras e o terço inferior decorado, com tribuna central com a imagem do orago; superiormente, uma tabela ladeada por aletas e remate em frontão interrompido. Nas paredes, quatro pinturas, duas não identificadas e São João Baptista e São João Evangelista, talvez provenientes do claustro. A indicar a sepultura do fundador do convento, a inscrição: "TVMVLO / DO DVTOR LOVRENSO MOV / RÃO HOMEM / IVRA DABAM DVM VITA / COMES, NVNC / HORRIDA MORTIS IVRA / FERO PARVO CONDITVS / HOC TUMVLO". Sobre o túmulo de Manuel Pinto da Fonseca, as inscrições: "ANNO DE 1727 LAMEGO" e "S. D. MICAEL. ALVA / RO. PTO. D. FCA. FID / ALGO DA CAZA DE / S. MAGDE. ALCAI / DE MOR D. RANH / ADOS. FO. D. ALVARO / PTO. DA. FCA. E DE S. / M. D. ANNA PRA. CO / VTO. ANNO. D. 1692". Na arca, a inscrição: "S. DE. MEL. PINTO / DA FONSECA / BAILIO D. ACRE / DO GO. DEL REI. FO. / D. ALVO. PINTO DA. FCA." e, à esquerda, "FIDALGO DA CAZA / DEL REI NETO D. / ALVO. PINTO DA FCA. / DA. CAZA D. BASAMÃO". Nos topos, da arca, a cruz de Malta. Junto ao túmulo do bispo de Angra, a inscrição: "ESTA CAPELA COMPROU D. JOÃO DE BRITO E VASCONCELLOS BISPO Q / FOY EM ANGRA, FILHO DE MEL DA COSTA SOARES FIDALGO DA CAZA DE SUA / MAGESTADE E D. CATARINA THEREZA DE VASCONCELLOS E NETO DE JOÃO DE BRI / TO DE VASCONCELLOS / FALECEO EM 29 DE NOVEMBRO DE 1718 ANNOS E FICOU FLEXIVEL". No sarcófago, as inscrições: "S. DE JOÃO DE BRI / TO D. VASC.OS BP.O Q FOI DE ANGRA / FILHO DE MANO / EL DA COSTA SOARES" e, do outro lado, "FIDALGO DA CAZA / DE S. MGDE. E DE SVA M.ER D. CNA. THE / REZA DE VASC.OS / DESTA CIDADE". No transepto, as sepulturas "DOS PADRES / Q ESTAVAO / SEPVLTADOS / EM RESIAO" E "OSSA PATRV QCVQ / OLIM RECIANVS / HABEBAT / RELIGIOSA DOMVS / NVNC LAPIS ISTE / TEGIT / 1632". Na nave, a sepultura de "S DO DOVT / OR IOAO GO / TERES / 1615". Na torre NO., os sinos com a legenda: "LUIZ. GOMES. DE. OLIVEIRA. ME. FEZ. EM. LXª. ANNO. DE. 1669"; um de bronze, com "IHS. MARIA. IOZE. ANNO. DE. 1779" e "ESTE. SE. FEZ. SENDO. REITOR. DIONISIO. DE. S. YOZE. BORGE"; a nascente, "IESUS. MARIA. IOZE. ANNO. 1807" e "ESTE. FOI. FEITO. SENDO. C. ANTONIO. IOSE. FARIA". O sino mais novo, com a inscrição "IESUS. MARIA. IOSÉ. 1936" e, num medalhão oval, "Fundiçoes de sinos de Araujo Pinto Lourenço. Lamego. Granja Nova". Na Capela do claustro, existem duas inscrições: "ESTA CAPELLA. MANDOV / ORNAR . A SUA CUSTA. O RE / VERENDISSIMO DIOGO DOS / ANIOS. GERAL QUE FOI / DVAS VEZES. DESTA CON / GREGAÇAM. FALECEV / A ii DE. IULHO DE 1701. / PATER NOSTER. AVE. M." e "CASA DE ORAÇÃO DO R.I.9 / 14-08-1948".

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Militar: quartel

Propriedade

Privada: Igreja Católica / Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ENSAMBLADOR: António João Padilha (1684). ENTALHADOR: João Ribeiro (1680), João de Oliveira (1732). FUNDIDORES: Luís Gomes de Oliveira (1669), Fundição Araújo Pinto Lourenço (1936). PINTORES - DOURADORES: Francisco da Rocha (1683), Manuel Monteiro Cardoso e Lourenço de Abreu (1698).

