Quinta Pequena

IPA.00034918
Portugal, Lisboa, Loures, União das freguesias de Santo Antão e São Julião do Tojal
 
Arquitetura agrícola, seiscentista e setecentista. Quinta resultante da junção de dois serrados, composta por casa principal, de dois pisos, integrada numa frente contínua, no principal eixo do aglomerado. A área agrícola localiza-se na parte posterior do lote, com acesso por porta carral, possuindo poço, nora e tanque. A casa tem vãos retilíneos, compostos por portas e janelas de peitoril, as do piso nobre com conversadeiras em pedra. Tetos de madeira e pavimento em soalho.
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Agrícola e florestal  Quinta    

Descrição

Quinta composta por casa principal, edifício contíguo a O., de dois pisos com porta carral no piso térreo, para acesso em túnel *1 à parte agrícola, esta com poço, nora e tanque junto às construções de apoio. CASA PRINCIPAL de planta retangular simples com cobertura em telhado de quatro águas, rematados em beiradas. Estrutura em alvenaria de pedra de basalto e calcário, com fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas, flanqueadas por cunhais e rematadas em cornijas; as janelas possuem caixilhos envidraçados em alumínio lacado. A fachada principal voltada a N., tem cinco vãos no piso inferior que correspondem a quatro portas e uma janela de peitoril, destacando-se um dos vãos pelas suas maiores dimensões e por ter portal recortado em cantaria lavrada, de calcário. Este tem ombreiras retangulares com arestas exteriores relevadas colocadas sobre bases de perfil contracurvo na face interna e lintel reto com arestas exteriores relevadas, rematado superiormente por friso. No piso superior a fachada é rasgada por sete janelas de peitoril com molduras salientes em cantaria de calcário, sendo percorrida entre o nível das vergas das janelas e o remate por friso com moldura saliente em massa pintada de branco. O INTERIOR tem, no piso térreo, a primitiva área de circulação para as traseiras da casa através do portal, transformada em sala contígua à fachada principal e cozinha contígua à fachada posterior. Entre estes dois compartimentos, desenvolve-se paralelamente à fachada uma escada interior em madeira de acesso ao piso superior. O espaço interior do primeiro andar está organizado em duas fiadas paralelas de compartimentos comunicantes. A principal, virada à antiga estrada real, corresponde a quartos e salas e a secundária virada para a área agrícola destinava-se a áreas de serviço e apoios. Têm tetos em madeira de esteira horizontal e de forro sobreposto e pavimento em tábuas corridas de madeira, surgindo, no piso superior, soleira em mármore na transição entre os pavimentos de dois dos compartimentos. As portadas interiores e aros são em madeira pintada, algumas providas de taipal. Nos enxalços de todas as janelas que deitam para a rua há conversadeiras em alvenaria com assento em pedra saliente. Portas interiores em madeira, de duas folhas, algumas com bandeira. Na sala contígua à empena O. existe uma porta entaipada, através do qual se estabelecia a comunicação com o edifício vizinho que também integra a propriedade. No logradouro das traseiras, surgem duas árvores: Grevilea (Grevillea robusta) e cipreste (Cupressus sp.). O TANQUE em alvenaria de pedra possui remate superior curvo e capeamento em cantaria. As paredes são pintadas com motivos geométricos a vermelho e branco; bica em pedra calcária.

Acessos

Rua Primeiro de Maio, n.º 28-A

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, no aglomerado rural de São Julião do Tojal, inserida numa banda edificada linear, com a fachada principal da casa implantada paralelamente à Rua Primeiro de Maio, do lado S., no troço compreendido entre a Rua da Ribeirinha e a Rua da Igreja. A E. e a O., confina com edifícios habitacionais de dois pisos. O edifício vizinho a O. está também integrado na quinta, tendo cércea inferior à da casa principal. A fachada posterior deita para pequeno logradouro delimitado por muro em alvenaria de pedra, que comunica com a área agrícola da propriedade. A parte agrícola de configuração bem definida, é percorrida por muros em todo o perímetro, tendo acesso por porta carral rasgada na fachada principal do edifício contíguo a O. Confina do lado E. com a Quinta da Bandeira (v. IPA.00034919) e do lado O., com a Rua da Ribeirinha. Esta rua articula-se a SE com a Rua do Tazim, de ligação à Várzea de Loures e ao Vale do Trancão.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Agrícola e florestal: quinta

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 17 / 18 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1552 - o Mosteiro de São Vicente de Fora de Lisboa afora neste local umas casas a Miguel Ferrão; 1606 - a propriedade é constituída por duas parcelas designadas como Serrado de Diogo Pais, a E., e Serrado de Joana Ferroa, com um edifício de dois pisos (casas sobradadas), vinha, pomar e um poço de Diogo Pais de Castelo Branco, filho de Miguel Ferrão; a O., as casas térreas e sobradadas, com o seu serrado *2, de Joana Ferroa, que as deixara a seu sobrinho António de Aguiar *3; séc. 17 - 18 - construção do edifício atual; 1988 - o portal, com reconhecido valor patrimonial, é incluído no levantamento do património cultural construído de Loures, efetuado nesta data; 1994,14 julho - o portal da casa encontra-se incluído no levantamento do património cultural construído de Loures de 1988, anexo ao regulamento do PDM de Loures, RCM 54/94, DR, 1.ª série-B, n.º 161, publicado nessa data.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Paredes exteriores em alvenaria de pedra, rebocada e pintada; modinaturas, conversadeiras em cantaria de calcário; tetos, portas, janelas e portadas em madeira, as últimas pintadas; pavimentos em madeira; cobertura exterior em telha cerâmica; caixilharias em alumínio lacado.

Bibliografia

Património Cultural Construído. Loures: Câmara Municipal de Loures, 1988.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

CMLoures: arquivo Divisão Planeamento Municipal Ordenamento do Território e Reabilitação Urbana

Documentação Administrativa

DGLAB/TT: Cónegos Regulares de St.º Agostinho, Mosteiro de S. Vicente de Fora, 1606 e 1695, livros 22 e 25

Intervenção Realizada

Nada a assinalar.

Observações

*1 - este acesso já existia em 1606, separando a casa de Diogo Pais a E., da casa a O., que António de Aguiar herdou de sua tia Joana Ferroa. *2 - o Serrado de Joana Ferroa confinava a E. com o Serrado de Diogo Soares, depois Quinta do Bandeira. *3 - senhores do Prazo do Moinho da Abelheira, a S. do Zambujal, depois Quinta da Abelheira (v. IPA.00024039 e IPA.00006305).

Autor e Data

Fernanda Ferreira, Frederico Pinto, Madalena Neves e Manuel Villaverde (CMLoures) 2012 (no âmbito da parceria IHRU / CMLoures)

Actualização

 
 
 
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