Capela de Santo Isidoro
| IPA.00035452 |
| Portugal, Porto, Gondomar, União das freguesias de Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim |
| |
| Capela de fundação antiga, com o perímetro ampliado, a partir da doação do mesmo no séc. 18, totalmente reconstruída na primeira metade do séc. 20, tendo laivos revivalistas neoromânicos no tratamento da fachada e no retábulo em cantaria, colocado na nave. É de planta retangular, composta por nave, capela-mor, com anexo adossado e torre sineira, com coberturas interiores diferenciadas, de madeira em masseira, iluminada unilateralmente por bíforas rasgadas na fachada lateral direita e pelos amplos vãos da principal. Fachada principal rematada em empena truncada, com os vãos rasgados em três eixos, o central com portal e os laterais com postigos, de onde parte um friso trilobulado que envolve as três janelas escalonadas do coro. A torre sineira é mais antiga, visivelmente ampliada em data mais recente, mantendo um óculo antigo, semelhante ao existente no corpo da capela-mor, o que terá sobrevivido da primitiva construção. Interior com coro-alto, tendo acesso pela sineira, arco triunfal sobre pilastras toscanas, retábulo lateral em cantaria, de linguagem neoromânica e, na parede testeira, retábulo de talha dourada, do barroco joanino, com intervenção posterior, mas onde se destaca o entalhe do trono, dinamizado pelo recurso a vários fragmentos de frontão invertidos. É envolvido por frondoso parque, com recantos de descanso, criando um ambiente neoromântico. |
|
|
| |
| Registo visualizado 714 vezes desde 27 Julho de 2011 |
|
| |
|
|
|
Edifício e estrutura Edifício Religioso Templo Capela / Ermida
|
Descrição
|
| Planta retangular, composta por nave, capela-mor, anexo e torre sineira, ambos adossados ao lado esquerdo, de volumes articulados e escalonados, tendo coberturas diferenciadas em telhados de uma e duas águas, sendo em terraço, protegido por guardas metálicas e acrotérios em cantaria, na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por socos salientes em cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos de várias tipologias (piramidais na nave e fusiformes na capela-mor), rematadas em frisos e cornijas. No vértice das três empenas, cruzes latinas. Fachada principal virada a sudoeste, rematada em empena truncada por cruz, rasgada por portal de volta perfeita, com fecho saliente, encimado por três janelas de volta perfeita, assentes em impostas salientes, envolvidas por friso trilobulado, que arranca dos postigos que ladeiam o portal. No lado esquerdo, a torre sineira de dois registos definidos por frisos, o inferior com óculo na face lateral esquerda, e o superior com quatro ventanas, uma delas entaipada, com acesso por escada metálica, a partir do anexo. Fachada lateral esquerda do templo cega e marcada pelo anexo adossado, com dois panos semelhantes, cada um deles rasgado por porta retilínea e bífora de perfil curvo e com molduras salientes em cantaria. A fachada lateral direita é rasgada por quatro janelas de perfil curvo, duas na nave e duas na capela-mor. Fachada posterior rematada em empena, com óculo circular no topo, tendo, no lado direito, o corpo do anexo, cego. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejo de padrão policromo, de feitura recente, com a cobertura da nave, de madeira em masseira e pavimento em ladrilho cerâmico. Coro-alto de madeira, com guarda balaustrada e acesso pela torre sineira. O portal axial está protegido por guarda-vento de madeira. No lado do Evangelho, capela lateral embutida no muro, dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Arco triunfal de volta perfeita, com o fecho marcado por atributo do orago, a mitra, e assente em pilastras toscanas. Capela-mor elevada por um degrau com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira e pavimento revestido a alcatifa. Sobre supedâneo de um degrau, a mesa de altar paralelepipédica, formando apainelados de talha com decoração de rocalhas. Na parede testeira, o retábulo-mor de talha dourada, de corpo côncavo e um eixo definido por quatro colunas torsas, percorridas por espiras fitomórficas. Ao centro, ampla tribuna de perfil curvo e boca rendilhada, com o fundo pintado por motivos fitomórficos a anjos relevados, que centram um trono de cinco degraus, profusamente decorados por fragmentos de frontão com rocalhas e acantos; está ladeada por duas mísulas, enquadrados por apainelados recortados e encimadas por ampla concha, criando baldaquino, de onde pendem flores; na base, as portas de acesso À tribuna, decoradas por acantos, integradas em almofadas com molduras salientes. A estrutura remata em frisos côncavos, ornados por laçarias e cornijas, encimados por gragmentos de frontão, que centram espaldar recortado, com sanefa de lambrequins, cornija e acantos recortados. A mesa de altar é paralelepipédica, ornada por apainelados de rocalhas, encimada pelo sacrário, embutido na estrutura, com moldura de enrolamentos, encimado por concheados que formam a mísula do orago, tendo a porta ornada por resplendor e cruz. No lado do Evangelho, porta de acesso ao anexo, composto por duas dependências. |
Acessos
|
| Gondomar, Monte Crasto, Rua de Nossa Senhora do Monte Crasto |
