Residência da Quinta da Trindade

IPA.00003456
Portugal, Setúbal, Seixal, União das freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires
 
Palacete integrado em propriedade agrícola, abrindo para o Tejo, inicialmente com cais de embarque privativo; espírito fortemente ecléctico presente na integração de cantarias de portas e janelas, da estrutura da escadaria, e de lambris de azulejos, vindos de demolições de edifícios de várias épocas. Pavilhão neo-medieval. O recheio azulejar do edifício faz dele um verdadeiro museu, sendo possível acompanhar a evolução desta arte cerâmica desde o séc. 16 a meados do 18. Os painéis figurativos existentes no Ecomuseu do Seixal foram executados com base nas gravuras de Nicolas Larmessin (1684 - 1753) (1735), realizadas a partir dos trabalhos do pintor francês Nicolas Lancret (1690-1743), "representando as 4 idades caracterizadas pelos seus divertimentos: os jogos de infância; a coquetterie da adolescência; a galanteria da juventude; a conversa dos velhos; esta temática representada numa gravura, foi dividida em vários painéis". Existem outras temáticas utilizadas nos painéis figurativos, nomeadamente cenas de caça e cenas da vida na aldeia (MANGUCCI 2005: 113-118).
Número IPA Antigo: PT031510040001
 
Registo visualizado 190 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

A quinta rodeada por alto muro aberto por várias portas de acesso acolhe o edifício rodeado por jardins e pátios, com estruturas diversas disseminadas pelo espaço. A nascente do edifício um pavilhão de planta quadrangular, volume prismático, coroado por merlões e reforçado por cubelos nos cantos, com janelas maineladas de verga redonda, rasgadas nas fachadas; a poente, adossado ao muro de suporte e de separação da quinta, decorado com painéis de azulejo, um abrigo de jardim e casa de fresco, de planta quadrada, volume prismático com platibanda envolvente e cobertura em telhado de 4 águas, com janela rectangular aberta para a rua, porta de verga recta comunicando com o jardim. A S. do edifício um pombal sextavado, com platibanda envolvente em remate. CASA: de planimetria composta por 2 rectângulos justapostos, e por um pequeno corpo quadrangular adossado a O.. Massas articuladas adaptando-se ao desnível do terreno, com coberturas diferenciadas em telhado com beiral; várias chaminés, uma delas de forma cilíndrica revetida de azulejos. Fachada principal virada a N., com pano único de 3 registos, rasgados por vãos de verga recta. Fachada posterior de 2 pisos, uma porta de verga golpeada ladeada por janelas maineladas no piso térreo, idênticos rasgamentos dos lados de uma janela de 3 vãos em arco redondo, separados por colunelos, no piso superior. Fachada lateral E. com 2 panos e 3 pisos, o térreo rasgado por arcada de volta perfeita e grande arco de vão abatido sobre colunas facetadas, arcadas de volta perfeita e frestas no piso intermédio, arcada de vão abatido sobre colunelos e janelas de verga recta no piso superior. Fachada lateral O. de 2 corpos, o corpo da direita de 2 pisos, rasgado por arcada de volta perfeita sobre colunas facetadas e janela bífora no térreo, por janela idêntica e janelas de 3 vãos em arco redondo sobre colunelos no superior; o corpo prismático saliente do lado esquerdo, de 3 pisos, rasgados por janelas de verga recta arquitravada e por portal moldurado com frontão de cornija triangular, encimado por pedra de armas. Escada de aparato lançada no interior deste último corpo, com vários lances separados por patamares. INTERIOR: paredes das divisões, incluíndo a escadaria, apresentam lambris de azulejos quinhentistas, seiscentistas e setecentistas. No andar nobre, surgem azulejos oitocentistas, também a azul e branco, com molduras exteriores recortadas, representando cenas galantes. Uma das salas, aberta para a fachada posterior, apresenta um tecto de caixotões octogonais de madeira, com vestígios de policromia.

Acessos

À saída da localidade do Seixal, seguindo a Av. 9 de Abril e a Av. MUD Juvenil, na direcção da Azinheira. WGS84 (graus decimais): lat. 38,644332, long. -9.093001

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 516/71, DG, 1.ª série, n.º 274 de 22 novembro 1971

Enquadramento

Rural, vale, borda d'água, isolado, separado da estrada por muro alto onde se rasgam portas de acesso. O edifício, rodeado pelos antigos jardins e pátios, deita a fachada principal para o rio Tejo.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Armazenamento e logística: reserva museológica / Científica: laboratório

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 14 - D. Nuno Álvares Pereira recebeu os terrenos da Azinheira do Seixal como forma de pagamento dos seus serviços; a quinta foi doada pela sobrinha do Condestával, à Ordem da Santíssima Trindade, acabando por se converter numa importante fonte de rendimento para esta ordem; 1586 - construção da "casa grande", com dormitórios e celas para os frades trinos; séc. 18 - pintura e colocação dos azulejos no interior do palácio; Séc. 20, 1º quartel - data provável de construção do actual edifício; 1982 - o palácio, parte do Jardim, dos armazéns e quatro parcelas de terreno da Quinta da Trindade são cedidos à Câmara Municipal do Seixal pela empresa I. F. I- Investimentos Financ. Imobiliários, Ldª. em cumprimento do clausulado de alvará de licença de loteamento da propriedade.

Dados Técnicos

Paredes portantes

Materiais

Estrutura em alvenaria rebocada e caiada; cobertura em telha cerâmica; cantaria em molduras, colunas, pavimentos; azulejo, madeira.

Bibliografia

LUCENA, Armando de, Belas Artes, *** SIMÕES, J. M. dos Santos, A Azulejaria em Portugal no século XVIII, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1979; ALBERTO, Edite Martins, A Quinta da Trindade. História da Ordem da Santíssima Trindade no Seixal, Património e História, Nº 1, Câmara Municipal do Seixal, 1999; MANGUCCI, António Celso, Metamorfoses, Ordem e Erudição. A Iconografia das Pinturas Mitológicas no Tecto da Quinta da Trindade, Património e História, Nº 2, Câmara Municipal do Seixal, 2003; DUARTE, Ana Luisa, As Idades da Vida. Colecção de Azulejaria da Quinta da Trindade, Ecomuseu Informação, nº 29, 2003; MANGUCCI, António Celso, As Gravuras de Nicolas Lancret e os Azulejos da Quinta da Trindade, Seixal, Al-Madan, IIª Série, Nº 13, Almada, 2005;

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN / DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMS: 1997 / 1998 - reabilitação das coberturas do imóvel principal; 1997 / 1998 / 1999 - tratamento e conservação do tecto policromado; 1999 - obras de recuperação e manutenção da casa do guarda. Periodicamente são realizadas intervenções de manutenção e reparação.

Observações

Autor e Data

Isabel Mendonça 1993

Actualização

Cecília Matias 2008
 
 
 
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