Palacete na Rua Monsenhor Vieira de Castro / Palacete da Companhia de Fiação de Fafe / Museu da Imprensa de Fafe

IPA.00000363
Portugal, Braga, Fafe, Fafe
 
Palacete integrado no contexto da chamada "Casa de Brasileiro", de planta longitudinal, irregular, com volumetria dominada por torreão rematado por coruchéu telhado. Fachadas terminadas em largo beiral sustentado por grandes mísulas de madeira, de inspiração no modelo de chalé, rasgadas por vãos onde predomina o arco pleno. Interior com acesso por vestíbulo que comunica com escadaria de madeira, que ocupa o corpo do torreão. Dependências interiores comunicando entre si, com acesso por corredores. Pavimentos em soalho e tectos em estuque. No conjunto das casas "brasileiras" de Fafe este edifício, mais do que um palacete urbano, aproxima-se da casa tipo "chalet" com torreão em que se adivinha o gosto pela arquitectura afrancesada do início do século 20. O exterior do edifício, algo exuberante, difere de um interior relativamente modesto, embora com elementos de modernidade para a época como seja a presença de casas de banho nos diferentes pisos.
Número IPA Antigo: PT010307090004
 
Registo visualizado 315 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Planta longitudinal, irregular, composta por quatro corpos, justapostos, rectangulares, integrando um deles um torreão quadrangular, voltado à fachada principal. Volumetria escalonada de dominante vertical com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas, com três chaminés, tendo o torreão coruchéu telhado rematado por espigão em ferro. Fachadas rebocadas e pintadas de rosa, de dois registos separados por friso de cor branca. Embasamento pintado de branco com janelas jacentes, gradeadas, de iluminação da cave. Remate em beiral bastante saliente sustentado por grandes mísulas recortadas pintadas de vermelho escuro. Fachada principal voltada a N. marcada, centralmente, pelo torreão que é rasgado por dois estreitos janelões sobrepostos em arco recortado. No pano esquerdo abrem-se dois janelões de sacada, em arco pleno, em cada um dos registos, com guardas de ferro forjado, o inferior com varandim e o superior com guarda bojuda. No pano direito, junto ao ângulo que forma com o torreão, rasga-se porta principal em arco pleno com acesso por escada de um só lanço com guardas de ferro forjado. Fachada lateral E. dividida em dois panos desencontrados rasgados por janelas de arco pleno com resguardo de ferro forjado, ao nível do peitoril, tendo o direito janela geminada de sacada ao nível da empena, e o pano esquerdo escada com guarda escalonada, de acesso a terraço, cuja comunicação com o interior da casa é feita por duas portas em arco pleno. Fachada lateral O. com três panos, o direito, mais baixo, cego, o central marcado axialmente por duas frestas, sobrepostas, de iluminação dos corredores, ladeadas pela conduta da chaminé do fogão de sala e por dois janelões, em arco pleno, com guarda de ferro forjado ao nível do peitoril. O pano do extremo esquerdo, recuado, é rasgado no piso inferior por um grande janelão em arco abatido, de iluminação do hall e no superior por duas estreitas janelas, emolduradas, em arco recortado. A fachada posterior onde é notória a justaposição e o escalonamento dos corpos, devido ao declive do terreno, apresenta no corpo mais pequeno e baixo, correspondente à cozinha, porta de verga recta de acesso à cave, no primeiro registo e no segundo janelas e porta com escada de acesso de guarda escalonada, junto ao ângulo. No pano do outro corpo, mais alto, rasgam-se janelas em arco pleno com guarda ao nível do peitoril. INTERIOR com amplo vestíbulo, pavimentado a mosaico de desenho geométrico, com tecto estucado, abrindo para escadaria de madeira, de lanços, com guarda em balaustrada, que ocupa corpo do torreão, dando acesso aos pisos superiores. Do vestíbulo abrem duas portas, uma para E, para duas salas de exposição permanente, com comunicação entre si, e outra para um corredor, a S., de ligação ao espaço de habitação que inclui sala, quarto, cozinha e casa de banho. Nos pisos superiores a escadaria abre para corredor que dá entrada para pequenos compartimentos de utilização didáctica e casa de banho. As salas e os quartos, rebocados e pintados de branco, possuem lambris de madeira pintada de bege, pavimentos em soalho e tectos estucados.