Cronologia

1595, 16 Dezembro - aprovação papal para a transferência dos Lóios do Convento de Recião para o actual; 1596, 14 Setembro - lançamento da primeira pedra pelo bispo António Teles, sendo o convento fundado por Lourenço Mourão Homem, Comissário Geral da Bula; séc. 17 - execução de azulejos padrão, que ainda decoram algumas zonas da igreja; 1607 - data na fachada; 1615 - falecimento de João Guterres, que se fez sepultar no local; 1615, 28 Janeiro - falecimento de Henrique de Castro, que se fez sepultar no transepto da igreja; 1623, 25 de Novembro - no contrato de douramento do retábulo-mor da igreja de Santa Cruz de Lamego, menciona-se Manuel Álvares de Mendonça, aprendiz de mestre pintor, «natural da Villa de Taboaso de Sima do Douro» (Brandão, p. 570, 1984; COSTA, págs. 163-164); 1632 - data constante na sepultura dos monges, tresladados de Recião; 1632, 23 a 25 Maio - sagração do templo, apesar das obras ainda não estarem concluídas; 1669 - feitura de um dos sinos, por Luís Gomes de Oliveira, de Lisboa; 1670, 23 Novembro - João Ribeiro forra a igreja com 70 caixotões e respectivas guarnições; 1676 - reconstrução da capela-mor em cantaria e com tribuna dourada, onde se encontrava, em posição proeminente, a imagem de Nossa Senhora da Conceição e, nos lados, São João Evangelista e São Lourenço Justiniano; 1680 - feitura de sete celas em madeira por João Ribeiro; 1683, 26 Novembro - Francisco da Rocha, pintor do Porto, residente na Travessa de Santo Elói, dourou e pintou o retábulo-mor, estofou as imagens de vulto e pintou o painel do fundo da tribuna, por 390$000; 1684, 17 novembro - douramento e pintura do retábulo do altar-mor; António João Padilha, do Porto, executa os arcazes com os respectivos espaldares para a sacristia e as grades do presbitério, em pau-preto e bronze, à semelhança dos existentes no Mosteiro de Santo Elói no Porto, com 24 gavetas, por 200$000; 1692 - data da sepultura de Miguel Álvaro Pinto; 1698 - douramento e pintura do retábulo de Santo António por Manuel Monteiro Cardoso e Lourenço de Abreu; séc. 18 - transformação do tecto em caixotões da nave por falsa abóbada de lunetas; feitura dos azulejos da capela-mor, transepto e capelas laterais; 1701, 2 Julho - falecimento de Diogo dos Anjos, que se fez sepultar na capela do claustro, por ele instituída; 1711 - a Capela de São joão Baptista pertencia a João Teixeira de Carvalho, com duas missas quotidianas; 1719, 31 Julho - capela de Santo António, pertencente a Tomás de Brito Freire, mestre escola da Sé de Lamego, foi vendida ao Padre Luís da Assunção Costa, por 300$000; 1727 - feitura dos azulejos com o ciclo narrativo de São Bento; 1730 - o retábulo colateral do Evangelho pertencia a Gonçalo Vaz Pinto de Sousa; a actual Capela do Santíssimo pertencia a João de Moura Coutinho; a de Nossa Senhora da Piedade a Lourenço Manuel de Vasconceçlos, capitão-mor de Lamego; 1732 - execução do retábulo da Capela da Senhora do Vale, por João de Oliveira; 1733 - venda da capela de Nossa Senhora do Vale, ao boticário Jerónimo Fernandes de Araújo, por 70$000, o qual mandou executar um retábulo pela quantia de 370$000 e vinculou uma missa quotidiana; Março - escritura entre o entalhador João de Oliveira e o boticário Jerónimo Fernandes de Araújo, para a execução do retábulo de Nossa Senhora do Vale; 1750, 26 Agosto - morre D. Maria de Vilhena, da Quinta de Repolos, fazendo-se sepultar junro ao altar de São Bento; 1758 - o retábulo colateral de Nossa Senhora da Piedade era tutelado por São Bento e guardava-se nela o Santíssimo; 1771 - instituição da Capela de São João Baptista por João Teixeira Carvalho, com a obrigação de duas missas diárias; 1779 - execução do sino poente da torre NO.; séc. 19 - retábulos colaterais foram reaproximados do arco triunfal e redourados; execução da Capela de Nossa Senhora de Lourdes; 1807 - execuçãoi do sino amis pequeno para a torre NO.; 1834 - extinção das ordens religiosas, procedendo-se ao inventário dos bens, constando uma descrição minuciosa da imaginária existente no imóvel *2; 1835 - o convento é solicitado para hospital da Misericórdia; 1839, Agosto - o Convento dos Frades de Santa Cruz dos Lóios, foi transformado em aquartelamento militar; Séc. 19, finais - pinturas do tecto; 1889, 13 Julho - a sacristia foi cedida à Irmandade de Nossa Senhora da Conceição; 1896, 7 Fevereiro - incêndio no Convento de Santa Cruz, obrigando as tropas a ocuparem o Hospital do Rossio; 1898 - início da construção da nova sacristia; séc. 20, início - pintura da cobertura da nave; 1906 - organização de um bazar para angariar fundos para o douramento do retábulo do Santíssimo; 1936 - execução do sino novo pela Fundição de Araújo Pinto Lourenço, de Granja Nova, Lamego; 1948, 14 Agosto - transformada em capela do Regimento da Infantaria 9; 1951 - a feira de Santa Cruz, realizada no adro, a 3 de Maio, foi transferida para outro local.

