Estação Ferroviária de Barcelos

IPA.00036019
Portugal, Braga, Barcelos, Arcozelo
 
Estação ferroviária intermédia da Linha do Minho, com o edifício de passageiros construído na década de 50 do séc. 20, sobre um anterior, oitocentista, conservando ainda o cais coberto e algumas construções de apoio técnico. O projeto do edifício de passageiros, de que se desconhece o arquiteto, concilia linhas modernas com a tradição construtiva da tipologia arquitetónica, adotando uma planta retangular de volume paralelepipédico e compacto, com fachadas evoluindo em dois pisos, rematadas por cornija pesada e rasgadas sequencialmente por vãos retilíneos, as janelas do segundo piso de pequenas dimensão. A fachada principal integra uma torre de caráter historicista, destacada sobre a cobertura, e revestida a cantaria, com cobertura piramidal e pináculos sobre os cunhais, talvez herdeira do Pavilhão dos Caminhos-de-Ferro da Exposição do Mundo Português. Em oposição e formando jogo rítmico com a torre, um outro pano da frontaria, é revestido a cantaria. O vestíbulo de passageiros, desenvolvido ao centro, possui pano mais recuado, moldurado e secionado por pilares, sendo acedido por amplos portais, contendo portas metálicas envidraçadas, encimados por pala. No interior, o vestíbulo é destacado pela altura do pé direito, utilização de mármores no pavimento e alto silhar nas paredes, bem como pela cobertura, em vigas aparentes, cujas molduras formam amplos caixotões. A fachada posterior, virada à linha, tem os vãos rasgados em grupos de três, os portais do vestíbulo unificados pelas vergas, encimados por moderna pala de betão, em consola, lembrando a da Estação de Vila Real de Santo António (v. IPA.00017076). O cais coberto, mais antigo que o edifício de passageiros, tem planta retangular e as fachadas em alvenaria rebocada, nos topos, ou em ripado de madeira, lateralmente, terminadas em aba corrida, nas últimas bastante avançadas, sobre estrutura de madeira.
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Transportes  Apeadeiro / Estação  Estação ferroviária  

Descrição

Conjunto composto por edifício de passageiros (EP), cais coberto (CC) e outros vestígios complementares, como elementos da via-férrea e outros corpos. O EDIFÍCIO DE PASSAGEIROS tem planta retangular, composta por dois corpos, o maior integrando descentrado torre quadrangular, com coberturas escalonadas em telhados de três e quatro águas, rematadas em beirada simples. Fachadas de um ou dois pisos, rebocadas e pintadas de branco, com soco de cantaria, o corpo menor em cantaria aparente, terminadas em friso e cornija, e rasgadas por vãos retilíneos. A fachada principal surge virada a poente, sendo o corpo menor rasgado por óculo circular; o corpo principal possui cinco panos, os dos extremos semelhantes, rasgados, no piso térreo, por porta e no segundo, por janela de peitoril. Os panos intermédios são revestidos a cantaria, o da esquerda correspondendo à torre sobrelevada, rematada em cornija, com pináculos piramidais sobre acrotérios nos cunhais, coberta por telhado piramidal, coroado por cata-vento; em ambos os panos rasga-se também porta e janela de peitoril, surgindo ainda na torre relógio circular relevado e, nas faces laterais óculo circular. O pano central surge recuado, delimitado por moldura e tripartido por pilares de cantaria, abrindo-se no piso térreo amplos portais, com porta metálica envidraçada, encimadas por pala, e janelas de peitoril, existindo sob a central brasão da cidade. Nas fachadas laterais abrem-se três janelas de peitoril, ao nível do segundo piso, encimadas por toponímias em relevo, pintadas de preto, tendo na lateral direita três outras no primeiro piso; o corpo mais baixo da fachada esquerda é rasgada por dois óculos circulares. Na fachada posterior, virada à linha, abrem-se grupos de três vãos, correspondendo a portais no piso térreo, os centrais unidos pela verga, e no segundo a janelas de peitoril, existindo, a meio, ampla pala, de betão, em consola. No INTERIOR, o piso térreo está dividido entre áreas de serviço e sala de espera, a qual possui pavimento de mármore e as paredes com alto silhar do mesmo material e cobertura com vigas de betão formando grandes caixotões, contendo elementos circulares com os globos de iluminação. O CAIS COBERTO, construído sobre soco de alvenaria, tem planta retangular e volume único, com cobertura em telhado de duas águas. Apresenta as fachadas em alvenaria rebocada e pintada de branco ou em ripado de madeira, terminadas em aba corrida de madeira; as fachadas dos topos terminam em empena, sendo a virada a sul rasgada por amplo portal, um outro mais estreito e uma janela, e a oposta cega. As fachadas laterais, com porta larga, são protegidas por longa aba corrida, assente em traves de madeira.

