Igreja Paroquial de Santa Marinha de Trevões / Igreja de Santa Marinha

IPA.00003716
Portugal, Viseu, São João da Pesqueira, União das freguesias de Trevões e Espinhosa
 
Igreja paroquial de raíz românico-gótica de uma só nave, com capela-mor mais baixa e estreita. Acede-se por portal axial em arco quebrado com capitéis vegetalistas estilizados. A cabeceira é rematada por cachorrada historiada. Torre sineira barroca, com platibanda de balaústres e coruchéu de linhas curvas. Tectos em caixotões e retábulos de talha dourada da primeira fase do estilo nacional, com colunas pseudo-salomónicas que se prolongam em arcos concêntricos unidos no sentido do raio, decorados com acantos, parras, uvas, pássaros e "putti". Capela dos Melos, maneirista de linhas arquitectónicas e vãos simples, sem decoração, com retábulo de tipo arquitectónico maneirista. Tecto de caixotões da época barroca. Vestígio de arco pleno com imposta decorada, pertencente à antiga estrutura. Capela funerária adossada ao lado S. da nave da igreja, contendo vestígios do primitivo túmulo dos fundadores. No exterior, na fachada S., mantêm-se as estruturas do primitivo púlpito.
Número IPA Antigo: PT011815100001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Igreja de planta longitudinal, composta por nave única, capela-mor mais estreita, torre sineira de planta quadrangular, dois corpos rectangulares (endonártex e sacristia) e capela de planimetria quadrangular, adossados à fachada lateral direita, de volumes articulados, com disposição horizontalista, exceptuando a torre sineira, que evolui verticalmente, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave e capela-mor, uma na sacristia e átrio, e três na capela lateral, tendo a torre cobertura em coruchéu. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, excepto no fachada principal e corpo da capela-mor, em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, percorridas por embasamentos e rematadas em cornija, assente em cachorrada de cantaria, no corpo da capela-mor. Fachada principal, virada a O., em empena com cruz latina no vértice, rasgada por portal em arco quebrado de três arquivoltas assentes sobre colunelos com capitéis vegetalistas, sobrepujado por janelão gradeado, em arco abatido e com molduras de cantaria. No lado direito, a torre sineira, de três registos separados por frisos, tendo, no primeiro, pequena janela jacente, rectangular, o segundo cego e, no terceiro, abrem-se sineiras em arco de volta perfeita, nas quatro faces, com remate em balaustrada e pináculos nos ângulos; na face E., surge um relógio na platibanda. Fachada lateral esquerda, virada a N., rasgada por portal em arco quebrado e por duas janelas rectangulares, em capialço, no corpo da nave, surgindo, no da capela-mor, três janelas rectilíneas em capialço, uma delas jacente. Fachada lateral direita, virada a S., marcada por endonartex, rasgado por porta e janela rectangulares, com molduras simples em cantaria, tendo, à esquerda, janela em arco abatido, com sacada assente em mísula, rematando por cruz latina. O corpo da capela lateral, em cantaria de granito aparente, possui janela rectilínea em capialço, sendo o corpo da sacristia cego. No corpo da capela-mor, janela em capialço. Fachada posterior em frontão triangular, cega, tendo, no corpo da sacristia, recuado, janela rectilínea em capialço. INTERIOR: o