Castelo de Penedono / Castelo do Magriço

IPA.00003681
Portugal, Viseu, Penedono, União das freguesias de Penedono e Granja
 
Pequeno castelo medieval, residencial de montanha de planta poligonal irregular com torreões nos ângulos, providos de matacães e flanqueando o acesso único inscrito num grande arco quebrado, com algumas afinidades tipológicas com a entrada do castelo de Castelo Rodrigo, segundo a representação de Duarte de Armas (v. PT020904030002). Castelo de pequenas dimensões com acesso único, janelas com conversadeiras e cisterna sobreelevada. Na base do castelo, existem fiadas paralelas, características das construções árabes, revelando uma primeira construção.
Número IPA Antigo: PT011812060001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Castelejo de planta poligonal formando um heptágono irregular, com 70 m. de perímetro, circundado por barbacã baixa, sem remate e provida de seteiras, de planta irregular, acompanhando as curvas de nível e os acidentes do terreno pedregoso onde se implanta, aberta por porta em arco quebrado a SO. antecedido por escadaria de lanços irregulares. À direita desta porta há um pequeno troço de muralha, isolado. As muralhas do castelejo são coroadas em todo o seu perímetro por merlões paralelepipédicos de remate piramidal, alguns com seteiras, e reforçadas nos ângulos por cinco torreões rectangulares, dispostos a intervalos irregulares superiormente providos de balcões com matacães e gárgulas, rasgados por seteiras e apoiados em cachorradas denteadas, todos coroados por merlões. Entre os dois torreões voltados a SO. firma-se um passadiço com guarda corrida sobre cornija, apoiado num grande arco quebrado sob o qual se abre porta em arco recto, com acesso por lanço de degraus curvos, encimada por tímpano emoldurado por arco de descarga de perfil quebrado e uma janela rectangular. As restantes cortinas são irregularmente abertas por fenestrações rectangulares, quadrangulares e seteiras. INTERIOR DO RECINTO: Vestígios de estruturas murárias da alcáçova; escadas de acesso ao adarve que percorre todo o perímetro muralhado e aos terraços dos torreões; algumas das janelas, de diferentes recortes, possuem conversadeiras o que leva a supôr a existência de um piso intermédio, marcado na caixa murária; sob a torre maior um vão abobadado em berço quebrado onde se abre janela quadrangular e diante do qual está o poço da cisterna, poligonal e coberta com abóbada de cruzaria. No arranque dos paramentos, observam-se vestígios das primitivas construções.

Acessos

Praça 25 de Abril. WGS84 (graus decimais) lat.: 40.990000, long.: -7.393903

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 239 de 14 outubro 1955

Enquadramento

Urbano, isolado e destacado, implantado a 930 m. de altura, em monte pedregoso de afloramentos graníticos ciclópicos, que compõe a Serra de Serigo, em zona de grande interesse paisagístico, com acesso a partir da praça frontal, por escadas em empedrado, com longos patamares de granito. O aglomerado urbano estende-se nas encostas, para S. e O.. Na praça, defronte do acesso à barbacã, o Pelourinho da vila (v. PT011812060001) e a Antiga Casa da Câmara (v. PT011812060101).

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: 1. Inscrição de homenagem ao castelo gravada em campo epigráfico rebaixado lavrado no silhar da imposta do lado esquerdo da porta do castelo; superfície epigrafica muito erodida; granito; Dimensões: totais:34,2x134; campo epigráfico: 30x94,3; Tipo de letra: capital quadrada; Leitura: A HISTÓRIA DESTE CASTELO FOI RECORDADADA COM GRATIDÃO PELOS PORTUGUESES DE 1940. Sobre o portal, a pedra de armas dos Coutinho, com cinco estrelas em campo dourado.

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Câmara Municipal de Penedono, auto de cessão de 21 Outubro 1941

