Solar dos Silveiras / Casa da família do General Silveira

IPA.00003662
Portugal, Vila Real, Peso da Régua, União das freguesias de Poiares e Canelas
 
Arquitectura residencial, tardo-barroca. Solar de planta rectangular, com fachadas de um ou dois pisos adaptados ao socalco do terreno, de pilastras toscanas nos cunhais e terminadas em duplo friso e cornija, sendo rasgadas regularmente por vãos rectilíneos. Fachada principal de um piso rasgado por portal encimado por bandeira vazada, interiormente com os lados curvos, cornija e frontão de volutas interrompido, e seis janelas de peitoril de igual esquema. Fachada lateral esquerda e posterior com os pisos separados por friso, rasgando-se no térreo janelas de peitoril com pano de peito em cantaria, encimadas por friso e, no andar nobre, por janelas de sacada, com bandeira vazada de lados curvos, sobrepujados por frontões triangulares. Interior com vestíbulo descentrado, tendo as salas viradas à fachada principal e os quartos à posterior. Solar construído em finais do séc. 18, ou já no início do 19, mas seguindo o esquema setecentista. Alguns elementos, como as argolas ritmando o friso do remate das fachadas, ou o perfil da moldura das janelas de sacada da fachada posterior, com os frontões bastante afastados, aponta para a sua construção ou reforma durante a centúria de oitocentos. Os vãos entre os frontões da fachada posterior devem ter sido abertos posteriormente, assim como tardia será a adaptação do piso térreo a quartos. Possui capela ladeando o vestíbulo. O corpo adossado com a cozinha é incaracterístico.
Número IPA Antigo: PT011708120005
 
Registo visualizado 219 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta retangular

Descrição

Planta rectangular simples com cobertura homogénea em telhados de quatro águas, coroados por dois pináculos cerâmicos. Fachadas de um ou dois pisos, adaptados ao declive do terreno, rebocadas e pintadas de branco, com vestígios de pintura rosa subjacente, com embasamento de cantaria, pilastras toscanas nos cunhais e terminadas em duplo friso, o mais largo ritmado por argolas de ferro, e cornija, sobreposta por beirada simples. Fachada principal virada a NO. de apenas um piso, rasgada no embasamento por vãos rectangulares jacentes de arejamento e por sete vãos, sendo um o portal principal, de verga recta, encimado por bandeira vazada lateralmente curva, sobreposta por cornija e frontão de volutas interrompido, e os restantes seis janelas de peitoril, molduradas e igualmente encimadas por bandeira vazada sobreposta por cornija e frontão de volutas interrompido; todas as bandeiras vazadas possuem gradeamento em ferro e as janelas têm caixilharia de duas folhas, decoradas com elementos vegetalistas, e bandeira envidraçada. Fachada lateral esquerda e posterior de dois pisos separados por friso, abrindo-se no primeiro janelas de peitoril, com molduras envolvidas por pano de peito liso, e, superiormente, friso com fresta de arejamento, interligando-se aos vãos do andar superior; aí abrem-se janelas de sacada, de verga recta encimadas por bandeira vazada, lateralmente curva e sobreposta, num plano afastado, por frontões triangulares; as sacadas assentam em duas mísulas, possuindo a meio friso com dois losangos relevados, e apresentam guardas em ferro. Na fachada posterior, entre os frontões e sob o remate da fachada, abrem-se ainda quatro vãos quadrados, moldurados e gradeados. Os vãos da fachada lateral esquerda estão tapados e parcialmente ocultos pelas construções adossadas, que correspondem à cozinha e a outras zonas de serviço. Na fachada lateral direita abre-se porta de verga recta e moldura simples e, no segundo piso, janela de varandim a interromper o friso e cornija do remate. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas. O andar nobre, possui vestíbulo disposto no extremo da casa, seguido, para a esquerda, de salas, viradas à fachada principal e ao terreiro, e, no lado direito do mesmo, existe espaço destinado a Capela. Os quartos desenvolvem-se para a fachada posterior. Nos pisos inferiores outros compartimentos constituíam alas de quartos.

Acessos

Canelas; Rua da Cadeia

Protecção

Categoria: IM - Interesse Municipal, Decreto nº 67/97, DR, 1.ª série-B, n.º 301 de 31 dezembro 1997

Enquadramento

Rural, adossado, no interior da povoação. Implanta-se no interior de quinta de produção de vinho do Porto, no topo da encosta, aproveitando o declive acentuado de um dos socalcos do terreno. A quinta é vedada por alto muro, em alvenaria de xisto aparente, no alinhamento dos edifícios definidores da R. da Cadeia, possuindo em frente do solar terreiro precedido por portal brasonado. Junto a este, ergue-se no terreiro construção dissonante, em tijolo de cimento. Junto à fachada posterior desenvolve-se a quinta, em socalcos, de planta arredondada, interligados por escada, e à volta da qual se distribuem habitações da povoação..

