Castelo de Vila Nova de Cerveira

IPA.00003484
Portugal, Viana do Castelo, Vila Nova de Cerveira, União das freguesias de Vila Nova de Cerveira e Lovelhe
 
Castelo gótico, de pequenas dimensões e planta oval, com oito torres quadrangulares e porta principal na de menagem (ou dos Mouros), de duplo vão e com "mocheta" defensável por cima. No séc. 17 foi reforçado por fortaleza à Vauban, de estilo barroco, subsistindo apenas um baluarte, mas cuja organização deixou marcas no urbanismo da vila. As cortinas das muralhas denotam diferentes técnicas na construção, o que se poderá dever a várias épocas ou modificações posteriores aproveitando a cantaria. A barbacã deve datar do séc. 15. O escudo da porta da torre é anterior a 1436, data em que se reformou as armas de Portugal. A porta lateral é já posterior, (talvez do séc. 16) não só devido à sua localização, mas também devido à organização do escudo que a encima e à abertura de um balcão. Constitui uma das pequenas obras de fortificação abaluartada que complementava o dispositivo do Noroeste português, composto pelas praças de Viana, Caminha, Valença e MonçãoEstabelecimento de hotelaria inserido na rede Pousadas de Portugal, integrando o grupo das Pousadas Históricas.
Número IPA Antigo: PT011610150002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Planta oval, formada por 8 torres quadrangulares desenvolvidas no perímetro exterior da muralha, integrando baluarte de S. Miguel sobre o rio e conservando troço da barbacã virada ao terreiro da vila. Acesso por porta da barbacã, em arco quebrado, integrado no corpo rectangular da capela de Nª. Sª da Ajuda, que aproveita inferiormente o espaço de implantação até à muralha, criando entrada em cotovelo. O seu frontespício tem cunhais de cantaria, frontão triangular, e no 2º piso porta com frontão interrompido e varandim corrido. A barbacã segue depois para E. com muros arredondados ou em ângulo agudo, mas depois da torre o seu traçado é apenas visível na organização da malha urbana. Para o castelo entra-se por dupla porta: 1 na muralha entre a Capela da Senhora da Ajuda e a torre, tendo arco quebrado sobre pés direitos, e sendo encimada por escudo e modilhões de antigo balcão; a 2ª fica na torre supracitada, com duplo vão, de arco pleno, tendo o interior armas de Portugal. Entre esta torre e igreja da Misericórdia existe latrina arredondada sobre 2 modilhões. No interior, corre em todo o perímetro adarve descontado na espessura da muralha e com escadas de pedra para acesso. As torres, já sem o seu coroamento, têm diferentes alturas. A O. 1 conserva parapeito saliente e outra 1 parapeito ainda mais saliente sobre modilhões. O baluarte, com moldura no muro exterior, tem acesso por pequena porta de arco pleno - designada por porta da traição -, junto à qual existe cisterna. Entre as várias construções intramuros conserva-se parte da antiga residência dos governadores, com porta em arco quebrado.

Acessos

Vila Nova de Cerveira, Rua do Castelo. VWGS84 (graus decimais) lat.: 41,940543; long.: -8,744426

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 735/74, DG, 1.ª série, n.º 297 de 21 dezembro 1974 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 252 de 30 outubro 1946

Enquadramento

Urbano, adossado, implantação destacada. Implanta-se na margem esquerda do rio Minho, sobre um pequeno morro envolvido pela malha urbana com construções interiores adaptadas a pousada, uma das quais - o restaurante - constitui um elemento perturbador do conjunto pela altura, decoração.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 15 / 17 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Alcino Soutinho, O. Lixa Figueiras, R. Torgo (projecto de adaptação a pousada); DECORADOR: Alcino Soutinho

Cronologia

Séc. 13 - inclusão do castelo no dote nupcial de D. Mécia, esposa de D. Sancho II; 1258 - inquirições referem encargo da anúduva pelos moradores de Cerveira e freguesias próximas; 1320, cerca - D. Dinis manda que se faça póvoa; 1321 - ao conceder-lhe foral determina que 1/3 das dízimas se aplique na conservação do castelo; séc. 14 - 15 - construção da barbacã por D. Fernando ou D. João I; 1512 - D. Manuel I renova o castelo; 1643, 25 Setembro - resistiu ao ataque das tropas de D. Filipe IV, com defesa organizada pelo Governador Manuel de Lima e Abreu; 1650 - construção da capela de Nossa Senhora da Ajuda sobre a porta da barbacã; 1660 - 7º Visconde de Vila Nova de Cerveira manda rodear povoação com muros, fossos, guarnecidos por quatro baluartes inteiros (o de São Miguel, o de Espírito Santo, o da Conceiçãoe o das Almas), um meio baluarte e três redutos para o lado do rio; a praça tinha 4 portas: a da Campanha, a de trás da Igreja, a Nova e a do Rio; 1667 - conclusão das obras, decorridas sob a direcção do mestre de campo Francisco Azevedo e custeadas pelo imposto do real de água e de 1 finta na povoação; 1718 - Manuel Pinto Vilalobos faz a medição e avaliação de um terreno no interior da fortificação que os próprios queriam vender em hasta pública; 1742 - a bateria recebeu outra a cavaleiro, para poder dominar o forte de S. Lourenço de Gaião; 1809 - com defesa organizada pelo coronel Gonçalo Coelho de Araújo, de 77 anos, a praça resistiu ao ataque das tropas de Napoleão comandadas por Soult (Nicolau Jean de Dieu) durante a 2ª Invasão Francesa; 1844 - demolição parcial da torre de menagem; 1845 - torreão afonsino fendido por 1 raio foi apeado até meio; 1845 - 1846 - as portas e muralhas da fortaleza começaram a ser destruídas; 1875 - autorização para destroçar fortaleza; 1905 - atulhamento dos fossos; 1982, 06 setembro - inauguração da Pousada de D. Dinis, no interior da cerca medieval; 2004 - aprovação da candidatura do "Plano Director das Fortalezas transfronteiriças do Vale do Minho", no âmbito do Programa Interreg III; este pretende fazer a inventariação do partimónio edificado, avaliar o seu estado de conservação, determinar as suas patologias e posteriormente determinar estratégias específicas de actuação, tendentes à valorizção, divulgação e fruição dos espaços fortificados, bem como a criação de percursos culturais e turísticos entre as povoações das duas margens do rio Minho; 2002 - escavações arqueológicas puseram a descoberto, na R. Costa Brava, o fosso do castelo medieval, que o circundava; 2006, 22 setembro - apresentação pública do Plano de Pormenor de Salvaguarda do Centro Histórico, coordenado pelo arquitecto Sandro Lopes e a arqueóloga Paula Ramalho, ambos da Câmara Municipal; 2010 - encerramento da pousada D. Dinis; 2016, 27 dezembro - o castelo integra a lista de 30 imóveis a concessionar pelo Estado Português a privados, para instalação de unidades hoteleiras.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes, estrutura mista em cantaria com aparelho "quadratum", "vittatum" e "mixtum".

