Central do Biel

IPA.00035680
Portugal, Vila Real, Vila Real, Vila Real
 
Central hidroelétrica construída no séc. 19, para alimentação da rede de distribuição de eletricidade à cidade de Vila Real, constituindo a primeira do país para este fim, conservando ainda alguns edifícios e, de maior destaque, parte das máquinas in loco, nomeadamente o motor hidráulico, que desenvolvia 151 cavalos, uma turbina Knop, construída nas oficinas da empresa alemã Briegleb Hansen, com 1,65 metros de diâmetro e 1,36 metros de altura, e o tubo de alimentação da turbina, em ferro, com 30 metros de extensão e 96 centímetros de diâmetro.
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Extração, produção e transformação  Central  Central hidroelétrica  

Descrição

Edifício principal de planta retangular regular, atualmente sem cobertura.

Acessos

Vila Real (São Pedro), EN 313, Foalhadela; Avenida 5 de outubro; trilho com início à esquerda da antiga estação de elevador perto da Meia Laranja (percurso perigoso). WGS84 (graus decimais) lat.: 41,29403110, long.: -7,74262547

Protecção

Em vias de classificação

Enquadramento

Peri-urbano, na margem direita do Rio Corgo, adaptado ao declive do terreno, envolvido por vegetação, que também invade os edifícios.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Extração, produção e transformação: central hidroelétrica

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

FORNECEDOR DE MAQUINARIA: Schuckert (1892).