Protecção
|
| Inexistente |
Enquadramento
|
| Florestal, isolado, implantado no topo do Monte Crasto, a 194 m de altitude, de onde se divisa o rio Douro, Gaia, Porto, Matosinhos e Maia, constituindo um excelente miradouro. O templo está envolvido por um pequeno corredor em lajeado, e por relvado, pontuado por estruturas e várias árvores de diferentes portes. O miradouro está protegido por muro em cantaria de granito, coroado por ameias decorativas, piramidais. Tem acesso por estrada sinuosa, pavimentada a calçada, e caminho pedestre, tudo envolvido por denso parque. A estrada liga a um parque de estacionamento, a nordeste, e, junto a este, ergue-se um restaurante, edifícios de apoio e acolhimento. No início do acesso ao parque, surge uma lápide com a inscrição: "II / CENTENÁRIO / DA / DOAÇÃO / DO / MONTE CRASTO / À / CONFRARIA DE / SANTO ISIDORO / NOSSA S(enhora) DA LAPA / E / SANTA BARBARA / POR / MARIA DA SILVA / E / SALVADOR FRANCISCO / 12-7-1757 - 12-7-1927". O caminho pedestre é pontuado por várias lapas, bancos encastrados no muro, recantos e uma fonte, a de Santo Isidoro. Surge, ainda uma lápide com a inscrição: " RESPEITE / A PROPRIEDADE / PRIVADA / PATRIMÓNIO DA / CONFRARIA DE / SANTO ISIDORO E / NOSSA SENHORA / DA LAPA / CONT(ribuinte) N.º 501246509 / 1757 - 1997". Numa lapa, a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, com a inscrição: "N(ossa)A S(enhor)A DE LOURDES / GRATA HOMENAGEM / DE / GONDOMAR / 1858", umas Alminhas com nicho revestido a azulejo figurativo, a representar Nossa Senhora do Carmo. Este acesso termina numa escadaria de cantaria, de acesso ao terreiro da capela, onde se ergue um cruzeiro, em cantaria de granito, composto por plataforma quadrangular de quatro degraus, plinto galbado, coluna e cruz latina no topo. No plinto, as datas: "1980" e "M(anu)EL MA / RQ(ues) D'AZ(ur)EM / 1759". Num cruzeiro, a data "1757"- |
Descrição Complementar
|
| Na base das janelas da FACHADA PRINCIPAL, um painel de azulejos a azul e branco, com a inscrição: "Hic Praesunt Isidorus Sãctaque Barbara Virgo / Doctor Is Egregius Fulmine Servat ea". O RETÁBULO LATERAL é em cantaria de mármores cinza e com embutidos brancos, pontuado por elementos dourados. É de corpo côncavo e um eixo definido por duas colunas de fuste liso e capitéis de inspiração românica, assentes em plintos paralelepipédicos, que se prolongam em arquivolta de arco peraltado, pontuado por rosetas, com acantos e cruz no topo, formando o remate. Ao centro, nicho de volta perfeita, contendo peanha ornada por gomos, tendo frisos de embutidos e rosetas e, no topo, falsa rosácea. Altar paralelepipédico, em alvenaria, percorrido por frisos de rosetas, crucíferos, que centram reserva com as iniciais "AM"; está flanqueado por duas colunas semelhantes às do corpo da estrutura. Sobre a mesa, o sacrário embutido, flanqueado por colunelos, que sustentam cornija de perfil curvo, acantos e o Crucificado; a porta possui elementos eucarísticos relevados. Na tribuna do RETÁBULO-MOR, a inscrição: "DOUROU / ANGELO F. PINHEIRO / 1974". |
Utilização Inicial
|
| Religiosa: capela |
Utilização Actual
|
| Religiosa: capela |
Propriedade
|
| Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto) |
Afectação
|
| Sem afetação |
Época Construção
|
| Séc. 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
|
| PINTOR - DOURADOR: Ângelo F. Pinheiro (1974). |
Cronologia
|
| Séc. 18 - Salvador Francisco e a mulher, Maria da Silva, doam os bens que têm no Monte à Confraria de Santo Isidoro; feitura do retábulo-mor; 1757 - data num cruzeiro do adro; 1758, 17 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Sebastião Pinto da Silva, surge referida a capela como tendo romagem na primeira oitava da Páscoa; pertence aos fregueses; 1759 - data no plinto do cruzeiro da capela, revelando a data de construção, a mando de Manuel Marques; séc. 20, 1.ª metade - reconstrução do templo e feitura do retábulo lateral; 1980 - arranjo do terreiro e restauro do cruzeiro fronteiro à fachada principal; 1997 - arranjo da zona envolvente e dos acessos ao templo; séc. 21 - um incêndio afeta o anexo. |
Dados Técnicos
|
| Sistema estrutural de paredes portantes. |
Materiais
|
| Estrutura em alvenaria rebocada e pintada; pináculos, cunhais, frisos, cornijas, cruzes, degraus e modinaturas em cantaria de granito; retábulo lateral em cantaria de mármore; coro-alto, guarda-vento e mobiliário em madeira; mesa de altar, credencia e retábulo-mor de talha dourada; silhares de azulejo industrial; caixilharias em ferro e vidro; cobertura exterior em telha cerâmica. |
Bibliografia
|
| CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério - As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património. Braga: Universidade do Minho, 2000. |
Documentação Gráfica
|
| |
Documentação Fotográfica
|
| DGPC: SIPA; Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgi |
Documentação Administrativa
|
| |
Intervenção Realizada
|
| PROPRIETÁRIO: 1974 - obras de restauro do retábulo-mor, dourado por Ângelo F. Pinheiro; séc. 21 - remodelação do mobiliário. |
Observações
|
| |
Autor e Data
|
| Paula Figueiredo 2016 (no âmbito da parceria DGPC / Diocese do Porto) |
Actualização
|
| |
| |
| |
|
|
| |