Descrição Complementar

Portal da quinta em alvenaria de xisto rebocada e pintada de branco com rosa subjacente, delimitado por duas pilastras toscanas que sustentam friso e cornija, entablamento bastante alto e frontão triangular, tendo no tímpano brasão de família, envolvido por largo paquife. Ao centro abre-se vão em arco abatido, sobre impostas salientes, de moldura côncava, com fecho saliente e com portão de ferro de duas folhas e bandeira com a data de 1851 em cartela oval. Brasão de família com escudo esquartelado, tendo no I quartel as armas dos Silveiras, de prata, com três faixas de vermelho; no II as dos Teixeiras, de azul, com cruz de ouro potenteia e vazia; no III as dos Pereiras, de vermelho, com uma cruz de prata florenciada e vazia; e no IV as dos Pintos, de prata, com cinco crescentes de vermelho, postos em sautor.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 18 / 19 - época provável de construção do solar; 1763, 1 Setembro - data do nascimento de Francisco da Silveira, na vila de Canelas, filho de Manuel da Silveira Pinto da Fonseca e de D. Antónia Silveira; 1781, 16 Abril - data de casamento de Francisco da Silveira com D. Maria Emília Teixeira de Magalhães e Lacerda, filha de António Teixeira de Magalhães e Lacerda, senhor da casa da Calçada em Vila Real, e de sua mulher, D. Ana Teresa Pereira Pinto de Azevedo Souto Maior, terceira senhora do morgado de Celeirós; 1785, 22 Fevereiro - sucedeu no morgado de Espírito Santo e na casa de seu pai; 1811, 13 de Maio - foi agraciado com o título de conde de Amarante pelo Príncipe regente no Brasil, devido aos seus serviços durante a invasão francesa; 28 Junho - data da carta com o título de conde; 1821, 27 Maio - data do falecimento do general da Silveira, em Vila Real; 1851 - data no portão de ferro do portal principal da quinta; 1970, finais da década - adquirido pelo actual proprietário; 1980, 29 Março - Despacho do Secretário de Estado da Cultura determinando a classificação do Solar dos Silveiras como Valor Concelhio.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de granito rebocada e pintada; molduras dos vãos, pilastras, frisos e cornijas em cantaria de granito; paredes interiores com acabamento a reboco estanhado; pavimentos em soalho de madeira; tectos em estuque; escadaria em madeira; porta, caixilharia e portadas em madeira; vidros simples; grades, argolas, guardas das varandas e portão de entrada em ferro pintado; cobertura de telha.

Bibliografia

AZEVEDO, Correia de, Brasões e Casas Brasonadas do Douro, Lamego, 1974; COSTA, Lourenço Camilo Ferreira da, FREITAS, Manuel Alcino Martins de, Tenente General Silveira, 1º Conde de Amarante, Vila Real, 1981; Guia de Portugal, V, II, 5º vol., Coimbra, 1988; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71517 [consultado em 11 janeiro 2017].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: 1980, década - revisão da cobertura.

Observações

*1 - Francisco da Silveira foi moço-fidalgo com exercício na Casa Real e fidalgo-cavaleiro; 9.º senhor donatário das Honras de Nogueira e S. Cipriano; senhor do morgado do Espírito Santo na vila de Canelas; comendador de Santa Marinha de Rio Frio da Carregosa, no bispado do Miranda, na ordem de Cristo; grã-cruz da ordem de Cristo, da antiga ordem da Torre e Espada, e da ordem militar de S. Fernando e Mérito da Espanha; tenente general do exército e governador das armas da província de Trás-os-Montes, durante o período da invasão francesa. O conde de Amarante era condecorado com a medalha de sete campanhas da guerra peninsular, com as medalhas inglesas e espanholas por acções e batalhas durante a mesma guerra, e com a cruz de ouro de comando. Teve três filhos: Manuel da Silveira Pinto da Fonseca, que foi 2.º conde de Amarante e 1.º marquês de Chaves, tendo tomado parte activa na Guerra Peninsular e nas lutas civis de 1823, 1826 e 1827; Miguel da Silveira, 2.º tenente da armada real que morreu assassinado no antigo Colégio dos Nobres; e D. Mariana da Silveira, que foi a 1.ª viscondessa de Várzea, por ter casado com o 1.º visconde daquele título, Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca.

Autor e Data

Isabel Sereno 1994 / Paula Noé 2009

Actualização

 
 
 
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