Acessos

Rua José Cardoso Vieira de Castro, nº 443

Protecção

Categoria: IM - Interesse Municipal, Decreto n.º 1/86, DR, 1.ª série, n.º 2 de 03 janeiro 1986

Enquadramento

Urbano, isolado, na parte E. da cidade, em terreno com ligeiro declive, cerrado por muro e gradeamento de ferro forjado, pintado de vermelho escuro, com entrada frontal estruturada por pilares de secção quadrangular. Acessos através de dois portões de ferro no lado voltado a N. Possui jardim arborizado, com canteiros de buxo, bancos de pedra e tanques de água. Na proximidade, na mesma rua, a O. encontra-se um edifício com características semelhantes, designado por Casa de Manuel Rodrigues Alves (v. PT010307090064).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: Municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Fischer (1913).

Cronologia

1843 - Nasce José Ribeiro Vieira de Castro, filho de João José Ribeiro, natural da freguesia de Rossas, concelho de Vieira do Minho e de Francisca Lopes Vieira de Castro, natural de Antime, concelho de Fafe; 1870 - depois de vários anos emigrado no Brasil, José Ribeiro Vieira de Castro retorna a Portugal e funda a Companhia Industrial de Fafe, dedicada à moagem e instalada numa queda de água no rio Ferro na freguesia de Fafe; 1886, Dezembro - José Ribeiro Vieira de Castro propõe a mudança de ramo da fábrica, para a área têxtil; 1887, Janeiro - passa a designar-se Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe, ficando a dirigi-la António Joaquim de Morais, José Ribeiro Vieira de Castro e João Evangelista da Silva Matos; 1897 - António Joaquim de Morais é substituído por Manuel de Lemos; 1905, Julho - falecimento de José Ribeiro Vieira de Castro sendo substituído na gerência pelo guarda-livros da fábrica Manuel Cardoso Martins; 1909 - a fábrica empregava 405 operários; 1913 - construção do palacete, propriedade da Fábrica de Fiação e Tecidos de Fafe, para servir de habitação aos gerentes e administradores da fábrica, segundo risco de um técnico alemão, de nome Fischer, que trabalhava na referida fábrica; 1916 - entrou para a direcção da fábrica, José Ribeiro Vieira de Castro, sobrinho do fundador; 1926 - a fábrica abre uma escola infantil; 1927 - a fábrica é equipada com 3 turbinas eléctricas; 1947 - a escola da fábrica tem 6 professores primários e 400 crianças; 1980, inícios da década - o palacete é adquirido pela Câmara Municipal de Fafe para instalar a Biblioteca Municipa e uma pequena exposição de objectos arqueológicos exumados nas escavações realizadas no Castro de Santo Ovídio; 1883, 14 setembro - despacho de homologação como VC do Ministro da Cultura; 1985 - a Biblioteca Municipal instalada no palacete da Fábrica de Fiação e Tecidos de Fafe é desactivada; 1986, 3 janeiro - é classificado como IM - Interesse Municipal, Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2; 1996 - é instalado no palacete o Museu da Imprensa de Fafe; 2011, 30 Março - proposta de arquivamento da DRCNorte, por não ter valor nacional; 6 junho - despacho do Director do IGESPAR, a considerar o procedimento caducado, nos termos do art.º 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009, uma vez que não tinha competência para o prorrogar.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria; guardas dos terraços em cimento; tectos de estuque; caixilharias, janelas, portas, pavimentos das salas e quartos e escadas interiores de madeira; pavimento do hall, cozinha e casas de banhos de tijoleira cerâmica; azulejos na cozinha e casas de banho; gradeamento de janelas e escadas, de ferro; cobertura exterior de telha marselha.

Bibliografia

MONTEIRO, Miguel, Fafe dos "Brasileiros" (1860-1930), Perspectiva Histórica e Patrimonial, Fafe, 1991, pp. 156-160; Vv.Aa., Dicionário Enciclopédico das Freguesias, vol 1, Matosinhos, 1997, p. 79; MONTEIRO, Miguel, Migrantes, Emigrantes e Brasileiros (1834-1926), Fafe, 2000, pp. 282-283.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID / C.M.F.

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN / DSID

Intervenção Realizada

C.M.F.: 1996 - Obras de beneficiação geral para a instalação do Museu.

Observações

Autor e Data

Isabel Sereno / João Santos 1994 / António Dinis 2005

Actualização

 
 
 
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