Dados Técnicos

Estrutura autónoma.

Materiais

Granito, madeiras e azulejos.

Bibliografia

CORREIA, Vergílio, Artistas de Lamego, Coimbra, 1923; AMARAL, João, Roteiro Ilustrado da Cidade de Lamego, Lamego, 1961; AZEVEDO, Correia de, Arte Monumental Portuguesa, vol. IV, Porto, 1975; COSTA, M. Gonçalves da, História do Bispado e Cidade de Lamego, vol. V, Lamego, 1986; Guia de Portugal, vol. V- II, Lisboa, 1988; LARANJO, F. J. Cordeiro, Igreja do Convento de Santa Cruz, Lamego, 1992; ALVES, Alexandre, Artistas e Artífices nas Dioceses de Lamego e Viseu, vols. II e III, Viseu, 2001.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; ACMLamego: Actas (Livro 12); Museu Lamego: Autos do Inventário do Convento de Santa Cruz de Lamego (1834); IAN/TT: Arquivo do Ministério das Finanças (conventos extintos, caixa 2221)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1980 / 1981 - obras de beneficiação geral; 1982 / 1983 - levantamento e reassentamento dos azulejos; recuperação do telhado.

Observações

*1 - no centro da quadra, existia um chafariz, com grande tanque. *2 - a igreja tinha, no altar-mor, as imagens de Nossa Senhora da Conceição, protegida por um dossel encarnado, tendo, à direita, São Lourenço Justiniano e, à esquerda, São João Evangelista, surgindo, ainda, um Crucificado de madeira dourada, seis castiçais, 3 sacras e 12 tocheiros grandes; o retábulo do lado direito, possui as imagens de Santo António, São Rafael e Santa Quitéria, surgindo um Crucificado de marfim, aparecendo, no retábulo oposto, as de Nossa Senhora da Piedade, São Bento e uma santa mártir, aparecendo uma cruz de madeira prateada com o Crucificado; no lado direito da nave, no 1.º altar, as imagens de Nossa Senhora da Graça, São Caetano, São Joaquim e um Crucificado de marfim; no 2.º, São João Baptista, São José e Santo António, aparecendo 3 sacras; no 3.º, Nossa Senhora do Vale, Santa Bárbara, São Domingos e o Crucificado; no lado esquerdo da nave, no 1.º surge o sacrário em forma de tabernáculo, com lâmpada de estanho, surgindo, no 2.º, a pintura da "Fuga para o Egipto" e um Crucificado; na igreja, apareciam duas pias de água benta e, na sacristia, um Crucificado e 23 telas a representar santos; surge um órgão, uma estante grande e um Crucifixo grande; no claustro, as capelas de Nossa Senhora da Conceição, São Marcos, São Jerónimo, Senhor preso à coluna e do Senhor dos Passos, aparecendo, no coro, a Capela de São Jorge Recião; na torre, surgiam 4 sinos. No retábulo-mor, surgem, ainda, São Jorge e Santo António, aparecendo, no colateral direito, dois Meninos Jesus e, no colateral esquerdo, Nossa Senhora do Rosário.

Autor e Data

João Carvalho 1998 / Paula Figueiredo 2002

Actualização

 
 
 
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