endonártex possui escadas de acesso à torre, ao púlpito e ao coro-alto, bem como porta em arco de volta perfeita de ligação à nave. A nave tem as paredes rebocadas e pintadas de branco, com pavimento em lajeado de granito e cobertura em falsa abóbada de berço abatido, de madeira, em caixotões, assente em friso, cornija e mísulas equidistantes, com tirantes metálicos, apresentando pintura decorativa de cartelas com volutas e cabeças de anjos. Coro-alto de madeira, assente em duas colunas de madeira, pintadas de marmoreados fingidos, assentes em plintos paralelepipédicos, com guarda de madeira em branco, balaustrada. O portal axial está ladeado por pia de água benta com taça estriada, surgindo uma segunda pia a ladear a porta travessa da Epístola, de perfil poligonal, e uma terceira junto à oposta. Sob o coro, no lado do Evangelho, confessionário de madeira e, elevada por um degrau, a pia baptismal, em cantaria com taça hemisférica, percorrida por caneluras, assente em pequena coluna. No lado do Evangelho, surge a pia baptismal e dois altares inserido em arcos de volta perfeita, contendo estruturas retabulares, dedicados a São Miguel e ao Santo Nome de Jesus. No lado da Epístola, sob o coro, surge arco de volta perfeita, de acesso à Capela do Espírito Santo, com cobertura em abóbada de berço, com vestígios de policromia e contendo estrutura retabular. Junto à mesma, no pavimento, a sepultura de D. Francisco Xavier de Almeida. Sensivelmente a meio da nave, o púlpito quadrangular, assente em bacia de cantaria e modilhão, com guarda de madeira balaustrada e acesso por porta de verga recta e moldura simples, a partir do endonártex. Sucede-se a capela lateral adossada, dos Melos, com acesso por arco de volta perfeita em cantaria, com moldura almofadada, tendo pavimento em lajeado de granito e cobertura poligonal em caixotões de madeira. No lado do Evangelho, estrutura retabular dedicada a Nossa Senhora dos Remédios. Arco triunfal de volta perfeita, totalmente revestido de talha dourada, que prolonga a estrutura dos dois retábulos colaterais, dedicados a Nossa Senhora do Rosário e a São Tiago. Capela-mor elevada por um degrau, com pavimento em lajeado de granito e cobertura em falsa abóbada de berço de madeira, em caixotões decorados por cartelas e brasão episcopal da diocese de Lamego, emoldurados a talha e assentes em friso e cornija com mísulas equidistantes, tendo tirante metálico. Sobre supedâneo de dois degraus, o retábulo-mor, de talha dourada, de planta recta e três eixos definidos por seis colunas torsas, ornadas por pâmpanos, assentes em plintos paralelepipédicos decorados com elementos fitomórficos, as centrais prolongando-se em duas arquivoltas torsas, unidas no sentido do raio e ladeadas por apainelados de acantos, formando o ático; ao centro, fecho composto por acanto muito relevado. No eixo central, tribuna em arco de volta perfeita, com o fundo pintado a imitar tecido, contendo trono expositivo de três degraus, na base da qual surge o sacrário embutido, com a porta decorada com a "Cruz da Vida". Os eixos laterais possuem apainelados de acantos rectilíneos, onde se inscrevem mísulas. Sotobanco formado por suportes de cantaria, ostentando vestígios de policromia, que centram altar em forma de urna. Em frente a este, a mesa de altar, em madeira. Sacristia com pavimento e tecto de madeira, contendo arcaz.