Cronologia

1890, março - a Câmara de Vila Real aprova a proposta apresentada pelo portuense Leopoldo Augusto das Neves, para iluminação pública, com energia elétrica gerada hidraulicamente; 26 junho - celebração da escritura-compromisso entre a Câmara e Leopoldo Augusto das Neves, sendo-lhe outorgada a concessão de produção de energia elétrica pelo prazo de 30 anos; segundo este compromisso, a Câmara dava licença gratuita para fazer um açude e encanar as águas do rio Corgo ou Cabril para alimentar as turbinas e maquinismos, e cuja instalação devia estar concluída no dia 1 de janeiro de 1892; a Câmara garantia a instalação de um número mínimo de 250 lâmpadas de 16 velas; o preço mensal da energia para alimentar cada uma das lâmpadas seria de $650 e, quando o seu número excedesse 500, haveria um desconto de 10% para aquelas que excedessem essa quantidade; caso a iluminação elétrica fosse total ou parcialmente interrompida, o concessionário deveria substituí-la por iluminação a petróleo, e, se a interrupção excedesse dois dias, teria uma multa diária de 5$000; a Câmara poderia dispor de 3 lâmpadas de força triplicada, de sistema igual ao adotado na iluminação pública dos boulevards de Paris; e se antes do término do prazo de 30 anos, a Câmara reconhecesse que outra qualidade de luz, ou a mesma, poderia ser obtida por quantia menor que ao acordado na escritura, poderia rescindir o contrato, indemnizando o concessionário com 1000$000 por cada ano que faltasse para completar o prazo estipulado; 1891, agosto - os jornais noticiam que "começara a construção de um açude no rio Corgo para a derivação da água necessária para mover as máquinas"; escolhe-se o fundão do Agueirinho para a construção do açude, talvez porque já aí existiam alguns moinhos; a empresa entrega a Emílio Biel, representante da firma Schuckert de Nuremberga, a planta com levantamento de Vila Real para proceder ao estudo da rede de distribuição de energia elétrica da cidade e encomendar o equipamento e os materiais necessários para a estação produtora de energia e respetiva rede de distribuição; 1892, 01 janeiro - apesar do contrato estipular esta data para o início do funcionamento da iluminação, diversas dificuldades retardam a inauguração; aquisição de máquinas à empresa Schuckert, de Nuremberga; Karl Emil Biel desloca-se a Vila Real, acompanhado de um engenheiro da empresa e de um fotógrafo, que tira fotografias do local onde se instalaria a unidade de produção de energia, no fundão do Agueirinho; 27 maio - aprovação das disposições da escritura nas Cortes Gerais; pouco depois, Leopoldo Augusto das Neves forma a Companhia Elétrica e Industrial de Vila Real com os seus associados para a exploração da energia elétrica da cidade; 13 julho - publicação em Diário do Governo dos Estatutos da Companhia Elétrica e Industrial de Vila Real, com sede no Porto, capital inicial de 30.000$000, com o fim de adquirir a concessão da iluminação elétrica de Vila Real e "aproveitar a força motriz disponível, à indústria que maior vantagem possa oferecer à sociedade e fazer instalações que se julgarem de vantagem para a mesma"; agosto - para angariar dinheiro para a obra, a Companhia emite 2900 títulos obrigacionistas de 25$000 com juro de 7% e bónus de descontos no preço da luz aos compradores das ações, porém, poucos se interessam pela oferta; assim, quando alguns meses depois chegam de Nuremberga o estudo da rede elétrica para Vila Real e os equipamentos para a fábrica geradora e para a rede de distribuição, a Companhia não tem dinheiro para os levantar na Alfândega do Porto; ao informar a firma Schuckert, é sugerido a Biel adquirir a concessão para avançar com o projeto, tendo o mesmo pago o valor do dinheiro despendido pela Companhia Elétrica e Industrial de Vila Real até essa data; 1893, 24 abril - em assembleia de sócios, discute-se a possibilidade de Leopoldo Augusto das Neves tentar manter a empresa, através de um aumento de capital, ou de Emílio Biel comprá-la, conforme manifestara intensão; decide-se vender a Companhia a Biel, por 5.250$000, tendo a Câmara Municipal aceitado tal mudança; 1894, 31 março - Biel faz as obras necessárias e algumas experiências preliminares, a partir da Central Hidroelétrica do Agueirinho; 13 junho - inauguração oficial da luz elétrica em Vila Real, tendo-se acendido um projetor de 30 mil velas; contudo, são frequentes os cortes no fornecimento de energia, devido aos fracos caudais do Corgo, por causa da presa de água estar mal situada; dá-se início a um conflito entre a empresa e a Câmara; 23 junho - a Câmara de Vila Real reconhece a hipótese de transferir a concessão da empresa de Leopoldo Augusto das Neves para Emílio Biel, ou seja, só depois deste ter concluído a instalação da Central produtora de eletricidade e ter começado a fornecer energia à cidade; Biel exige alterações ao contrato de 1890, para reduzir o número de lâmpadas de 16 velas a instalar para 220 e aumentar o número de lâmpadas de arco para 12; aumentar o custo mensal de energia para $850 por lâmpada; aumentar o custo anual da iluminação pública para 50$000; e a Câmara fornecer pessoal para acender os candeeiros a petróleo quando faltasse a energia elétrica; 1915 - data da morte de Karl Biel; 1926 - desativação da Central do Biel devido à Central do Terragido entrar em funcionamento; 1930, início da década - aquisição da propriedade por José Pires Granjo, que a adapta a Fábrica de Curtumes Bragança, marca "Alleeo"; para tal procede à ampliação do edifício, preservando no entanto, a maioria das antigas máquinas, montagem de um elevador e instalação de uma fábrica de curtumes; 1950, década - encerramento da Fábrica de Curtumes Bragança; 1966 - data da última renovação do alvará, após várias tentativas de reabertura da fábrica; 2015, 28 setembro - a Câmara Municipal delibera em reunião aprovar o projeto de classificação da Central do Biel, incluindo todos os componentes edificados da antiga fábrica de curtumes e da antiga central, suas máquinas e equipamentos, como bem de Interesse Municipal; 15 outubro - publicação da deliberação de aprovação do projeto de classificação da Central do Biel como bem de Interesse Municipal, em Anúncio n.º 238/2015, DR 2.ª série, n.º 202; 2017, 15 maio - publicação da decisão final da classificação da Central do Biel como Conjunto de Interesse Municipal, em Anúncio n.º 5365/2017, DR 2.ª série, n.º 93/2017.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito.

Bibliografia

«A Iluminação Eléctrica em Vila Real» (http://mardepedra.blogspot.pt/2007/06/iluminao-elctrica-em-vila-real.html), [consultado em 22 dezembro]; «Central do Biel» (https://arquivodememoriasvr.wordpress.com/memorias-marcantes/percursos-da-memoria/central-do-biel/), [consultado em 22 dezembro]; «Vila Real: Primeira central hidroelétrica de Portugal vai ser um museu», (http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/af7353740d635d69c8eb65.html), [consultado em 22 dezembro].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

Documentação Administrativa

Conservatória do Registo Predial de Vila Real: n.º 911, 912 e 914 da União de Freguesias de Vila Real (Nossa Senhora da Conceição, São Pedro e São Dinis) e inscritos na respetiva matriz sob os artigos 2012, 2015 e 334

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Paula Noé 2016

Actualização

 
 
 
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