Materiais

Estrutura de granito com aparelho aparente.

Bibliografia

GUERRA, Luís de Figueiredo da, Castelos do Distrito de Viana, Sep. de O Instituto, vol. 73, nº 5, Coimbra, 1926; PERES, Damião, A Gloriosa História dos Mais Belos Castelos de Portugal, Porto, 1969; DIOGO, José Leal, O Castelo de Cerveira in Cerveira Nova, Vila Nova de Cerveira, 5 Jul. 1971; MOREIRA, Cor. Bastos, Castelo de Vila Nova de Cerveira in Jornal do Exército, Lisboa, Set. 1977; DIOGO, José Leal, Para a História de Vila Nova de Cerveira. Inventário da Heráldica Concelhia, vol. 3, Porto, 1981; idem, Para a História de Vila Nova de Cerveira. Roteiro de Vila Nova de Cerveira, vol. 4, Porto, 1983; BANDEIRA, Luís Stubbs S. M., Castelo de Vila Nova de Cerveira in MAMA SUME, nº 19, Nov / Fev. 1982 - 1983, p. 33 - 36; ALVES, Lourenço, Do Gótico ao Manuelino no Alto Minho (Monumentos Civis e Militares) in Caminiana, vol. 12, Ano 7, Caminha, 1985, p. 37 - 130; GIL, Júlio, Os Mais Belos Castelos e Fortalezas de Portugal, Lisboa, 1986; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; SOROMENHO, Miguel, Manuel Pinto de Vilalobos da engenharia militar à arquitectura, dissertação de Mestrado em História da Arte Moderna, FCSH - UNL., 1991; FERNANDES, José Manuel, "Pousadas de Portugal. Obras de raiz e em monumentos", in Caminhos do Património, pp. 159-177, 1999; Plano Director para o Vale do Minho foi posto em marcha. Fortificações sob olho, Correio do Minho, 25 Agosto 2004; Cerveira apresenta plano de salvaguarda do centro histórico, in Diário do Minho, 19 Setembro 2006; LOBO, Susana, Pousadas de Portugal. Reflexos da Arquitectura Portuguesa no Século XX, Coimbra, Imprensa Universitária de Coimbra, 2006.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1969 - Consolidação, tratamento de paredes e diversos; 1977 - trabalhos não previstos; 1977 / 1982 - adaptação do castelo a pousada; 1980 - beneficiação do conjunto amuralhado compreendendo a defesa de pavimentos dos adarves; equipamento de cozinhas, copa, bar e lavandaria; projecto de adaptação parcial de casa 1 e 2 para instalação da central telefónica; 1982 - obras de recuperação de coberturas e arranjos exteriores; 1983 - alteração do sistema do termo-ventilação da lavandaria, trabalhos de beneficiação; 1984 - beneficiação do caminho de ronda; 1985 - trabalhos de beneficiação.

Observações

Segundo Carlos Alberto Ferreira de Almeida o castelo de Cerveira, já referido no séc. 13, antes da "vila nova", devia situar-se noutro local, mais na montanha, possívelmente no monte sobranceiro do Espírito Santo, em Penafiel (freguesia de Roboreda), ou em Cornes. No recinto limitado pelas muralhas não caberiam as casas dos 100 moradores que D. Dinis pretendia para formar póvoa, o que o leva a pensar na existência de um núcleo populacional extramuros, logo desde os primeiros tempos. O desenho de Duarte d'Armas mostra-nos que, nos princípios do séc. 16, o bairro extramuros era já mais desenvolvido do que o interior, até porque dispunha de dois edifícios religiosos. A construção da fortaleza seiscentista, resultou da preocupação de defesa da costa da ameaça espanhola durante a Guerra da Restauração e integrava-se na linha defensiva estrategicamente colocada nas margens do Rio Minho e ao longo da costa atlântica, tinha planta estrelada com vários baluartes e um revelim protegendo a entrada, e quatro portas: a da Campanha, a N., tendo junto capela de Santo António, a Porta Nova, a S., com capela de São Gonçalo à entrada, a do Rio, a O. e a de trás da igreja, a E..

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

 
 
 
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