Acessos

Largo do Adro

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 7 586, DG, 1.ª série, n.º 138 de 08 julho 1921 / ZEP, Portaria n.º 222/2010, DR, 2.ª Série, n.º 55 de 19 março 2010 *1

Enquadramento

Urbano, situado em ampla praça, formando ligeiro declive para E. e NE., circundada por casas de habitação de dois pisos, entre as quais os edifícios setecentistas do Solar do Visconde dos Olivais, a Casa dos Sarmentos e a Casa do Adro. Ao portal, acede-se através de três degraus de perfil curvo.

Descrição Complementar

A capela do Espírito Santo tem estrutura retabular, de talha dourada e pintada com marmoreados fingidos verdes e rosas, de planta côncava e um eixo definido por quatro colunas torsas, ornadas por pâmpanos, a exterior prolongando-se em arquivolta torsa, que emoldura a cobertura da estrutura, em semicúpula, centrada por florão. Altar paralelepipédico, com frontal pintado, formando sanefa franjada. O retábulo de São Miguel é de talha dourada, de planta recta e um eixo, formado por quatro colunas torsas, assentes em plintos paralelepipédicos, decorados por acantos, que enquadram painel relevado a representar as Almas do Purgatório, resgatadas por São Miguel; as colunas prolongam-se em duas arquivoltas, fechando em falso baldaquino composto por drapeados a abrir em boca de cena, sustentados por dois anjos de vulto e rematado por coroa fechada, que deixam antever o tímpano semicircular, representando Deus Pai em relevo. O retábulo do Santo Nome de Jesus é de talha dourada, de planta recta e um eixo definido por duas colunas torsas decoradas por pâmpanos, assentes em consolas, e por duas pilastras, assentes em plintos paralelepipédicos, que se prolongam em duas arquivoltas, a interna torsa, unidas no sentido do raio, constituindo o ático. Ao centro, painel de perfil circular, com o fundo pintado a imitar tecido. No lado direito, nicho de alfaias, em cantaria de granito. A Capela dos Melo tem retábulo de talha dourada e policroma, de planta recta e três eixos formados por quatro colunas com o fuste espiralado, tendo o terço inferior ornado por grotesco e capitéis coríntios, assentes em plintos paralelepipédicos, decorados por cartelas. Ao centro, nicho de volta perfeita, com interior concheado e assente em pilastras coríntias, enquadrado por alfiz. Os eixos laterais formam apainelados rectilíneos, com figuras pintadas, a representar São Gregório Magno e Santa Isabel; na predela, ao centro, a data de feitura "1628", ladeada por duas pinturas, representando São João Baptista e Santo António. A estrutura remata em friso de querubins e cornija, encimados por tabela quadrangular, flanqueada por duas colunas com o terço inferior em pontas de diamante e a zona superior torsa, rematadas por pináculos e rodeadas por aletas, que representam São Paulo Eremita e Santa Luzia; a tabela representa uma "Visitação" e remata em friso, volutas e cruz latina. Altar paralelepipédico, em cantaria. Os retábulos colaterais são semelhantes, de talha dourada, de planta recta e corpo convexo, de um eixo formado por quatro colunas torsas, decoradas por pâmpanos, tendo, ao centro, apainelado rectilíneo com mísula, na base dos quais surgem sacrários embutidos. Altares paralelepipédicos, em cantaria. As colunas prolongam-se em arquivoltas torsas, que envolvem o arco triunfal, unidas no sentido do raio por faixas e anjos atlantes, e formando apainelados decorados por acantos e querubins. Atrás do retábulo-mor, pinturas murais, envolvendo um tabernáculo, formando, em "trompe l'oeil", um pavilhão com sacrário e a representação de Santa Marinha.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 (conjectural) / 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR: Baltasar Fernandes (atr., 1515). TORNEIRO: Manuel Pereira (1679).

Cronologia

Séc. 13 - elevação da igreja a Paróquia; séc. 16 - construção de uma torre sineira com zimbório; execução das pinturas murais; 1515, 11 de Junho - o pintor Baltasar Fernandes é o recebedor das sisas de Trevões e Várzeas, podendo ser o autor das pinturas murais; 1600 - feitura da talha dourada, provavelmente por encomenda de Nuno Caiado de Gamboa, que doa uma imagem de marfim, representando Nossa Senhora da Conceição; séc. 17 - foram efectuadas várias modificações e acrescentos à estrutura original da igreja; 1628 - instituição da Capela dos Melos com altar, vínculo de Fernão da Luz Seixas e sua esposa Isabel Danciaes da Fonseca; demolição da torre quinhentista e construção de outra por iniciativa do Bispo de Lamego, D. Manuel da Vasconcelos Pereira; 1679, 4 Abril - contrato com o torneiro Manuel Pereira para a obra da capela-mor, de pedraria, cantaria e forro apainelado, por 130$000; séc. 18 - construção da torre sineira; Frei Feliciano de Nossa Senhora oferece uma custódia quinhentista; 1883 - uma custódia de prata dourada foi transferida para Lisboa, estando no Museu Nacional de Arte Antiga; séc. 20 - obras de recuperação do edifício; 1976 - deslocação de técnicos do Instituto José de Figueiredo para avaliação do estado de conservação da igreja; 2007, 20 março - proposta de fixação de Zona Especial de Proteção conjunta da Igreja, Solar do Paço Episcopal e Solar dos Caiado Ferrão; 16 maio - parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR; 2009, 07 outubro - Despacho de homologação da Zona Especial de Proteção pelo Ministro da Cultura.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes; retábulo da Capela dos Melo com douragem a folha de ouro de lei, aplicado pela técnica aquosa, em que a superfície dourada apresenta zonas brunidas e zonas de ouro em areia.

Materiais

Estrutura em alvenaria de granito; modinaturas, estrutura, cruzes, cachorros, pináculos, balaustrada, pias de água benta e baptismal, púlpito, pavimentos e altares em cantaria de granito; coberturas, portas, guardas do coro e púlpito, bancos em madeira; tirantes em ferro; janelas com vidro simples; coberturas exteriores em telha.