Acessos

Arcozelo, Largo Marchal Gomes da Costa; EN 306; Estrada da Estação; Rua de Santa Maria; Avenida Alcaides de Faria; Rua Olivença; Rua Elias Garcia; Linha do Minho - Ponto quilométrico 50,289 (PK). WGS84 (graus decimais) lat.: 41,536648; long.: -8,609180

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado. Implanta-se a nascente da cidade, tendo permitido a instalação de várias unidades industriais nas suas imediações, ligadas à serração de madeiras, moagem, cerâmica e, mais tarde, de malhas. Junto à fachada sul do edifício de passageiros desenvolve-se pequeno jardim. Na rotunda em frente da estação existe grupo escultórico em bronze, representando o alcaide Nuno Gonçalves e seu filho Gonçalo Nunes, que salvaram o Castelo de Faria da invasão castelhana, em 1373.

Descrição Complementar

Na fachada principal surge brasão com as armas da cidade: escudo de azul, ponte de ouro ameiada na guarda e formada por cinco arcos saíntes de um contra-chefe ondado de prata e azul de cinco tiras, acompanhada à dextra por uma torre quadrada e torreada, de prata, aberta e frestada de vermelho e, à sinistra, por uma árvore de verde, saínte de uma arca de prata e uma ermida com sua torre sineira do mesmo, aberta de vermelho; a ponte é encimada por três torres quadradas e cobertas, de ouro, iluminadas de vermelho e saíntes de um terrado de ouro; em chefe, surgem as armas da Casa de Bragança entre dois escudetes de prata, carregados cada um de cinco escudetes de azul, em cruz, cada um com cinco torres. Na fachada lateral direita do edifício de passageiros, existem duas lápides, em mármore, com as inscrições: "CP / CONCURSO / DAS / ESTAÇÕES BEM CUIDADAS / 1970 / 1º PRÉMIO / DA / REGIÃO NORTE" e "CP / CONCURSO / DAS / ESTAÇÕES BEM CUIDADAS / 19170 / PRIMEIRO PREMIO ESPECIAL / DA / REDE GERAL".

Utilização Inicial

Transportes: estação ferroviária

Utilização Actual

Transportes: estação ferroviária

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Infraestruturas de Portugal (conforme do artigo 6º, nº 2 e 5, e artigo 11º, n.º 1, ambos do DL 91/2015, e com a regras definidas pelo regime jurídico do Domínio Público Ferroviário que constam do DL 276/2003)