Época Construção

Séc. 14 / 16 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

960, 11 junho - no testamento de D. Flâmula vem referido um castelo de localização idêntica à do actual, recomendando-se a sua venda para os rendimentos serem aplicados no resgate de cativos, apoio aos peregrinos e mosteiros *1; 987 - conquistada por Almançor; 1055 - 1057 - Tomada do castelo aos mouros por D. Fernando Magno; 1059 - surge referido no inventário dos bens do Mosteiro de São Salvador de Guimarães; 1195 - D. Sancho I concede foral a "Pena de Domus", designação medieval de Penedono; 1217, Outubro - confirmação do foral por D. Afonso II; 1291 - a povoação tinha tabelião, que pagava ao rei 3 libras; séc. 14, finais - D. Fernando doou Penedono, por termo, a Trancoso que tinha a intenção de derrubar o castelo, pedindo os homens-bons do Concelho de Penedono ao rei que não permitisse tal acção e desse o Concelho e seu termo por isentos, tal como o foram anteriormente, o que foi outorgado pelo rei; Penedono disputa com Trancoso a primazia de ter sido berço do legendário cavaleiro Magriço; provável reedificação parcial do castelo sobre estruturas pré-existentes por iniciativa de D. Vasco Fernandes Coutinho, a quem D. Fernando o doara; 1415 - Por morte de D. Vasco Coutinho tomou o seu lugar seu filho Gonçalo Vasques Coutinho que muitas vezes mandou pôr os seus escudeiros e os seus homens a defenderem o castelo, pedindo os homens-bons a D. João I que o confirmasse como senhor daquelas terras; 1471 - 1530 - Sob a vigência de D. Francisco Coutinho, conde de Marialva, vedor das obras reais na Comarca da Beira, teve lugar nova campanha de obras, tranformando-o em residência; 1512, 27 Novembro - concessão do foral manuelino; a povoação pagava à Coroa 2$970 anuais, através do alcaide; 1527 - no Cadastro da População do Reino, é referido que a povoação tinha 486 fogos; 1758 - nas Memórias Paroquiais, surge uma descrição do castelo, construído com pedra miúda e argamassa. "Tem sinco quinas com sinco janellas de cantaria, e por dentro das paredes seus corredores com escadinhas que sobem para o alto em cercuito das muralhas de que se achava cercada a mesma torre e com humas grimpas que dellas se podia muito bem atirar e defender dos inimigos. Alguns moradores antigos desta vila ainda a conhecerão como sobrados o que hoje não tem mas sim huma cisterna sem agoas por se terem demolido os aquedutos que conduziam agua para a mesma. Achava-se cercada com seus fortes a maneira de Praça de Armas dos quais somente existem por fraguedos ainda pedaços de grandes e largos muros com baluartes e athalayas de boa guarda, os quais muros e fortes tinham a sua porta que ainda existe pequena da qual se sobe para outra que tem a mesma torre tambem pequena e no frontespicio as Armas do Conde que foi de Marialva. Tem muitas retretes antigas com suas frestas pequenas, e hoje se acha na altura della o Rellogio desta vila. 1812 - Foi visitado por Alexanfre Herculano no decorrer das investigações históricas a que o escritor procedeu nos cartórios de província; 1940 - O castelo foi alvo de uma homenagem inserida nas comemorações do III centenário da Restauração; 2005, Outubro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Dados Técnicos

Estruturas autoportantes

Materiais

Granito de aparelho irregular; tijolo (nos merlões); ferro

Bibliografia

Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1953, Lisboa, 1954; DGEMN, O Castelo de Penedono, Boletim nº 73,; Guia de Portugal, III Vol.-Beira - II - Beira Baixa e Beira Alta, Lisboa, 1985; ALVES, Alexandre, Penedono - Apontamentos de História e de Arte - Os Coutinhos, Penedono, 1994; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Vol. 20, Lisboa - Rio de Janeiro, s.d.; COIXÃO, António do Nascimento Sá e TRABULO, António Alberto Rodrigues, Evolução político-administrativa na área do actual concelho de Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de Foz Côa, 1995; GOMES, Rita Costa, Castelos da Raia. Beira, vol. I, Lisboa, 1997; SOUSA, Júlio Rocha e, Antiga Vila de Penedono, Viseu, 2001; SOUSA, Júlio Rocha e, Castelo de Penedono, Viseu, 2001; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70451 [consultado em 28 dezembro 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DSARH

Intervenção Realizada

DGEMN: 1940 / 1941 - Escavação de terras e entulhos; construção de paredes de alvenaria em elevação, com argamassa de cal hidráulica e areia; degraus, patamares e pavimentos de lagedo de cantaria apicoada; construção de parapeito e merlões nos adarves da Torre com alvenaria argamassada de cal e areia; 1942 - Execução de muralhas em alvenaria argamassada; 1949 - Lageamento do pavimento do piso térreo da Torre, construção da cobertura e do pavimento do andar da mesma, colocação de caixilharias e portas, arranjo do acesso; 1953 - Refechamento de juntas, consolidação do parapeito, alvenarias nas muralhas, arranjo dos degraus da entrada, construção da verga da porta do castelejo; tectos falsos em castanho para tapamento das placas de betão de 2 pisos, construção de escada de granito de acesso aos adarves e grades de ferro de protecção dos mesmos, construção de 2 portas em madeira de castanho com ferragens; 1959 - Pequenas obras de limpeza e arranjo e reparação de porta; 1966 - Iluminação e valorização; 1969 - Construção de um tecto em castanho, na passagem da torre, limpeza e arranque de ervas dos paramentos das muralhas, merlões, escadas, pavimentos e acessos, nivelamento de pisos, substituição de fechaduras; 1972 - Estudo de valorização da envolvência; 1983 - Trabalhos diversos de consolidação e beneficiação: reparações e consolidações no respaldo da barbacã e paredes do castelejo, tapamento de fendas com alvenaria de granito a pico grosso, argamassada, e tomada refundada de juntas, assentamento de merlões em forma piramidal, tapamento de roços de apoio de barrotes, beneficiação da escada de ferro, complemento da guarda da mesma e corrimão, raspagem da tinta e nova pintura da porta.

Observações

*1 - estes bens haviam sido herdadps da mãe, Leodegúndia Dias, que os herdara do Conde Diogo Fernandes e D. Oreca.

Autor e Data

João Carvalho 1997 / Lina Oliveira e Filipa Avellar 2005

Actualização

Teresa Ferreira 2005
 
 
 
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