Quinta da Bandeira / Junta de Freguesia de São Julião do Tojal

IPA.00034919
Portugal, Lisboa, Loures, União das freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal
 
Arquitetura agrícola, seiscentista e setecentista. Quinta de produção composta por casa, jardim murado e zona agrícola, com casa de plantas poligonal irregular, evoluindo em dois pisos, implantada em lote de frente larga. Fachada principal percorrida por friso em cantaria de calcário separando os pisos, remetendo para uma pré-existência seiscentista. As fachadas são flanqueadas por cunhais em cantaria, rasgadas por vãos retilíneos, os da fachada principal de varandim.
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Agrícola e florestal  Quinta    

Descrição

Conjunto composto por casa, jardim murado com porta de acesso à zona agrícola, a S. e outra aberta sob o aqueduto dando para as traseiras da Capela do Espírito Santo, a E. CASA de planta poligonal irregular, por ampliação de planta quadrangular inicial, com cobertura múltipla em telhados diferenciados de quatro águas, rematadas em beiradas simples. Estrutura em alvenaria de calcário, evoluindo em dois pisos, com as fachadas rebocadas e pintadas de amarelo, flanqueadas por cunhais em cantaria de calcário e rematadas em cornijas. Fachada principal, voltada a N., com os dois registos definidos por friso de cantaria, tendo, em cada um deles, cinco vãos de verga reta, emolduradas a cantaria de calcário, correspondendo, no primeiro piso, a portal, assente em plintos paralelepipédicos, ladeado por duas portas-janelas, protegidas por varandim em ferro; no segundo piso, surgem janelas de varandim com guardas em ferro. A fachada lateral esquerda é marcada por escada exterior de acesso ao piso principal, de um só lance em cantaria adossada paralelamente à fachada, com degraus em blocos de calcário de grandes dimensões, com cobertor saliente em relação ao plano do espelho e guarda em alvenaria de pedra capeada a cantaria de calcário. O piso inferior com dois panos, marcados por cunhal pintado de branco, tem uma porta, rematada em friso e cornija, e duas janelas de peitoril, surgindo, no superior, cinco vãos, correspondendo a uma porta e quatro janelas de peitoril; todos os vãos são emoldurados a cantaria de calcário. A fachada lateral direita é rasgada por quatro vãos no piso inferior, com duas portas nos extremos, uma delas entaipada, que centram duas janelas de peitoril, a que correspondem, no segundo piso, quatro janelas de peitoril emolduradas a cantaria de calcário. Fachada posterior composta por três corpos distintos, o do lado O. com uma janela em cada piso, sendo o central marcado por uma varanda apoiada em estrutura de betão armado com escada de acesso a partir do exterior. No lado E., o corpo é saliente e possui vãos de pequenas dimensões deitando para O. e empena cega virada a S.; é marcado por uma chaminé. INTERIOR bastante alterado e adaptado às novas funções, com tetos suspensos, em estafe. No jardim, uma FONTE de planta quadrada que envolve o poço e a nora pelo lado S., articulando-se com o tanque do jardim a N.. Trata-se de uma estrutura em alvenaria de pedra constituída por três nichos abobadados em alvenaria de tijolo; o arco central eleva-se em relação aos colaterais, sendo o conjunto percorrido superiormente por entablamento com friso decorado com motivos geométricos em estuque pintado *2.

Acessos

Rua Primeiro de Maio, n.º 54 (Antiga EN 115-5)

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, no aglomerado rural de São Julião do Tojal, com a casa implantada paralelamente à da Rua Primeiro de Maio (eixo principal do aglomerado), no cruzamento com a Rua da Igreja. Ocupa o extremo E. da banda linear, composta por edifícios de um e dois pisos, que define plano de fachada contínuo entre a Rua da Ribeirinha e a Rua da Igreja. O logradouro tem acesso por portão a partir da Rua Primeiro de Maio. Do lado E., o edifício é enquadrado por espaço de estar ajardinado contíguo à fachada lateral esquerda formando pequeno largo *1. Este pequeno largo articula-se com o Largo da Igreja, a partir do qual se desenvolve para S. o eixo Rua da Igreja / Rua do Tazim, em direção à Várzea de Loures e ao Vale do Trancão com ligação à zona oriental do Concelho. Na proximidade, localizam-se a SE. a Igreja de São Julião do Tojal (v. IPA.00020201), a S. a Capela do Espírito Santo (v. IPA.00021408) e, a E., a Casa de gaveto na Rua 1.º de Maio com a Rua da Igreja nº 16A (v. IPA.00034920).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Agrícola e florestal: quinta