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1875 - chega a Portugal o engenheiro francês Gustavo Eiffel, responsável pelo projeto da Ponte Ferroviária do Cávado (v. IPA.00036014); posteriormente, o Dr. José Joaquim Pereira Lopes, médico e capitalista de Barcelos, vizinho de Eiffel, que residia em Barcelinhos, na antiga Casa Paroquial, junto à igreja, consegue que o engenheiro mandasse construir uma estação ferroviária em Barcelos; 1877, 01 janeiro - inauguração do troço da linha férrea entre a freguesia de Nine, concelho de Vila Nova de Famalicão, e a freguesia de Midões; 20 outubro - Câmara Municipal de Barcelos, presidida pelo Dr. Eduardo da Silva Salazar, delibera assistir, no dia seguinte, à inauguração do troço da Linha Férrea de São Bento da Várzea (Midões) até à vila de Barcelos, bem como da estação, visto esse ser "um melhoramento que há-de concorrer para o engrandecimento da Vila"; 1878, 24 fevereiro - entra ao serviço o troço seguinte da Linha do Minho, até à estação de Darque, no distrito de Viana do Castelo; 1897, 10 agosto - projeto-lei autoriza o governo a abrir concurso público para várias ligações ferroviárias, nomeadamente um ramal a Linha do Minho, de Barcelos a Esposende; 1910, 30 abril - conforme publicado no jornal O Comércio de Barcelos, o Dr. José Vieira Ramos, advogado e chefe do Partido Progressista de Barcelos, solicita, em Lisboa, ao Ministro das Obras Públicas, a elevação da estação de Barcelos a primeira classe, tendo em vista o "progressivo desenvolvimento" da vila, a que o Ministro acede, comprometendo-se a que na próxima reunião do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro, fosse feita a classificação em harmonia com o despacho ministerial; 1918 - a estação de Barcelos "pouco menos rendeu que a de Viana do Castelo e, na parte que diz respeito a pequena velocidade, excedeu muito aquela estação e foi ainda superior em alguns centos de escudos da de Braga" (CMBarcelos, 2015, p. 63); 1923, abril - o Dr. Miguel Fonseca, médico e Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Barcelos, envia carta ao presidente do Conselho Administrativo dos Caminhos de Ferro do Estado, a solicitar o estabelecimento de um comboio tram-way de Viana até Nine, em ligação com alguns dos comboios de Braga ao Porto e com paragens, dentro dos limites do concelho de Barcelos, dado a estação de Barcelos ser a de maior movimento e rendimento da Linha do Minho (à exceção da de Porto e Braga); quando não fosse possível estabelecer este comboio, constituiria um grande melhoramento prolongar-se até à estação de Barcelos os comboios diretos do Porto e Braga, que então já eram muito aproveitados; 1930 - publicação de vários artigos de jornal, nomeadamente no "O Barcelense", reivindicando a construção de uma nova estação; 1932 - artigo publicado em "O Barcelense" refere que um primeiro anteprojeto do edifício de passageiros para a estação, da autoria do arquiteto Fernando Perfeito de Magalhães e Menezes, não fora aprovado; 1943 - data de um primeiro projeto do edifício de passageiros da autoria do arquiteto José Ângelo Cottinelli Telmo, mantendo a expressão da construção existente; 1945 - publicação em Diário do Governo da aprovação do primeiro projeto de remodelação do edifício de passageiros do arquiteto Cottinelli Telmo; 1946 - a Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização sugere a execução de uma remodelação mais profunda, com consequências também no desenho dos alçados; 1946, finais - nota oficiosa da Câmara Municipal de Barcelos, presidida pelo Dr. Mário Norton, informa que um segundo anteprojeto do edifício de passageiros, do arquiteto Cottinelli Telmo, fora aprovado; posteriormente, são elaborados dois anteprojetos alternativos e submetidos à Direcção-Geral dos Caminhos-de-Ferro; 1948 - o próprio ministro das Obras Públicas terá escolhido a solução ["estudo A"] "em cuja composição se destaca, como elemento de valorização arquitectónica, uma torre"; 18 setembro - data da morte do arquiteto Cottinelli Telmo; 1949 - desenvolvimento do estudo pela equipa de projeto da CP; 1951 - rejeição do projeto pelo Conselho Superior de Obras Públicas, com o argumento de que se tinha conferido à torre "carácter de campanário"; 25 setembro - publicação em Diário do Governo, 2.ª série, n.º 223, da aprovação do projeto da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses para a ampliação do edifício de passageiros da estação de Barcelos; 1952 - 1954 - nova revisão do projeto de ampliação do edifício de passageiros; 1952 - no XI Concurso das Estações Floridas, organizado pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e pela Repartição de Turismo do Secretariado Nacional de Informação, a estação de Barcelos é premiada com uma menção honrosa; 1953, julho - só nesta data tem início a demolição do antigo edifício de passageiros da estação, para se iniciar as obras de construção do novo edifício, de que se conhece a autoria do projeto; 1956, 03 maio - abre ao público o novo edifício de passageiros da estação, durante a festa das Cruzes; 1957, 23 abril - numa deslocação particular a Barcelos, a convite do presidente da Câmara, Dr. Luís Novais Machado, o Ministro das Obras Publicas e Comunicações, general Manuel Gomes de Araújo, ordena a colocação de azulejos com motivos regionais nas fachadas do edifício da estação, o que nunca se concretiza; 03 julho - diploma do Ministério das Obras Públicas autoriza a reabertura da estação ao público após as obras de ampliação; 1960 - a estação recebe o segundo prémio no XIX Concurso das Estações Floridas; 1970 - a estação recebe o 1.º prémio no Concurso das Estações Bem Cuidadas da Região Norte, bem como o primeiro prémio especial no Concurso das Estações Bem Cuidadas, da Rede Geral; 2010 - a estação tem então três vias de circulação, tendo duas 555m de comprimento e a terceira 498m; as duas plataformas tinha, 40 cm de altura e 273 e 243 m de extensão.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes e sistema estrutural de paredes autónomas.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada de branco, revestida a cantaria ou em ripado de madeira; placa, palas e vigas de betão; soco, cornijas, pilares, pináculos e molduras dos vãos em cantaria de granito; portas em ferro envidraçado; portas e caixilharia de alumínio ou de madeira; pavimento em cantaria e em mármore; silhar em mármore; aba corrida de madeira; cobertura de telha.

Bibliografia

Câmara Municipal de Barcelos - «A Ponte, a estação e a cidade de Barcelos». In Pontes Ferroviárias do Alto Minho. Barcelos, Viana do Castelo, Caminha, Valença. Porto: Fundação Caixa Agrícola de Noroeste, 2015, pp. 61-64; MARTINS, João Paulo - «Arquitectura ferroviária até à década de 1960». In 1910 - 2010 o Caminho-de-ferro em Portugal. pp. 33-47.

Documentação Gráfica

Arquivo Técnico da IP-Infraestruturas de Portugal (Desenho n.º 1831 (alçados), janeiro 1949, Desenho n.º 1973 (plantas), abril 1952, Desenho n.º 2016 (alçados), janeiro 1953) (solicitação através do site www.infraestruturasdeportugal.pt)

Documentação Fotográfica

DGPC: SIPA; Arquivo Técnico da IP-Infraestruturas de Portugal (solicitação através do site www.infraestruturasdeportugal.pt

Documentação Administrativa

Arquivo Técnico da IP-Infraestruturas de Portugal (Processo de ampliação do edifício de passageiros da Estação de Barcelos, informação inédita cedida por João Paulo Martins) (solicitação através do site www.infraestruturasdeportugal.pt)

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 2015 - obras de modernização da estação.

Observações

Autor e Data

Paula Noé 2018

Actualização

 
 
 
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