Bibliografia

SMITH, Robert, A Talha em Portugal, Lisboa, 1963; COSTA, M. Gonçalves da, História do Bispado e Cidade de Lamego, Braga, 1977 - 1982; SERRÃO, Vítor, A pintura maneirista, in História da Arte em Portugal, vol. 7, Lisboa, 1986; MONTEIRO, J. Gonçalves, São João da Pesqueira. Coração do Douro, São João da Pesqueira, 1992; Idem, São João da Pesqueira ( Monografia do Concelho ), São João da Pesqueira, 1993; ALVES, Alexandre, Artistas e Artifices nas Dioceses de Lamego e Viseu, vol. II, Viseu, 2001; FREIRE, Rita Vaz, LORENA, Mercês e CAETANO, Joaquim Inácio, Igreja Matriz de Santa Marinha de Trevões, São João da Pesqueira, in Monumentos, n.º 14, Lisboa, Março de 2001, pp. 116-123; GONÇALVES, Catarina Valença, A Pintura Mural em Portugal: os casos da Igreja de Santiago de Belmonte e da Capela do Espírito Santo de Maçainhas, [dissertação de Mestrado na Faculdade de Letras de Lisboa], 2 vols. Lisboa, Março de 2001; FAUVRELLE, Natália e SEQUEIRA, Carla, Trevões - História e Património, São João da Pesqueira, 2001

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMC; CMSJP

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC; Arterestauro, Pintura e Escultura, Lda.

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, DGEMN/DREMC

Intervenção Realizada

DGEMN: 1941 - execução de obras de beneficiação no tecto e altares; 1942 - consolidação do telhado da capela-mor e retábulo principal; apeamento dos caixotões da nave central; 1943 / 1945 - arranjo da cobertura da nave, colocação de tirantes de ferro e substituição dos elementos arruinados nos caixotões da nave; apeamento do coro-alto; apeamento e construção da parede lateral N. e respectivos alicerces; 1946 - caiação do exterior; construção do tecto de caixotões na zona sobre o coro-alto; colocação do telhado; impermeabilização das paredes da nave; 1947 - colocação de cornijas de madeira sobre o coro-alto; 1947 - tratamento da talha dourada dos retábulos, entretanto apeados; 1948 - remoção das pinturas murais da parede lateral N., sem acondicionamento e arrumação das mesmas em casa na localidade; 1953 - tratamento das pinturas murais existentes na nave e remontagem dos retábulos laterais; arranjo do pavimento da igreja e telhados; 1955 - arranjo da cobertura da sacristia; 1966 - reparação das coberturas e substituição das telhas partidas; 1967 - montagem da talha do arco cruzeiro; 1968 - demolição da arrecadação lateral; rebaixamento e arranjo do pavimento do adro; demolição do coro e púlpito; limpeza e refechamento de juntas; conservação dos tectos de caixotões e retábulos de talha dourada; colocação de vidraças nas frestas; electrificação do imóvel; 1978 - obras no endonártex, com apeamento e colocação de telha, arranjo das cantarias dos vãos e das cornijas; reassentamento do pavimento de xisto; 1980 - obras de conservação no imóvel; 1993 / 1994 - nova instalação eléctrica; rebocos interiores da igreja e sacristia; limpeza das cantarias; 2000 - substituição total das telhas da cobertura, com assentamento de subtelha em cartão betuminoso; 2000, 26 de Junho a 7 de Julho - intervenção no retábulo da Capela dos Melo, efectuada pela Arterestauro, Pintura e Escultura, Lda., procedendo-se a uma limpeza geral, fixação pontual das superfícies com adesivo de acetato de polivinílo, tratamento preventivo do suporte com fungicida e consolidação do mesmo com resina acrílica; preenchimento de fendas com madeira de balsa e massa de preenchimento, feita à base de resina acrílica; integração cromática a aguarela e protecção final com resina acrílica; as pinturas e escultura foram limpas de poeiras, sendo tratados os suportes com a mesma técnica empregue na superfície dourada e integração cromática a aguarela, sendo dada uma protecção à base de resina acrílica; conservação das pinturas murais atrás do retábulos, com remoção da cal, limpeza, consolidação do reboco, aplicação de massas de cal e areia nas lacunas e reintegração cromática; 2001 - conservação e restauro da talha do altar-mor e dos altares do Espírito Santo, de São Miguel e Santo Nome de Jesus; intervenção na talha da cobertura da capela-mor e estatuária dos retábulos; 2002 - feitura de nova porta axial.

Observações

*1 - tem fixada a Zona Especial de Protecção conjunta com o Solar do Paço Episcopal (v. PT 011815100089) e o Solar do Caiado Ferrão (v. PT011815100004).

Autor e Data

Lina Marques 1998

Actualização

Lúcia Pessoa 2005
 
 
 
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