Igreja Paroquial de Friastelas / Igreja de São Martinho

IPA.00003476
Portugal, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Friastelas
 
Igreja paroquial românica muito adulterada mas cujos troços subsistentes permitem a sua integração na 2ª fase do românico português onde é evidente uma certa apropriação das formas e temas tradicionais, nomeadamente na adopção da capela-mor quadrangular, de tradição hispânica e na técnica de gravação a bisel. Integra-se na 2ª fase do foco românico do Alto Minho onde é já nítido uma certa tendência para o gótico aqui notório no apontar dos arcos. Nitidamente românico é o sistema de modilhões suportando a cornija, restando apenas 2 historiados, e o esquema de frestas. À primitiva capela, do séc. 12, talvez pertençam as fiadas de pedra mais salientes na base das fachadas. No frontespício são ainda visiveis as aduelas do primitivo pórtico. As transformações do séc. 19 adulteram completamente o interior e os elementos decorativos utilizados são de fraca qualidade.
Número IPA Antigo: PT011607240014
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, composta, com nave única, e capela-mor rectangular flanqueada por 2 capelas. Cobertura simples com telhados do mesmo nível e de 2 águas. Frontespício terminado em empena, com pináculos e cruz nos cunhais; portal de verga recta encimado por janela e pequeno nicho com imagem. À esquerda adossa-se torre sineira quadrada, de 2 níveis, tendo o superior apenas 2 muros de sineiras, coroadas por pináculos nos cunhais. Fachada S. com portal de arco apontado, de arquivolta besantada sobre pé-direito e tímpano liso, 2 frestas e janelas. Fachada N. com portal de arco apontado sobre pés direitos e cruz de malta relevada no tímpano, ladeado por 2 frestas. De ambos os lados, a cornija da nave assenta em modilhões simples. Na fachada N. um modilhão historiado está aplicado na parede testeira da capela adossada. Interior com embasamento pintado, lambril de azulejos de padrão, 2 altares colaterais e cobertura em abóbada de berço pintada com vários motivos e medalhão central com santo do orago. Arco triunfal sobre pilastras e capela-mor também com lambril de azulejos, retábulo de talha polícroma e cobertura em abóbada pintada com medalhão central figurando Jesus, Maria e São José. Arcos plenos dão acesso às capelas.

Acessos

Friastelas, EN. 306 de Peitos a São Julião do Freixo

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 47 508, DG, 1.ª série, n.º 20 de 24 janeiro 1967

Enquadramento

Urbano, isolado, implantação harmónica. Ergue-se nas imediações da EN., para onde se vira, no meio de amplo átrio lajeado e tendo nas proximidades algumas habitações.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Viana do Castelo)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 19 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1130 - Chámoa Gundesendes e seus filhos doam à Sé de Braga a duodécima parte da igreja de Friastelas e dos bens desta, reservando para si o usufruto (era então Bispo de Braga, D. Paio que assinou o foral de Ponte de Lima); 1151 - Mendo Gomes e seu irmão Egas, em satisfação de um sacrilégio cometido na igreja, doaram à Sé de Braga parte do que lhes pertencia nas freguesias de Gaipar e de São Lourenço do Mato; 1164 - Pedro Gonçalves doou à mesma Sé todos os bens que possuia na mesma freguesia de Friastelas; 1258 - Inquirições dão-no-la como pertencendo ao julgado de Aguiar; 1290 - Inquirições referem-na como fazendo parte do julgado de Barcelos; 1320 - passa para o julgado de Aguiar de Neiva; séc. 19 - grandes obras de remodelação, introduzindo-lhe a torre sineira e alterando o frontespício e o interior; 1845 / 1846 - segundo Inquérito do Arciprestado estava segura e asseada, o sacrário tinha decência e era sustentada pela Confraria do Santíssimo; 1926 - em fotografia publicada por Aguiar Barreiros o frontespício ainda não tinha o nicho e os pináculos nos cunhais.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito aparente; azulejos; retábulos de talha; pinturas; pavimento de ladrilho; cobertura de telha.

Bibliografia

ALMEIDA, Carlos A. Ferreira, Primeiras Impressões sobre a Arquitectura Românica Portuguesa in Revista da Faculdade de Letras, vol. 2, Porto, 1971, p. 65 - 116; ALVES, Lourenço, Arquitectura Religiosa do Alto Minho, Viana do Castelo, 1987; BARREIROS, Pe. Manuel de Aguiar, Egrejas e Capelas Românicas da Ribeira Lima, Porto, 1926; SOARES, Franquelim Neiva, A Sociedade Pontelimense na Primeira Metade do Século XIX. O Inquérito do Arciprestado de 1845 - 1846 in Arquivo de Ponte de Lima, vol. 6, Braga, 1985, p. 329 - 375.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Paróquia: 1991 - arranjo do largo envolvente.

Observações

Segundo de Aguiar Barreiros, a estátua de Cristo Ressuscitado, de pedra de Ançã muito repintada, é românica e o seu rosto contristado é invulgar; a de São Martinho, também de pedra de Ançã, é gótica.

Autor e Data

Paula Noé 1992

Actualização

 
 
 
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