Utilização Actual

Política e administrativa: junta de freguesia / Assistencial: centro de dia

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1593 - João Álvares Soares, fidalgo da Casa Real, escrivão da Fazenda de Filipe II de Espanha e I de Portugal, compra a vários proprietários o sítio onde construiu casas nobres com seu pátio, incluindo a quinta, ou serrado, com uma nora, que daria origem à Quinta da Bandeira *3; João Álvares Soares está sepultado na Capela do Santo Cristo Crucificado, na Igreja de São Julião do Tojal (v. IPA.00020201); séc. 17, início - as casas nobres e serrado são propriedade de Diogo Soares, filho de João Álvaro Soares e Secretário de Estado do Conselho de Portugal em Madrid, no reinado de Filipe IV, III de Portugal *4; Diogo Soares constrói, numa parcela anexa, designada por Amoreira, um lagar de vinho; 1640 - estas casas nobres passam à posse de António Cavide, Secretário de Estado e Escrivão da Puridade de D. João IV *5; 1695 - as casas nobres encontram-se na posse de Maria Antónia de Castro, viúva de António Cavide, moradora em Lisboa; séc. 18 - reconstrução do edifício, conferindo-lhe um facies unitário; séc. 19 - construção de um corpo novo dotado de chaminé no lado E. da fachada S. cuja empena é cega e confronta com o jardim; construção de pavilhões utilitários na envolvente da casa a O. e S.; 1988 - incluído no levantamento do património cultural construído de Loures, desta data; 1990 - obra de adaptação do edifício a centro de dia e junta de freguesia; 1994,14 julho - o imóvel encontra-se incluído no levantamento do património cultural construído de Loures de 1988, anexo ao regulamento do PDM de Loures, RCM 54/94, DR, 1.ª série-B, n.º 161, publicado nessa data.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Paredes exteriores em alvenaria de calcário, rebocadas e pintadas; cunhais, modinaturas, escadas em cantaria de calcário; cobertura exterior com revestimento a telha cerâmica lusa; janelas em alumínio termolacado; porta da fachada principal em vidro.

Bibliografia

CURTO, Diogo Ramada - «A Restauração de 1640: nomes e pessoas» in Península - Revista de Estudos Ibéricos. Porto: Instituto de Estudos Ibéricos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2003, nº 0, pp. 321-336; Património Cultural Construído. Loures: Câmara Municipal de Loures, 1988; SEQUEIRA, Gustavo de Matos - A Abelheira e o Fabrico do Papel em Portugal: história de uma propriedade e de uma fábrica. Lisboa: s.n., 1935.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA; CMLoures: arquivo Divisão Planeamento Municipal Ordenamento do Território e Reabilitação Urbana

Documentação Administrativa

DGLAB/TT: Cónegos Regulares de St.º Agostinho, Mosteiro de S. Vicente de Fora, 1606 e 1695, livros 22 e 25

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: séc. 19 - construção de um corpo novo na ala S. e pavilhões utilitários na envolvente; CMLoures: 1990 - obras para instalação de centro de dia e junta de freguesia.

Observações

*1 - Em 1513, este pequeno largo encontrava-se ocupado por pardieiros grandes aforados a Lopo Fernandes, Alcaide dos Bombardeiros e a sua mulher Catarina Brás. Em 1530, trazia-os aforados Vicente Ferrão de Castelo Branco, filho de Diogo Ferrão que ali construiu um lagar de azeite. Passou-o posteriormente para sua sobrinha Catarina Pais e, em 1590, ao filho desta, António de Aguiar com a condição de demolir os lagares e de que aquele espaço nunca mais tivesse esse uso. António de Aguiar doou-o a Diogo Soares. Em 1660 este espaço pertencia a António Cavide. *2 - O piso térreo originalmente destinado a funções utilitárias possuía nove compartimentos, tendo a planta sido profundamente alterada na adaptação a centro de dia; no piso superior, originalmente de uso habitacional, existiam, também, nove compartimentos, com tetos de masseira, em caixotões. O jardim a S. da casa tinha poço, nora, aqueduto e tanque de rega, também com função ornamental, implantado perpendicularmente a uma fonte em alvenaria de pedra. O jardim, designado em 1606 como Serrado de Diogo Soares, era constituído por quintal, horta e pomar, estando separado da casa nobre por um caminho que articulava a estrada real com o adro da igreja, passando por detrás das casas do lugar. Um passadiço sobre este caminho ligava a varanda da casa nobre ao jardim criado por João Álvares Soares, pai de Diogo Soares, para enobrecimento da casa e para sua recreação. A propriedade agrícola desta quinta expandiu-se para S., pela aquisição feita por Diogo Soares de 12 courelas predominantemente ocupadas com olival. *3 - João Álvares Soares serviu 27 anos no Estado da Índia antes de integrar o conselho da Fazenda em Lisboa. Já seu pai, Cristovão Lagarto (v. IPA.00034927) prestara serviços militares na Índia, pelo que recebera comenda da Ordem de Avis. João Álvares Soares era casado com D. Paula da Silva, filha de Mateus Peres da Silva, comendador da Ordem de Cristo que também servira como secretário do Estado da Índia no tempo de D. Sebastião e como feitor na Flandres e em França. Integrou o Conselho de Estado no tempo do cardeal D. Henrique e no reinado de Filipe II. Está sepultado na Capela do Santo Cristo Crucificado, na Igreja de São Julião do Tojal (v. IPA.00020201). *4 - Diogo Soares servira primeiro na Guerra e posteriormente 22 anos no Conselho da Fazenda, entre 1609 e 1631. Em 1628, preparou a armada de socorro à Índia e em 1630, a armada de socorro a Pernambuco. Em 1631, foi de Portugal para Madrid ocupar as funções de Secretário de Estado do Conselho de Portugal. Diogo Soares construiu casa em Lisboa, junto ao Mosteiro de S. Vicente de Fora, posteriormente designada como Palácio Teles de Meneses (v. IPA.00004809). *5 - António Cavide já servia D. João IV antes da sua aclamação. Em 1640 foi nomeado Escrivão da Câmara para servir no Desembargo do Paço. Foi-lhe atribuída comenda da Ordem de Cristo. Casou com D. Maria de Castro e foram ambos sepultados na sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, em Lisboa (v. IPA.00005033).

Autor e Data

Fernanda Ferreira, Frederico Pinto, Manuel Villaverde (CMLoures) 2012 (no âmbito da parceria IHRU / CMLoures)

Actualização

 
 
 
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